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quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

MEDITAÇÕES DO ADVENTO E EPIFANIA (XXXIX)

 


6 de janeiro

 COMENTÁRIOS DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

 - EPIFANIA DO SENHOR

 Nações caminharão por sua luz, e reis pelo brilho de sua aurora (Is 60, 3). Os Magos são as primícias dos gentios que acreditam em Cristo; em que a fé e a devoção apareceram como um certo presságio dos gentios, que vieram a Cristo de países distantes. E para isso, então

E por isto, assim como a devoção e a fé dos gentios são isentas de erros por inspiração do Espírito Santo, também se deve acreditar que os Magos, inspirados pelo Espírito Santo, sabiamente prestaram reverência a Cristo.

Como diz Santo Agostinho, a estrela que guiou os Reis Magos ao lugar onde o Deus Menino estava com a Virgem Mãe, poderia conduzi-los à mesma cidade de Belém onde Cristo nasceu; mas removido de sua vista até que os judeus também testemunharam sobre a cidade em que Cristo nasceria; para que, confirmados por duplo testemunho, procurassem com uma fé mais ardente que manifestou a clareza da estrela e a autoridade do profecia. Assim, eles próprios anunciam aos judeus o nascimento de Cristo e eles perguntam o lugar. Por disposição divina aconteceu que, desaparecer a estrela, os oReis Magos foram a Jerusalém guiados por luzes humanas, procurando na cidade real pelo rei nascido, a fim de que o nascimento de Cristo fosse anunciado publicamente pela primeira vez em Jerusalém, de acordo com Isaías (2,3): De Sião, a lei, e a palavra do Senhor de Jerusalém, e também para que com a notícia dos sábios que vieram de longe, a preguiça dos judeus foi condenada, eles estavam perto.

Maravilhosa foi a fé dos Magos. Porque se eles, procurando um rei da terra, o teriam encontrado, caso em que teriam ficado confusos, por ter empreendido uma jornada tão dolorosa sem causa; então eles não o teriam adorado, nem oferecido presentes. Mas no presente caso, como eles procuraram um rei celestial, embora sem excelência veriam nele, no entanto, contente com o testemunho da estrela única, adoraram. Eles vêm ao Homem e reconhecem a Deus e oferecem-lhe presentes apropriados à dignidade de Cristo: Ouro como a um grande rei; incenso, que é usado no sacrifício de Deus, como Deus, e mirra, que serve para embalsamar corpos, a fim de demonstrar que deve morrer pela salvação de todos. (3 °, q. XXXVI, a. 8)

E prostrando-se, eles o adoraram (Mt 2:11). A este respeito, diz Santo Agostinho: "Oh infância, à qual as estrelas se submetem! Quem é esta grandeza e glória suprema, diante de cujas fraldas os Anjos assistem, reis tremem e sábios ajoelham-se? Quem é este, então e tão grande? Fico espantado quando vejo as fraldas e olho para o céu; Eu fico agitado quando olho para o mendigo e o mais ilustre na manjedoura do que as estrelas; salvar nossa fé, pois a razão humana falha. " (De Humanitate Christi)

 (Extraído de “MEDULLA S. THOMAE AQUITATIS PER OMNES AMNI LITURGICI SEU MEDITATIONES EX OPERIBUS S. THOMAE DEPROMPTAE.- Recopilação de Fr. Mezar, OP, e tradução do latim para o espanhol por Luís M. de Cádiz)

 

 JESUS DORME NO PRESÉPIO.

 O sono de Jesus Menino era curto e penoso. Uma manjedoura servia-lhe de berço, a palha formava o seu leito e travesseiro, de sorte que o seu repouso era freqüentemente interrompido pela dor que lhe causava essa cama tão dura e incômoda, e pelo rigor do frio que reinava na gruta. Não obstante, de tempo em tempo o tenro menino adormecia apesar de todos os seus sofrimentos. Mas o sono de Jesus diferia muito do das outras crianças.

O sono das outras crianças lhes é útil para a conservação da vida, mas não para as operações da alma, as quais são detidas pelo entorpecimento dos sentidos. Não foi assim o sono de Jesus. Eu durmo, mas o meu coração vigia. Seu corpo repousava, mas sua alma vigiava; pois em Jesus, a natureza humana estava unida à pessoa do Verbo, que não podia dormir nem sofrer o efeito dos sentidos. O santo Infante dormia pois; mas dormindo pensava em todas as penas que devia sofrer por nosso amor durante a sua vida e a sua morte. Pensava no que devia suportar no Egito e em Nazaré, onde viveria uma extrema pobreza e obscuridade; pensava sobretudo nos açoites, nos espinhos e nos opróbrios, nas agonias, em todos os tormentos da paixão e na morte desolada que teria de sofrer na cruz; e dormindo, tudo oferecia a seu Pai eterno, para nos obter o perdão dos pecados e a salvação. Assim, até dormindo, nosso Salvador merecia por nós, aplacava a seu Pai e nos proporcionava graças.

Peçamos-lhe que, pelo mérito de seu bem-aventurado sono, nos livre do sono mortal dos pecadores, que dormem miseravelmente na morte do pecado, no esquecimento de Deus e de seu amor; e que nos dê, ao contrário, o sono feliz da Esposa sagrada, da qual Ele dizia: Não perturbeis o repouso da minha dileta, deixai-a dormir quanto ela queira. O doce sono que Deus dá às suas almas amadas não é outra coisa, segundo São Basílio, que um profundo esquecimento das criaturas. A alma o goza quando se esquece inteiramente de todos os objetos terrestres para só pensar em Deus e no que interessa a sua glória.


Afetos e Súplicas.

 Ó caro e santo Menino, vós dormis; ah! como me encanta o vosso sono! Para os outros o sono é a imagem da morte; mas em vós é um sinal de vida eterna, pois que repousando mereceis para mim a salvação eterna. Vós dormis, mas o vosso coração não dorme: pensa em sofrer e morrer por mim. Dormindo orais por mim e me obtendes de vosso Pai celeste o descanso eterno do paraíso. Mas, antes que me introduzais no céu, como espero, para lá repousar convosco, quero que repouseis sempre em minha alma. Ó meu Deus, tenho-vos repelido outrora; mas tanto batestes à porta do meu coração, ora por temores, ora por luzes, ora por apelas chios de ternura, que creio já tenhais entrado nele. Sim, eu o creio, pois sinto uma grande confiança de haver recebido de vós o meu perdão; experimento profundo horror e sincero arrependimento das minhas ofensas contra vós; esse arrependimento me causa grande dor, mas uma dor sem perturbação, uma dor que me consola, e me dá a segurança de ter obtido o meu perdão da vossa bondade. Agradeço-vos, meu Jesus, e vos peço não vos afasteis mais de minha alma. Sei que não saireis dela se eu vos não expulsar; é essa a graça que vos peço e suplico-vos me ajudeis a pedi-la sem cessar: não permitais vos torne a banir do meu coração. Fazei que tudo esqueça para só pensar em vós, que sempre pensastes em mim e na minha felicidade. Fazei não cesse de vos amar nesta vida até que minha alma unida sempre a vós voe aos vossos braços para repousar eternamente em vós sem temor de vos perder.

