terça-feira, 14 de maio de 2019

IRMÃ DULCE E A OPINIÃO PÚBLICA




Na primeiro edição após a morte da Irmã Dulce (13 de março de 1992) o jornal "A Tarde", de Salvador, publicava em primeira página uma foto da multidão que acorreu para homenagear o "Anjo Bom da Bahia", também chamada de “Anjo Bom do Brasil”. Foi o enterro mais multitudinário de toda a história da Bahia, e talvez do Brasil (calcula-se em mais de 300 mil pessoas que acompanharam o féretro). Qual a razão? Por ter sido uma freira dedicada exclusivamente ao exercício da caridade cristã, papel saliente das Ordens femininas, e por ter levado sua vocação ao grau de heroísmo, Irmã Dulce cativou o coração de uma grande multidão de fiéis. No estudo da vida dos santos muitos aspectos vão aos pouco sendo analisados e revelados: uma característica da futura Beata e Santa era a divulgação de seu trabalho perante o público. Segundo um estudioso de sua vida ela foi uma exemplar "marqueteira" de sua obra. E não o fez por promoção pessoal, isso não, pretendia simplesmente que seu trabalho fosse divulgado e com isso conseguisse mais apoio, mais ajuda para transformá-lo numa ação social de grande envergadura. Daí a razão de hoje encontrarmos muitas fotos dela, algumas muito importantes para se avaliar sua obra, embora muito antigas, datando das primeiras décadas de sua atividade pastoral.
Após a constatação do segundo milagre (um homem cego há 14 anos recuperou a visão milagrosamente), a Beata será canonizada no segundo semestre deste ano.

A respeito do físico frágil e apequenado da Irmã Dulce, no entanto com uma alma tão grande e ardorosa, divulgamos abaixo os comentários do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira que (apesar de terem sido feitos a propósito de Dom Chautard, outra alma santa) se aplicam muito bem a ela:

"Se na era do romantismo a opinião pública se inclinava para as almas delicadas, subtis, frágeis, exageradamente delicadas, exageradamente subtis, diríamos exageradamente frágeis se a fragilidade já não fosse em si mesma um defeito e um exagero, em nossos dias, quando a luta pela vida da alma e do corpo impõe um esforço incessante, a admiração se volta mais freqüentemente para as almas poderosas, fortes, realizadoras, enérgicas. E, como tudo quanto é humano é sujeito a exagero, somos propensos não raras vezes a glorificar a força física dos boxeurs e atletas, ou a força quase hipnótica de certos ditadores, como valores absolutos e supremos.
Nisto, como em tudo, um sadio equilíbrio se impõe. E deste equilíbrio é mestra a Igreja Católica, fonte de toda virtude.Entre a força e a delicadeza de alma não há incompatibilidade, desde que uma e outra sejam retamente entendidas. E uma alma pode ao mesmo tempo ser delicadíssima sem nenhuma fraqueza e fortíssima sem nenhuma brutalidade".
(Extraído da revista "Catolicismo", n. 52, de abril de 1955)


