quinta-feira, 2 de abril de 2026

SINAIS INVISÍVEIS DA VITÓRIA DE CRISTO

 


                            

 

COMO NOSSO SENHOR VISITOU A “MANSÃO DOS MORTOS” APÓS SUA MORTE

 

“Nosso Senhor visita o limbo dos justos

A partir do momento em que Nosso Senhor Jesus Cristo expirou e disse do alto da Cruz: “Consumatum est”, o sacrifício d’Ele terminou e o gênero humano estava remido, as portas do Céu se reabriram.

A alma de Nosso Senhor Jesus Cristo, separada do Corpo, desceu para o lugar onde se encontravam os homens que tinham morrido antes d’Ele e que mereciam ir para o Céu, entre os quais São Dimas, o bom ladrão, que provavelmente morreu antes de Nosso Senhor e foi espera-Lo no Limbo. Ali estavam todos os justos que tinham morrido desde Adão até aquele momento, num lugar sem fogo, sem tormento, numa longa espera de cinco mil anos, até que afinal viesse o Salvador.

No Credo se diz que Ele “desceu aos infernos”. Não é o inferno de Satanás. Inferno, em latim, é uma palavra genérica que significa lugares inferiores. O Limbo era um lugar inferior. Puro, digno, mas um lugar de saudades e de esperança, sem nenhuma alegria beatífica presente. Esse era o tal inferno onde a alma de Nosso Senhor Jesus Cristo desceu. Um inferno sem relação nenhuma com os demônios. E pode-se imaginar a alegria de todos os justos quando viram, de repente, o Salvador que descia.

Desde Adão e Eva, que se salvaram e são santos, pois Deus os perdoou, até os que tinham morrido naquela hora e foram salvos, todos eles, recebendo a boa notícia, estavam resgatados por Nosso Senhor.

É de se admitir que quando São José morreu ele contou no Limbo o nascimento do Messias e todos ficaram alegríssimos! Também quando São João Batista morreu sua alma foi para o Limbo e é provável que ele tenha contado o início da pregação do Messias e anunciado ali quem era Nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, todos no Limbo já sabiam quem Ele era, mas nada se comparou à alegria de ver o Messias e de, afinal, terem o sacrifício liquidado e irem com Ele para o Céu!” [1]

 

Jesus Cristo desceu aos infernos após sua morte completamente vitorioso

Nosso Senhor, após Sua Paixão e Morte, desceu aos infernos para vários motivos: além de libertar os justos do Limbo para leva-los ao Céu, também acorrentar todos os demônios, já que os venceu na Sua Paixão e Morte. Naquele momento Ele consumava sua grande vitória sobre o corpo místico do demônio, ao mesmo tempo que exaltava seu próprio Corpo Místico.

Segundo São Tomás de Aquino a expressão "desceu aos infernos" do Credo (hoje substituída por "desceu à mansão dos mortos", ou então "desceu às mansões dos mortos", no plural), refere-se aos lugares para onde tinham ido as almas dos mortos: o Limbo, o Purgatório e o Inferno propriamente dito. A expressão "inferno" era usada para designar qualquer lugar onde as almas estavam privadas da visão beatífica.

De que forma Nosso Senhor Jesus Cristo esteve presente nas diversas partes do inferno assim nos esclarece São Tomás de Aquino:

"De duas maneiras pode estar uma coisa em algum lugar: de uma maneira, pelo seu efeito;  dessa maneira Cristo desceu em quaisquer dos infernos, mas diversamente;  no inferno dos condenados produziu o efeito de argüi-los da sua incredulidade e maldade;   aos que estavam detidos no purgatório,  deu a esperança de alcançarem a vida eterna;  aos Santos Patriarcas, que apenas devido ao pecado original estavam no inferno [2], infundiu-lhes o lúmen da glória eterna.  De outra maneira uma coisa é dita estar em algum lugar pela sua essência:  e deste modo a alma de Cristo desceu somente ao lugar do inferno no qual estavam detidos os justos, para que, aos que Ele visitava segundo a divindade interiormente pela graça, visitasse-os também segundo a alma e localmente. Deste modo, estando em uma parte do inferno, estendeu seu efeito a todas as partes do mesmo inferno, como tendo sofrido em um só lugar da terra, libertou todo o mundo pela sua paixão"   (Summa III, 52, 2.c).

Assim, Jesus Cristo se fazendo presente, embora só pelos efeitos, no "inferno dos condenados" com o objetivo de argüi-los da incredulidade e maldade produziu outros efeitos, como por exemplo um exorcismo universal de todos os demônios, acorrentando-os nas masmorras infernais.  Somente os pecados dos homens poderiam, futuramente, fazê-los sair do inferno dos condenados, retornando à terra momentaneamente e com poder de ação limitado conforme o acolhimento dos homens.

Uma das razões pelas quais Cristo desceu ao inferno dos condenados eternamente foi comprovar seu triunfo sobre Satanás:

"A terceira razão foi para que Cristo tivesse uma vitória perfeita contra o diabo.  Alguém só tem um perfeito triunfo sobre outrem, não apenas quando o vence no campo de batalha, mas até quando ainda lhe invade a própria casa, e se apodera da sede do reino e do palácio.

"Para que Cristo triunfasse sobre o diabo de um modo completo, quis tirar-lhe a sede do reino, e prendê-lo na sua própria casa, que é o inferno.  Por isso aí desceu, tirou-lhe todos os bens, aprisionou-o e apoderou-se de sua presa. Lê-se:  "Despojando os principados e as sociedades,  exibiu-os publicamente, triunfando deles na cruz"  (Col 2, 15)

"Devemos considerar que, como Cristo recebera o poder e a posse do céu e da terra, deveria também ter a posse do inferno, como se lê na Carta aos Filipenses:  "Ao nome de Jesus dobre-se todo joelho, dos que estão nos céus, na terra e nos infernos" (Fil 2, 10).  O próprio Jesus dissera: "Em meu nome expulsarão os demônios  (Mc 16, 17)" [3] 

A Beata Ana Catarina de Emmerick descreve como Nosso Senhor Jesus Cristo desceu aos chamados infernos e ao Limbo após sua morte. Quer dizer, foi sua alma que desceu, pois seu Corpo ainda permanecia no sepulcro aguardando a ressurreição. E por que Jesus Cristo não subiu com sua Alma primeiro ao Pai para depois ir libertar as almas do Limbo? É que Ele tinha que se apresentar ao Pai cumprindo sua missão: acorrentar os demônios no inferno, libertar os justos e levá-los consigo ao Céu, que seria aberto por Ele com os méritos de Sua Paixão e Morte; e assim só deve ter subido ao Céu Empíreo na companhia dos mesmos no dia da Ascensão:  eram eles a continuidade de Seu Corpo Místico que iriam constituir na beatitude celeste a formação de Seu Reino. E não há reino sem súditos. Mas, e cadê a Rainha? Nossa Senhora não desceu no Limbo na companhia de Jesus porque Ela ainda tinha uma missão a cumprir na Terra. No entanto, lá esteve São Gabriel, conforme narra Catarina de Emmerick, o seu Mensageiro, servindo-se de representante d’Ela naquela tarefa.