Ó Maria, assisti-me durante a vida, assisti-me na hora da morte a fim de que Jesus repouse sempre em mim e que eu repouse sempre em Jesus.

 (SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – Edição Pdf Aparecida – 2004 – Fl. Castro – págs. 190/192)

 -SOBRE A ADORAÇÃO DOS MAGOS

Amável Menino, embora vos veja na gruta deitado sobre palha, tão pobre e desprezado, a fé me ensina que sois o meu Deus, descido do céu para minha salvação. Reconheço-vos pois por meu supremo Senhor e Salvador; mas nada tenho para vos oferecer. Não tenho o ouro do amor, pois só tenho amado os meus caprichos, e não tenho amado a vós, o Bem infinitamente amável. Não tenho o incenso da oração; tenho vivido miseravelmente sem pensar em vós. Não tenho a mirra da mortificação, pois para me não privar dos miseráveis prazeres, tantas vezes desgostei vossa bondade infinita. Que vos oferecerei então? Ofereço-vos o meu coração, manchado e pobre com o é; aceitai-o e transformai-o, pois que viestes a este mundo para lavar os nossos corações no vosso sangue, purificá-los dos pecados e assim converter-nos de pecadores  em santos. Dai-me pois o ouro, o incenso e a mirra, que me faltam: dai-me o ouro do vosso santo amor; dai-me o espírito de oração; dai-me o desejo e a força de mortificar-me em tudo o que vos desagrada. Estou resolvido a obedecer-vos e a amar-vos; mas conheceis minha fraqueza, concedei-me a graça de vos ser fiel. Virgem santa, que acolhestes os piedosos Magos com tanto afeto e os consolastes, dignai-vos também acolher-me e consolar-me, que a seu exemplo vos venho visitar e oferecer me a vosso divino Filho. Maria, minha Mãe, tenho grande confiança em vossa intercessão. Recomendai-me a Jesus. Entrego-vos a minha alma, a minha vontade; prendei-a para sempre
ao amor de Jesus.

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – Edição Pdf Aparecida – 2004 – Fl. Castro – págs. 205/206)

 


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

MEDITAÇÕES PARA O ADVENTO E EPIFANIA (XXXVIII)

 




5 de janeiro

 COMENTÁRIOS DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

 -  O FRUTO DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA

 Bendito o fruto do vosso ventre (Lc 1,42). Às vezes, o pecador pede coisas que ele não pode obter, enquanto os justos obtêm. Para os justos se guarda a propriedade do pecador (Prov. 22). Eva procurou a fruta e não encontrou nela tudo o que desejava. A Santíssima Virgem, pelo contrário, encontrou em seu fruto tudo o que Eva havia desejado. Na verdade, Eva desejou três coisas em seu fruto.

1º) O que o diabo lhe prometeu falsamente, a saber: que seriam como deuses, conhecendo o bem e o mal (Gn 3, 5).  Você vai ser, ele disse mentiroso, como deuses. E mentiu, porque ele é um mentiroso e pai da mentira (Jo 8, 44). Porque Eva, ao comer o fruto, não se tornou semelhante a Deus, mas mais diferente; por pecar, se distanciou de Deus, seu salvador, e por isso foi expulsa do Paraíso. Mas ao contrário o encontrou a Santíssima Virgem e todos os cristãos no fruto de seu vemtre; porque através de Cristo nos unimos e nos assemelhamos a Deus: Quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele, na medida em que o veremos assim como ele é (1 Jo 3, 2).

2ª) Eva desejava se deliciar com seus frutos, porque eram bons de comer; mas ela não o encontrou, porque imediatamente soube que ela estava nua e tinha dor. Por outro lado, no fruto da Virgem encontramos suavidade e saúde: quem come minha carne ... tem vida eterna (Jo 6:55).

3ª) O fruto de Eva era bonito de se ver; mas mais bonito é o fruto da Virgem na qual os Anjos desejam olhar: vistoso em beleza, mais do que os filhos dos homens (Sl 44,3); porque é o esplendor da glória do Pai. Eva não conseguiu encontrar em seu fruto o que não encontra pecador nos pecados. Portanto, o que queremos, vamos procurar no fruto da Virgem.

Esse fruto é abençoado:

1º) Por Deus, porque desta forma o encheu de toda graça que veio a nós em reverência: Bendito seja Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos bens celestiais em Cristo (Ef 1, 3).

2ª) Para os Anjos e para os homens, como diz o Apóstolo: E toda língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai (2, 11), e o profeta Davi: Bendito o que vem em nome do Senhor (Sl 117, 26). Assim, a Virgem é abençoada, mas seu fruto é ainda mais abençoado. (Salutat. Angelicae expositio, I),

 (Extraído de “MEDULLA S. THOMAE AQUITATIS PER OMNES AMNI LITURGICI SEU MEDITATIONES EX OPERIBUS S. THOMAE DEPROMPTAE.- Recopilação de Fr. Mezar, OP, e tradução do latim para o espanhol por Luís M. de Cádiz)

 ENTREMOS NA GRUTA DE BELÉM!

 E agora Maria convida todos os homens, nobres e plebeus, ricos e pobres,  santos e pecadores, a entrarem na gruta de Belém, a adorarem seu divino Filho e a lhe beijarem os pés. — Entrai, pois, almas cristãs, vinde ver sobre a palha o Criador do céu e da terra sob a forma duma criancinha, dum menino resplandecente de beleza e de brilhante luz. Agora que Ele nasceu na gruta e que está reclinado sobre palha, esse lugar já nada tem de repelente, mas tornou-se um paraíso. Entremos e não temamos. Jesus nasceu para todos, para quem o deseja. Eu sou, diz Ele nos Cânticos, eu sou a flor dos campos e o lírio dos vales. Ele se diz Lírio dos vales, para nos dar e entender que, tendo Ele nascido tão pobre, só os humildes o podem achar. Eis porque o anjo não anunciou o seu nascimento a César ou a Herodes, mas a pobres e humildes pastores. De resto, segundo o comentário do Cardeal Hugo, Ele se diz Flor dos campos, porque é acessível a todos. As flores dos jardins são reservadas a seu dono; não é permitido a todos colhê-las nem mesmo vê-las; os muros que as cercam, a isso se opõem. As flores dos campos, ao contrário, são expostas à vista de todos os transeuntes, e cada um as pobre colher: assim Jesus quis estar ao alcance de todos que o desejam achar.

