Quando a idolatria penetrou em Israel no tempo do Rei Acab, principalmente através da terrível Jezabel, eram dois os tipos de cultos idolátricos. Um deles era os adoradores das árvores (I Reis 16, 33) e o outro era o culto a Baal. Este tipo de idolatria foi importado da Babilônia, era o mesmo praticado no tempo da torre de Babel. Pesquisas recentes o comprovam. Quando os sumérios e acádios ainda viviam em matas e aldeias, a gnose e a idolatria se faziam presente nas grutas, rochedos e troncos de árvores. Depois, eles construíram cidades e passaram a criar seus ídolos, inicialmente nascidos da vida passada de personagens importantes, como patriarcas ou reis antigos, mas depois apenas como entidades imaginadas para representar aspectos da natureza ou da criação de modo geral. Com o passar do tempo, estes ídolos eram representados por imagens de barros, de bronze ou até mesmo de algum outro metal então existente.
Oliver Aurenche, professor de Pré-história da
Universidade Lumière-Lyon, em artigo para a revista “História Viva”,
(transcrita da “Historia” francesa) assevera que houve uma transição entre o
estilo de vida tribal e o urbano, numas espécies de aldeias. Em meio das
rústicas casas de tais aldeias foram encontrados nichos para serem abrigados
aqueles deuses, os quais, futuramente, passaram a morar nas cidades quando
houve a urbanização. Depois, era só entronizar na mais alta torre o deus
principal a fim de ser adorado por todos.
A primeira civilização,
o império da gnose
Era difícil para Satanás criar a idolatria sem
que antes construísse uma “civilização”. Era o primeiro passo para pedir que
lhe adorassem. Era muito recente na mente dos homens as notícias sobre Deus e a
Criação do mundo: como, pois, falar da existência de “deuses”, já que Adão e
Eva não se transformaram em deuses após comer os frutos proibidos? Até o tempo
dos Faraós no Egito (que herdaram a idolatria dos sumérios e acádios) os
“deuses” eram apenas os reis que a si mesmo assim se intitulavam. A exemplo do
deus mais antigo entre eles, chamado Ra, que era um Faraó. Muitos desses
deuses, cujas lendas foram aos poucos sendo divulgadas para alimentar o culto,
poderiam também ter sido alguns patriarcas antigos ou mesmo bruxos da gnose que
se destacaram com grande poder diabólico.
Não só sobre Deus, mas era recente também as
notícias sobre o Paraíso terrestre, e mais fácil despertar nos homens os
desejos de uma felicidade e de um gozo terreno. Surgem as cidades e com elas as
construções que enaltecem o orgulho humano.
Ainda hoje se fala em construções que a Antiguidade cognominou das “sete
maravilhas do mundo”.
A aliança que Deus fizera com Noé foi rompida
por nova decadência e depravação. O pecado da torre de Babel era o pecado do
orgulho e do conhecimento da “felicidade” terrena. O homem começa a construir
uma civilização inteiramente dedicada a si mesmo, esquecendo-se de Deus tão
próximo. Era a pretensão descabida de “redimir” a humanidade com o “progresso”
– a torre que vai até o céu, onde deveria estar a felicidade.
Ainda restava nos homens muitos dos
conhecimentos da ciência infusa herdados de Adão. Satanás aproveitou-se disso e
lhes incutiu o desejo de se engrandecer com tais conhecimentos aplicando-os nas
construções, de tal forma que colocasse no alto delas, na mais alta de todas, o
ídolo maior. Como castigo veio a
ignorância e a dispersão pelo mundo. E para tal efeito, Deus apenas confundiu a
língua antes falada, que se dividiu em várias outras. Certamente haviam escrito
muitos símbolos pictóricos naqueles monumentos, cujos significados foram
prejudicados pela confusão das línguas.[1]
As informações dos arqueólogos revelam
construções fantásticas dos tempos idolátricos. A cidade de Babilônia, por
exemplo, tinha oito portas e em cada uma delas havia um deus. A própria torre
de Babel era o pináculo de um grande templo, dedicado a um deus, hoje conhecida
pelo nome de “Templo fundação do Céu”. O historiador Heródoto, em sua obra
“Inquéritos”, descreveu a torre de Babel da seguinte forma: “No meio [da cidade
de Babilônia] ergue-se uma torre maciça, longa com a largura de um estádio
encimada por outra torre, que suporta uma terceira, e assim por diante até oito
torres. Uma rampa exterior sobe em espiral até a última torre. A meia altura,
aproximadamente, há um patamar e assentos para que se possa sentar e repousar
durante a subida. A última torre contém uma grande capela, e nesta vê-se um
leito ricamente preparado e, perto dele, uma mesa de ouro”.