Notemos que Catarina de Emmerick diz que viu três tipos de almas nos “infernos” para onde Nosso Senhor desceu logo após Sua morte. Dois deles eram os que estavam no Limbo, uns puros e preparados para entrar no Céu, e outros ainda purgando uma espécie de purgatório, haja vista que tinham morrido ainda imperfeitos. Um terceiro tipo, ou grupo, era o das almas condenadas ao inferno propriamente dito, os quais sofreram juntamente com os demônios a presença de Cristo que os subjugava conforme afirma São Tomás. Poderíamos então dizer que os “infernos”, ou a “mansão dos mortos” eram compostos de três partes: Limbo, purgatório e inferno.

Uma outra questão: quando Nosso Senhor ressuscitou, ao terceiro dia, deve ter levado algum corpo ressurreto consigo para o Céu, pois Ele estaria abrindo e como que inaugurando o Céu Empíreo, e não seria lógico que estivesse sozinho nessa hora. Teria que levar parte de seu Corpo Místico em toda sua forma, espiritual e corporal.  Assim, da mesma forma que são José talvez muitos profetas, ou o próprio Moisés, já passaram pela ressurreição de seus corpos antes do Juízo Final. Sim, e como fica Nossa Senhora? Mas, poderia ter ocorrido de alguns justos ressuscitarem antes de Nossa Senhora, já que Ela continuava ainda na terra? Nesse caso, a primazia no tempo não  representa maior grau de perfeição ou outra qualquer qualidade superior às demais. Isso pode ter ocorrido, sim, inclusive com a concordância d’Ela.

Segue a seguir o que Ana Catarina de Emmerick viu na descida de Nosso Senhor Jesus Cristo ao Limbo e ao que as escrituras chamavam de “infernos” ou “mansão dos mortos”. .

 DA VIDA DE JESUS CRISTO E DE SUA MÃE SANTÍSSIMA – A AMARGA PAIXÃO DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO

 

Jesus desce aos infernos

“Quando Jesus, dando um grito, exalou sua alma santíssima, eu a vi, sob uma forma luminosa, entrar na terra ao pé da cruz; muitos anjos, entre os quais estava São Gabriel, a acompanhavam. Vi sua divindade estar unida com sua alma e também com seu corpo suspenso na cruz: não posso expressar como isso se efetuava. O lugar onde entrou a alma de Jesus estava dividido em três partes: eram como três mundos. Pareceu-me observar que eram de forma redonda, e que cada um deles tinha sua esfera separada.

“Diante do limbo havia um lugar mais claro e mais sereno; nele vejo entrar as almas livres do purgatório antes de ser conduzidas ao céu. O limbo, onde estavam os que aguardavam a Redenção, achava-se rodeado de uma esfera parda e nebulosa e dividido em muitos círculos.

“O Salvador, radiante de luz, era conduzido em triunfo pelos anjos entre os dois círculos: no da esquerda estavam os patriarcas anteriores a Abraão; no da direita achavam-se as almas dos que haviam vivido após Abraão até São João Batista.

“Quando Jesus passou assim, não O conheceram; mas tudo se encheu de gozo e de desejos e houve uma dilatação nesses lugares estreitos onde estavam apertados. Jesus passou entre eles como o ar, como a luz, como o rocio de redenção, mas com a rapidez de um vento impetuoso. Penetrou entre estes dois círculos até um lugar coberto de neve, onde estavam Adão e Eva; lhes falou, e eles O adoraram com gozo indizível.

“O Senhor, acompanhado dos dois primeiros seres humanos, entrou à esquerda no círculo dos patriarcas anteriores a Abraão: era uma espécie de purgatório. Entre eles havia maus espíritos que atormentavam e inquietavam a alma de alguns. Os anjos chamaram e mandaram abrir, pois havia uma espécie de porta que estava fechada: pareceu-me que os anjos diziam: “Abri as portas”. E Jesus entrou em triunfo. Os maus espíritos se afastaram gritando: “Que há entre Tu e nós? Que vens fazer aqui? Queres crucificar-nos?” Os anjos os encadearam e os jogaram adiante. As almas que estavam nesse lugar não tinham não tinham mais que um leve pressentimento e um conhecimento obscuro de Jesus: O Salvador apresentou-se a elas e cantaram seus louvores.

“A alma do Senhor, quando chegou no limbo propriamente encontrou a alma do bom ladrão conduzida pelos anjos ao seio de Abraão, e a do mau ladrão que os demônios levavam para o inferno. A alma de Jesus, acompanhada dos anjos, das almas libertadas e dos maus espíritos cativos, entrou no seio de Abraão. Esse lugar me pareceu mais elevado; como quando se sobe de uma igreja subterrânea para a igreja superior. Os demônios encadeados resistiam e não queriam entrar; mas os anjos os obrigaram a isso. Ali encontravam-se todos os santos israelitas: à esquerda, os Patriarcas, Moisés, os Juízes e os Reis; à direita, os Profetas, os antecessores de Jesus e seus parentes, como Joaquim, Ana, José, Zacarias, Isabel e João. Não havia muitos espíritos neste lugar: somente a pena que nele se padecia era o desejo ardente do cumprimento da promessa, agora satisfeito. Uma alegria e felicidade indizíveis entraram nessas almas, as quais saudaram e adoraram o Redentor. Alguns deles foram enviados sobre a terra para tomar momentaneamente seus corpos e dar testemunho de Jesus. Então, foi quando tantos mortos apareceram em Jerusalém. Se me apareciam como cadáveres errantes, e depuseram outra vez seus corpos na terra, como um enviado da justiça deixa sua capa de ofício quando tem cumprido com a ordem de seus superiores.

“Depois vi Jesus, com seu acompanhamento triunfal, entrar numa esfera mais profunda, onde se encontravam os pagãos piedosos que haviam tido um pressentimento da verdade e a desejaram. Havia entre eles alguns maus espíritos, pois tinham ídolos. Vi aos demônios obrigados a confessar sua fraude, e essas almas adoraram ao Senhor com grande alegria. Os demônios foram encadeados e levados cativos. Vi também Jesus atravessar como libertador muitos lugares onde havia almas trancadas; porém, meu triste estado não me permite contá-lo tudo.

“Finalmente, vi Jesus aproximar-se com rosto severo do centro do abismo. O inferno se me apareceu sob a forma de um edifício imenso, tenebroso, iluminado com uma luz metálica: à sua entrada havia enormes portas negras com fechaduras e ferrolhos. Um alarido de horror se elevava sem cessar; as portas foram arrombadas e apareceu um mundo horrível de trevas.

