quinta-feira, 18 de junho de 2026

A GUERRA DOS "SAPOS"

 


O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, por várias oportunidades, tanto em artigos de jornais quanto no livro sobre as elites publicado nos Estados Unidos, discorreu sobre um tipo de burguês da era moderna que ele cognominou de “sapo”, e de “saparia” ao conjunto deles. Que “tipo” de burguês é esse? Dr. Plinio não foi o primeiro a dar essa denominação a grupos sociais de nossa sociedade, um dos pioneiros foi o poeta Manuel Bandeira que denominou de “sapos” aos adeptos do modernismo, e isso o fez numa famosa poesia com o título de “Os Sapos”.

O que se vê hoje nessa guerra sem fim que foi deflagrada nas elites políticas brasileiras nada mais é do que uma “guerra de sapos”, onde se destaca a corrupção galopante entre eles. Vejam abaixo o que diz dr. Plinio sobre a "saparia"

 A “SAPARIA”

(Texto traduzido do Apêndice à edição norte-americana do livro “Nobreza e Elites Análogas nas Alocuções de Pio XII”, de Plinio Corrêa de Oliveira)

2. ELITES INAUTÊNTICAS

Qualquer estudo sobre as elites, nos Estados Unidos, depara-se com um problema, que é o das elites inautênticas. As elites do país são o resultado de um processo de refinamento na sociedade, e representam, em certo sentido, o que o país tem de melhor e mais elevado. Porém, é inegável que numerosas pessoas de elite têm mentalidade francamente revolucionária, e que certos grupos de elite são os paladinos das transformações de caráter liberal e socialista em vários campos. Também é inegável que tais pessoas e grupos assumem, com freqüência, atitudes de simpatia frente ao comunismo internacional.

Uma elite inautêntica pode possuir o patrimônio relevante ou a notoriedade pública, inerentes às elites autênticas, sem no entanto possuí-los há tempo suficiente para que deles resultem os predicados característicos das elites autênticas. Ou sejam, a largueza de horizontes, a excelência de tipo humano e de trato e a delicadeza de sentimentos que as distinguem.

Pode até acontecer que numa elite inautêntica exista um passado suficientemente longo para lhe proporcionar todos os predicados de uma elite autêntica e tradicional. Mas que esse grupo, movido por preconceitos ideológicos ou outros fatores, tenha preferido manifestar — ao lado de maneiras distintas, educação esmerada, e até hábitos aristocráticos — uma ideologia revolucionária e uma mentalidade democrática liberal, tendente a promover um Estado paternalista, em detrimento dos corpos sociais intermediários.

As elites inautênticas constituem verdadeiros corpos estranhos na tradicional contextura social de um país. E podem até formar, a respeito dos verdadeiros direitos e interesses do mesmo, uma noção tão anti-natural que chegue ao ponto de colaborar largamente com os adversários mais radicais e mais declarados desse país.

Ao fazer uma defesa genérica das elites, portanto, poder-se-ia perguntar se os autores da presente obra não estariam, ainda que implicitamente, favorecendo a ação demolidora destas elites liberais.

a. A "saparia"

- O termo "sapo", com a conceituação que é desenvolvida no presente item, foi lançado em artigo do Professor Plinio Corrêa de Oliveira, publicado no diário "Folha de São Paulo", em 25-6-69.

Antes de tudo, parece necessário deixar bem claro que — ao tratar da questão das elites nos Estados Unidos — os autores as distinguem das elites artificiais ou inautênticas. Estas se apresentam sem ligações naturais com as melhores tradições deste país e os mais profundos anseios do povo norte-americano, chegando mesmo a contrariar essas tradições e esses anseios.

Dado que a distinção entre uma elite tradicional autêntica e tais elites espúrias nem sempre está presente com a devida nitidez no espírito de incontáveis pessoas, parece indispensável incluir o presente item explicativo.

Os estudos sociológicos citados mostram que existem elites tradicionais nos Estados Unidos, constituídas a partir de antecedentes históricos próprios a cada lugar. Essas elites têm ainda hoje uma influência social marcante sobre o conjunto da sociedade norte-americana, especialmente nas suas capilaridades.

Porém, muitas vezes os postos diretivos do Estado, das altas finanças, das grandes empresas, da mídia, das fundações e dos órgãos culturais, são ocupados por pessoas que não pertencem a elites autênticas, mas constituem uma espécie de contra-elite que faz ostentação de princípios, de idéias e de um estilo de vida em dissonância com o modo geral de pensar e de agir da maioria da população.

Estas elites inautênticas, longe de representarem a nação, nela constituem quase um corpo estranho, aparecendo aos olhos do público de modo muito mais visível — e, sob certos aspectos, mais brilhante — que as elites tradicionais. Elas ocupam muito maior espaço nos órgãos de publicidade e ofuscam o realce que as verdadeiras elites deveriam ter.

Assim, formou-se na mente de numerosos norte-americanos a idéia de que elite é só isto, podendo daí advir em muitos uma injustificada antipatia às elites in genere, em vez de uma não raras vezes explicável antipatia dirigida apenas contra as falsas elites.

Para simbolizar o perfil moral e psicológico do tipo humano de tais elites inautênticas — existentes nos Estados Unidos, como em quase todo o Ocidente — tomou curso no linguajar corrente das TFPs a palavra "sapo", e ao conjunto dos sapos a denominação coletiva de "saparia".

Em geral, o "sapo" nasceu da Revolução Industrial. Ou seja, ele é o fruto — artificial, sob certos pontos de vista — de uma economia de base industrial que gerou fortunas excessivamente grandes, sem proporção com a massa geral dos patrimônios individuais do país. Estas fortunas podem ser de natureza industrial, financeira, e mesmo artística ou esportiva, como no caso de certas personalidades do cinema, da televisão e dos esportes.

Há um tal desequilíbrio entre os "sapos" e os outros níveis econômicos da população, que eles parecem viver numa espécie de estratosfera em relação ao restante do corpo social, levando uma vida econômica e socialmente desproporcionada às suas origens e ao seu nível cultural.

