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domingo, 23 de novembro de 2025

QUANDO O DISCÍPULO FAZ ALGO MAIS DO QUE O PRÓPRIO MESTRE

 



Isso ocorreu durante a História por várias vezes: o discípulo fazer mais obras do que o mestre ou fundador. Moisés fez o mar se abrir e Josué fez um rio parar, as muralhas de Jericó caírem e o sol parar no horizonte. Moisés venceu cerca de 7 reis, enquanto Josué venceu mais de 30! Eliseu fez milagres mais estupendos do que Santo Elias, seu mestre. São Paulo fez mais do que São Pedro. São Francisco Xavier mais do que Santo Inácio.

O próprio Nosso Senhor Jesus Cristo disse que aquele que tivesse fé faria obras maiores do que as que Ele fez. Ele ressuscitou Lázaro após poucos dias de morto, mas São Tiago ressuscitou São Pedro de Rates vários anos após a morte deste. Baseado nesse princípio, Monsenhor João Clá realizou mais obras do que o Sr. Dr. Plínio, e em pouco menos do que 30 anos após a morte de seu mestre.

Segundo dados publicados pela revista “Arautos do Evangelho”, edição especial de novembro de 2024, a ação apostólica de Monsenhor João Clá deixou-nos um lastro espantoso de obras fenomenais. Além de ter fundado mosteiros, igrejas e entidades católicas sacrais, realizou estudos importantes em várias universidades. “Aprofundou seus estudos teológicos com renomados catedráticos” de destaque, sendo que, de alguns, publicou pequenas biografias em inglês e espanhol. “No desenvolvimento de seus estudos acadêmicos obteve láureas em diversas universidades: Bacharel em Teologia pelo Centro Universitário Ítalo-Brasileiro, de São Paulo; Licenciado em Humanidades pela Pontifícia Universidade Católica Madre y Mestra, da República Dominicana; Mestre em Psicologia pela Universidade Católica da Colômbia; Doutor em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade São Tomás de Aquino – “Angelicum”, de Roma; Doutor em Teologia pela Universidade Pontifícia Bolivariana”

Também destacou-se como grande escritor, sendo autor de quase 30 obras, com milhões de exemplares vendidos. Alguém pode indagar como alguém pode publicar tantos livros somente em seu nome, não indicando em suas obras os que colaboraram nelas. Essa questão eu já levantei com relação a autores antigos: como é que grandes escritores do passado, como Santo Agostinho, São Tomás, ou até mesmo aqueles oradores famosos tipo Cícero etc., publicaram tantas obras se naqueles tempos não havia recursos que facilitassem tal trabalho? A resposta veio através de um estudioso (não lembro agora o nome) que levantou essa questão a respeito de Santo Agostinho: publicou dezenas de grandes obras, alcançando em edições modernas milhares de exemplares numa época em que se escrevia com penas de aves ou através lapidação em pedras. Segundo aquele estudioso, Santo Agostinho dispunha de mais de 40 copistas, para os quais ele ditava seus pensamentos para os mesmos escrever, ou em pedras ou papiros, não me lembro. Não, não era necessário que tais colaboradores aparecessem em seus livros. Da mesma forma, tanto o Sr. Dr. Plínio quanto o Monsenhor João dispunham de dezenas de colaboradores, munidos dos melhores recursos modernos, como computadores, etc., facilitando digitação e compilação de tais textos para publicação. Eles apenas coordenavam e conferiam a excelência de tal trabalho. Aquilo era fruto de uma liderança natural nos grupos católicos que fundaram, hoje todos debaixo da ordem dos Arautos do Evangelho.

 

Relação das obras de Monsenhor João Clá já publicadas:

 

1.            Organizador de Reflexões e exemplos de Santos, oportunos para nossos dias (1984);

2.            Fr. Santiago Ramírez, OP. A Champion of the Angelic Doctor Advances His Work (1984);

3.            Fr. Cabreros de Anta. CMF. A Firm Pillar of Canon Law in Our Century (1986);

4.            Cardinal Sticker: Salesian Erudite and Librarian of the Holy Catholic Church (1987);

5.            Antonio Royo Marin, OP. A Master on the Spiritual Life, a Brilliant Preacher and a Famous Writer (1987);

6.            Organizador de Como Ruiu a Cristandade Medieval? Humanismo, Renascença e protestantismo (Edições Brasil de Amanhã - 1992);

7.            Mãe do Bom Conselho (Edições Brasil de Amanhã – prefácio de Plínio Corrêa de Oliveira - 1992-2016);

8.            Organizador de Despreocupados... rumo à guilhotina. A autodemolição do Ancien Régime (1993);

9.            Victorino Rodriguez y Rodriguez, OP. A Star of Thomism Shines on Catholic Culture Amid the Store of the Contemporary Crisit (1995);

10.         Dona Lucília (1995-2013);

11.         Pequeno Ofício da Imaculada Conceição comentado (1997-2010 – Associação Católica Nossa Senhora de Fátima – Instituto Lumen Sapientiae), em dois volumes;