“A celestial Jerusalém se me aparece ordinariamente como uma cidade onde as moradas dos bem-aventurados se apresentam sob a forma de palácios e de jardins cheios de flores e de frutos maravilhosos, segundo sua condição de beatitude; o mesmo aqui, acreditei ver um mundo inteiro, uma reunião de edifícios e de habitações muito complicadas. Mas, nas moradas dos bem-aventurados tudo está formado sob uma lei de paz infinita, de harmonia eterna; tudo tem por princípio a beatitude, no lugar de que no inferno tudo tem por princípio a ira eterna, a discórdia e a desesperação. No céu são edifícios de gozo e de adoração, jardins cheios de frutos maravilhosos que comunicam a vida. No inferno são prisões e cavernas, desertos e lagos cheios de tudo o que pode excitar o desgosto e o horror; ao contrário da eterna e terrível discórdia dos condenados, no céu tudo é união e beatitude dos santos. Todas as raízes da corrupção e do erro produzem no inferno dor e o suplício em número infinito de manifestações e de operações. Cada condenado tem sempre presente este pensamento: que os tormentos a que estão entregues são fruto natural e necessário de seu crime; pois tudo o que se vê e se sente de horrível neste lugar não é mais que a essência, a forma interior do pecado descoberto, dessa serpente que devora aos que a estão sustentando em seu seio. Tudo isto se pode compreender quando se vê; mas é quase impossível expressá-lo com palavras.

“Quando os anjos deitaram as portas abaixo, foi como um mar de imprecações, de injúrias, de alaridos e lamentos. Alguns anjos prostraram exércitos inteiros de demônios Todos tiveram que reconhecer e adorar a Jesus, e este foi o maior de seus suplícios. Muitos foram encadeados num círculo que rodeava outros círculos concêntricos. No meio do inferno havia um abismo de trevas: Lúcifer foi precipitado nele encadeado, e negros vapores caíam sobre ele. Tudo isto se fez segundo certos arcanos divinos. Fiquei sabendo que Lúcifer deve ser solto por algum tempo, cinquenta ou sessenta anos antes do ano 2000 de Cristo, se não me engano. Outros muitos nomes do que não me recordo foram falados. Alguns demônios devem ficar soltos antes para castigar e tentar o mundo. Alguns vão ser soltos em nossos dias, outros o serão logo. Não me é possível contar tudo o que me foi mostrado; é demasiado para que eu possa coordená-lo. Ademais, estou muito má; quando falo destas coisas, se representam diante de meus olhos e sua visão poderia fazer-me morrer.

“Vi multidão inumerável de almas resgatadas elevar-se do purgatório e do limbo atrás da alma de Jesus até um lugar de delícias debaixo da Jerusalém celestial. Aí tenho visto, há pouco tempo, um de meus amigos mortos. A alma do bom ladrão veio e viu o Senhor no Paraíso, segundo sua promessa. Não posso dizer o quanto durou tudo isso e em que época; há muitas coisas que não compreendo, há outras que seriam mal entendidas se as narrasse. Tenho visto o Senhor em diferentes lugares, sobretudo no mar; parecia que santificava e libertava toda a criação: por todas as partes os maus espíritos fugiam d’Ele e se precipitavam no abismo. Vi também sua alma em diferentes lugares da terra. A vi aparecer no interior do sepulcro de Adão, debaixo do Gólgota: as almas de Adão e de Eva vieram com Ele, e lhes falou. O vi visitar com elas os sepulcros de muitos Profetas, cujas almas vieram juntar-se com ele sobre seus ossos. Depois, com essas almas, entre as quais estava Davi, o vi aparecer em muitos lugares assinalados com alguma circunstância de sua vida, explicando-lhes com amor inefável as figuras da lei antiga e seu cumprimento.

“Isto é o pouco que posso recordar de minhas visões sobre a descida de Jesus aos infernos e a libertação das almas dos justos. Porém, além deste acontecimento cumprido no tempo, vi uma figura eterna da misericórdia que exerce hoje com as pobres almas. Cada aniversário deste dia deita uma olhada libertadora no purgatório; hoje mesmo, no momento em que tive esta visão, tirou do purgatório as almas de algumas pessoas que haviam pecado quando de sua crucifixão. Hoje vi a libertação de muitas almas conhecidas e não conhecidas, mas não as nomearei.

“A descida de Jesus aos infernos é a plantação de uma árvore de graça destinada a comunicar seus méritos para as almas, almas que padecem. A redenção contínua dessas almas é o fruto que dá esta árvore no jardim espiritual da Igreja. A Igreja militante deve cuidar essa árvore e recolher seus frutos para comunicá-los à Igreja padecente, que não pode fazer nada por si mesma. O mesmo sucede com todos os méritos de Cristo; para participar deles há que trabalhar para Ele. Devemos comer nosso pão com o suor de nossa fronte. Tudo o que Jesus tem feito por nós no tempo dá frutos eternos; porém, há que cultivá-los e recolhê-los no tempo; se não, não poderíamos gozar deles na eternidade. A Igreja é um pai de família; seu ano é o jardim completo de todos os frutos eternos no tempo. Há num ano bastante de tudo para todos. Desgraçados os jardineiros preguiçosos e infiéis se deixam perder uma graça que poderia curar um enfermo, fortificar a um fraco, satisfazer a um faminto! Darão conta da mais insignificante ervazinha no dia do Juízo”.[4]

 


[1] Plinio Corrêa de Oliveira – extraído de conferência de 22.05.1983 – revista “Dr. Plinio”, de novembro de 2023, pág. 11/12

[2] Entenda-se como o Limbo

[3] "Exposição sobre o Credo" - São Tomás de Aquino - Edições Loyola -pág. 53.  

[4] Extraido e traduzido do espanhol, da obra “LA VIDA DE JESUCRISTO E DE SU MADRE SANTÍSIMA – Tomo XI, Amarga Pasión de Nuestro Señor Jesucristo – páginas 170/172 – Editorial Surgite e Revista Cristiandad.                               

 

NOSSO SENHOR JESUS CRISTO PRATICOU OS MAIS EXCELENTES ATOS DE AMOR

 



O Reino de Cristo, finalmente, deveria ser o reino do amor. São Francisco de Sales escreveu talvez a mais completa obra que trata do amor de Deus, denominada exatamente “Tratado do Amor de Deus”. E nela consta a forma como Nosso Senhor Jesus Cristo praticou os mais excelentes atos de amor, realçando que neles estava o cerne de sua regência sobre os homens:

“1º. – Amou-nos com amor de complacência, porque cifrou as suas delícias em estar com os filhos dos homens (Prov. 8, 31) e atrair o homem a si, fazendo-se homem como ele.

2º. – Amou-nos com amor de benevolência, derramando a própria Divindade no homem, elevando o homem até Deus.

3º. – Uniu-se a nós por uma incompreensível conjunção, aderindo e ligando-se à natureza tão fortemente, indissoluvelmente e infinitamente, que coisa alguma foi jamais tão unida e ligada à humanidade, como o é agora a augustíssima Divindade na pessoa do Filho de Deus.

4º. – Derramou-se todo em nós, e por assim dizer, abismou a sua grandeza, para a reduzir às mesquinhas proporções da nossa pequenez; por isso se chamou “fonte de água viva” (Jer. 2, 13), orvalho e chuva do Céu (Is. 45, 8).

5º. – Esteve em êxtase, não só, diz São Dinis, em virtude do excesso de sua amorosa bondade, que o arrebatou para fora de si, estendendo a sua Providência a todas as coisas e encontrando-se em todas as coisas, mas também porque, como diz São Paulo (Fil. 2, 7), Jesus esqueceu-se de si, abstraiu-se de si, despojou-se da própria grandeza, da sua glória, apeou-se do trono da sua incompreensível majestade, e se é mister tal expressão, “aniquilou-se”, para descer até à nossa humanidade e encher de sua Divindade o nosso ser, saciar-nos de sua bondade suprema, elevar-nos à sua dignidade, e dar-nos a divina natureza de  “filhos de Deus”.