Pode haver também um tipo de "sapo", igualmente rico, descendente de famílias tradicionais, de aparência aristocrática, mas que usa de sua posição e de seu prestígio social para favorecer a implantação de reformas de caráter liberal e igualitário.

b. Caráter malfazejo da "saparia"

Nessas condições, o "sapo" — a expressão pode ser forte demais — é quase um câncer no corpo social. Longe de ser o coroamento de uma hierarquia harmônica de elites, a "saparia" dá ensejo ao estabelecimento no país da própria estrutura de poder, de influência e de prestígio dela, sem imbricação com os demais níveis de elites. O peso dessa estrutura anti-natural acaba por prejudicar seriamente aquilo que deveria ser uma sadia e equilibrada vida política, econômica, social e cultural da nação. Mesmo que, individualmente, os membros desta contra-elite possam não ter essa intenção, o próprio dinamismo do sistema por eles dirigido acaba conduzindo a este fim.

Assim como o último degrau da escada deve ter proporção com os degraus anteriores, a elite verdadeira deve ter proporção com os outros elementos do corpo social. Uma escada em que o último degrau fosse exageradamente mais alto que os outros, tornaria a escada inutilizável.

Nas sociedades modernas e industriais, este último degrau exageradamente alto teve sua origem, muitas vezes, em fortunas desmedidas, acompanhadas de um poder, de uma influência e de uma cobertura publicitária igualmente desmedidas. Os possuidores de tais fortunas, sejam eles indivíduos ou empresas, famílias novas ou antigas, têm haveres e interesses em muitas regiões do país e em diversas partes do mundo, escapando assim aos limites naturais e sadios da propriedade privada, e constituindo quase estados dentro do Estado.

Pela amplitude que tomam, estas contra-elites acabam gerando em seus membros uma mentalidade característica, que leva ao ceticismo geral no terreno doutrinário, com desprezo por tudo quanto representa idéias, maneiras e tradições de uma Civilização Cristã. Leva também a uma exclusiva valorização do poder e do status que a super-fortuna confere, como meio para exercer uma ação a seu modo tirânica sobre o país.

Este conjunto de super-fortunas supra-nacionais, sejam elas individuais ou societárias, forma no cume da vida econômica do país uma trans-elite, que mais se assemelha a uma "nomenklatura".

c. Os "sapos" e o comunismo

Ao observar como foi o comportamento desta "saparia" nos países capitalistas ocidentais, em relação ao mundo comunista, constata-se um fato perplexitante: Longe de estar na liderança de uma ampla ação contra o comunismo internacional — como sua condição pareceria exigir — os membros da "saparia" se mostraram concessivos frente a ele, sempre prontos a negociar, a abrir-lhe os cofres do crédito ocidental, a aplainar-lhe o caminho em tudo que fosse possível.

Esta atitude foi uma das características mais chocantes de tal contra-elite. Pois ela freqüentemente se dispôs a salvar de seu fracasso um regime que sempre fez questão de se apresentar como o pior inimigo do capitalismo. Foi o caso, por exemplo, de titulares de grandes patrimônios, que destinaram à Rússia comunista, até mesmo nos períodos de tensão daquele país com nossa pátria, recursos econômicos indispensáveis para a sobrevivência daquele regime.

Embora a explicação mais profunda deste fato seja bastante complexa, e até enigmática, para ser exposta em poucas linhas, é certo que um dos fatores que mais pesou para essa atitude foi a semelhança entre o papel desta "saparia" nos regimes capitalistas ocidentais e a "nomenklatura" nos Estados comunistas. Realmente o super-poder do Estado comunista, dotado de uma capacidade de ingerência em todos os campos da vida humana, tem muito de parecido com o super-poder de que esta contra-elite goza em países do Ocidente. Assim sendo, a nomenklatura é uma imagem da "saparia" dentro do regime comunista.

Não é de surpreender, portanto, que entre duas "elites", tão afins sob certos aspectos, as barreiras ideológicas se transponham com facilidade, e que a "saparia" capitalista ocidental mostre simpatia para com sua congênere — que é ao mesmo tempo sua antítese — do capitalismo de Estado.

-  Domhoff aponta os fatores que levaram a uma weltanschauung comum entre a saparia norte-americana e a nomenklatura soviética: "O internacionalismo, a aceitação do governo centralizador e do Estado previdenciário, são três características do pensamento atual no mundo dos grandes negócios. Isto levou os ultra-conservadores a comparar o país [Estados Unidos] dominado pelas grandes empresas à situação vigente na Rússia soviética. Existe, afinal, uma semelhança apreciável. O grande homem de negócios da atualidade não tem uma concepção religiosa do mundo.... Sua concepção é laica e baseada em sua educação liberal e cientificista". (G.W. Domhoff, The Governing Class in America, The Higher Circles, p. 295)

d. O "jet set"

Também como exemplo expressivo de elite inautêntica, cumpre distinguir o que a linguagem moderna designa com o nome de jet set.

A expressão jet set indica os mais ricos — de todos os tipos — que vivem gastando e se divertindo. O jet set pode incluir uma princesa real, um croupier, um jockey famoso, uma estrela de cinema, etc. As pessoas mais díspares entre si figuram no jet set, desde que tenham dinheiro em quantidade que lhes permita gastá-lo a mancheias.

O que caracteriza o jet set é a posse de dinheiro com a vontade de gastar e de aparecer aos olhos do público. Poder-se-ia quase fazer a tal propósito uma equação matemática: dinheiro + vontade de gastar + vontade de aparecer = jet set.

Neste campo também se manifesta a ação nociva da mídia, ao assestar os holofotes da propaganda quase exclusivamente sobre o jet set, relegando as elites tradicionais ao ostracismo. Para o jet set a mídia é generosa. Assim, se um membro de uma família tradicional pertence ao jet set, quando houver um casamento nessa família a mídia lhe dará toda publicidade, negligenciando outros membros que se mostrem mais tradicionais.

Na realidade o jet set constitui a caricatura de uma elite autêntica.

Este aspecto caricatural nota-se não só nas pessoas, mas também nas decorações e nos ambientes típicos do jet set, profundamente marcados pelo predomínio do desejo de manifestar riqueza, e não pela distinção ou pelo bom gosto. São ambientes que, ao lado de uma nota de opulência e extravagância, apresentam um luxo que nunca é aristocratizante, mas sim vistoso e demagógico.