12.         Fátima, Aurora do terceiro milênio (1998-2007);

13.         Rosário, escudo e força dos católicos (1999);

14.         Jacinta e Francisco, prediletos de Maria (2000);

15.         Orações do dia a dia (2001);

16.         Sagrado Coração de Jesus, tesouro de bondade e amor (2002);

17.         Via-Sacra (2002);

18.         Os mistérios luminosos do Rosário (2003);

19.         A medalha milagrosa. História e celestiais promessas (2003);

20.         Rosário, oração de paz (2003);

21.         Uma hora no pudiste velar conmigo? Reflexiones para el tiempo cuaresmal (2010);

22.         O inédito sobre os Evangelhos. Comentários sobre os Evangelhos dominicais (2012-2014 – Libreria Editrice Vaticana, Citá del Vaticano – Instituto Lumen Sapientiae), coleção em sete volumes;

23.         O dom da sabedoria na mente, vida e obra de Plínio Corrêa de Oliveira (Libreria Ediitrice Vaticana, Citá del Vaticano – Instituto Lumen Sapientiae, São Paulo - 2016), coleção em cinco volumes;

24.         Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará (2017);

25.         Plínio Corrêa de Oliveira. Um profeta para os nossos dias (Instituto Lumen Sapientiea – Arautos do Evangelho - 2017);

26.         São José: quem o conhece? (Instituto Lumen Sapientiae – Arautos do Evangelho - 2017);

27.         Maria Santíssima! O Paraíso de Deus revelado aos homens (Associação Brasileira Arautos do Evangelho - 2019-2010), coleção em três volumes.

28.         Organizador e prefácio de “Opera Omnia – PLÍNIO CORRÊA DE OLIVEIRA” – (Editora Retornarei, 2008), já prontos 3 volumes e em fase de conclusão os demais.

29.         Organizador e apresentador de “Notas Autobiográficas PLÍNIO CORRÊA DE OLIVEIRA” (Editora Retornarei, 2008), já prontos 4 volumes e em fase de conclusão os demais.

 Sua ação apostólica teve salutar acolhida em várias partes do mundo. “Foi condecorado em diversos países por sua atividade evangelizadora, cultural, científica e até mesmo militar”. Recebeu a medalha Marechal Hermes dada pelo 2º Batalhão de Polícia do Exército Brasileiro e o diploma de “Amigo do Regimento Raposo Tavares. A Assembleia Legislativa de São Paulo lhe concedeu o “Colar de Honra ao Mérito” e da Câmara Municipal da capital a “Medalha Anchieta”. Da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro recebeu a ‘Medalha Tiradentes". “Entre as distinções acadêmicas, contam-se a elevação a membro da Sociedade Internacional Tomás de Aquino, na Espanha, e da Academia de Ciências do México, como também o prêmio PROIN e o título de Doutor Honoris Causa, concedido pelo Centro Universitário Ítalo-Brasileiro”

“No campo eclesiástico, foi eleito membro efetivo da Pontifícia Academia da Imaculada, da Cidade Eterna, e da Academia Marial de Aparecida, no Brasil. Bento XVI o nomeou Cônego Honorário da Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma, e Pronotário Apostólico, assim como lhe conferiu a medalha “Pro Ecclesia Pontifice”, como reconhecimento por sua obra em prol da Santa Igreja Católica” [1]

Sua maior ação, porém, foi disseminar cada vez mais pelo mundo as famílias de almas que giravam em torno da vocação do Sr. Dr. Plínio. Assim, fundou três institutos de Direito Pontifício: Arautos do Evangelho, Sociedade Clerical de Vida Apostólica Virgo Flos Carmeli (ramo sacerdotal dos Arautos), Sociedade Feminina de Vida Apostólica Virgina Virginum (ramo das religiosas professas dos Arautos), Instituto Filosófico-Teológico Santa Escolástica, entre os quais foram organizados mais de 50 corais espalhados pelo mundo nos quase 80 países onde atuam. Para dar maior formação religiosa aos seus membros fundou em São Paulo o Instituto Teológico São Tomás de Aquino e o Instituto Filosófico Aristotélico-Tomista. De outro lado, sob sua orientação também foram fundadas várias escolas de níveis primários e médio, onde a primazia do ensino se baseia na disciplina e no ensino da Doutrina Católica.

Para divulgar sua obra entre a população fundou as revistas “Arautos do Evangelho” e “Dr. Plínio”, além da revista acadêmica “Lumen Veritatis”, cujas edições somam mais de um milhão de exemplares por mês. Faz parte também dessa divulgação das doutrinas e princípios os vários canais que atuam na Internet, levando a Contra-Revolução aos corações e aos lares mais distantes. Somados todos estes canais espalhados pelo mundo ascendem a milhões a quantidade de acessos diários.