“E Aquele de quem se escreveu tantas vezes: “Eu vivo em mim, disse o Senhor” pode depois dizer na linguagem de seu Apóstolo: “Eu vivo, mas não sou eu mesmo que vivo, é o homem que vive em mim (Gal 2, 20); A minha vida é o homem, e morrer por ele é o meu lucro (Fil 1, 21); A minha vida oculta-se com o homem em Deus (Col. 3,3(.

“Aquele que antes habitava em si, habita agora em nós, e O que viveu durante a sucessão dos séculos no “seio do seu eterno Pai” (Jo 1, 8), vestiu-se da mortalidade no seio de sua Mãe temporal; Aquele que vivia eternamente da existência divina, viveu temporariamente da vida humana, e Aquele que nunca, eternamente, deixara de ser Deus, será, perpetuamente também, homem, de tal modo o amor do homem o arrebatou e elevou ao êxtase!

6º. – Admirou muitas vezes por dileção, como fez com o Centurião (Mt 8, 10) e a Cananéia (Mt 15, 28).

7º. – Atentou no jovem que até então observara os mandamentos e desejava adianta-se na perfeição (Mc 10, 21).

8º. – Descansou amorosamente em nós, e até com suspensão de sentidos no ventre de sua puríssima Mãe, e durante a sua infância.

9º. – Teve incomparáveis ternuras para as criancinhas, que abraçava, acalentando-as com amor (Mc 10, 16); para Marta e Madalena (Jo 11, 5), para Lázaro, por quem chorou (Jo 35, 36), como pela cidade de Jerusalém (Lc 19, 41).

10º. – Animou—se de incomparável zelo, que, como diz São Dionísio, se converteu em ciúme, desviando, enquanto nele habitou, todo o mal da sua muito amada natureza humana, com perigo e à custa da própria vida; afugentando o diabo, “rei do mundo” (Jo 16, 30), que parecia ser seu rival e companheiro.

11º. – Teve milhares de amorosos desfalecimentos; pois de que procederiam aquelas divinas palavras: “Eu hei de ser batizado com batismo de sangue; e como me sinto angustiado e ansioso por que ele se realize?” (Lc 12, 50).  Ainda se não aproximava a hora em que havia de ser batizado no próprio sangue e já suspirava por sê-lo, porque o amor que nos tinha O obrigava a livrar-nos da morte eterna, à custa da própria vida.

“Por isso esteve triste e suou o sangue da agonia no Jardim das Oliveiras (Mt 26, 37-38), não só em virtude da extrema dor, que a sua alma sentia na parte inferior da razão, mas pelo supremo amor que nos dedicava na parte superior dela: a dor dava-lhe o horror da morte e o amor um extraordinário desejo de a consumar. De modo que se lhe travou no espírito um combate rude e uma cruel agonia se manifestou entre o desejo e o horror da morte, até à grande efusão do sangue, que correu como fonte de água viva, jorrando pelo solo.

12º. – Enfim, Teotimo, este divino Amante morreu no meio das chamas e ardores da dileção, pela caridade que tinha por nós e pela força e virtude do amor, isto é, morreu amando, morreu por amor e de amor.

“Posto que aqueles cruéis suplícios bastassem para fazer morrer quem quer que fosse, não podia contudo a morte penetrar na vida d'Aquele que tem as chaves de ambas (Apoc 1, 18) se o divino amor, que governa e maneja essas chaves, não  abrisse as portas à morte, para esta poder lançar-se sobre aquele divino corpo e arrebatar-lhe a vida. O amor não se contentaria com o fazer mortal por nós se lhe não desse a morte.

“Foi por eleição, e não por força do mal, que Ele morreu: “Ninguém me tira a vida”  (Jo 10, 17-18), disse ele, “sou eu que a deixo e a tiro a mim mesmo; tenho o poder de a deixar e de a reaver quando quiser. Ofereceu-se, diz Isaías (Is 53, 7) porque quis.

“Não se diz, portanto, que o seu espírito voou, deixando-O e separando-se d’Ele; mas ao contrário, que Ele despediu o seu espírito, soltou-o e entregou-o e pô-lo nas mãos de seu Eterno Pai (Mt 27, 50); tanto que Santo Atanásio nota que Ele abaixou a cabeça para morrer, consentindo e facilitando a vinda da morte, que, de outro modo, não ousaria aproximar-se-lhe, e soltando um grande grito, entregou o seu espírito a seu Pai (Lc 23, 46), para provar que assim como tinha força e alento para não morrer, também tinha suficiente amor para não poder viver, sem fazer ressuscitar com a sua morte aqueles que, sem isso, não podiam jamais evitar a morte, nem aspirar à verdadeira vida.

“Foi, portanto, o sacrificador da própria existência, foi quem ofereceu a seu Pai, e se imolou por amor, ao amor, para o amor, pelo amor e de amor.

“Não podemos no entanto afirmar que esta amorosa morte do Salvador se verificasse à maneira de arrebatamento, porque o objeto pelo qual a sua caridade o levou à morte não era tão amável que pudesse arrebatar para si aquela divina alma, que saiu do corpo a modo de êxtase, impelida pela afluência e força do amor.

“À semelhança da mirra, que expele o primeiro  licor, pela sua grande abundância, sem que ninguém o lance fora, nem o tire, também o mesmo Jesus, como já expliquei, disse: “Ninguém me tirou nem arrebatou a alma; fui eu que voluntariamente a dei.

“Ah!  Senhor, que extraordinário incentivo para nos entusiasmardes nos exercícios do santo amor ao Salvador divino, que é tão bom, o vermos que Jesus os praticou com tão excessivo amor por nós, que somos tão maus!

“Vês, Teotimo, como a caridade de Jesus Cristo nos obriga?”  (II Cor 5, 14).

 

(“Tratado do Amor de Deus” – São Francisco de Sales – Livraria Apostolado da Imprensa, págs. 489/493)


terça-feira, 31 de março de 2026

O LUMINOSO CAMINHO DOS “FLASHES”

 



 Em anterior ocasião, narrei aqui alguns flashes que tive em menino, os quais me levaram a compreender a santidade e a divindade da Igreja.

 

“Flashes” com a pureza de Nossa Senhora

Também na infância, outras graças dessa natureza me foram concedidas, ao contemplar as imagens de Nossa Senhora Auxiliadora, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, e de Nossa Senhora do Bom Conselho, no Colégio São Luís.

Em ambos os casos não houve milagre, como se as imagens se movessem e se manifestassem a mim de modo extraordinário. Porém, elas me foram ocasião de graças sensíveis, à maneira das que recebemos, por exemplo, diante da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, cuja maravilhosa expressividade nos faz ter a sensação de que ela muda de fisionomia, como se quisesse nos dizer algo.

Assim, de modo análogo, junto àquelas imagens tive uma dupla noção, da realeza e da misericórdia de Nossa Senhora.