3. AS DIFERENTES VIAS PARA AS ELITES AUTÊNTICAS E INAUTÊNTICAS

Quando uma pessoa adquire fortuna por mérito próprio ou por herança, ela tem diante de si dois caminhos: refinar-se a ponto de abrir para si — ou, pelo menos, para seus descendentes — as portas da assimilação às elites tradicionais; ou enveredar pelo caminho da "saparia".

a. O caminho da assimilação às elites tradicionais

No primeiro caso estão as pessoas que, tendo adquirido uma certa fortuna, não se preocupam muito em aumentá-la. Julgam elas que, ao assimilar valores da tradição e da cultura européias, isso já lhes basta para ter um prestígio suficiente em seu meio social. A administração equilibrada de seus bens lhes permite desenvolver um estilo de vida refinado, análogo ao da aristocracia, sem maiores preocupações de ordem financeira.

Segundo esta mentalidade, desde que o patrimônio seja suficiente para manter o status já adquirido, e a pessoa tenha valores culturais correspondentes à sua alta posição, ela se julga realizada em suas aspirações. Seu prestígio vem mais do status de elite do que de sua fortuna.

Tais pessoas tornam-se independentes em relação às máximas de uma sociedade revolucionária, às imposições das altas finanças e aos imperativos de certas modas extravagantes e da propaganda. Passam então por um processo de aperfeiçoamento, que as torna assimiláveis às elites tradicionais. Elas adquirem um feitio de espírito aristocrático, um modo de ser que lhes dá uma superioridade intrínseca que não vem do dinheiro, mas de fatores psicológicos e culturais. Podem então formar parte de uma autêntica elite tradicional, seja ela de âmbito regional ou nacional.

b. As vias da "saparia"

Outras pessoas tomam um rumo oposto, enveredando pela via do pragmatismo revolucionário, menosprezando a tradição e visando acima de tudo a aquisição de fortuna e poder econômico cada vez maiores.

Elas têm como idéia fixa que o dinheiro é a única fonte de prestígio, e querem aumentar seu patrimônio a todo custo. Para isso lançam-se no mundo das finanças internacionais e rompem os laços que as prendiam às tradições de seu lugar de origem. Inteiramente tomadas pela preocupação dos negócios, falta-lhes de todo em todo o espírito ponderado próprio à verdadeira aristocracia.

Uma terceira via é representada por aquelas pessoas ricas que não colocam sua maior preocupação em negócios ou na aquisição de novas riquezas. Embora às vezes oriundas das elites tradicionais, e apresentando um estilo de vida marcado por hábitos aristocráticos, professam idéias liberais e igualitárias, favorecendo o avanço da Revolução em nível nacional e internacional. Neste sentido assemelham-se ao "sapo" descrito no parágrafo anterior.

Porém, mesmo os descendentes de um primitivo "sapo" podem se aristocratizar. Se após algumas gerações, passadas predominantemente na conquista de riqueza, esta apetência se atenua para dar lugar maior às coisas do espírito e da cultura, eles podem ser incorporados às elites aristocráticas, desde que tenham a alma aberta para assimilar seus valores e modos de vida.


Fonte: 

http://www.pliniocorreadeoliveira.info/2003%20-%20LN_Apendice_americano_Cap_II.htm

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Quem gosta de torcer, também gosta de sofrer

 






(meus cordéis sobre o futebol e copa do mundo)

 

“Futebol só dá alegria”

Assim diz um refrão

Mas quanto sofrimento

Pra um só ser campeão!

 

Se um jogador dribla

Sai alegre, satisfeito,

Mas o outro, logrado,

Fica logo contrafeito

 

A alegria de toda torcida

Provoca o ódio da rival

E ambas entram em guerra

Em embates às vezes mortal

 

Se o sofrimento é ruim

E só alegria deve reinar

Por que, então, por gentileza,

Nunca se deixa o outro ganhar?

 

Futebol dá mais tristeza

Do que mesmo alegria

Se um ganha, vários perdem,

E caem em melancolia

 

E pra vencer tudo vale:

Bater, xingar, gritar

Sem respeito ao semelhante

O importante é ganhar

 

É ideia sentimental

Fazer os outros chorar

Após ganhar-lhe o jogo

E o campeonato acabar

 

Chegada a Copa do Mundo

Quantas nações a querem ganhar

Mas uma só é campeã

E as demais a se desclassificar

 

Tantas Copas foram disputadas

Destas, 5 o Brasil ganhou

Se nestas 5, sorriu

Em 14 ele chorou

 

 


quarta-feira, 3 de junho de 2026

A REGÊNCIA DIVINA NAS CURVAS DA HISTÓRIA

 



A forma como Deus rege os homens pode ser constatada desde tempos imemoriais, a partir da primeira queda no Paraíso, passando pelo Patriarcado, pelos tempos dos juízes, da primeira monarquia (a hebraica) e pelo surgimento dos impérios vistos no sonho de Daniel. Esta regência teve novo ponto de partida no nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, quando o mesmo instituiu a Santa Igreja Católica, para, através d’Ela e seu Corpo Místico, reger os homens e instalar seu Reino sobre a terra..

E essa forma sempre se revelou a mesma. A Divina Providência rege os homens ora com brandura e pacificamente, ora com rigor e castigos.  A mais perfeita deve ser sempre aquela em que o Regente encontra acolhida entre os regidos, sendo esta pacífica e cheia de brandura. Quando os regidos, porém, se rebelam a Providência usa o recurso que chamamos de “correção de rumos”. E muitas vezes a forma de “correção de rumos”, os castigos, se faz pelo simples abandono daqueles que deveriam aceitar a regência divina mas querem fazê-lo por conta própria. Este abandono tem sido frequente, ocasionando o despenhadeiro das sociedades ditas fiéis em verdadeiras calamidades.

Quando a ação de homens fiéis a Deus consegue impor os rumos da história naquela forma pacífica e sem a necessidade de “correção de rumos” pela via de castigos, surge sempre uma multidão de homens, inspirados pelo reino das trevas, para fazer o oposto e tentar construir o maldito corpo místico de Satanás. Patenteia-se, assim, o acirramento da luta entre o Bem e o Mal, entre os filhos da  serpente e os da Virgem.