O templo dedicado ao deus Marduk, por exemplo,
estendia-se por 7.600 metros quadrados, tinha o nome de “Templo da Cabeça
Elevada” e era conhecido como “Palácio do Céu e da Terra”. Uma deusa chamada “Ishtar” parece ter sido a
ancestral de Starote, citada na Bíblia, por representar a licenciosidade e
luxúria. E esta deusa tinha estátuas espalhadas por todas as cidades, caminhos,
casas de moradas, etc.
Em escavações arqueológicas recentes foram
encontrados dados que comprovam um tipo de cerimonial idolátrico primitivo: os
sacerdotes arrecadavam alimentos entre a população e o ofereciam aos deuses,
como se os mesmos fossem vivos e de fato comessem. Este tipo de oferenda é
relatado no livro de Daniel (14, 1-21), exatamente na Babilônia, na época do
rei Ciro. A crença comum era de que os deuses tinham as mesmas necessidades que
nós, a mesma maneira de viver e reações naturais. Embora estivessem sempre
colocados no topo da pirâmide social como seres superiores e regentes dos
destinos dos homens.
Gilgamesh, um rei ou um
demônio que sobreviveu ao dilúvio?
Estudos modernos decifraram alguns daqueles
documentos pictóricos primitivos e neles encontraram relatos místicos,
fantásticos e diabólicos. Um exemplo é o relato sobre um rei ou semideus
chamado Gilgamesh.
Os arqueólogos dizem que Gilgamesh foi um rei
semilendário, da cidade Uruk, que teria vivido na metade do III milênio antes
de Cristo. A descrição do personagem é monstruosa: um búfalo com terríveis
chifres, reinando com abominável tirania entre os homens. Para rivalizar com
ele a história conta que foi criado um outro monstro, nascido e vivido no
deserto entre os animais ferozes.
Alertado sobre a existência deste outro demônio, Gilgamesh enviou-lhe
uma de suas cortesãs, especialista no amor livre. E assim, através de uma
criatura bestial, o outro monstro foi atraído para a cidade e aceitou a vida
urbana.
Enkidu, o antigo monstro rival, tornou-se amigo
de Gilgamesh e, pela descrição, talvez até seu amante. Como necessitavam de
madeira para fazer as construções na cidade, e esta encontrava-se na floresta,
tiveram que enfrentar um demônio terrível que havia nas matas, chamado Humbaba.
Venceram o rival e trouxeram a madeira. Assim, começaram a fazer a civilização
humana e construir torres enormes.
Quando Gilgamesh viu o amigo, Enkidu, condenado
à morte se desesperou e saiu errante pelo mundo. E andou procurando a
imortalidade. E quem a tinha era um demônio que sobreviveu ao dilúvio, chamado
“Utnapishtim”. Disse este a Gilgamesh que não poderia lhe dar o dom da
imortalidade, mas que procurasse em tal lugar que encontraria o remédio para se
manter sempre jovem. Gilgamesh aceita o conselho, volta para a cidade, encontra
o elixir da juventude, mas é arrebatado de suas mãos por uma enorme cobra.
Conclui o relato que Gilgamesh deixou cair no
inferno as insígnias de seu poder. Quer dizer, ele seria um demônio que
manteria uma situação passageira de domínio sobre os homens na terra e teria
que voltar ao inferno. Neste relato, tais monstros são tidos como reis, personagens
pacatos e até mesmo aquele chamado “Utnapishtim” é descrito pelos arqueólogos
como se fosse o Patriarca Noé, pelo simples fato de se dizer na lenda que ele
“sobreviveu ao dilúvio”. É provável que
o personagem Gilgamesh tenha sido um ser humano, mas inteiramente possuído por
um demônio que pretendia manter seu domínio despótico sobre os homens. Assim
como um Santo tem um Anjo protetor que aparentemente se identifica com ele,
assim também os malditos filhos das trevas têm demônios que se confundem com os
mesmos.