Poder-se-ia afirmar tratar-se de realeza da castidade. Maria Santíssima é a Soberana de todo esse setor do universo chamado pureza, de tudo capaz de ser considerado casto, com primazia para a alma humana. Nossa Senhora possui a castidade em grau tão super-eminente, que todas as purezas abaixo d’Ela não são senão pálida figura da sua virgindade.

E a pureza tem em si algo que é oposto, não contraditório, com a misericórdia. Porque a castidade é profundamente exclusiva. A pessoa pura constitui em torno dela uma espécie de halo que se chama pudor,  uma distância de tudo que não seja casto. Ela é inquebrantável quanto à impureza, mostra-se altaneira em relação a esta e a afasta para longe.  Donde entre o puro e o impuro se estabelecer uma situação parecida com a que se poderia imaginar numa cena da Revolução Francesa, entre a Rainha Maria Antonieta e um daquele ferozes revolucionários. Ela representaria de algum modo a pureza, a ordem, e ele, a revolta, o partidário de toda feiura, sordície e más maneiras.

Tal cena exprimiria de maneira tênue a ideia de que realeza e pureza se casam com toda a intransigência inerente aos conceitos de ambas. Isto de um lado.

De outro, porém, Nossa Senhora possui insondável misericórdia, inclusive e principalmente para com o impuro. Embora faltoso, este continua sendo seu filho, e Ela o considera com seu ilimitado desvelo de Mãe, com sua incansável bondade, desejando perdoá-lo a todo momento, reerguê-lo e tirá-lo da charneca.

Ora, a conjugação de todas essas qualidades da Santíssima Virgem me falou na alma de forma inenarrável. E vi naquelas imagens d’Ela essas várias expressões. Marcou para minha vida inteira a devoção a Nossa Senhora, com a ideia de que Ela é um modelo a ser imitado custe o que custar, um auxílio no qual se deve confiar a todo preço, por pior que seja a situação. A bem dizer, duas incondicionalidades na vontade de imitar, no propósito de esperar o perdão e a clemência.

 

Um muro de horror ao pecado

A graça de compreender e admirar a realeza da pureza de Nossa Senhora, cuja noção adquiri através desses flashes, veio trazendo dentro de si um verdadeiro muro de horror contra a impureza.

Para se entender essa afirmação, imagine-se uma pérola absolutamente branca. Qualquer grão de poeira que se deposite sobre ela a deprecia, porque macula em algum ponto aquela alvura, quebra sua homogeneidade. Assim, a virtude da pureza imaculada, ilibada, traz consigo o padrão do muro de horror contra a impureza e, por extensão, também contra tudo quanto é erro e mal. Por exemplo, entre o deplorável defeito da inveja e a virtude contrária (isto é, a admiração e a alegria pelos dons concedidos a Deus a outros), há um muro de horror semelhante àquele da relação pureza-impureza.

Essa parede de aversão se repete ao longo de toda a muralha das virtudes, sobretudo no tocante à principal delas, a Fé, face ao pecado que a ela se opõe: a heresia.

Por definição, a Fé é tão casta que, muitas vezes, quando a Escritura se refere a alguém que pecou contra essa virtude, afirma ter ele caído na impureza. E quando o Antigo Testamento nos apresenta os judeus praticando atos impuros no alto das montanhas, aludo com isso ao pecado de apostasia que eles cometiam ao adorar ídolos postos naqueles locais. Ou seja, entregar-se à idolatria e cometer atos impuros, é pecar contra a Fé.

Em contrapartida, a Santa Igreja, guardiã da verdadeira Fé, é a Mãe casta, virgem e reta, a santa, a ilibada, que nos leva à prática da virtude e à repulsa ao vício.

Certo estou, portanto, de que naqueles momentos dos meus flashes com Ela, Nossa Senhora me concedeu a graça de edificar em minha alma esse muro de horror ao pecado. Muro este que todos devemos procurar desenvolver em nosso interior, em relação a qualquer defeito e pecado que nos afastam do caminho da santidade.

 

“Flashes” que se desdobram em princípios

A esse propósito, alguém poderia me indagar: “Para se criar esse muro de horror, importa ter tido antes um flash?”

O flash produz necessariamente o muro de horror. Porém, com frequência este último é obtido através do estudo da boa doutrina, feito de modo sério por uma alma honesta que deteste o vício e o mal, embora não tenha recebido a graça sensível que chamamos de flash. Entretanto, a meu ver, na vida espiritual de uma pessoa é indispensável haver certo número de flashes, a fim de que ela construa de maneira profunda essa muralha de repulsa ao pecado. E para minha cara “geração nova”, o flash é uma graça particularmente valiosa, devido à própria contextura de seu espírito.

Agora, os flashes devem se desdobrar em princípios, os quais cumprem ser, não analisados como coisa geométrica, mas amados. Quer dizer, compreendendo uma verdade a partir do flash, é necessário amá-la e detestar o erro oposto. Nesse sentido, lembra-me um Salmo que diz: “Amei a justiça e odiei a iniquidade, por isso Deus me ungiu com seu óleo santo”. Na linguagem da Escritura, a justiça é o símbolo de todas as virtudes, e a iniquidade representa o conjunto dos erros. A unção da qual fala o Salmo seria, pois, o flash que torna a alma articulada, leve, aromatizada, azeitada para a prática do bem.

 

Trilhando o caminho dos “flashes”

Para concluir essas considerações, é oportuno dizer que cada um, com a peculiaridade de seu espírito e a riqueza de sua personalidade, em relação aos flashes deve ir apalpando e tateando suas impressões, a fim de procurar seguir um caminho análogo ao que trilhei. Esforçar-se em lembrar dessas graças recebidas, explicita as sensações que causaram, de maneira a saber dizer qual foi sua substância e, posteriormente, estabelecer correlações e princípios.

Assim foi como procedi: recordei meus flashes de menino, explicitei-os, compus com eles um quadro de impressões de correlações e conceitos: a santidade da Igreja, a realeza e virgindade de Maria Santíssima, etc.

Naturalmente, cada alma realiza essa operação num movimento que lhe é próprio. Não pretendo que façam como eu, mas acredito ser este um bom método para, efetuando as necessárias adaptações, seguir esse luminoso “caminho dos flashes”.

 

(Revista “Dr. Plínio”, nº 81, dezembro de 2004, pp. 14/17)


domingo, 29 de março de 2026

NUM OLHAR DE MARIA, A IMENSIDADE DE SUAS VIRTUDES

 



Comentários de Plínio Corrêa de Oliveira sobre o olhar da Santíssima Virgem Maria:

"Buscando explicitar para mim mesmo o que tanto me atrai em Nossa Senhora, encontrei uma figura tão simples como mais não se pode conceber, e que exprime bem o meu pensamento. Com a ressalva de que o exemplo talvez não se verifique inteiramente exato no que concerne à Geometria (da qual possuo sumários conhecimentos...), imaginemos um poliedro regular. Analisando-se uma de suas faces, é possível intuir como são as outras, com suas características e dimensões.