De outro lado, com seu apostolado foram e estão sendo construídos vários mosteiros, basílicas e capelas, com estilos góticos de alto nível, como, por exemplo, o complexo da casa de formação Thabor, em Caieiras (SP), junto à Basílica de Nossa Senhora do Rosário; a Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Tocancipa (Colômbia); Basílica de Nossa Senhora do Rosário, em Cotia (SP); mosteiro das freiras dos Arautos, denominado Casa Monte Carmelo, em Caieiras (SP); Casa Lumen Prophetae, em Franco da Rocha (SP); Oratório de Nossa Senhora da Reconquista, em Medelin (Colômbia).  Outras obras de grande destaque pela beleza artística e espíritos de piedade estão sendo construídas, como no Paraguai e até na África. Também no restante do Brasil, como a capela de São Salvador, na capital baiana e em outras capitais. Para a realização de tão importantes templos sagrados, os Arautos do Evangelho possuem grupos especializados de artistas, os quais se dedicam tempo integral à sua vocação por amor a Deus e à causa católica. Destacam-se, entre eles, excelentes pintores, escultores, decoradores, arquitetos, músicos (muitos são até compositores, embora anônimos por vocação). O lema é aquele dito pelo Papa João Paulo II: a beleza pode salvar o mundo.

VEJA TAMBÉM:  https://quodlibeta.blogspot.com/2025/11/as-punhaladas-num-fundador.html

 



[1] Todos estes dados foram extraídos da revista “Arautos do Evangelho’, edição extra de novembro de 2024.


segunda-feira, 4 de novembro de 2024

UM DOS SINTOMAS DA FALÊNCIA MIDIÁTICA MODERNA

 




Consideramos aqui como mídia aqueles órgãos oficiais que dizem merecer credibilidade na opinião pública, como jornais, revistas, rádios e TVs. Quanto aos órgãos impressos, como jornais e revistas, basta dá uma olhada nas antigas bancas de jornais para ver como o público não mais os consome. Alguns anos atrás o “New York Time” tinha uma tiragem em torno de 6 milhões de exemplares, e hoje não passa de algumas centenas de milhares. A “Folha de São Paulo” perde, a cada diz, mais eleitores, com edições minguadas. Televisão e rádio, porém, ainda resta algum público que lhes apreciam algum tanto, embora não como antigamente. A principal delas, a Globo, alguns atrás alardeava ter uma audiência de 40 milhões, e hoje talvez não chegue a 10, e mesmo assim somente nas lojas, nas clínicas e nos shoppings. A falta de credibilidade de tais órgãos da mídia é algo clamoroso, que chama a atenção de qualquer um de nossos contemporâneos.

Um dos principais motivos que os fazem perder cada vez mais a credibilidade da opinião pública é a ação facciosa e tendenciosa nas notícias e informações dadas. Por exemplo, o vergonhoso silêncio em torno da maior personalidade religiosa falecida no início do mês, em 1º de novembro, Monsenhor João Scognamíglio Clá Dias. Eles sabem de tudo, e informam tudo, a respeito de políticos, de bandidos, de artistas, de jogadores de futebol, mas nada sabem sobre uma das mais pujantes personalidades católicas atuais.

Então os principais jornais e TVs sabem de tudo, menos da existência e morte de um líder e fundador de uma grande ordem religiosa existente em quase 80 países? Eles não assistem os vídeos que a instituição posta no YouTube?

Desconhecem, por exemplo, que essa ordem religiosa congrega milhares de pessoas no mundo, incluindo aderentes e simpatizantes, além de seus sacerdotes, monges e freiras? Nada sabem, ou fingem desconhecer, que calcula-se em alguns milhões os católicos que fizeram consagração à Nossa Senhora através dos Arautos do Evangelho? Ou então que a instituição tem uma das maiores publicações religiosas do mundo, a sua principal revista?

Desconhecem ou ignoram que Monsenhor João Clá é um escritor, autor de obras com milhares e até milhões de exemplares já publicados e vendidos? Desconhecem que seu nome é destaque em institutos de renome internacional, tanto na Europa quanto nas Américas?

Desconhecem ou ignoram que fundou alguns conventos e basílicas católicas, cujos edifícios são obra prima de beleza e arquitetura?

Muito mais do que isso: nada sabem sobre o apostolado intenso feito por esse grande defensor da nossa fé, especialmente entre a juventude, dando educação e instrução relevante a milhares deles em vários países do mundo?

Por que a mídia ignora tais fatos? Por que ignora, ou faz de conta que ignora, a existência de um personagem tão fantástico, o qual realizou uma obra primorosa e espantosa, não somente no Brasil, mas em mais de 70 países? O fato da Providência Divina ter suscitado tal vocação no Brasil, nos dando uma condição de liderança no mundo não deveria ser motivo de notícias e comentários?

Não. Não saiu em nenhum jornal de grande tiragem, em nenhuma publicação de grande público, nem em nenhum grande canal de TV, uma só palavra, uma simples menção ao falecimento de tão grande personagem, que fez história, mas eles pretendem dessa forma abafar sua boa fama.  Essa é uma das razões pelas quais a mídia oficial, essa “tuba da publicidade” do mundo moderno, composta de elementos tendenciosos e alheios ao pensamento popular, está perdendo cada vez mais credibilidade perante o povo.