Entremos; a porta está aberta e, acrescenta S. João Crisóstomo, “não há guarda para dizer: Não é hora”. Os reis da terra fecham-se em seus palácios, e esses palácios são rodeados de soldados; não é fácil chegar-se a eles: quem  lhes quer falar tem de suportar aborrecimentos: Venha em outra ocasião, agora não há audiência. Jesus Cristo não é assim: fica naquela grouta, e sob a forma duma criança para atrair docemente todos os que se apresentam; a gruta está aberta, sem guardas e sem portas, de sorte que cada um pode entrar à  vontade e em qualquer tempo para ver esse Rei-menino, falar-lhe e até abraçá-lo, se o ama e deseja.

Entrai, pois, almas cristãs, vinde ver no presépio sobre palhas esse tenro  Menino que chora. Vêde como é belo; vêde que luz irradia, que amor respira; seus olhos enviam setas de fogo aos corações que o desejam; seus vagidos são chamas para toda a alma que o ama; “o estábulo e o presépio, diz S. Bernardo, vos clamam que ameis aquele que tanto vos amou”. Amai um Deus que é digno de amor infinito e que desceu dos céus, se fez menino, se fez pobre, para vos mostrar seu amor e ganhar o vosso por seus sofrimentos.
Se lhe perguntardes: Ah! Menino encantador! dizei-me, de quem sois Filho? — Ele responderá: “Minha Mãe é essa Virgem toda bela e toda pura que está perto de mim. — E quem é o vosso Pai? — Meu Pai é Deus. — E como! vós sois o Filho de Deus, e nasceis em tanta pobreza e humilhação? quem poderá jamais reconhecer-vos? que caso farão de vós? — Não, responde Jesus, a santa fé me fará conhecer pelo que sou, e me fará amar pelas almas que vim resgatar da morte e inflamar de amor. Não vim para ser temido, mas amado; e se é como criança pobre e humilde que me mostro aos vossos olhos pela primeira vez, é para que me ameis mais, vendo a que humilhação me reduziu o amor que vos tenho. — Mas, dizei-me, amável Menino, porque girais assim os vossos olhos ao redor de vós? que estão olhando? Ouço-vos suspirar! dizei-me: porque suspirais? Ó Deus, vejo-vos chorar! dizei-me: porque chorais?
— Ah! me responde Jesus, olho ao redor de mim, para ver se encontro uma alma que me deseje. Suspiro, porque quisera ver ao meu lado um coração ardente de amor por mim, como eu ardo de amor por ele. Choro, sim, e eis porque choro: porque não vejo, ou vejo bem poucas almas e corações que me procuram e que me querem amar!

 (SANTO AFOSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – Edição Pdf - Aparecida – 2004 – Fl. Castro (págs. 98/107)

 


segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

MEDITAÇÕES PARA O ADVENTO E EPIFANIA (XXXVII)

 



4 de janeiro

COMENTÁRIOS DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

 - VIRGINIDADE DE MARIA

 I. Bem-aventurada Maria era virgem no parto, porque o Profeta não apenas diz: Eis que uma Virgem conceberá, mas acrescenta: e dará à luz um Filho (Is 7,14). Isso era conveniente por três motivos:

1ª) Porque correspondia à condição de quem nasceu, que é o Verbo de Deus. Porque o Verbo não é apenas concebido sem corrupção no coração, mas também procede do coração sem corrupção. Para o que, para mostrar que este seria o corpo do Verbo de Deus, era conveniente que nascesse do ventre incorrupto da Virgem. A este respeito se diz: "Aquela que dá à luz carne pura deixa de ser virgem. Mas porque nasceu na carne o Verbo de Deus protege a virgindade, manifestando-se por isso que ele é o Verbo. Nem nosso verbo mental corrompe nossa mente, quando é dado à luz; nem Deus, o Verbo substancial, por querer nascer, tem virgindade destruída.

2ª) Isso foi conveniente em termos do efeito da Encarnação de Cristo, porque veio justamente para destruir nossa corrupção; para o o que, não era conveniente para ele corromper a virgindade da mãe por nascer. Não era justo que aquele que veio para salvar o que foi corrompido violasse com sua vinda a pureza de sua mãe.

3º) Não era conveniente que, ao nascer, diminuísse a honra de sua própria mãe que ordenou a homenagem dos pais. Cristo misturou o maravilhoso com o humilde. Assim, para demonstrar a verdade de seu corpo, ele nasce de mulher; mais para manifestar a sua divindade, nascida de uma virgem. Porque esse parto era conveniente para Deus. Então, portanto, a Santíssima Virgem gerou sem dor. A dor de quem está dando à luz é produzida pela abertura do condutos através dos quais a prole sai. Mas Cristo saiu do ventre fechado pela mãe e, portanto, não havia violência ali. Portanto não houve alguma dor naquele parto, pois não houve corrupção, mas houve a maior alegria, porque o homem Deus nasceu para o mundo, de acordo com o de Isaías: “Ele brotará copiosamente como o lírio, e com muita alegria e louvor ele brotará feliz” (Is 35,2).

II. Ela era virgem depois de dar à luz. Pois é lido em Ezequiel (44, 2): “Esta porta está fechada: não se abre, e o homem não passa por ela, o parque o Senhor Deus de Israel entrou por ela”. Comentando alguém essas palavras, diz: "O que significa esta porta fechada na casa do Senhor, senão Maria que estará sempre intacta? E o que significa: o homem não passará por ela, senão José que não a conhecerá? E daí: apenas o Senhor entra e sai através dela, mas o Espírito Santo a fertilizará, e que o Senhor dos Anjos vai nascer para ela? E daí: será fechada eternamente, mas Maria é virgem antes do parto, uma virgem no parto e virgem após o parto? "

E, de fato, assim como Cristo é o único Filho do Pai de acordo com a natureza divina, igualmente perfeita em tudo, por isso também corresponde a ser o Filho único de sua Mãe, como seu fruto mais perfeito. (3 °, q. XXVIII, a. 2 e 3)

 (Extraído de “MEDULLA S. THOMAE AQUITATIS PER OMNES AMNI LITURGICI SEU MEDITATIONES EX OPERIBUS S. THOMAE DEPROMPTAE.- Recopilação de Fr. Mezar, OP, e tradução do latim para o espanhol por Luís M. de Cádiz)

 

 Exortação para o beijamento dos pés do divino Menino em uso em algumas igrejas.

 Levantai-vos, almas fiéis; Jesus vos convida esta noite a virdes lhe beijar os pés. Os pastores que o foram visitar no estábulo de Belém levaram-lhe seus presentes; é preciso que lhe ofereçais também os vossos. Mas que lhe ides oferecer? Escutai-me: o mais agradável presente que possais oferecer a Jesus, é um coração arrependido e amante. Eis, pois, os sentimentos que cada um lhe deve exprimir:

Afetos e Súplicas.