Assim é Nossa Senhora. Em virtude de sua perfeição super-eminente, possui Ela em grau igualmente incomensurável todas as qualidades de que seja capaz uma criatura humana. E, portanto, ao considerarmos uma delas, podemos perceber o valor e a magnitude das demais. Contemplando, digamos, o teor da virtude da Caridade em Maria, nos será dado discernir a riqueza de sua Fé e de sua Esperança. O mesmo sucede com as suas virtudes cardeais e com todos os excelsos predicados de que A enriqueceu a Santíssima Trindade.

 

Atraído pela inesgotável compaixão de Nossa Senhora

Contudo, o que primeiramente mais me tocou em Nossa Senhora não foi tanto a virginal, régia e insondável santidade d’Ela, mas a compaixão com que essa santidade olhava para quem não é santo, atendendo com pena, com desejo de dar, com uma misericórdia cujo tamanho era o das outras qualidades. Quer dizer, inesgotável, clementíssima, pacientíssima, pronta a ajudar a qualquer momento, de modo inimaginável, sem nunca um suspiro de cansaço, de extenuação, de agastamento.

Sempre disposta, não só a repetir-se a Si própria, mas a superar-se a Si própria. De maneira que, dispensada tal misericórdia, e sendo ela mal correspondida, vem uma misericórdia maior. E, por assim dizer, nossos abismos de ingratidão vão atraindo a luz para o fundo. E quanto mais fugimos d’Ela, mais as suas graças se prolongam e se iluminam em nossa direção.

 

Um olhar que comunica calma para a vida inteira

Eu mesmo experimentei essa maternal compaixão quando, na infância, pela primeira vez atinei com a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Naquela hora, não tive nenhuma visão, nenhum êxtase, nenhuma revelação. Mas, pela ação da graça, senti-me tocado como se a imagem me olhasse.

Se fosse possível comparar o miosótis  com o sol, eu diria que esse olhar de Nossa Senhora operou em mim um efeito análogo ao do olhar de Nosso Senhor para São Pedro, durante a Paixão. O Príncipe dos Apóstolos O renegou, o galo cantou, e Jesus olhou para o discípulo infiel. Nesse instante, São Pedro se sentiu tomado por inteiro. E ele, que havia visto tudo quanto os Evangelhos narram — ou como testemunha direta, ou tendo recebido uma repercussão imediata dos acontecimentos — foi objeto de uma graça ímpar, que reavivou em sua alma, de modo intenso e esplendoroso, tudo o que ele conheceu da infinita bondade de Nosso Senhor. E essa lembrança venceu a ingratidão dele. Por isso, diz a Escritura: “Et flevit amare — E chorou amargamente.”

Daí vem a grande contrição de São Pedro, que constitui um dos mais belos fatos da história dos Santos. Também eu, no momento daquela graça diante da imagem de Nossa Senhora, tive conhecimento como que pessoal da indizível misericórdia d’Ela, de sua inexcedível bondade a me envolver todo, de maneira tal que, quisesse eu fugir ou renegar, Ela me pegaria afetuosamente e diria: “Meu filho, volte de novo, aqui estou...”

Como resultado desse celestial favor, tornei-me calmo para o resto de minha vida. Porque, seja o que for e como for, uma vez que nós, homens, estamos envolvidos por essa misericórdia, podemos descansar. No fundo, aquele que não é brutalmente insensível com Nossa Senhora, e para Ela se volta, d’Ela acaba recebendo sempre proteção e socorro em suas dificuldades.

E precisamente uma das coisas que mais me enlevaram, e que, dentro da indefinição de minha mentalidade de menino, entretanto ficou-me bem clara, foi o fato de que aquela solicitude materna não representava um privilégio para mim, mas é a atitude d’Ela para com todos os homens.

Nossa Senhora poderia condescender em tratar alguém como um privilegiado, porém não foi disso que eu tive cognição. Antes, compreendi o contrário: “Veja que você é um Zé da rua, e Ela trata da mesma forma a todos os Zés da rua. Para qualquer um, para todos os homens que existiram, existem e existirão, para todos os pecadores que transitam pelas cidades, que enchem as casas, os ônibus e os automóveis, Ela é exatamente assim.”

Volto a dizer que fiquei calmo para a vida inteira. Causa-me muita pena ver alguém, sobretudo um jovem, nervoso e com problemas. “Por que não lhe ser comunicado um olhar como o que recebi de Nossa Senhora?” — penso eu. “Ele ficaria calmo até o fim dos seus dias.” Medindo a profundidade dessa clemência sem limites, vêm-me ao espírito aquelas palavras que a Santíssima Virgem, no Magnificat, diz do Padre Eterno: “Et misericórdia ejus a progenie in progenies timentibus eum”.

Ou seja, a misericórdia divina se estende de geração em geração a todos os que O temem. A tal propósito, sempre pensei: “É bem verdade, e isto se dá por meio d’Ela. Maria é a misericórdia inesgotável, que não se extingue, que se multiplica solícita, bondosa, que toma nossa dimensão, que se faz até menor do que nós para nos pegar, de pena de nós.”

 

Pureza, fortaleza e sabedoria

Na dimensão dessa misericórdia, e nela contida, vem a ideia da virginalidade. Nossa Senhora é pura, de um grau de pureza do qual não se tem noção. Conhecida a misericórdia, se conhece a pureza. É novamente a figura do poliedro. Todas as purezas que se possam imaginar não chegam nem de longe aos pés da pureza d’Ela, que é feita não só de ausência de qualquer pendor para o mal, mas de um impulso de alma direta e exclusivamente para Deus, sem compromisso com mais nada e ninguém. É um ímpeto inteiro, de uma força, de uma integridade, de um desejo de Absoluto como também não se pode medir. Está na dimensão da misericórdia.

Supérfluo dizer que, nessa concepção de pureza, entra também o sentido de castidade, perto da qual a neve seria um carvão.

Essa pureza, no meu modo de entender, traz consigo a ideia da fortaleza. E fortaleza aqui não significa apenas algo que nada quebra. É diferente. Nada tem comparação possível com essa fortaleza. O que Ela, na sua pureza, decidiu, o resto do mundo se flecte e se liquida, e o universo inteiro é zero, pela força da vontade de Nossa Senhora. Quando Ela decide, é uma resolução que torna impossível a resistência de quem e do que quer que seja. É uma soberania e um domínio de igual dimensão da misericórdia e da virginalidade, uma envergadura para a qual não há palavras humanas. Todas as armas modernas são pobres e inofensivos brinquedos em comparação com um ato de vontade d’Ela.

Por sua vez, essa misericórdia, essa pureza e essa fortaleza trazem uma ideia da sabedoria da Fidelíssima Esposa do Espírito Santo.

Ela conhece tudo, e as inter-relações de todas as coisas, com acuidade tão superior que Ela penetra até as entranhas de todo ser, vê como é cada qual e discerne a ordem de Deus no universo, tão grande, tão inabarcável! Diante de sua sabedoria lúcida, adamantina, na qual não cabe nenhuma dúvida, compreendemos mais uma vez qual é a imensidade da pureza e da fortaleza da Virgem Santíssima.

Essas são as virtudes marianas que mais me chamam a atenção quando me lembro daquele olhar da imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus.