 

 


sábado, 24 de julho de 2021

VISÃO BEATÍFICA, UM FLASH CONTÍNUO E ETERNO

 




 

Tudo indica que os órgãos mais privilegiados no Paraíso celeste são nossos olhos, pois é através deles que se terá a “visão beatífica”, a contemplação de Deus por toda a eternidade. Aqui na terra eles foram úteis para se ter uma antevisão dessa beatitude contemplando o belo e as maravilhas da natureza, tudo aquilo que Santo Agostinho chamou de “vestígios de Deus”. São Tomás de Aquino fala sobre essa contemplação, alertando que por serem “vestígios de Deus” não devem ser venerados ou adorados, mas apenas admirados em função do Criador, o único que deve ser adorado.

Eis o que diz o Catecismo da Igreja Católica sobre a visão beatífica, no tópico 1028: “Em razão de sua transcendência, Deus só poderá ser visto tal como é quando Ele mesmo abrir seu mistério à contemplação direta do homem e o capacitar para tanto. Esta contemplação de Deus em sua glória celeste é chamada pela Igreja de “visão beatifica”. Em seguida cita São Cipriano: “Qual não será tua glória e tua felicidade: ser admitido a ver a Deus, ter a honra de participar das alegrias da salvação e da luz eterna na companhia de Cristo, o Senhor teu Deus (...) desfrutar no Reino dos Céus, na companhia dos justos e dos amigos de Deus, as alegrias da imortalidade adquirida”[1] Em outro tópico, diz o seguinte: A visão beatífica, na qual Deus se revelará de maneira inesgotável aos eleitos, será a fonte inexaurível de felicidade, de paz e de comunhão mútua”  (1045)

São Gregório de Nissa, citado também no Catecismo, diz que “A promessa de ver a Deus ultrapassa todas as bem-aventuranças. Na Escritura, ver é possuir. Aquele que vê a Deus obteve todos os bens que podemos imaginar”[2] São João Evangelista diz numa Epístola que no Paraíso “seremos semelhante a Ele, porque o veremos como Ele é”  (I Jo 3.2). São Paulo fala da vida na eternidade, quando “vier o que é perfeito, será abolido o que é imperfeito”, completando: “Nós agora vemos como num espelho, em enigma; mas então veremos face a face”(I Cor 13,12). O Apóstolo também se refere aos olhos, dizendo que ninguém jamais viu o que Deus preparou para aqueles que Ele ama.

De outro lado, o mesmo Catecismo mostra que a condenação do inferno é exatamente a privação da visão de Deus: “A Escritura denomina a Morada dos Mortos, para a qual Cristo desceu, de os Infernos, o sheol ou o Hades, visto que os que lá se encontram estão privados da visão de Deus”  (tópico 633).

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SANTO ANSELMO E O DESEJO DE CONTEMPLAR A DEUS.

 

Santo Anselmo fala sobre a presença de Deus através dessa luz interior que nos leva ver a Deus já antes da eternidade:

“Eia, homenzinho, deixa um momento tuas ocupações habituais; entra num instante em ti mesmo, longe do tumulto de teus pensamentos. Lança fora de ti as preocupações esmagadoras; aparta de ti vossas inquietações trabalhosas.

Dedica-te por um instante a Deus e descansa pelo menos um momento em sua presença. Entra no aposento de tua alma; excluí tudo, exceto Deus e o que possa ajudá-lo a buscá-Lo; e assim, fechadas todas as portas, segue após Ele. Diz, pois, alma minha, diz a Deus: “Busco vossa face; Senhor, desejo ver vossa face”.

E agora, Senhor, meu Deus, ensina meu coração onde e como buscar-Vos, onde e como encontrar-Vos.

Senhor, se não estás aqui, onde Vos buscarei, estando ausente? Se estás em todos os lugares, como não encontro vossa presença? Certo é que habitas numa claridade inacessível. Porém onde se encontra essa inacessível claridade? Como me aproximarei dela? Quem me conduzirá até aí para ver-Vos nela? E assim, com que sinais, sob qual coisa Vos buscarei? Nunca jamais Vos vi, Senhor, Deus meu; não conheço vossa face.

Que fará, altíssimo Senhor, este vosso desterrado tão longe de Vós? Que fará vosso servidor, ansioso de vosso amor e tão longe de vossa face? Deseja Vos ver e vosso rosto está muito longe dele. Deseja aproximar-se de Vós e vossa morada é inacessível. Arde no desejo de encontrar-Vos e ignora onde vives. Não suspira mais que por Vós e jamais viu o vosso rosto.
Senhor, Vós sois meu Deus, meu dono, e, contudo, nunca Vos vi. Me tens criado e renovado, me tens concedido todos os bens que possuo e ainda não Vos conheço. Me criaste, enfim, para Vos ver, e, todavia, nada é feito para aquilo para o qual fui criado.

Então, Senhor, até quando? Até quando Vós esquecereis de nós, apartando de nós vosso rosto? Quando, finalmente, nos olharás e nos escutarás? Quando encherás de luz nossos olhos e nos mostrará vosso rosto? Quando voltarás para nós?