De outro lado, convém ressaltar que a Providência sempre age por intermédio de terceiros, cumprindo aquele princípio tomista de que Deus age por causas segundas. Assim, vê-se normalmente um intercessor que tem papel primordial em mudar ou impor os rumos da história. No Antigo Testamento tivemos os antigos Patriarcas, como Abraão, Isaac e Jacó, ou reis como Davi e Salomão, ou ainda Profetas como Elias e Eliseu, sem os quais a História teria tomado rumos diferentes. Até chegarmos a Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele mesmo, o Intercessor mais importante que fez com que os fatos passassem a ter importância somente enquanto se referissem a Deus e à eternidade. A História a partir daqui se definiu como Antes de Cristo e Depois de Cristo.

Veremos, cronologicamente, como esta regência se efetivou após o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, isto é, sob o patrocínio da Igreja e seu Corpo Místico..

 

As “Curvas da História” no período do Cristianismo

O início do Cristianismo não se deu com nenhuma conquista, seja ela de qualquer natureza, mas apenas com o nascimento de Cristo. Sua vida privada, no sacral lar da Sagrada Família, ficou inteiramente incógnita e durou nada menos do que 30 anos, deixando Ele os 3 últimos anos de sua vida para exercer sua vida pública e pregar o seu Reino. E sua vitória, sua maior glória, não foi também uma retumbante conquista militar ou de poder, mas o martírio na Cruz.

No entanto, o seu Reino havia sido propagado entre seus fiéis seguidores, entre os quais os 12 Apóstolos e, ao depois, o Apóstolo das Gentes, São Paulo: os Apóstolos, de início eram 12, mas depois, foram 13. Já se mostra, no tempo de Cristo, a atuação d’Ele e a do Espírito Santo. No Evangelho consta que Jesus convidou 5 Apóstolos, mas não fala dos outros 7, os quais aderiram a Ele por inspiração do Espírito Santo. Do mesmo modo, dentre os 4 Evangelistas, dois eram Apóstolos que seguiram Jesus em vida (São João e São Mateus) e os outros dois foram objeto da pregação do Corpo Místico de Cristo (São Lucas e São Marcos), agiram sob inspiração direta do Espírito Santo.

Logo, logo, assim que estes homens começaram a pregar o Reino de Deus, o reino das  trevas começou também as tramas de sentido contrário. E as perseguições eram comandadas, em geral, pelos próprios judeus. Tentando fazê-los compreender o erro a Providência os abandona completamente, deixando que a Cidade Santa, Jerusalém, seja destruída juntamente com o Templo, pouco menos de 40 anos após a morte de Cristo, no ano 70 de nossa era. Não somente isso: os judeus foram expulsos de suas terras e tiveram que fugir e emigrar para várias partes do mundo. Tal situação perdura até os dias atuais, com a atenuante da criação do estado de Israel, embora no meio de ferozes inimigos e sem paz.

As perseguições à Igreja iniciante duraram mais de 3 séculos até encontrar um rei (Constantino, no ano 313, venceu sob o  signo da Cruz) que reconhecesse a religião cristã, através do Edito de Milão. A Igreja, finalmente, tinha liberdade para pregar o Reino de Deus entre os povos.  Iniciava-se a construção da Civilização Cristã. Três santos tiveram papel importante para este início: Santo Agostinho, São Bento e São Jerônimo. Foram eles que lançaram as bases teológicas e social da nova sociedade que surgia.

Mas, o inimigo não dormia e lançou-se com ódio sobre a sociedade de então. Se iniciaram neste período as invasões bárbaras, ocasionando a ruína do Império Romano. Aproveitaram-se os pagãos romanos para acusar os católicos de que eram culpados por aquela desgraça, pois, diziam, se tivessem sido fiéis aos seus deuses não teriam sofrido aquela ruína. Santo Agostinho lançou, então, uma de suas maiores obras, chamada “Civilitate Dei” (A Cidade de Deus), na qual provou que, pelo contrário, foram os católicos que ajudaram a diminuir a tragédia, protegendo muitas populações em seus templos e enfrentando os bárbaros com mais valor e eficácia. Em cima das ruínas do império romano estavam lançadas as bases da nova sociedade que surgia. Na mesma obra, Santo Agostinho explicita como deveria ser a sociedade perfeita, cristã e católica: se na sociedade não somente o rei e sua corte fossem católicos fieis, mas todos os demais súditos, cumpridores dos mandamentos divinos, teríamos então uma sociedade perfeita, que ele chamou de “Cidade de Deus”. Pode-se dizer que data desta época o início da Idade Média católica, quando o monacato imprimiu rumo inovador em toda a sociedade civil, especialmente após São Bento.

Os mansos, no dizer da bem-aventurança evangélica, começavam a possuir a terra.  E novas elites passavam a se formar, desta vez sob o influxo da doutrina cristã que dizia que quem deseja ser o maior procure servir aos demais e se apresente como o menor.

Vejamos, cronologicamente, os fatos que se seguiram, segundo análise feita por Dr. Plínio e completada por seus seguidores, como o padre Caio Newton, EP, especialista dos Arautos do Evangelho no tema:

 

Avanço do Cristianismo na sociedade:

Ano 410 – saque de Roma pelos hunos; 411 – Átila é repelido pelo Papa São Leão Magno, mostrando a força moral e divina da Igreja; 476 – Queda do Império Romano do Ocidente; das ruínas deste império começavam a brotar os elementos de uma nova civilização; 496 – Conversão de Clóvis, rei dos francos, transforma a França no primeiro país oficialmente católico; 525 – São Bento funda Monte Cassino.

 

Surge o início do reino das trevas: o islamismo

622 – O reino das trevas inspira a criação de uma religião diabólica para fazer frente ao Cristianismo: Maomé cria, pela força das armas, o Islamismo, e inicia suas investidas tomando terras a partir da península arábica até o norte da África; 711 – Os mouros começam a invadir a Europa através da Espanha (Covadonga); 732 – Mas são repelidos por Carlos Martel em Poitiers, fronteira entre Espanha e França.