 

“Meu filho, eu te quero” — “Minha Mãe, eu sou vosso”

Alguém poderá me dizer: “Mas, Dr. Plinio, o senhor contemplou esse olhar como um menino de onze ou doze anos. E depois, nunca mais houve algo assim?”

Respondo que, para mim, essa graça foi tão excepcional que permaneceu como um sol a iluminar toda a minha existência. É como se tivesse acontecido ontem. Como se, naquele momento, Ela me houvesse dito: “Meu filho, eu te quero”, e ouvisse de mim: “Minha Mãe, eu sou vosso”.

Poderão, ainda, perguntar-me: “E nesse relacionamento do senhor com Nossa Senhora, onde se encontra Nosso Senhor Jesus Cristo?”

Eu respondo: em tudo!

É a ideia desenvolvida por São Luís Grignion de Montfort no seu célebre “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”. Nossa Senhora é o claustro, o oratório, o tabernáculo sagrado onde está Nosso Senhor Jesus Cristo, e quanto mais estivermos próximos d’Ela, tanto mais estaremos próximos d’Ele.

Minha devoção a Ele passa por Ela, e, por isso, nunca alguém me vê proferir uma palavra de adoração a Nosso Senhor, sem que logo depois eu não fale de sua Mãe Santíssima. É sistemático.

Outros poderão todavia observar: “Muitas vezes o senhor se refere a Ela sem mencioná-Lo.”

É isso mesmo. Porque, sendo Jesus infinitamente maior do que Nossa Senhora, está Ele contido de modo implícito em toda referência que eu faça a Ela. A recíproca, porém, não se verifica. Razão pela qual procedo dessa forma e, se Ela me ajudar — queiram ou não queiram, agrade ou não agrade — assim procederei até morrer".[1]



[1] Revista “Dr. Plínio”, nº 13, abril de 1999

 

 


sexta-feira, 27 de março de 2026

ESCRAVOS DE MARIA, HUMILDES E PUROS, FORTES CONTRA O DEMÔNIO




(Revista Dr. Plínio, n. 126, setembro de 2008)

 

À maneira de uma gota de orvalho que parece conter todo o Sol quando sobre ela incide um raio de sua luz, assim é a alma humilde: eleva-se a uma altura e a uma harmonia verdadeiramente indizíveis, torna-se pura e combativa, e se faz escrava de Maria Santíssima louvando-A no mistério da Encarnação.

 

Em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, São Luís Maria Grignion de Montfort comenta:

{Os escravos de Maria] terão uma especial devoção ao grande mistério da Encarnação do Verbo, celebrado no dia 25 de março, que é o mistério próprio dessa devoção, uma vez que ela foi inspirada pelo Espírito Santo para honrar e imitar a dependência inefável que Deus Filho quis ter de Maria, para a glória de Deus Pai e para nossa salvação. Essa dependência se manifesta particularmente neste mistério em que Jesus Cristo Se torna cativo e escravo no seio da divina Maria, onde depende d’Ela para todas as coisas.[1]

 

Durante sua gestação, o Divino Menino dependia em tudo de sua Santa Mãe

Nosso Senhor Jesus Cristo quis ser Escravo de Nossa Senhora porque, a partir do momento em que Ela aceitou a proposta do Anjo de dar à luz o Messias, o Espírito Santo atuou em seu interior e o Homem-Deus foi concebido. De maneira que, imediatamente depois do convite, Ela tornou-Se a Mãe de Deus.

Nosso Senhor Jesus Cristo passou no claustro santíssimo e puríssimo da Virgem Maria todas as fases da gestação. E continuamente o organismo d’Ela ia fornecendo o necessário para o desenvolvimento da criança mil vezes abençoada, do Menino Divino que estava ali Se formando para a salvação dos homens.

De maneira que se tem dito muito bem: Caro Christi, caro Mariae.[2] Porque, no matrimônio comum, os filhos são produtos do pai e da mãe, mas no casamento virginal de Maria, Nosso Senhor não era filho natural de São José, que possuía um direito paterno ao fruto das entranhas de sua Esposa, mas não era o pai consanguíneo do Menino Jesus. Ela, entretanto, era a Mãe carnal d’Ele.

 

Excelsa santidade a que foi elevada a Esposa do Espírito Santo

Mas não podemos deixar de considerar que, sendo Nossa Senhora verdadeira Mãe de Deus, a partir do momento em que o Espírito Santo tornou-Se Esposo d’Ela, Ele teve também sobre a alma d’Ela direitos que sobrepunham aos de São José; e São José, por sua vez, devoto ardentíssimo do Divino Espírito Santo e cheio do Espírito Santo, ajudava-A, por sua vez, a conhecer o que o Espírito Santo queria para a plena execução da vontade d’Ele.

Assim, Nossa Senhora Se tornou Sua Esposa e começou a receber d’Ele orientações, diretrizes, atos de amor, consolações, “flashes” – se podemos empregar a  palavra – de uma sublimidade insondável, referentes ao relacionamento de Nosso Senhor com Ela, formando com o Padre Eterno um convívio altíssimo, no qual Nossa Senhora era, a um título muito especial, Filha do Padre Eterno; a um título único, Mãe do Verbo Encarnado; e Esposa do Divino Espírito Santo. Tudo isso veio para Ela em virtude da Encanação.

No momento em que a Santíssimo Virgem concebeu o Verbo Encarnado, houve, por assim dizer, uma promoção assombrosa, na qual Ela inteira foi elevada a uma condição superior à de todos os Anjos e Santos. E de tal maneira superior que, se a santidade pudesse ser objeto de uma operação matemática – ela é algo puramente espiritual -, mas se somássemos a santidade havida em todos os Santos desde o início da Criação até o fim do mundo e comparássemos com Nossa Senhora, Ela seria incomparavelmente mais santa do que toda essa montanha altíssima dos Santos de todos os tempos que o Espírito Santo foi suscitando na História.

Nós não temos ideia de qual foi e qual é a santidade de Maria. Moisés, quando pediu para ver a Deus, ouviu esta resposta: “Não podereis ver minha face, pois o homem não me poderia ver e continuar a viver” (Ex 33, 20). Eu me pergunto, às vezes: se nos fosse dado ver nesta vida terrena Nossa Senhora face a face, com todo o esplendor d’Ela, será que não morreríamos também?

 

Convívio com Nossa Senhora, convite à perfeita obediência

É verdade que a Virgem Maria tem aparecido a vários Santos. No entanto, Ela provavelmente encobre algo de sua santidade para esses não morrerem, ou confere graças muito especiais para aquele instante, a fim de eles puderem aguentar vê-La.[3]

Santa Catarina Labouré, religiosa francesa do século passado que divulgou a Medalha Milagrosa, conta as aparições da Mãe de Deus assim: ela estava dormindo e, quando acordou, apareceu-lhe um menino que ela percebeu ser o Menino Divino, que disse para ela ir com Ele até a capela, porque sua Mãe a esperava lá. Ela mais do que depressa se alinhou e foi para a capela.

Havia muitas dependências entre a capela e a cela onde ela dormia e, ao longo de todo o caminho, todas as luzes estavam acesas como se tratasse de uma grande festa.