Olha-nos, Senhor; escuta-nos, ilumina-nos, mostrai-Vos a nós. Manifesta-nos novamente vossa presença para que tudo nos ocorra bem; sem isso tudo será mal. Tem piedade de nossos trabalhos e esforços para chegar até Vós, porque sem Vós nada podemos.

Ensina-nos a buscar-Vos e mostrai-Vos a quem vos busca; porque não posso ir em vossa procura a menos que Vós me ensine, e não posso Vos encontrar se não Vos manifestas. Desejando Vos buscarei, buscando Vos desejarei, amando Vos acharei e encontrando-Vos vos amarei”.[3]

 

UMA FENOMENAL DESCRIÇÃO DE FLASH

 “Será que todo mundo sabe o que é “flash”? Já viram máquina fotográfica, não é? Então, quando vai se tirar fotografia em um ambiente escuro, existe um dispositivo nestas máquinas atuais que atuam por si só abrem, enfim, uma portazinha, sai uma lampadazinha assim, e de repente aperta no botão e aquilo ilumina. E é uma luz forte, muito eficaz, mas rápida, o suficiente para bater a fotografia,  porque se ficar aquela luz acesa, gasta bateria e às vezes até queima a lâmpada.  Então precisa ser rápida, coisa assim bem fugaz. Não é isso?

“Flash”. É isso, não é? “Flash” é isso. Isso é um “flash” concreto. Agora, alguém me mandou um outro texto além de Santa...  Ah, Santo Agostinho! Santo Agostinho e Santa Faustina Kowalska, ambos de forma diferente falam a respeito do “flash”, não de máquina fotográfica, o “flash” sobrenatural, o “flash” espiritual. E o Sr. Dr. Plínio também tem toda uma, eu já fiz um simpósio uma vez, com dez conferências dele sobre o “flash”, dez conferências. E estes dois santos, Santo Agostinho e Santa Faustina, e também o Doutor Plínio, tratam do assunto “flash” com muita propriedade. Santo Agostinho, esse trecho, é uma pena, foi no ofício divino destes dias, eu creio que foi de anteontem, anteontem, foi... foi anteontem, foi no avião ainda, rezando o ofício divino no avião que eu me deparei com o texto esse do “flash”.

O “flash” corresponde ao quê? Deus quer nos santificar, Deus quer que nós cheguemos à perfeição e quer que , chega em determinado momento, em que Ele possa dar-se a si mesmo a conhecer e amar como Ele mesmo se conhece e Se ama, a cada um de nós. Então, Ele quer que vivamos da vida d’Ele. Porque nós temos em nós minerais, vegetais, animais, somos  homens, e temos algo alguinho de Anjo. Mas, esses cinco graus de criação que existe em nós, porque se vão fazer  exame de sangue, vão encontrar ferro, vão encontrar potássio, vão encontrar... tudo isso é mineral. Então, está cheio de mineral no organismo. Depois nós vamos ter na vida de um cada um vegetal, algo de vegetal. Veja, eu estou vendo que um ou outro vai ter que passar pelo barbeiro, depois... Depois de chegar de viagem, claro, eu mesmo antes de viajar tive que cortar  o cabelo. Agora, imagine só, imagine só se o cabelo não fosse vegetal , mas, o cabelo fosse animal, quando metesse a tesoura o cabelo [gritasse]Ai! Imagine só, imagine se fosse cortar a unha, e a gente quando metesse o cortador de unha sentisse como se fosse uma vida animal, não fosse vida vegetal. É que a unha tem uma parte animal, que está posta na carne, e uma parte vegetal. Então, temos minérios, temos vegetal e temos a parte animal.

Tudo isso é na nada perto do que se chama vida divina. Como é que se define a vida divina? Como é que se define a vida de Deus? Como é que Deus vive? Qual é a vitalidade de Deus? Deus vive na seguinte essência: Ele se vê a Si próprio tal qual Ele é, e Se ama a Si próprio tal qual Ele é. O ver-Se a Si e amar-Se é a vida de Deus. E essa vida é que Deus quer dar para nós, porque nós não temos essa vida. Nós temos mineral sem vida, nós temos vegetal com vida vegetal, nós temos animal, mas nós não vemos... Estão vendo a Deus? Não. Vieram pelo caminho, encontraram a Deus no caminho? Não encontraram a Deus no caminho, não encontraram porque não se vê a Deus. Mas, me digam uma coisa: no catecismo, todos já passaram pelo catecismo, não foi? Não perguntaram no catecismo: Deus está aqui debaixo da mesa? Deus está lá fora na rua? Deus está na França? Deus está na Espanha? Deus está em Portugal? Então, Deus está por...?  - Em todo o lugar. E eu não vejo Deus, como é que é isso? Por que não vejo Deus? Sabe por que eu não vejo Deus? Porque em relação a Deus eu sou um morcego. Eu tenho a vista ruim, minha vista não alcança ver a Deus, porque para ver a Deus precisa ter uma vista especialíssima, e não dá pra ver a Deus. E é verdade, Deus está aqui, nós todos estamos dentro de Deus. Não é isso? Deus está dentro de nós, mas nós não vemos a Deus. Por que?  Porque nossa vista é ruim. Para ver a Deus sabe o que é preciso? Os olhos de Deus.  E é o que Deus nos dá quando nós vamos para a eternidade. Quando nós vamos para a eternidade, Deus nos dá uma parcela da vista d’Ele. E nós chegamos, então, e vemos a Deus face a face. É uma maravilha! E vendo a Deus face a face, nós não queremos mais sair de lá. Não passaram por certos lugares onde disseram: “Ui, se eu morasse aqui! Se eu vivesse aqui!”  Pois fiquem sabendo que, quando a gente vê Deus face a face, não é que a gente diz: “Ui, se eu vivesse aqui! Eu vou viver aqui e daqui ninguém mais me tira”. “Não quero sair mais! Não quero sair mais!” Agarro em Deus e não solto mais. Por isso quem vê Deus face a face, se está vivo morre, porque se a condição é ir embora com a alma, o corpo fica aqui não é? Meu corpo, adeus!