 

A Idade Média cristã se estabiliza na sociedade europeia

768 – Carlos Magno, rei dos francos (neto de Carlos Martel), surge como o grande conquistador e formador da unidade cristã na Europa; 800 – Carlos Magno é coroado, na noite de Natal, e sagrado pelo Papa como Imperador do Império Romano-Germânico; 814 – Morte de Carlos Magno e divisão de seu império; 910 - Fundação de Cluny, o apogeu da Civilização Cristã é atingida; 1073 – São Gregório VII, Papa, e o caso de Henrique IV (em 1077), em Canossa; 1095 – Urbano II convoca a primeira Cruzada; 1099 – Conquista de Jerusalém por Godofredo de Bouillon; 1146 – São Bernardo de Claraval prega a segunda Cruzada.

 

Início da decadência cristã e a reação de Santos históricos

1150 -  Marco do início da poesia trovadoresca e começo da decadência; 1167 – Heresia dos Cátaros e Albigenses (a cruzada de Saint Simon); 1215 – São Domingos de Gusmão e São Francisco de Assis; 1252 – São Tomás de Aquino e a Escolástica como fonte de riqueza teológica e filosófica; 1270 – Morte de São Luís IX, rei de França; 1303 – Bonifácio VIII é esbofeteado por ordem de Felipe, o Belo, neto de São Luís; marco do início da prepotência estatal através do absolutismo; foi este princípio filosófico, poder estatal acima de tudo, que norteou os lances futuros da Revolução e até hoje inspira as constituições dos países modernos; 1378 – Grande cisma do Ocidente: durou 40 anos, tendo Santa Catarina de Siena como principal opositora; Rei de Castela era favorável a um papa cismático, um dos principais motivos da resistência do povo português a suas investidas, todas repelidas por São Nuno de Santa Maria; 1429 – Santa Joana D’Arc consegue vencer as batalhas que  terminam com a guerra de cem anos e coroa o rei de França; 1453 – Queda de Constantinopla, fim da Idade Média e começo da Moderna; 1492 e 1500 – as grandes descobertas, América e Brasil, mostra ao mundo a grande decadência de algumas ordens religiosas, despreparadas para exercer as missões com os pagãos, ao mesmo tempo em que surgiram os Jesuítas, a Ordem mais preparada para tão grande missão; os renascentistas aproveitam para apregoar as benesses do naturalismo e condenar a vida social nas cidades; na Espanha, em 1492 os católicos conseguem expulsar o último mouro da Península Ibérica , cujo domínio durou mais de sete séculos (711 a 1492).

 

Surge a Revolução universal

1517 – I Revolução - O luteranismo, investida contra a primeira classe social – o clero; a Alemanha quase inteira adere à nova heresia, seguida de alguns outros países, como a Suíça e a Holanda; 1535 – Cisma da Inglaterra, o anglicanismo; 1539 – Santo Inácio funda a Companhia de Jesus; 1545 – Concílio de Trento refuta o protestantismo; 1561 – Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz e a reforma da Carmelo; 1571 – Lepanto; a Cristandade vence uma grande batalha, impedindo que os muçulmanos invadissem a Europa, cuja ponte seria Lepanto; 1675 – Revelações do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque; 1716 – Morte de São Luís Grignion de Montfort; 1751 – Inicia-se o enciclopedismo, de onde surgiu o Humanismo, fundamento da Revolução Francesa de 1789.

1789 – II Revolução – tomada da Bastilha e o terror – constituição civil do clero – abolição do culto católico na França; após a investida contra o clero, agora a Revolução avança contra a nobreza, derrubando tronos e dinastias;  1801 – Rendição da Vendeia; a partir de agora a Providência vai aos poucos abandonando os homens, deixando-os sob o influxo de suas paixões e dos poderes malignos;  1815 -  Napoleão havia tomado o poder e procurou difundir os princípios da Revolução na Europa através de guerras. Nesta data, ocorreu a derrota de Napoleão em Waterloo; 1848 – Manifesto comunista de Karl Marx; alguns anos depois, a revolta chamada de “Comuna de Paris”; 1869 – Concílio Vaticano I, invasão dos Estados Pontifícios (o Papa prisioneiro no Vaticano), proclamação dos dogmas da infalibilidade papal e da imaculada Conceição; estava se iniciando nesse Concílio as discussões sobre a aprovação do “exorcistado”, proposta através do Beato Palau, a qual, se aprovada, poderia opor sérios obstáculos ao avanço da Revolução; no entanto, por causa da invasão do Vaticano, o Concílio foi suspenso e não concluiu tal iniciativa. 1907 – São Pio X condena o modernismo; e prevê a primeira grande guerra, que eclode poucos dias após (1914);

1917 – III Revolução – O comunismo ganha o poder na Rússia -  Aparições de Fátima no mesmo ano da explosão da III Revolução na Rússia. A revolução comunista procura atingir a terceira classe social, o povo, constante da burguesia e dos operários. A principal base social na Idade Média era composta por estas classes sociais: clero, nobreza e povo, e as três fases da Revolução visaram todas as três (o protestantismo queria acabar com o clero, a Revolução Francesa de 1789 com a nobreza e a revolução comunista com o povo eliminando a burguesia, parte importante dele).

 

A Contra-Revolução

1908 – Nasce Plínio Corrêa de Oliveira (homem providencial no fundo do poço); 1939/1945 – Ocorre a II Grande Guerra seguida da capitulação vergonhosa do tratado de Yalta, quando o Ocidente entrega várias nações à URSS, fortalecendo o império soviético; em 1943, Dr. Plínio lança o livro “Em Defesa da Ação Católica”, um brado de alerta contra infiltrações na Igreja; 1951,  Dr. Plínio funda o jornal “Catolicismo”, em torno do qual se reúne seus discípulos que rapidamente crescem pelo Brasil e outros países; seu grupo de simpatizantes passou a ser chamado de “Grupo do Catolicismo; 1959, Dr. Plínio lança o livro “Revolução e Contra-Revolução”, estabelecendo as bases da reação contra a decadência na Igreja e na sociedade cristã; 1961, Dr. Plínio cria a TFP, sociedade civil destinada a atuar na prática dos princípios contrarrevolucionários; várias entidades semelhantes são fundadas em mais de 20 países; 1963, São iniciadas as sessões do Concílio Vaticano II, verdadeiramente a proclamação dos “estados gerais” da Igreja, a semelhança do que fez Luís XVI antes de eclodir a Revolução Francesa. A terra toda é invadida por utópicas ideias de liberdade, diálogo, consenso e paz. Mas o pecado continua a avançar de forma protuberante. Simultaneamente surgem modas nos costumes que preparam os espíritos para a revolução da Sorbonne.