Vendo-me manchado de tantos pecados, não teria a ousadia de aproximar-me de vós, Senhor, se me não convidásseis com tanta bondade; mas já que me chamais tão amorosamente, não quero recusar o favor que me fazeis. Não,  não quero acrescentar às minhas faltas esta nova ingratidão para convosco; depois de vos haver tantas vezes voltado as costas, não quero por falta de confiança resistir a um apelo tão doce, tão gracioso. Mas sabeis que sou extremamente pobre; nada tenho para vos oferecer. Não tenho outra coisa que o meu miserável coração, que venho trazer-vos. É verdade que vos ofendi  outrora, mas hoje me arrependo, e vo-lo ofereço arrependido. Sim, adorável Menino, arrependo-me de vos haver contristado. Eu o confesso, sou o bárbaro, o traidor, o ingrato, que vos causou tantas dores e vos fez derramar tantas lágrimas no estábulo de Belém; mas as vossas lágrimas são a minha esperança. Sou um pecador indigno de perdão; mas tenho a vós que, sendo
Deus, vos fizestes menino para perdoar-me. Ó Pai eterno, se mereço o inferno, olhai para as lágrimas que vosso Filho inocente derrama para me obter  misericórdia. Não recusais nada às preces de Jesus Cristo; atendei-o pois que implora de vós o meu perdão nesta noite, que é uma noite de alegria, uma noite de salvação, uma noite de perdão. — Ah! caro Menino, meu Jesus, espero de vós o perdão; mas não me basta o perdão dos meus pecados: nesta noite concedeis grandes graças às almas; eu também desejo uma grande graça que deveis fazer-me, a graça de vos amar. Agora que estou arrependido aos vossos pés, abrasai-me todo de vosso santo amor, e prendei-me a vós; mas prendei-me de tal forma que me não possa mais separar de vós. Amo-vos, ó meu Deus feito menino por mim, mas amo-vos pouco; quero amar-vos muito, a vós compete fazer que assim seja. Venho beijar-vos os pés e trazer-vos meu coração; eu vo-lo entrego, não o quero mais. Transformai-o e guardai-o para sempre. Não mo deis mais, pois se o puserdes em minhas mãos, temo que vos torne a trair. SS. Virgem Maria, vós que sois a Mãe desse divino Menino, sois também a minha Mãe: em vossas mãos deposito meu pobre coração,  apresentai-o a Jesus. Se vós lho apresentardes, Ele o não rejeitará. Apresentai, pois, meu coração a Jesus, ó minha Mãe, e pedi que o aceite.

 (SANTO AFOSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – Edição Pdf - Aparecida – 2004 – Fl. Castro (págs. 98/107)

 

 


domingo, 3 de janeiro de 2021

MEDITAÇÕES PARA O ADVENTO E EPIFANIA (XXXVI

 




3 de janeiro 

COMENTÁRIOS DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

- FESTA DO SANTO NOME DE JESUS

 Devemos saber que esse nome tem uma imensa virtude e múltiplo: É um refúgio para penitentes, um remédio para os doentes, ajuda para aqueles que lutam, sufrágio para aqueles que rezam, porque confere perdão dos pecados, a graça da saúde, a vitória aos tentados, a força e confiança para alcançar a salvação.

Quanto ao perdão dos pecados, diz São João em sua epístola I (2, 12): “eu escrevo para vocês, filhinhos, porque vocês estão perdoados seus pecados pelo nome dele”. E Santo Agostinho acrescenta: "O que isso significa? Jesus, se não Salvador? Então por si mesmo eu conheço Jesus por mim. Não Tenha em mente, Senhor, meu mal, para que esqueça o seu bem. Mas deve-se notar que esse nome é imposto à circuncisão; com o que significa que os circuncidados são salvos espiritualmente."  É por isso que São Bernardo diz:" É necessário, irmãos, que nós sejamos circuncidados para receber o nome da salvação; ser circuncidado não literalmente, mas em espírito e em verdade ".

Quanto à graça da saúde é dito no Cântico dos Cânticos (1, 2): “O óleo derramado é o seu nome”. Porque o petróleo é alívio de dor, e assim é este nome de Jesus. São Bernardo diz: "Você tem, minha alma, um eletuário[1] escondido no pequeno copo de uma palavra, que é Jesus, que nunca foi ineficaz para qualquer epidemia "[2] E Pedro de Ravenna: "Este é o nome que deu vista ao cego, ouvido ao surdo, perna ao coxo, palavra ao mudo, vida para os mortos". Quanto à vitória nas tentações, lê-se nos Provérbios (18, 10): “Torre muito forte o nome do Senhor”; e São Marcos: “eles vão lançar demônios em meu nome” (16, 17); e em São Lucas: “E os setenta voltaram e dois com alegria, dizendo: Senhor, até mesmo os demônios estão sujeitos a nós em seu nome” (10, 17). E Pedro de Ravenna: "A virtude deste nome, de Jesus, afugentou dos possuídos todo o poder do diabo ".

Quanto à confiança saudável, diz São João: Tudo o que peedir ao Pai em meu nome, eu farei (14, 13). Para este propósito Santo Agostinho diz: "Em meu nome, que é Cristo Jesus. Rei, Jesus significa Salvador; e tudo o que pedimos por ele, pedimos em nome do Salvador, e ele é o Salvador, não somente quando a ele pedimos, mas também quando isso não acontece; porque quando ele vê isso que é perguntado é contrário à salvação, o salvador não é mostrado fazendo isso Bem, o médico sabe o que o paciente está pedindo, já em favor de sua própria saúde e contra ela; portanto, não faz o contrário Aquele que pede, a fim de curá-lo ".

Observe as palavras de São Bernardo sobre a circuncisão de Cristo e a imposição de seu nome: "Grande e admirável mistério!: O menino é circuncidado e ele é chamado Jesus. O que isso significa conexão? Reconhecer o mediador entre Deus e os homens que, a partir do início do seu nascimento associa o humano ao divino, o ínfimo ao sumo. Nasce de uma mulher, mas tanto o fruto da fertilidade, que não perde a flor da virgindade. Está embrulhado nas fraldas, mas essas fraldas são homenageadas com elogios angelicais. Ele se esconde em uma manjedoura, mas é descoberta por uma estrela radiante no céu Da mesma forma, a circuncisão também prova a verdade do humanidade tomada, e o nome, que está acima de todo nome, indica a glória de sua majestade ". (De Humanitate Christi, capítulo XXVI)

 (Extraído de “MEDULLA S. THOMAE AQUITATIS PER OMNES AMNI LITURGICI SEU MEDITATIONES EX OPERIBUS S. THOMAE DEPROMPTAE.- Recopilação de Fr. Mezar, OP, e tradução do latim para o espanhol por Luís M. de Cádiz)

 

MEDITAÇÕES DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO PARA A OITAVA DE NATAL E OS DIAS SEGUINTES ATÉ A EPIFANIA