Divinização de pessoas
Como se viu acima, aos poucos foram também
divinizando as pessoas, em geral patriarcas ou feiticeiros famosos que deixaram
vestígios de poder e importância. O Patriarca José, depois de falecido, foi
objeto de idolatria pelos egípcios, conforme narra a vidente Beata Ana Catarina
Emmerich. Tanto ele como a esposa Asenet eram tidos como deuses a ponto de
terem criado duas divindades baseadas na fama deles, que foram Isis e Osiris: “Tenho visto, por exemplo, que os deuses Isis
e Osiris não eram outra coisa que José (vice-rei do Egito) e Asenet (sua
esposa), que os astrólogos do Egito haviam predito a raiz de visões diabólicas,
e que eles haviam colocado entre seus deuses.
Quando chegaram, foram venerados como deuses. Tenho visto que Asenet se
lamentava e chorava por isso, e até escreveu contra o culto que se lhe tributava”[2]
Em outro trecho acrescenta a vidente: “Tenho visto que (Asenet, esposa de José)
foi venerada como deusa com o nome de Isis, pela torcida interpretação de seus
escritos e rolos. José foi logo venerado sob o nome de Osiris”[3] Quando Moisés libertou o
povo hebreu do cativeiro do Egito, segundo Catarina Emmerich, teve que levar às
escondidas os restos mortais de José, que estava numa tumba escondida, a fim de
evitar que os hebreus o descobrissem e o adorassem como deus.[4] Segundo a mesma vidente, o
touro Ápis foi uma divindade que surgiu também no tempo de José, oriundo de uma
crença surgida do sonho em que o faraó viu as sete vacas magras e as sete vacas
gordas (Gên 41, 1-4).[5] É possível que essa
idolatria já existisse desde o tempo em que o povo hebreu, em seu êxodo pelo
deserto, mandou construir o bezerro de ouro com o fim de adorá-lo (Gên 32).
Uma demonstração do motivo religioso da
sepultura incógnita dos grandes patriarcas (para se evitar a idolatria) é o
caso do túmulo de Moisés. Há, até, um verdadeiro mistério que envolve o seu
sepultamento: “Moisés, servo do Senhor,
morreu ali na terra de Moab, segundo a ordem do Senhor; e o sepultou no vale da
terra de Moab, defronte de Fegor; nenhum homem soube até hoje o lugar do seu
sepulcro...” (Deut 34, 5-6). Não
se sabe o lugar de seu sepulcro, seja uma caverna ou qualquer lugar o mais
recôndito possível, pois se viessem a saber poderiam levar seu culto à
idolatria. Como diz as Escrituras houve muito pranto com a morte de Moisés,
talvez muitas orações, muitos rituais de homenagens a ele, mas o fato de não se
vislumbrar sua sepultura talvez tenha evitado que o povo hebreu passasse da
simples veneração para a adoração, como era comum ocorrer no Egito de onde
vinham. A altercação que o demônio teve com São Miguel sobre o corpo de Moisés,
de que fala São Judas em sua Epístola, deve ter sido exatamente com a intenção
de lhe dar um sepulto grandioso e com isso despertar a idolatria entre os
hebreus.
Em sua Epístola, São Judas alude a uma disputa
de São Miguel com o demônio sobre o corpo de Moisés: o glorioso Arcanjo, por
disposição de Deus, queria que o sepulcro de Moisés permanecesse oculto; o
demônio, porém, procurava torná-lo conhecido, com o fim de dar aos judeus
ocasião de caírem em idolatria, por influência que já sofriam dos povos pagãos
que os rodeavam. “Quando o Arcanjo
Miguel, disputando com o demônio, altercava sobre o corpo de Moisés, não se
atreveu a proferir contra ele a sentença de maldição, mas disse somente:
“Reprima-te o Senhor”. (Judas 1, 9).
Os corpos de outros patriarcas antigos tiveram destinos
diferentes. Josué teve seus ossos trazidos e sepultados em lugar apropriado –
quer dizer, em jazigo da família (Josué 24, 32), sepultado nos “confins da sua
possessão, em Tamnatzaré, sobre o monte Efraim, ao norte do monte Gaas” (Jz 2,
9). Sansão também foi enterrado em sepultura comum dos familiares (Juízes16,
31), assim como o último dos Juízes, Samuel (I Sam 25, 1). O grande rei Davi,
porém, recebeu as homenagens e reverências merecidas, tendo sido enterrado em
sua cidade (Belém), quer dizer, entre seus familiares (I Reis 2, 10-11), assim
como seu filho Salomão (II Crônicas 9, 31).
Mas não há notícias sobre qualquer suntuosidade de seus túmulos. A essa
altura, o povo hebreu já havia se desenvolvido mais, saído da situação pastoril
e rural para a de uma civilização real, especialmente após a aprovação da primeira
monarquia.