1968 – IV Revolução - Revolução da Sorbonne em Paris – O tribalismo como princípio autogestionário da sociedade. Surgem os “Hippies”, o Rock n’rol e várias modas de costumes libertinos e sensuais. As portas da sociedade se escancaram para a invasão de costumes indigenistas, pagãos e libertinos. O amor livre avança. Estão lançadas as bases para a formação da igreja satânica, a adoração de Lúcifer, a formação do corpo místico de satanás.

 

A Revolução “morreu” em 1968?

O sentido da palavra “morreu” não quer dizer que já não existe mais, mas no sentido de que parou: é como uma cobra esmagada, ainda rastejando, mas prestes a falecer completamente. Os lances da Revolução a partir daquela data, são de declínio e pouco avanço, como veremos adiante.

A cronologia acima estaciona no ano de 1968 porque tudo o que sucedeu após aquela data foi decorrente dos princípios da revolução da Sorbonne. Assim, por exemplo, Dr. Plínio Corrêa de Oliveira caracterizou aquela revolução como a IV e a definiu num acréscimo feito ao seu livro “Revolução e Contra-Revolução”. Os princípios daquela revolução inspiraram o partido socialista francês a aplica-los na França, mas Dr. Plínio publicou em todo o mundo um extraordinário manifesto denunciando aquele lance, provocando grande derrota da Revolução à aplicação de seus planos. No final da década de 80 em diante começava a fenecer em todo o mundo os planos da autogestão socialista. Uma das cabeças da Revolução estava morta.

No entanto, embora ele tenha internamente, entre seus discípulos, feito vários comentários sobre a V Revolução, que seria a adoração a Satanás, nunca a definiu publicamente como parte de seu livro. Provavelmente, não o fez porque o mundo estava mergulhando num caos, como consequência da perca do “lumen rationis” na humanidade, e não se consegue fazer prognósticos certos num caos.

Do mesmo modo, pode-se dizer que o movimento contrarrevolucionário por ele fundado teve sequência nos anos seguintes, inclusive após sua morte em 1995, como continuidade dos princípios explicitados em 1959 na obra RCR (Revolução e Contra-Revolução). A fundação e pujante atuação e crescimento dos Arautos do Evangelho nas quase três décadas que já se escoaram neste terceiro milênio, nada mais são do que o reflexo, do que a aplicação, daqueles ideais. Podemos dizer, então, que a Revolução parou em 1968, deixando o caminho para o mundo cair no caos completo (Dr. Plínio chegou a dizer: “a Revolução está morta, apenas se rasteja como uma cobra com a cabeça esmagada”); no entanto, a Contra-Revolução não parou e continua atuando para a completa restauração da sociedade e a implantação do Reino de Maria.

Dir-se-ia que a V revolução caminha a passos largos, pois o satanismo está em plena ascensão, enquanto, de outro lado, não se fala mais em autogestão ou tribalismo, sua fase anterior. A Revolução para dar seu impulso na sociedade o faz sempre com um ataque inicial sintomático e significativo, como ocorreu nas suas últimas quatro fases: a protestante (I), a francesa de 1789 (II), a  comunista de 1917 (III) e a da Sorbonne de 1968 (a IV). No entanto, não foi bem assim com a V fase, tudo indicando que não conseguiram lideranças à altura para lance tão ousado.

Vejamos a provável razão do que disse acima. Importante frisar que um corpo místico para conseguir seus objetivos precisa de seres humanos capazes para lograr seus objetivos. O Corpo Místico de Cristo, por exemplo, tem sua Cabeça que é o próprio Cristo e o Papa como seu representante aqui na Terra, mas o do demônio não possui ainda tal cabeça porque nenhum homem a assumiu  e nem sequer um  representante na terra, talvez só o consiga com o Anti-Cristo no fim do mundo. Com a perca do “lumen rationis” a humanidade está carente de líderes carismáticos e capazes para levar adiante os planos desta V Revolução, pois agora ela já prever a adoração do demônio e isso requer uma cabeça mística em sua liderança. Por isso ela estacionou em sua ação de corpo místico (lhes faltam líderes e a cabeça), atuando apenas com intervenções diretas dos demônios, atuação mais própria a  causar o caos por causa de serem malditos. Essa forma não é eficaz, está condenada de antemão à derrota, pois o Corpo Místico de Cristo, contra o qual lutam, possui pessoas que recebem de Deus tais dons e carismas, vencendo galhardamente esta guerra.

Quanto à Contra-Revolução, seu maior líder mundial foi realmente o Dr. Plínio Corrêa de Oliveira que fez as denúncias com as quais conseguiu obstar o andamento da Revolução, parada em ações primordiais desde 1968. Após seu falecimento, ficou Monsenhor João Clá como seu sucessor, conseguindo dar grandes passos no crescimento do Movimento no mundo. Hoje, os Arautos do Evangelho estão presentes em quase 80 países e demonstra grande aceitação na sociedade. No entanto, alguém dirá: também a Contra-Revolução ficou sem líderes após o falecimento desses dois acima? Quando falamos em Revolução, lembremos que é o movimento dirigido pelo corpo místico do demônio, sendo ele que a move usando porém os homens; e quando falamos em Contra-Revolução, também a relacionamos com o Corpo Místico de Cristo, que é Quem a move através das graças divinas, mas da mesma forma usando os homens. Como supõe-se que a falta do “lumen rationis” tenha atingido toda a humanidade como castigo pelos pecados de Revolução, e pela falta deste carisma os homens perderam a capacidade de liderança (em outra parte falamos sobre a perca também da capacidade de direção ou orientação), é provável que também entre os contrarrevolucionários esteja ocorrendo tal dificuldade.

Sendo verdadeiro o que dissemos acima, a luta entre os corpos místicos será mais sobrenatural e preternatural do que com as forças naturais, mas, não por muito tempo, porque a Providência dirige os homens através de intermediários, de intercessores. Como os desígnios divinos devem ter estabelecido que esse castigo da falta do espírito de liderança (como causa da perca do “lumen rationis”) tenha atingido toda a humanidade, é normal que  também os membros do Corpo Místico de Cristo tenham sido atingidos por isso. E para seu retorno à normalidade, talvez tenha que haver uma medida a ser tomada pelo Papa, a maior autoridade da Igreja, e assim possamos retomar a posse desta graça tão importante para a Igreja e os destinos dos povos cristãos, e assim a Contra-Revolução possa dar também seu lance mundial para ser reconhecida no mundo inteiro e se iniciar o Reino de Maria, mesmo com a ausência de seus líderes e principais fundadores, ou então, numa situação inusitada, com a ressurreição dos dois a fim de reassumir seus postos no comando dos acontecimentos.