- SOBRE O NOME DE JESUS

Ó meu Jesus, se vos tivesse eu sempre invocado, não teria sido jamais vencido pelo demônio. tive a infelicidade de perder a vossa graça porque, nas tentações deixei de pedir o vosso auxílio. Agora ponho toda a minha confiança no vosso santo nome: Tudo posso naquele que me conforta. Gravai, meu Salvador, gravai em meu coração o vosso poderoso nome de Jesus, a fim de que, tendo-o sempre no coração pelo amor, eu o tenha também sempre nos lábios e o invoque nos assaltos com que o inferno me ameaça para tornar-me novamente seu escravo e separar-me de vós. No vosso nome acharei todos os bens: se eu estiver aflito, me consolará recordando-me que muito mais vos afligistes por meu amor; se os meus pecados abalarem a minha confiança, me animará lembrando-me que viestes ao mundo para salvar os pecadores; se for tentado, me fortalecerá recordando-me que, se o inferno é poderoso para vencer-me, vós o sois mais para socorrer-me; se enfim me sentir frio no vosso amor, despertará o meu fervor, lembrando-me o quanto me amais. Amo-vos, meu Jesus! Vós sois, e espero, sereis sempre o meu único amor. Dou-vos todo o meu coração, ó meu Jesus, quero amar unicamente a vós, e estou resolvido a invocar-vos o mais que me seja possível. Quero morrer tendo nos lábios o vosso santo nome, nome de esperança, nome de salvação, nome de amor!
Ó Maria, se me amais, espero de vós uma graça, a de invocar sempre o vosso santo nome com o de vosso divino Filho. Fazei que esses doces nomes sejam a respiração de minha alma, e que o repita sempre durante a vida, para redizê-lo ainda no último suspiro: Jesus e Maria, socorrei-me; Jesus e Maria, eu vos amo: Jesus e Maria, em vossas mãos entrego a minha alma. (pág. 196)

(“Encarnação, Nascimento e Infância de Jesus Cristo” - Santo Afonso Maria de Ligório - Doutor da Igreja e Fundador da Congregação Redentorista - Tradução do Pe. OSCAR DAS CHAGAS AZEREDO, C.Ss.R. - Edição Pdf - Aparecida – 2004 – Fl. Castro - págs. 193/194

 

[1] medicamento de uso interno constituído de pós finos, xarope, mel ou resinas líquidas; empregado especialmente  como calmante e purgativo.

[2] De circum. serm. 2.


sábado, 2 de janeiro de 2021

MEDITAÇÕES PARA O ADVENTO DE E EPIFANIA (XXXV)

 




2 de janeiro

COMENTÁRIOS DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

 - IMPOSIÇÃO DO NOME DE JESUS (*)

 E após os oito dias foram passados ​​para circuncidar a criança, eles o chamaram por nome Jesus (Lc 2, 21).

Como lemos em Gênesis (17), Abraão recebeu de Deus a imposição do nome e do mandato da circuncisão. Esse era o costume entre os judeus de impor nomes a crianças no mesmo dia da circuncisão, como se eles não o tivessem perfeito antes da circuncisão, da mesma forma que os nomes são dados às crianças no batismo.

Deve-se notar que os nomes de cada um dos homens eles sempre impõem por causa de alguma propriedade daquele para quem eles impõe, já por tempo, como os nomes dos santos são impostos aqueles que nascem em suas festas, já por parentesco. Mas os nomes que Deus impõe a alguns sempre significam algum dom voluntário concedido a eles pelo mesmo Deus, como foi dito a Abraão: Você será chamado Abraão, porque eu lhe fiz o pai de muitas pessoas (Gn 17, 5), e também a Pedro: Tu és Pedro, e nesta pedra, etc. Eu edificarei a minha igreja (Mt 16, 18).

Se, então, Cristo foi conferido este dom da graça para que por ele se salvassem todos, justamente Ele foi chamado Jesus, isto é, Salvador, tendo o Anjo anunciado esse nome antecipadamente, não somente para a Mãe, mas também para José, que era seu futuro pai nutritivo

É dito em Isaías (62.2): “E um novo nome será dado, que o Senhor anuciará com a sua boca”; e, sem embargo, esse nome de Jesus era dado a muitos no Antigo Testamento. Mas devemos responder que o nome de Jesus poderia convenir aqueles que existiram antes de Cristo por outro motivo; por exemplo, porque eles executaram algum trabalho saudável particular e temporário; mas se se considerar o salvação espiritual e universal, este nome é próprio de Cristo e neste sentido é dito ser um novo nome. (3o, Q. XXXVII, a.2)

(Extraído de “MEDULLA S. THOMAE AQUITATIS PER OMNES AMNI LITURGICI SEU MEDITATIONES EX OPERIBUS S. THOMAE DEPROMPTAE.- Recopilação de Fr. Mezar, OP, e tradução do latim para o espanhol por Luís M. de Cádiz)

 (*) – A Festa do Santo Nome de jesus a Igreja celebre a 3 de janeiro

 MEDITAÇÕES DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO PARA A OITAVA DE NATAL E OS DIAS SEGUINTES ATÉ A EPIFANIA

- JESUS SOBRE A PALHA

Ó terno Amante das almas, meu amável Redentor, não vos bastam a dolorosa paixão que vos aguarda e a morte cruel que vos preparam na cruz; quereis começar a sofrer desde o primeiro momento de vossa existência! Sim, porque desde o vosso nascimento quereis começar a ser meu Redentor, e a satisfazer por meus pecados à divina Justiça. Por leito escolhestes a palha, a fim de me livrar do fogo do inferno, aonde muitas vezes eu merecera ser precipitado. Chorais e gemeis sobre a palha para me obter de vosso Pai, por vossas lágrimas, o perdão das minhas faltas. Ah! essas lágrimas me afligem e me consolam. Afligem-me pela compaixão que tenho de vós, inocente menino, vendo-vos sofrer por crimes que não são vossos; consolam-me, porque nos vossos sofrimentos vejo a minha salvação e o amor imenso que me tendes. Mas, meu Jesus, não vos quero deixar só a gemer e sofrer; quero chorar convosco, eu que mereci chorar por causa dos desgostos que vos dei; já que mereci o inferno, não recuso nenhuma pena, contanto que recupere a vossa graça. Perdoai-me, pois, restitui-me vossa amizade e castigai-me depois como vos aprouver. Livrai-me das penas eternas, e depois tratai-me como quiserdes. Não vos peço nenhuma satisfação nesta vida: não a merece quem teve a audácia de ofender-vos, Bondade infinita! Sinto-me contente em sofrer todas as cruzes que me enviardes; mas, ó meu Jesus, eu quero amar-vos. Ó  Maria, fiel companheira de Jesus em seus sofrimentos, nos quais compartilhastes tão vivamente, obtende-me a força de suportar minhas penas com paciência. Ai de mim, se após tantos pecados, eu nada sofrer nesta vida! Feliz de mim, ao contrário, se tiver a ventura de acompanhar-vos na via dos sofrimentos, ó  minha Mãe aflita e meu Jesus que fostes  crucificado por meu amor.