E mais: quando ela chegou à capela, encontrou Nossa Senhora no presbitério, sentada numa cadeira de madeira que até hoje se oscula, se pode venerar. A Santa acercou-se d’Ela e, segundo consta, conversou com Ela tendo os cotovelos apoiados nos joelhos de Nossa Senhora.

O que deve ter restado em sua alma a vida inteira por aquilo que viu! A conclusão que tiro daí é que Nossa Senhora, falando com Santa Catarina Labouré, comunicou-lhe uma grandeza de alma e também uma obediência pelas quais, cada vez que a Santa era engrandecida nas sucessivas visões, ficava mais obediente.

Por que razão? Porque ela ia compreendendo cada vez mais a santidade inefável de Nossa Senhora e, portanto, cada vez admirando mais. E lhe ficava mais claro o absurdo que haveria em desobedecer à Mãe de Deus e àquele universo de santidade existente em seu Imaculado Coração.

 

A essência do espírito contrarrevolucionário

E, por causa disso, o crescimento na santidade, que deveria na aparência gerar uma espécie de sensação quase de igualdade, suscitava pelo contrário uma situação de inferioridade deliciosamente experimentada, vivida na exclamação: “Que paraíso é obedecer!”

A essência do espírito contrarrevolucionário é isto: admirar tanto o poder no qual existe a autoridade para mandar em nome de Deus; em venerar e adorar tanto a Deus que manda por meio daquele poder, que quanto mais obedecemos, mais nossa alma se enche de graças. E, pelo crescimento na obediência, ela se eleva a uma altura e a uma harmonia verdadeiramente indizíveis.

Se alguém quer ser grande, procure ser pequeno. E peça a Nossa Senhora a graça de conhecer, intuir e avaliar a santidade d’Ela tanto quanto seja possível à fraqueza humana. Os que avaliarem crescerão enormemente em santidade e assim crescerão em humildade, porque não há santidade sem humildade. E se crescerem em humildade, quanto mais tiverem que obedecer, mais encantados ficarão.

Desse modo, para a alma humilde que gosta de obedecer, de admirar e de fazer-se pequena, o ideal nesta Terra é fazer-se escrava de Nossa Senhora. Mas no sentido de considerar-se, aos pés d’Ela, literalmente, como um “vermezinho e miserável pecador”, como diz São Luís Grignion. Porque pecados o homem os comete, embora insignificantes e minúsculos, ainda quanto se trata de um grande Santo; e, portanto, qualquer ser humano é um miserável pecador, um vermezinho da terra... Deus o esmaga quando quiser, tira-lhe a vida quando entende, dá-lhe a saúde ou a doença conforme Lhe apraz. Nós estamos na completa dependência de Deus para tudo quanto Ele queira.

Mas que felicidade para nós pensar: é verdade, somos tão pequenos perto d’Ele que quanto mais reconhecemos nossa pequenez, mais nos unimos a Ele e mais Ele nos coloca em seu Sagrado Coração.

 

União com a Santa Igreja, militância no Céu

É amando cada vez mais a Nosso Senhor Jesus Cristo em Nossa Senhora, amando a ambos na Santa Igreja que nossas almas vão progredindo e tomando uma dimensão de compreensão cada vez mais profunda de como é a Igreja.

De maneira a termos, em certos momentos, a impressão de que nos fizemos um só com a Santa Igreja e que, surgindo um problema, antes mesmo de saber como ela o resolveria, nós mesmos adivinhamos, pela estreita união com ela, cujo espírito possuímos inteiramente.

Compreende-se por esta forma que a união inteira com a Igreja deve ser o nosso último e supremo ideal. E o que eu quero ter em vista antes de tudo é que, quando eu morrer, subirei para ser um membro da Igreja gloriosa, mas gloriosa militantemente. E que, no Céu, uma das minhas alegrias será a de lutar como lutei na Terra.

Nós sabemos pela Teologia, Cornélio a Lápide diz isso, que os demônios têm certo conhecimento do que se passa no Céu, mas um conhecimento cheio de ódio, no qual não entra um pingo de admiração, apenas inveja ou revolta; e eles têm ódios especiais a certas coisas. Por exemplo, eles veem na vida celeste as almas que eles quiseram perder e levar para o inferno e, vendo-as naquela felicidade altíssima junto ao trono de Deus, eles blasfemam, injuriam. E muitas vezes os Bem-aventurados os contestam e com isso ferem o seu orgulho.

E assim há uma espécie de continuação da militância no Céu. Imaginem quando nós estivermos cantando as glórias de Deus, de seus Anjos e Santos por toda a eternidade e, de vez em quando, nomeio de nosso cântico, pudermos entrar em contenda contra o demônio, ação com a qual se rejubilam todos os Anjos que lançaram no Inferno aquela canalha. De maneira que há uma associação maravilhosa de relações.

 

Pequenos e puros, como gotas de orvalho

Enfim, neste dia da Anunciação, pensemos nas glórias da Santíssima Virgem Maria. Filha do Padre Eterno Ela foi sempre; Mãe do Verbo e Esposa do Espírito Santo tornou-Se com a Encarnação.

Maria subiu com isso a alturas inexcogitáveis, desde as quais olha e acompanha a vida de cada um de nós. E queira Deus que Ela perdoe as imperfeições que há no interior de todos nós; que não olhe para elas, mas apenas para sua misericórdia e que sorria ao Divino Espírito Santo, sorria a Jesus Cristo Nosso Senhor e ao Padre Eterno, e diga à Santíssima Trindade: “Vede, tende pena e compaixão deles, ajudai-os a serem inteiramente aquilo para o qual foram criados, e neste ponto sejam fiéis como verdadeiros escravos, fazendo inteiramente a minha vontade que é vossa, Trindade Santíssima! E fazei com que esses escravos fidelíssimos sujeitem ao meu império o demônio rebelde”.

Eis as graças que neste 25 de março compete, a meu ver, suplicar: rezar a Nossa Senhora para pedir uma tal união com a Santa Igreja Católica, que sejamos como Ela; não tanto quanto Ela, mas à maneira d’Ela, como uma gota de orvalho na qual bate um raio de sol é como o Sol.

A gota de orvalho é linda, é pura, ela encanta; um raio de sol que incide sobre ela fá-la brilhar inteira. Mas o que é a gora de orvalho em relação ao Sol? A desproporção entre Nossa Senhora e cada um de nós é muito maior do que a que há entre a gota de orvalho e o Sol.

Peçamos que, à maneira da gota de orvalho, sejamos humildes e pequenos, mas puros, fortes, e que do entusiasmo de nossa pureza e de nossa força parta um constante ataque contra os inimigos eternos de Deus. (Extraído de conferência de 25/3/1995).

 (Plínio Corrêa de Oliveira - extraído da revista “Dr. Plínio”, edição n.324, março de 2025, págs. 9/13)

 

 

 

 

 



[1] Cf. SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT Traité de la vraie dévotion à la Sainte Vierge, n. 243, In: Oeuvres Compètes, Paris; Du Seuil, 1966 – p. 650

[2] A carne de Cristo é a carne de Maria.

[3] Narra-se na vida de São Dionísio, o Areopagita, que o mesmo teria dito que ao ver Nossa Senhora tal era sua beleza que a teria adorado como uma deusa se não tivesse recebido uma graça especial.