 

COMO CAMINHA A REVOLUÇÃO NO INÍCIO DO SÉCULO XXI?

 

Num estudo recente, que denominamos de “A Gênese da Quarta Revolução”, apenas levamos em consideração uma fase (a IV) do mesmo processo cinco vezes secular de uma só e única Revolução que predomina na  humanidade, buscando no passado as causas filosóficas daquela revolução independente das outras fases anteriores. Como foi explicitado na obra “Revolução e Contra-Revolução”, de Plínio Corrêa de Oliveira, as três fases anteriores da Revolução foram, 1) O Protestantismo; 2) A Revolução Francesa, e; 3) A Revolução Comunista. Na primeira, a Revolução visou abater o Clero, combatendo o Papado, o Sacerdócio e suas prerrogativas; na segunda, atacou a Nobreza, tentando eliminar as monarquias; e na terceira foi de encontro à burguesa, tentando impor ao mundo a ditadura do proletariado. Em busca de completar seu  ciclo de desordem e caos, a Revolução tentou uma nova fase, que foi o tribalismo. Felizmente, sem sucesso aparente, pois as ideias tribalistas caíram no descrédito popular. É o que analisamos no trabalho citado acima.

Qual seria a quinta fase da Revolução,  tendo em vista o insucesso das anteriores? Sim, porque o Papado não foi abalado pela revolta de Lutero – basta ver quanta popularidade possui nos dias de hoje. De outro lado, algumas monarquias foram extintas, mas muitas permaneceram em vigor, como a da Inglaterra, dando testemunho de vitalidade e maturidade deste regime político. Por último, a ditadura do proletariado redundou no mais profundo fracasso da Revolução, e onde foi tentada como na ex URSS (num total de 17 países) só deixou como resultado muita miséria, pobreza, fome e desgraças.

A Quarta Revolução, a volta do povo ao regime tribal, não foi senão uma tentativa de pregar uma filosofia, pois na prática nunca obteve êxito concreto num país ou em toda uma região. É certo que muita gente a aderiu com simpatia, mas ficou só no campo das ideias, pois na prática ninguém adotou o regime tribal como norma de vida. Aumentou muito a quantidade de ONGs em nossa região Amazônica, mas, na sociedade de modo geral nada prosperou como norma de vida.

Que nova fase a Revolução estaria tentando pôr em prática, em vista dos fracassos das anteriores?  Ao atualizar suas teses contidas no livro “Revolução e Contra-Revolução”, doutor Plinio Corrêa de Oliveira só chegou analisar e acrescentar a quarta fase. Em suas conferências privadas a discípulos falava de uma quinta fase, mas nunca teve tempo para elaborar alguma análise profunda desta fase e publicá-la, ou então julgou que não iria analisar algo ainda no nascedouro e sem perspectivas práticas para sua aplicação por causa dos fatores aqui analisados.

Seria esta quinta fase algo diferente, algo na linha do poder diabólico descendo até os homens para executar pessoalmente seus planos? Seria a fase da mística diabólica conduzindo os acontecimentos humanos? A “igreja de Satanás”, ou “corpo místico do demônio”, em oposição ao Corpo Místico de Cristo, estaria exercendo papel preponderante na condução dos acontecimentos humanos? E, neste sentido, é importante verificar como tem ocorrido fatos misteriosos que causam comoções sociais, cujos objetivos propendem a criar na população o desespero, o caos, a anarquia, e de roldão a ruína de todas as instituições que mantêm a ordem e a paz social. 

Se essa guerra agora é completamente mística, poderemos então dizer que o combate será entre os dois corpos místicos de uma forma direta. O Corpo Místico de Cristo, já formado, vencerá o inimigo se houver vítimas expiatórias que possam exorcizar todos os demônios que atuam no corpo místico de Satanás, o qual combaterá mas sem que a mística dele esteja completamente formada, pois, pela perca do “lumen rationis”, não há mais líderes humanos capazes de conduzir essa guerra, a qual será dirigida pelos próprios espíritos malignos. Basta o representante do Corpo Místico de Cristo, o Papa, tomar uma atitude universal exorcística para que seus membros recuperem o “lumen rationis” voltem a obter capacidade de liderança suficiente para governar o mundo.

O outro corpo maldito não obterá o seu objetivo final, pois Nossa Senhora já previu a derrota do demônio e a vitória da Santa Igreja e da Civilização Cristã, quando disse em Fátima: POR FIM, MEU IMACULADO CORAÇÃO TRIUNFARÁ. Chegado este dia, ouviremos talvez o Papa proclamar: “O Imaculado Coração de Maria triunfou!!!”

 

 

 


terça-feira, 2 de junho de 2026

O "SEGREDO" DE MARIA

 

                                           (Revista "Dr. Plínio" n, 234, setembro de 2017)


 

Analisando tudo quanto São Luís Grignion de Montfort diz sobre Nossa Senhora, o que mais me agrada é a doutrina sobre o “Segredo de Maria”, a qual foi matéria de um de seus livros.

Embora ele não tenha encontrado uma explicação completa para tal “Segredo” – caso isso se desse não lhe caberia mais o título de segredo! -, pelo que neste livro está dito, ele parece consistir numa forma misteriosa de união com Nossa Senhora, a qual faz com que a alma progrida rapidamente.

Tal fenômeno constitui a mais alta e sublime escala sobrenatural na vida do católico, assim como da ação de Nossa Senhora sobre as almas. Por este “Segredo” chega-se a um excelso grau de conhecimento acerca de Nossa Senhora. Trata-se, portanto, de uma forma de aliança de Nossa Senhora com as almas, pela qual Ela atua de modo especialíssimo, tornando mais fácil e frutuosa a vida espiritual e a obtenção de seus fins.