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – de Santo Afonso Maria de Ligório – Coleção Clássicos da Espiritualidade Católica, págs. 189/190)

 


sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

MEDITAÇÕES PARA O ADVENTO E EPIFANIA (XXXIV)

 



 

1º de janeiro - Ano Novo - Oitava da Natividade - SANTA MARIA, MÃE DE DEUS

 I. Foi conveniente que Cristo nascesse de uma mulher:

1ª) Porque com ela toda a natureza humana foi enobrecida; para o que Santo Agostinho diz : “A libertação do homem deveria ter-se manifestado em ambos os sexos; então, uma vez que era apropriado que Cristo tomasse o sexo do homem, que é o mais nobre, cabia que a libertação do sexo feminino se manifestassse por ter nascido de mulher”.[1] Mas para que não parecesse que o sexo feminino era desprezado, era conveniente para ele tomar a mulher. Por isso Santo Agostinho aconselha: «Homens, não se desprezem; o Filho de Deus assumiu a forma de homem. Mulheres, não desprezar a si mesmo; o Filho de Deus nasceu de mulher ” .[2]

2ª) Desta forma toda a diversidade da geração humana é completada; pois o primeiro homem foi feito de barro da terra, sem homem e sem mulher.; Eva foi feita do homem sem a mulher, mas o resto é nascido de homem e mulher. Consequentemente, este quarto modo adequado de Cristo, o que foi o nascimento de uma mulher sem homem. (3º, q. XXXI, a. 4)

II. A Bem-Aventurada Virgem Maria é a Mãe de Deus.

Conceber e nascer é atribuído à pessoa. Então como a pessoa divina no início da concepção assumiu a natureza humana, conclui-se que pode realmente ser dito que Deus foi concebido e nasceu da Virgem. Mas uma mulher é chamada de mãe de alguém porque ela o concebeu e gerou; para o qual se segue que a Santíssima Virgem é chamada verdadeira Mãe de Deus. (3º, q. XXXI, a. 4.)

Santo Inácio, o mártir, dá um exemplo belíssimo. Em geração dos homens a mulher chama-se mãe, embora a mulher não dê a alma racional, que procede de Deus, mas fornece a substância para a formação do corpo. Assim, então, a mulher é chamada de mãe de todos os homens, porque o que foi tirado dele se junta à alma racional. Do mesmo modo, tendo sido tirada da Santíssima Virgem a humanidade de Cristo, ela é chamada não só de mãe do homem, mas também de Deus, por causa da união (da humanidade) com a divindade; mesmo quando de Maria não é levada a divindade, nem nas outras a alma racional é tirado da mãe.

Isso manifesta a dignidade de Maria. Porque para nenhuma criatura, nem homem ou anjo, foi concedido para ser o pai ou mãe de Deus. Foi um privilégio de graça singular, não só ser a mãe do homem, mas também Mãe de Deus, e por isso se diz no Apocalipse (12,1): Uma mulher coberta com o sol, como todos cheios de divindade. (In Matth., I)

III. A Mãe de Deus possui uma certa dignidade infinita. Como em tudo bem criado, pelo fato de ser finito, pode haver outro melhor, também o bem não criado, em virtude de ser infinito, não pode ter outro melhor que ele. Portanto, a bondade de uma criatura pode ser considerada de dois modos: no que diz respeito ao que é absolutamente em si mesmo, e neste sentido pode haver um melhor, ou em relação ao bem não criado, e neste caso, a dignidade da criatura recebe algo do infinito, em razão do infinito com a qual é comparada, como a natureza humana na medida em que está unida a Deus, a Santíssima Virgem como Mãe de Deus, e graça em tudo o que une Deus (I Dist. 44, q. I). Deste ponto de vista, uma coisa não é pode ser feito melhor, pois nada pode ser melhor do que Deus. (1ª, q. XXV, a. 6).

 A CIRCUNCISÃO DO SENHOR (*)- Depois de decorridos os oito dias para circuncidar o menino (Lc 2:21).

Por várias razões, Cristo teve que ser circuncidado.

1º) Recomendar-nos com o seu exemplo a virtude da obediência; para o qual ele foi circuncidado em oito dias, conforme ordenado na lei. Cristo recebeu a circuncisão que na época dele era prescrita; e este exemplo deve ser imitado no sentido de que observamos que é obrigatório, porque cada coisa tem seu tempo e oportunidade, pois diz Eclesiastes (8, 6).

2º) Porque, visto que ele veio em semelhança de carne pecaminosa, não rejeitou o remédio pelo qual ele usou para purificar a carne pecaminosa; e para significar por meio da circuncisão o despojo da velha geração, velhice da qual somos libertos por Cristo.

3º) Libertar os outros do peso da lei, assumindo-a, como diz São Paulo: “Deus enviou seu Filho, feito de mulher, feito sujeito à lei” (Gal 4, 4). Assim como Cristo recebeu voluntariamente a morte, que é efeito do pecado, não tendo pecado em si, para nos libertar da morte e nos fazer morrer espiritualmente para o pecado; então ele também recebeu a circuncisão, que é um remédio contra o pecado original, sem ter este pecado, para nos libertar do jugo da lei, e produzir em nós a circuncisão espiritual, ou seja, para cumprir a verdade, recebendo a figura.

Além disso, como Orígenes diz: "Se estivermos mortos com Cristo quem morre e nós ressuscitamos com Cristo que ressuscita, da mesma forma que temos foi circuncidado por Cristo com circuncisão espiritual; e então, portanto, não precisamos da circuncisão carnal."[3] Isso é o que O Apóstolo diz aos Colossenses: No qual (em Cristo) também estais circuncidados de circuncisão não feita à mão no depojo do corpo da carne, mas na circuncisão de Cristo (Colossenses 2:11). (3º, q. XXXVII, a. 1)

(*) A Igreja hoje celebra no mesmo dia do Santo Nome de Jesus, no dia 03 de janeiro.

 

MEDITAÇÕES DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO PARA A OITAVA DE NATAL E OS DIAS SEGUINTES ATÉ A EPIFANIA

- JESUS AMAMENTADO

Ó meu doce Jesus, amável Menino, sois o Pão do céu e o alimento dos anjos; vós nutris todas as criaturas; como estais reduzido a mendigar um pouco de leite duma virgem para sustentar vossa vida? — Ó amor divino, como pudestes tornar um Deus tão pobre ao ponto de necessitar dum nutrimento terrestre? Ah! compreendo-vos, meu Jesus, recebeis o leite de Maria no estábulo para o transformar em sangue precioso que quereis oferecer a Deus na cruz em sacrifício de expiação por nossos pecados! Dai, ó Maria, dai todo o leite que podeis dar a vosso divino Filho, pois cada gota desse leite deve servir para lavar minha alma de suas manchas, e nutri-la depois na santa comunhão! — Ó meu Redentor, como vos não amará aquele que crê no que fizestes e sofrestes para salvar-nos? E eu sabendo isso, como pude ser tão ingrato para convosco? Mas a vossa bondade é minha esperança e me assegura que, se eu quiser a vossa graça, ela me pertence. Ó Bem supremo, arrependo-me de vos haver ofendido, e amo-vos sobre todas as coisas, ou antes, não amo senão a vós, e só a vós quero amar, sois e sereis sempre meu único Bem e meu único Amor. Meu caro Redentor, dai-me, vo-lo peço, uma terna devoção à vossa santa infância, coo o fizestes a tantas almas que, à recordação de vossa infância, parecem esquecer tudo e não mais poder pensar senão em vos amar. É verdade que elas são inocentes e eu pecador; mas vos fizestes pequeno para vos fazer amar também pelos pecadores. Sim, meu Deus, eu vos ofendi, mas agora amo-vos de todo o meu coração e só desejo o vosso amor.
Ó Maria, dai-me um pouco da ternura com que nutríeis com vosso leite o Menino Jesus.