Então nessa caminhada para ver a Deus face a face, Deus que quer me dar essa maravilha, Ele, de vez em quando, me faz sentir quem é Ele. Sabe como? Numa máquina fotográfica que tem no Céu e que Ele aperta em um botão, um “flash”, e a gente sente naquela hora quem é Deus. Sentiu naquela hora quem é Deus, a gente está disposto a tudo. Quem é chamado ao martírio, morre em estado de “flash”, porque se não fosse não tinha coragem de enfrentar a morte. E a graça do martírio é uma graça do Espírito Santo eficaz, produz aquilo de uma forma extraordinária , e a pessoa morre em estado de “flash”. Por isso, pega um São Tarcísio, por exemplo, que com dez anos de idade morreu daquela forma tão extraordinária, tendo a Eucaristia no peito. Pegam Santo Estêvão, qualquer mártir; qualquer mártir morre em estado de “flash”.  E a Providência nos dá durante a vida estes e aqueles “flashes” para ir nos educando e para ir abrindo o nosso apetite e chegar ao Céu e chegar à eternidade. E por isso a gente deve saber cultivar esses “flashes” e não esquecer mais esses “flashes”.

O meu maior “flash” na vida foi ter encontrado o Sr. Dr. Plínio. Aí está. A Providência já me tinha preparado, porque eu vivia meio desgostoso com todos os companheiros, com todos os parentes, com tudo. Via esse mundo perdido e afundado. E dizia: “Mas tem que existir alguém, tem que existir alguém que não seja assim, tem que existir alguém. É um homem!”  Isso uns dois, três anos antes de conhecê-lo. E eu, mais ou menos, de tanto rezar para conhecer esse  homem, eu vi uma silhueta, que, quando no dia 7 de julho de 1956, estando na basílica do Carmo em São Paulo, eu vi um conjunto de treze pessoa entrando , doze e mais ele no fim, quando o olhei, disse: “É este o homem!”  Este foi o “flash” maior que tive na vida, porque eu senti em mim qual era aquela vocação, quem era aquele homem e aquela missão. E por isso agüentei e estou aqui; cinqüenta anos depois, estou aqui junto com os senhores.

(Texto extraído, sem revisão do orador, de vídeo postado pelos Arautos do Evangelho no YouTube, em 05.07.2021- CONSELHOS DE PAI, PALAVRAS DE FUNDADOR - “Através dos “flashes” Deus nos faz sentir quem é Ele” – Monsenhor João S. Clá Dias – 31.08.2006)

 



[1] Referência no rodapé do citado Catecismo: S. Cipriano, Epístola 58, 10.

[2] Catecismo da Igreja católica – Edições Loyola, tópico 2548, pág. 653

[3] Del libro Proslógion de san Anselmo, obispo - (Cap. 1: Opera omnia, edición Schmitt, Seckau [Austria] 1938, 1, 97-100


domingo, 20 de janeiro de 2019

O MILAGRE DAS BODAS DE CANÁ





Meditação de Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias - Jesus com Maria nas Bodas de Caná
Fazei tudo o que Ele vos disser".(Jo. 2, 5)
No segundo mistério luminoso contemplamos: a realização do primeiro milagre de Jesus, nas Bodas de Caná. (Jo 2, 1-11)
Preparação:
Vamos fixar nossa atenção ao entrarmos em meditação em Caná da Galiléia. Caná era uma cidade de maior tamanho e influência que Nazaré. Devemos imaginar uma casa daqueles tempos, tamanho talvez médio, ali se encontravam os noivos, os parentes, os convidados e entre estes está Nossa Senhora. Ela tinha ali muitos conhecidos, pessoas amigas; Maria se encontrava lá quando chegaram Jesus e seus discípulos; bem se pode imaginar a emoção da Santíssima Virgem ao conhecer os primeiros seguidores de seu Filho! Certamente Ela os tratou, logo de início, com um carinho maternal todo feito de amor. Ali começou a se tornar claro sua proteção especial por aqueles que resolvem se entregar a Nosso Senhor Jesus Cristo.
Oração Inicial:

"Ó Maria Santíssima Virgem Santíssima, que neste episódio do Evangelho, apareceis como suplicante, como medianeira pela primeira vez, nos relatos evangélicos; vós que intercedestes junto a vosso Divino Filho apesar de não ser ainda a hora, para pedir um milagre, vos que antecipastes, portanto, a vida pública de Nosso Senhor Jesus Cristo. Vós que tendes a voz, vós sabeis pedir como ninguém sabe, tendes a súplica infalível, nós vos pedimos, ó Mãe, nesta meditação, que desde já entregamos em reparação ao vosso Imaculado Coração por tantos pecados, horrores e ofensas que se cometem no mundo de hoje contra vosso Imaculado Coração.