Para dar um exemplo do que pode ser isso, consideremos o seguinte:

Dom Chautard conta o famoso episódio ocorrido com certo advogado que foi a Ars a fim de conhecer São João Maria Batista Vianney. Ao retornar, perguntaram-lhe o que havia visto. Ao que ele respondeu: “Eu vi Deus num homem”.

Ou seja, à vista de São João Maria Vianney, transbordante de graça e virtude, aquele homem, arrebatado, compreendeu tratar-se de uma ação de Deus. Nas extraordinárias qualidades de São João Maria Vianney filtrava a ação da graça, pela qual se podia chegar ao conhecimento de Deus.

Nota-se nesse fato uma ação especial de São João Maria Vianney sobre aquele homem. Trata-se da graça de Deus atuando em São João Maria Vianney, que de algum modo se transmitiu à pessoa que o viu. Misteriosamente, a pessoa recebe uma participação da graça que há no outro.

Creio que com o “Segredo de Maria” dá-se algo semelhante. Pela vontade de Maria, em certo momento o espírito d’Ela passa a habitar uma pessoa, e a graça que há n’Ela toca-lhe a alma, dando-lhe um prolongamento de suas virtudes.

Ora, pelo próprio livro de São Luís Grignion tem-se a impressão de que, por uma ação misteriosa de Nossa Senhora, ao lê-lo adquire-se uma especial comunicação das virtudes da Santíssima Virgem.

Parece-me também que o “Segredo de Maria” pode atuar estável e fixamente numa alma, de tal modo que ela passa a participar habitualmente da vida sobrenatural de Nossa Senhora. Assim talvez de modo ainda mais radical do que o próprio São Paulo disse a respeito de Nosso Senhor Jesus Cristo, a alma que vive nesta união pode afirmar: “Já não sou eu que vivo, mas é Maria quem vive em mim”.

Isto é, evidentemente, a mais alta forma de união que se pode ter com Deus. Pois, quanto mais se está unido a Nossa Senhora, mais se está unido a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Portanto, é muito oportuno pedirmos a Ela que nos conceda seu espírito, bem como a comunicação de suas graças de modo estável, de modo a sermos verdadeiros prolongamentos d’Ela. (Conferência de 2/5/1993).


(Extraído da revista "Dr, Plínioo", março de 2011, pág. 27)


DESNUDANDO O IGUALITARISMO EM CORDÉIS

 




 

                                     Uma vez um cientista pegou
Três gotas para examinar:
Deveria procurar descobrir
O que elas iam representar
 
A primeira a ser analisada
Era branca e luminosa
Tão simples e tão pura
Que brilhava radiosa
 
Passou para a segunda
Onde lhe pareceu brilho igual
Olhou logo a terceira
E nada viu de anormal
 
Pesquisando nas três gotas
Pensou alto, com seus botões:
- Parecem todas iguais
Nelas não há distinções
 
A terceira retrucou:
- "iguais coisa nenhuma
Pois sou uma lágrima
Que supera qualquer uma"
 
A segunda gota, então,
Ao ouvir o que esta dizia
Virou-se para a lágrima
E respondeu com ufania:
 
"Realmente não somos iguais
Pois sou uma gota de suor
E das outras gotas ademais
Sou eu mesma a melhor"
 
A gota de lágrima respondeu:
"Que há de melhor no suor?
Sua única vantagem é
Fácil de sair em seu senhor"
 
Para parar a discussão
Veio à fala o cientista:
"Descubro já se há diferença
Num só golpe de vista":
 
"Vejo nesta gota de suor
Muito sal e coisa orgânica
Que tem também na lágrima
De origem anatômica"
 
É bem verdade - diz a lágrima
Que trazemos do corpo humano
Substâncias que lá encontramos
Mas que somos iguais, é engano!
 
Se o suor vem do esforço
Eu nasci do sofrimento
E assim nossa diferença
Vem desde o nascimento
 
A primeira gota - água pura
Precipitou-se com afobamento:
"Lá vem você com elitismo
Com nobreza de nascimento!"
 
"Nascemos todas iguais
Frutos da mesma formação
O cientista aí bem já viu
Nossa orgânica composição "
 
"Ah, isso não é verdade -
Responde a gota de suor,
Pois você é água pura,
Nem cheira e nem tem cor"
 
 
Volta a falar o cientista
Para acabar a discussão
E explica para as três gotas
O que deduziu com exatidão:
 
"Na realidade eu descobri
Nas três uma só igualdade:
É que todas são de água
E brilham com intensidade
 
Mas logo a desigualdade
Se apresenta num só momento
Tanto no suor do esforço
Quanto na lágrima do sofrimento"
 
A gota d'água responde:
"É, mas as outras são iguais
Pois carregam consigo
Substâncias materiais"
 
- "Mesmo assim tais substâncias
Nada têm de igualdade
Pois a que vem do esforço
É inferior à da dor de verdade
 
A lágrima se torna assim
Superior por nascimento:
Ela vem da angústia, da dor,
É filha do sofrimento"
 
- "O cientista sabe - diz a água,
De que foi criado o mundo
Deus fez de simples gota d'água
Este Universo num segundo
 
Então, se há mérito no nascimento
Tenho mais, pois nasci primeiro
De mim surgiu todo o resto
Que compõe o mundo inteiro"
 
- "Se isto for mérito maior
O nascer primeiro tem mais valia
Então vale mais do que a água
O nada que lhe precedia
 
 
 
Pois, como reza a Tradição
Que no Catecismo é ensinada
Deus fez todo o mundo material
De nenhuma substância, do nada!"
 
O esforço vale pelo que faz
A dor pelo que se sente
Do que vem de dentro da alma
Do que se passa interiormente
 
Quando a dor é profunda
E atinge  o centro do coração
Ela compunge tanto nossa alma
Que produz a lacrimação
 
Por isto na hierarquia das gotas
A lágrima tem destaque especial
Ela é superior a qualquer oceano
E faz-se ser mui desigual
 
Pois ela vem do coração
Até chegar ao saco lacrimal
É filha da nobreza da dor
De importância sem igual
 
No calor da discussão
Chega ali outra pessoa
Gotejando sangue na mão
Dá um grito que reboa:
 
 
"Nenhuma gota é superior
A estas que trago na mão!
Foram elas sublimadas
Pela Cruz na Redenção!"