A partir daí a Sagrada Escritura sempre se
refere aos sepultamentos dos reis de Israel como se tivessem ocorrido “na
cidade de Davi”, isto é, Belém. O rei Asa foi enterrado lá (II Crôn 16, 14), em
sepulcro que o mesmo mandara fazer para si. O rei Ezequias foi enterrado na
mesma localidade, referindo a Bíblia que “todo povo de Judá e todos os
moradores de Jerusalém celebraram os seus funerais...” (II Crôn 32, 33). Um de
seus sucessores, o rei Josias, já é enterrado num mausoléu (II Crôn 35, 24-25),
demonstrando um progresso do povo hebreu no combate à idolatria e a construção
de monumentos funerários para seus reis sem perigo para sua fé.
No entanto, havia outro lado da questão: faltar
com a reverência aos mortos em seu sepultamento era mal sinal, significava que
não tiveram boa fama. Tal era a importância dada ao sepultamento de seus mortos
que a Sagrada Escritura o menciona como principal virtude de Tobias (Tob 1,20).
No cativeiro da Babilônia, onde vivia com os de sua tribo (Neftali, do reino de
Samaria) os corpos dos hebreus mortos eram jogados fora das muralhas da cidade
a fim de serem devorados pelas aves de rapina: o perverso rei proibia que se
enterrassem os corpos dos israelitas, e quem o fizesse era severamente punido.
Certo dia, Tobias estava sentado à mesa para o jantar quando veio seu filho e
lhe disse que haviam deixado na praça o corpo de um israelita morto: sem
titubear o velho Tobias levantou-se imediatamente da mesa, foi buscar o cadáver
e o ocultou até à noite, quando o enterrou dignamente (Tob. 2, 37).
Porém, com relação àqueles que tiveram grande e
boa fama, ou apenas certa fama de poder e grandeza, havia a tentação da
idolatria. Era preciso prevenir o povo eleito de tal tentação, de modo particular
no tempo de Moisés quando a idolatria era imperante e disseminada pelo mundo,
especialmente entre os egípcios daquele tempo.
Moisés foi de tal grandeza que é elogiado até
mesmo pela Sagrada Escritura, quer dizer, pelo Espírito Santo. No Eclesiásticos
há um grande elogio à sua pessoa: “Moisés foi amado por Deus e pelos homens; a
sua memória é abençoada. O Senhor fê-lo semelhante em glória aos santos,
engrandeceu-o e tornou-o terrível aos seus inimigos. Pela sua fé e mansidão o
santificou, e o escolheu dentre todos os homens” (Eclesiásticos 45, 1-4). É
considerado pelos Santos e Doutores da Igreja como homem extraordinário, grande
santo, sumo profeta, o legislador insigne e mais sábio que já houve, taumaturgo
prodigioso, o mais antigo dos historiadores, o mais sublime dos filósofos. E no
entanto, morreu sem nenhuma recompensa terrena, não se sabendo o que ocorreu
com sua descendência. Foi um homem nascido para o bem da humanidade.
São Paulo tece grandes elogios a Moisés,
especialmente por causa de sua fé: “Pela fé, Moisés, depois de nascido, foi
escondido por seus pais durante três meses, porque viram que era um menino
formoso e não temeram o edito do rei. Pela fé, Moisés depois de grande, negou
ser filho da filha do Faraó, escolhendo antes ser afligido com o povo de Deus,
que gozar a delícia transitória do pecado, considerando maior riqueza o
opróbrio de Cristo que os tesouros dos egípcios, porque olhava para a
recompensa. Pela fé, deixou o Egito, não temendo a cólera do rei: permaneceu
firme, como se visse aquele que é invisível.
Pela fé celebrou a Páscoa e fez a aspersão do sangue, a fim de que o
exterminador dos primogênitos não tocasse os israelitas. Pela fé passaram o Mar
Vermelho, como por terra firme, enquanto que os egípcios, tentando a mesma
passagem, foram submersos” (Heb 11, 23-29).
Até Nossa Senhora
correu o risco de ser idolatrada
Não há relatos sobre a perfil físico ou da
fisionomia de Nossa Senhora. Tudo ficou oculto d’Ela, inclusive sua própria
presença no Paixão de Cristo é pouco relatada, ou, pelo menos, sem descrever
algo sobre sua personalidade ou beleza física.