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – de Santo Afonso Maria de Ligório – Coleção Clássicos da Espiritualidade Católica, págs. 187/188)

 



[1] Lile 83 Quaest., Q. onze

[2] De agone christiano, c. onze

[3] Orígenes: Hom. XIV in Luc


quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

MEDITAÇÕES PARA O ADVENTO (XXXIII)

 



31 de dezembro
- 7º dia na oitava do Natal

 

COMENTÁRIOS DE SÃO TOMÁS DE AQUINO SOBRE O NASCIMENTO DE CRISTO

I. Cristo queria nascer em Belém.

1º) Porque ele foi feito da linhagem de Davi, segundo a carne (Rm 1, 3), para a qual uma promessa especial de Cristo também foi feita; e por que queria nascer em Belém, onde David nasceu, para que se mostrasse que a promessa feita a ele sobre o próprio lugar do nascimento; e isso indica o Evangelista, dizendo: Porque ele era da Casa e família de David (Lc, 2, 4).

2º) Porque Belém significa casa do pão, como diz São Gregorio; e o próprio Cristo é quem diz: Eu sou o pão vivo, Eu desci do céu (Jo 6:41). Assim como Davi nasceu em Belém, também escolheu Jerusalém para estabelecer nele a sede do reino, e para construir lá o templo de Deus; e assim escolheu Jerusalém, para ser uma cidade real e sacerdotal. Mas o sacerdócio de Cristo e seu reino foram consumados principalmente em sua paixão, e é por isso que ele convenientemente escolheu Belém para o nascimento e Jerusalém para a paixão.

Da mesma forma, ele confundiu a glória dos homens, que gabam-se de trazer sua origem de cidades notáveis, onde desejam também seja principalmente honesto. Cristo, pelo contrário, queria nascer em uma cidade obscura e sofrer desgraça em uma cidade nobre.

II. Ele nasceu em tempo hábil. Pois existe entre Cristo e os outros homens, a diferença de que esses homens nascem sujeitos à necessidade de tempo, enquanto Cristo, como senhor e criador do tempo todo, escolheu para si a época em que deveria nascer, assim como a mãe e o lugar. E porque Deus ordenou as coisas são arranjadas convenientemente, segue-se que Cristo nasceu no tempo mais conveniente. Cristo, com efeito, veio para nos tirar do estado de servidão e nos levar ao estado de liberdade. E portanto, então como ele assumiu nossa mortalidade, para nos levar à vida, da mesma forma dignou-se a encarnar naquela época em que, recém nascido, era inscrito no censo de César para se submeter à escravidão no interesse de nossa liberdade.

Também naquela época, quando todos viviam sob um único príncipe, ele gozava de grande paz no mundo. E conseqüentemente, era apropriado que naquela época nascesse Cristo, que é a nossa paz, aquele que fez um só povo (Ef 2:14).

Também era conveniente que na época em que um único príncipe dominou o mundo quando Cristo nasceu, que veio para reunir o seu em um para que houvesse um rebanho, um pastor. Ele queria nascer durante o reinado de um rei estrangeiro para que a profecia de Jacó fosse cumprida (Gn 49:10), que diz: “tirou o cetro de Judá, e o líder de sua coxa, até que ele deve ser enviado, porque enquanto o povo eleito estava sujeito a reis de sua nação, embora pecadores, foram enviados profetas para seu remédio; mas, agora, quando a lei de Deus estava sob o poder de um rei ímpio, nasce Cristo; porque uma doença grave e desesperadora exigia um médico mais sábio.

Finalmente, Cristo queria nascer quando a luz do dia começou a aumentar; a fim de mostrar que Ele veio para que os homens cresçam na luz divina: Para iluminar aqueles que eles estão sentados nas trevas e na sombra da morte (Lc 1, 79). E Ele também escolheu a severidade do inverno para seu nascimento, para já sofrer para nós desde a aflição da carne. (3 °, q. XXXV, a. VII e VIII).

 

(Extraído de “MEDULLA S. THOMAE AQUITATIS PER OMNES AMNI LITURGICI SEU MEDITATIONES EX OPERIBUS S. THOMAE DEPROMPTAE.- Recopilação de Fr. Mezar, OP, e tradução do latim para o espanhol por Luís M. de Cádiz)


MEDITAÇÕES DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO PARA A OITAVA DE NATAL E OS DIAS SEGUINTES ATÉ A EPIFANIA.

- JESUS ENVOLTO EM PANOS.

Querido Menino, como poderia eu temer os vossos castigos quando vos vejo enfaixado, privado, por assim dizer, do poder de levantar a mão para punir-me? Com isso dais-me a entender que não tendes a intenção de castigar-me, se eu quiser sacudir o jugo de minhas paixões e prender-me a vós. Sim, meu Jesus, quero libertar-me dele. Arrependo-me profundamente de me haver separado de vós abusando da liberdade que me destes. Ofereceis-me uma outra liberdade, uma liberdade mais bela, e que me deve livrar das cadeias do demônio e colocar-me no número dos filhos de Deus. Deixastes-vos aprisionar nesses paninhos humildes por seu amor; quero ser prisioneiro do vosso grande amor. Ó felizes cadeias, belos laços de salvação, que prendeis as almas a Deus, vinculai também meu pobre coração; cingi-o tão fortemente que não possa mais separar-me do amor desse bem supremo. Meu Jesus, amo-vos, uno-me a vós, dou-vos todo o meu coração, toda a minha vontade. Meu amado Senhor, estou resolvido a nunca mais deixar-vos. Ah! meu doce Salvador, vós que, para apagar minhas dívidas, quisestes não só vos deixar enfaixar por vossa santa Mãe, mas também ser maltratado como um criminoso pelos algozes e nesse estado arrastar-vos pelas ruas de Jerusalém para serdes em fim conduzido à morte como um inocente cordeiro que se leva ao matadouro; vós que quisestes ser pregado na cruz e que não deixastes senão com a vossa morte, eu vos conjuro, não permitais tenha eu ainda a infelicidade de separar-me de vós e de me ver privado da vossa graça e do vosso amor.
Ó Maria, que outrora enfaixastes em paninhos o vosso Filho inocente, prendei também a mim pecador, prendei-me a Jesus, a fim que não mais me afaste de seus pés, que viva sempre preso a Ele e que morra unido a Ele, para ter a felicidade de entrar um dia na pátria bem-aventurada, onde estarei fora do perigo e do temor de separar-me ainda de seu santo amor.