Pedimo-vos, nesta meditação, que estejais a cada passo conduzindo a nossa inteligência, iluminando-a, fortalecendo nossa vontade, inflamando-nos com o desejo de aceitar inteiramente todas as graças que Nosso Senhor nos dará durante esta meditação. Cada um de nós aqui presente, pede que Vós nos ensineis a compreender a beleza da vocação,
a beleza de vossa mediação, a beleza da fé e da obediência, para que assim melhor possamos Vos servir.
Assim seja!"

Ave Maria, cheia de graças,...
I- Nosso Senhor eleva a união conjugal ao estado de sacramento.

" ... celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos". (Jo 2, 1-2)

Bodas, casamento, matrimônio. Ali estava Nossa Senhora. O casamento naquele tempo era celebrado com grandes festas, no momento em que se realizava. A preparação começava um ano antes da festa, com o contrato matrimonial pelo qual o noivo ficava prometido à noiva, e vice-versa. Nessa ocasião já se faziam os acertos relacionados ao problema da herança de um e de outro.

Chegado o momento do matrimônio, a festa, dependendo das posses da família, podia durar um dia, em geral começando em terça ou quarta-feira, distante do sábado, nos seus dois limites, mas às vezes durava até uma semana.

Os homens estavam ali para serem servidos; as jovens serviam, mas quem cuidava da festa propriamente eram as damas de maior idade, que tomavam as providências, orientavam o desenrolar da festa. Havia um mestre de cerimônia, um mestre da festa que coordenava os serviços dos serventes. Mas entre essas damas estava Maria. Maria era conhecida dessas famílias e Ela vai ter ali um grande papel.

Segundo afirmam inúmeros teólogos, exegetas, Nosso Senhor nessa ocasião elevou o casamento, a condição de sacramento.

E muito contrariamente ao que se divulga hoje em dia, o casamento é um sacramento, e ademais é uma vocação. Assim como um jovem, uma jovem, podem ser chamados a uma consagração religiosa, a uma vocação de servir a Deus, consagrando-se inteiramente e renunciando ao matrimônio, portanto seguindo uma vocação, um chamado, assim também o casamento é uma vocação. É o que fez Nosso Senhor Jesus Cristo neste momento, nesta festa em Caná foi santificar o casamento.
1 - Qual é a finalidade do casamento?
A união conjugal é querida por Deus para determinadas pessoas, assim como a vocação ao celibato é querida por Deus para outras. Mas assim como alguém que é chamado a seguir uma vocação religiosa, renuncia a tudo para se entregar àquela vocação com vistas a santificar-se e com vistas a cumprir uma missão, dentro do casamento o objetivo não é outro.

O casamento visa a santificação dos cônjuges. O casamento foi elevado a situação de sacramento, porque Deus quer que, dentro do casamento, esposo santifique a esposa, e esta santifique o marido.

2- Equívocos:

Erroneamente se divulga hoje em dia, como talvez em outras épocas, mas não sei se tanto como hoje, que a escolha do futuro cônjuge deve 
visar antes de tudo à beleza. Se é ele, ele procura a beleza na futura esposa. Se é ela, ela procura a beleza nele.
Ora, em latim se diz 'assueta vilescunt'- o uso frequente acaba envilecendo, torna vil, torna desprezível - e ademais, como estamos nesta terra de passagem, nós temos a fase da infância, da juventude, e da senectude. Se os dois se casam visando a beleza, depois de certa idade, a pele enruga, as doenças começam a se fazer sentir etc., etc., etc. E onde fica o elemento da união conjugal? Se a beleza foi embora, não existe mais ?

Esta é uma das causas de tantos matrimônios destroçados no mundo de hoje.

Uma das causas: casou-se por beleza, em um mês a beleza se foi, porque começou a encontrar defeitos.

Às vezes há gente que se casa pelo dinheiro. O dinheiro também, como nós temos sede de infinito, por mais que se tenha, nunca se terá tudo que se quer, porque se quer dinheiro em quantidade infinita, porque o homem, tudo o que quer, quer na proporção de Deus, ou seja, na proporção infinita, porque foi criado para Deus.

2 - O casamento por puro prazer, não tem as bênçãos de Deus!

E Nosso Senhor nas Bodas de Caná eleva o matrimônio a condição de sacramento. O homem deve santificar a mulher e esta santificar o homem. Essa é a finalidade do casamento: a santificação dos cônjuges.