A provável idolatria que poderiam ter em torno
d’Ela é por outros meios, servindo-se de materiais referentes a Ela mas não de
sua figura, a não ser por meras pinturas. Não se sabe a origem, mas houve caso
de idolatria a Ela, como os citados a seguir:
“Segundo o testemunho de Santo Epifânio, os coliridianos, na Arábia, veneravam
a Virgem como deusa e ofereciam, com ritos idolátricos, pequenos pães ou tortas
em sua honra. Esta seita era composta quase exclusivamente por mulheres, e a
elas estavam reservados os ofícios sacerdotais. Entre os montanistas orientais,
os chamados marianistas e filomarianistas adoravam Maria como deusa” [6]
Por causa disso, e também por sua grande
humildade, segundo São Luís Grignion de Montfort, Deus A preservou oculta aos
olhos dos homens. Logo no início do Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima
Virgem, escreveu ele: “Toda a sua vida
Maria permaneceu oculta; por isso o Espírito Santo e a Igreja a chamam Alma Mater – Mãe escondida e secreta.
Tão profunda era a sua humildade, que, para ela, o atrativo mais poderoso, mais
constante era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente de Deus”
São Luís Grignion de Montfort afirma no Tratado da Verdadeira Devoção
à Santíssima Virgem: “os encantos admiráveis com que o próprio Deus havia
ornado a aparência exterior [de Nossa Senhora]. São Dionísio, o Areopagita, (…)
diz que, quando a viu, tê-la-ia tomado por uma divindade, tal o encanto que
emanava de sua pessoa de beleza incomparável, se a fé, em que estava bem
confirmado, não lhe ensinasse o contrário”.[7]
Quem é São Dionísio Areopagita que teve a ventura de conhecer
pessoalmente Nossa Senhora? São Lucas nos Atos do Apóstolos refere-se a
Dionísio (At 17, 34) na narrativa do
apostolado de São Paulo no Areópago de Atenas. A graça, servindo-se da eloquência
de São Paulo, tocou a fundo o coração de Dionísio, convertendo-o das trevas do
paganismo para a luz da verdadeira fé. Dionísio após a conversão conheceu
pessoalmente São Pedro, São Tiago e o Evangelista São Lucas, este em Éfeso,
onde vivia Nossa Senhora. Foi aí que Dionísio A conheceu e foi objeto do zelo
apostólico da Mãe do Salvador. Seu primeiro encontro com Maria Santíssima
proporcionou o comentário a que se refere São Luís Grignion.
[1]
Talvez castigo semelhante ao homem moderno seria a confusão da “língua” mais
comum hoje, a internet: caso a mesma entre em black out ocasionaria uma grande
confusão entre os homens, haja vista ser a “linguagem” quase exclusiva de
todos.
[2]
“Ana Catalina Emmerich”, tomo I, “El Antiguo Testamento”, Editorial Surgite,
pág. 63;
[3]
“Ana Catalina Emmerich”, tomo I, “El Antiguo Testamento”, Editorial Surgite,
pág. 94.
[4]
Op. cit. págs. 101/103
[5]
Segundo a lenda, esse touro negro (originado na cidade de Mênfis) deveria ter
certos sinais ou manchas: na fronte, uma mancha branca quadrada; no dorso, a
figura dum abutre ou duma águia; sob a língua, um nó em forma de escaravelho;
os pêlos da cauda numa mescla de branco e preto e, enfim, um crescente branco
sobre o lado direito do corpo. Encontrado um bezerro com tais características
(ou, pelo menos, parecido com isso) pelos sacerdotes pagãos especiais chamados
os Bastões de Ápis, o animal era
conduzido a Mênfis em uma barca dourada e em grande pompa, depois de ter sido
nutrido unicamente por mulheres durante 40 dias. Uma vez entronizado
cerimoniosamente, vivia no seu santuário, ao lado do deus Ptah, a mais
importante divindade menfita, da qual era tido como o arauto, a imagem viva.
Sua mãe, um animal também reverenciado, era como que sua esposa legítima, mas
tinha também outras vacas cuidadosamente escolhidas para ele. Dizia-se que o
próximo touro Ápis era a ressurreição do anterior.
[6] ALASTRUEY, Gregório, Tratado de La Virgen Santísima, 4 ed.
Madrid, BAC, 1956, P. 841)” - Apud : SÃO JOSÉ: QUEM O CONHECE?... – De Mons,
João Scognamiglio Clá Dias – pág. 44, nota n. 20
[7]
São Luís Grignion de Montfort, Tratado da Verdadeira Devoção
à Santíssima Virgem, Ed. Vozes, Petrópolis, 46ª edição, nº 49, p. 52-53.