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – de Santo Afonso Maria de Ligório – Coleção Clássicos da Espiritualidade Católica, págs. 185/186)

 

 


quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

MEDITAÇÕES PARA O ADVENTO (XXXII)


 

A SAGRADA FAMÍLIA: JESÚS, MARÍA E JOSÉ

COMENTÁRIOS DE SÃO TOMÁS DE AQUINO

 Sendo Maria, sua mãe, casada com José ... (Mat 1,18).

1. Houve um casamento verdadeiro? Deve ser respondido afirmativamente, porque existiam os três bens do casamento, a saber: a prole, O próprio Deus; fidelidade, visto que não houve adultério; e sacramento, porque houve uma união indissolúvel de almas.

Mas como o casamento existiu se o voto impede a contratação casamento?. Visto que a Santíssima Virgem fez voto de virgindade, parece que não houve casamento verdadeiro. É preciso dizer que (Maria)  estava angustiada com duas coisas. Por um lado, ficou assombrada pela maldição da lei pela qual a mulher estéril estava sujeita; por outro lado, o propósito de manter a castidade; e por isso não se acredita que, antes de se casar com José, ela tivesse feito voto absoluto de virgindade, mas apenas sob condição se agradasse a Deus; E mesmo se quisesse, ainda  tinha que submeter sua vontade à vontade divina. Mas depois, uma vez que tomou marido, conforme o exigiam os costumes daqueles tempos, e depois que tomou conhecimento daquilo que era agradável a Deus, fez voto absoluto de virgindade de comum acordo com José, e isto precisamente antes do anúncio do Anjo, pois a ele respondeu: “Como vai ser isso possível, porque eu não conheço homem?” (Lc 1,34), que não teria dito, é verdade, se não tivesse primeiro dedicado sua virgindade a Deus. (In Mat., I e 3ª q. XXVIII, a. 4)

II. Era conveniente para Cristo nascer de uma virgem prometida, já por Ele mesmo, ora por sua mãe, ora por nós.

Por causa do próprio Cristo: 1º, para que ele não fosse rejeitado pelos infiéis como nascido ilegitimamente; 2º, para que, segundo a forma costumeira, sua genealogia pudesse ser descrita por linha masculina; 3º, para tutela da criança nascida, para que o diabo não procurasse mal contra ela com aumento da violência; É por isso que Santo Inácio diz que Ela se casou para esconder o parto ao diabo; 4º, para ser sustentada por São José; e é por isso que foi chamado seu pai como um educador.

Por motivo da Virgem: 1º, porque por isso foi libertada da pena, isto é, para que ela não fosse apedrejada pelos judeus; 2 °, para se livrar da infâmia; o Senhor preferiu que alguns duvidassem de sua origem ao invés de duvidar da modéstia da mãe, pois sabia que a modéstia da virgem é delicada, e julgou que seu nascimento não deveria prejudicar a fidelidade da mãe; 3º, para que São José pudesse ajudá-la, já quando ela fugiu para o Egito, já depois voltar de lá.

Foi conveniente para nós: 1º, porque pelo depoimento de José foi provado que Cristo nasceu de uma virgem, pelo que Santo Ambrósio diz: “Como a testemunha mais eloqüente da modéstia de Maria é seu marido, que poderia reclamar da lesão e vingar a desgraça, se não conhecesse o mistério"[1]; 2º, porque as mesmas palavras da virgem mãe, que testemunha sua virgindade, se tornam mais confiáveis; já que a noiva não tinha razão para mentir, já que o prêmio do casamento e a graça do casamento é a fecundidade das mulheres; 3º, porque isso é simbolizado em toda a Igreja, que sendo virgem, casou-se com um só varão, Cristo. Também pode haver outra razão pela qual a mãe do Senhor era desposada e virgem, que em sua pessoa fossem honrados a virgindade e o matrimônio contra hereges que atacaram um e outro. (3º q. XXIX, a. 1)

  

(Extraído de “MEDULLA S. THOMAE AQUITATIS PER OMNES AMNI LITURGICI SEU MEDITATIONES EX OPERIBUS S. THOMAE DEPROMPTAE.- Recopilação de Fr. Mezar, OP, e tradução do latim para o espanhol por Luís M. de Cádiz)

 

MEDITAÇÕES DE SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO PARA A OITAVA DE NATAL E OS DIAS SEGUINTES ATÉ A EPIFANIA.

- JESUS NASCE MENINO.

Pai celeste, eu miserável pecador digno do inferno, nada tenho para oferecer-vos as lágrimas, as penas, o sangue, a morte desse Menino inocente, que é vosso Filho, e peço-vos misericórdia por seus méritos. Se não tivesse esse divino Filho para vo-lo oferecer, estaria perdido, e não haveria mais esperança para mim; mas vós mo destes a fim que, oferecendo-vos os seus méritos,  tenha esperança de salvação. Senhor, bem grande foi minha ingratidão, porém maior ainda é a vossa misericórdia. E que maior misericórdia podia eu esperar de vós que de me dardes o vosso próprio Filho por Redentor e como vítima que eu vos pudesse oferecer por meus pecados? Pelo amor de Jesus Cristo,  perdoai as minhas ofensas; arrependo-me de todo o coração de vos haver desgostado, Bondade infinita! E também pelo amor de Jesus dai-me a santa perseverança. Ah! meu Deus, se tornasse a ofender-vos depois que me esperastes com tantas paciência. me aclarastes com tantas luzes, e me perdoastes com tanto amor, não mereceria um inferno criado expressamente para mim? Ah! meu Pai, não me abandoneis; tremo ao pensar nas infidelidades de que me tornei culpado para convosco; quantas vezes vos voltei as costas depois de ter prometido amar-vos! Ó meu Criador, não permitais tenha eu a deplorar a desgraça de ver-me de novo privado da vossa graça e separado de vós. Não permitais me separe de vós! Não permitais me separe de vós! Repito essa prece e quero repeti-la até o derradeiro suspiro de minha vida; mas dai-me a graça de repeti-la sem cessar Não permitais me separe de vós! Meu
Jesus, ó caro Infante, prendei-me a vós pelas cadeias do vosso amor; amo-vos e quero amar-vos eternamente; não permitais me separe jamais de vosso amor. Amo-vos também, Maria, minha Mãe; dignai-vos amar-me também, e como penhor de amor, obtende-me a graça de não cessar jamais de amar o meu Deus.

(SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO - “Encarnação, Nascimento e Infância do Menino Jesus” – de Santo Afonso Maria de Ligório – Coleção Clássicos da Espiritualidade Católica, págs. 182/183)

 



[1] Super Luc., cap. I, In mense sexto