Depois vem em seguida a prole. Mas nem é a prole a razão principalíssima do casamento. Ela é fundamental. Pode ser que o casal não venha a ter filhos. E por isso o casamento deixou de existir? Não. Mas depois da santificação, o que vem em seguida é a prole, os filhos. Casar por um puro prazer, torna praticamente inválido o casamento, não tem as bênçãos de Deus. E o casamento mais dia, menos dia se desfará.
II- Oração Final: celibato ou casamento?
"Minha Mãe,eu sou chamado ao celibato ou ao casamento? Se sou chamado ao celibato, eu devo me convencer de que o instinto que existe em mim e somente pode ser posto em prática dentro do casamento, em obediência a lei divina e a lei natural.

"E se for chamado ao casamento, minha Mãe, eu estou certo, ou estou certa de que devo, dentro do casamento, buscar sobretudo a minha santificação? Eu estou certo ou certa de que eu, casando-me, deverei colaborar para a santificação daquele ou daquela com quem me caso? Eu estou certo de que a felicidade relativa que eu possa ter no estado matrimonial, depende dessa fidelidade A lei de Deus, e que, portanto, eu não devo, de forma nenhuma trair a Deus, a meu cônjuge e a minha própria consciência?

Minha Mãe, neste momento em que medito estes pontos, eu vos peço: dai-me forças para ouvir de coração aberto a voz
de Deus, a voz da graça no meu interior minha alma"
III - O melhor vinho da História.

Conta-nos o Evangelho que nas bodas de Caná, Nossa Senhora percebendo a situação aflitiva dos noivos, dirige-se a seu Filho: "Não têm mais vinho". Ele fita-a com muito carinho e afeto, tratando-A com a suma linguagem de respeito para aquele tempo: "Mulher, que nos importa a mim e a ti isso? Ainda não chegou a minha hora!". Mas, apesar de tal resposta, Maria diz aos criados: "Fazei tudo o que Ele vos disser".

Jesus não pode deixar de atender a súplica de sua Mãe: eis que a água transforma-se num vinho extraordinário, dando origem a comentários: "Mas, então?! Foi deixado para o fim este vinho tão precioso, tão delicioso?".

Hoje em dia a humanidade encontra-se numa situação semelhante à do anfitrião nas bodas de Caná. Falta o vinho precioso da virtude, do juízo, da sabedoria, de modo tal que não há um recanto da terra do qual se possa dizer com certeza: "Este povo vive na graça de Deus".

Precisamente nessa hora de angústia, Nossa Senhora intervém para rogar por nós ao seu Divino Filho: "Eles não têm graças superabundantes para se converterem e mudar de vida. Enviai-lhas e transformai-os".(2)
E Nossa Senhora que conquista o vinho novo, mas o que virá é o melhor vinho de toda a História! Que Ela nos transforme, nos santifique!!
1 - A causa da verdadeira alegria.

A grande maravilha que se nota nas bodas de Caná, além da prestigiosa presença de Jesus -o centro de todas as atenções da festa - Maria e os discípulos, é o empenho que certamente tinham os noivos de tomarem um rumo real e normal de um matrimônio honesto, digno, santo. Os noivos se unem com a idéia exata de que devem trabalhar para santificar o outro; terem, sobretudo os filhos que Deus enviar e educá-los também nas vias da santidade.

Santidade! Esta é a causa da verdadeira alegria. Ser verdadeiramente santo é o que torna uma pessoa alegre; quem foge da santidade, quem foge da graça de Deus não pode ter a posse da verdadeira alegria.

Oração Final :

Ó Mãe Santíssima, a Vós entregamos esta meditação e Vos pedimos a graça de uma consciência clara e uma vontade inteiramente pura e enérgica, no sentido de sermos inteiramente fiéis, quer nas vias da religião, quer nas do matrimônio, a esta virtude que transparece em Vosso semblante: castidade!

Dai-nos, ó Mãe, a graça de sermos puros como os Anjos e santos que estão no céu e isso, quer seja dentro do casamento, quer numa vida religiosa; que entreguemos o nosso corpo e nossa alma para ser como Vós sois: Casta. Mãe Castíssima, fazei de nós pessoas puras e inocentes, afastadas de todo e qualquer pecado e que sejamos tão puros como foram tantos santos e santas.

E assim, tendo vencido todas as lutas e tentações de nossas vidas, por meio de Vossa graça, encontremos Vosso olhar maternal e sorridente; abraçando-nos na entrada do céu e dizendo-nos: Vinde meu filho, vinde minha filha, eu vou mostrar o lugar que lhes preparei por terdes aceitado as graças que a vós foram concedidas ao longo de suas vidas, na linha da pureza e da castidade.
Ps. Esta meditação é de autoria do Mons. João Clá Dias, pronunciada na Catedral da Sé de S.Paulo, 3/set./2005, sem revisão do autor. 'Fátima -O meu Imaculado Coração triunfará' * Mons. João S.Clá Dias, set.2007, 2ª edição, Copypress, pp 87-88.