sexta-feira, 10 de maio de 2019

O PLANETA NIBIRU, O ÍDOLO PAGÃO MARDUK E A CREDIBILIDADE NAS MITOLOGIAS ANTIGAS







Quando o homem moderno se vê  perante fatos narrados pelas Sagradas Escrituras, logo lhe vem à mente várias dificuldades apresentadas para fundamentar sua crença naqueles fatos. E, de modo geral, os argumentos contrários aos mesmos são quase sempre repetidos: não são confiáveis documentos tão antigos, a maioria deles baseados apenas na crença, na fé das testemunhas dos fatos e não em comprovações sérias (segundo essa visão), ou até mesmo científicas, hoje mais fáceis de serem encontradas em tais documentos.
Para que possamos acreditar num fato de qualquer natureza temos que ter credibilidade na fonte que o divulga. Assim, uma notícia de hoje veiculada por qualquer órgão da mídia merece nossa aprovação e aceitação porque quem os divulga tem credibilidade. Se não tiver credibilidade, ninguém acredita no que tal órgão divulga. Da mesma forma, um aluno acredita naquilo que o professor ensina, por exemplo, sobre fatos históricos, porque o mestre tem credibilidade perante o aluno, não só o seu mestre mas os livros que ele manda ler.
As fontes em que se baseiam os historiadores para se dar credibilidade aos fatos do passado são várias.  De modo geral, as fontes mais fidedignas são aquelas passadas para documentos escritos, em geral feitos por cronistas da época, alguns testemunhas dos fatos e outros porque ouviram de quem os testemunhou.  Depois disso, aqueles fatos precisam ser confirmados por outras fontes e, se houver alguma que deles discorde, que sejam levadas em conta para análise. É assim que se faz história e se verifica a veracidade de fatos do passado.
A escrita começou entre os homens já na primeira civilização da humanidade, surgida na Mesopotâmia, com os Sumérios, Acádios, Caldeus, etc., Mas, tais escritas não eram feitas  com fins de crônicas ou de narrar fatos que ocorriam naquele tempo. Os povos antigos davam mais importância à transmissão oral, feita de geração em geração, para relatar fatos históricos do passado. De início, o objetivo de tais escritas (muito rudimentar e de uso restrito) era mais para guardar segredos dos bruxos, de suas fórmulas cabalísticas ou de feitiçarias, ou também de algum patriarca ou chefete local que mandava registrar alguma coisa para sua vanglória. No mais, haviam “documentos” apenas, em sua maioria, para registrar negócios, compras ou vendas de algo, ou para deixar cifrado segredos entre eles.  Quer dizer, o povo em geral desconhecia que existiam tais escritas. Tão rudimentares que às vezes nem reis e sacerdotes sabiam decifrá-las.
Agora, vem o homem deste século e começa a dar um enorme valor a tais documentos. Talvez o único de tais documentos que mereça alguma credibilidade seja o código de Hamurabi, pois nele há a intenção de um governante de divulgar um código de leis. Mas escrito pra quê se ninguém sabia lê-lo?  De maneira geral tais documentos são apenas pedaços de pedras com hieróglifos quase ininteligíveis, muitos deles quase destruídos, onde o pesquisador às vezes adivinha mais do que lê o que está ali representado.
Vamos ver um exemplo no que narram de Marduk, que dizem ter sido uma divindade do mundo antigo, lá pelos anos 2 mil antes de Cristo.  Primeira afirmação tendenciosa: tal divindade teria surgido na primeira “dinastia” babilônica. Dinastia é uma sucessão de reis de uma mesma família, coisa que não havia naqueles tempos. Sequer haviam reis. O que os historiadores chamam de reis,  na verdade eram os patriarcas, os chefes das clãs, das tribos e das numerosas famílias, que se destacavam e dominavam regiões inteiras. Por analogias o chamam de rei. Mesmo que tal título possa lhes ser atribuído, não há condições de se comprovar que haviam famílias de reis, de descendentes uns dos outros, porque naqueles tempos quem mandava era o que tinha mais força no momento. Até mesmo no começo do império romano ainda era assim, se sucediam no trono os que conseguiam comandar mais soldados e impor seu poderio sobre os demais.
A partir da insinuação de que o deus era adorado num período em que havia uma dinastia, como se fosse um tempo de progresso social, começam as afirmações simplórias e sem nexo sobre o personagem.  Dizem, por exemplo, que Marduk era a principal divindade babilônica naquele período. Ora, quando se fala naquelas civilizações babilônicas os períodos são longos, de séculos e até de milênios, onde as culturas e civilizações surgem e desaparecem sem deixar vestígio. Em seguida os mentores modernos da importância dessa divindade começam a enfeitar sua história, dizendo que era “filho do senhor da água, Lia” (outra divindade), tendo sido ele que criou o universo, etc. Fantasia pura. Os fautores de tal lenda vão mais longe e imaginam que houve uma luta com outra divindade, chamada Tiamat, cuja “história” foi encontrada depois de vários séculos nas ruínas, sabem de quê? – de uma biblioteca, imaginem! Uma biblioteca tantos séculos antes de Cristo! E onde se encontra, nas ruínas dela, uma história bem completa sobre um deus antigo de mil anos atrás. Não, não havia essa preocupação de se contar histórias naqueles tempos, não haviam anais e registros de fatos históricos. Pois as escritas não tinham essa finalidade, aliás inútil porque ninguém as lia. E depois, vem outra divagação: alguns fragmentos de textos (textos ou pedras?) “sugerem” que o fim dessa história é baseado na crença de que os deuses criaram os homens para ser seus escravos. Quer dizer, o sujeito viu algo parecido numa pedra qualquer e logo imagina que ali está sugerido algo muito importante e revelador sobre tais deuses.
E porque tais pesquisadores acreditam na veracidade tão fugaz de tais “documentos”, e os propagam como coisa importante, e não acreditam nos documentos da Sagrada Escritura?  Porque tais elementos não agem por lógica racional, mas, antes de tudo, imbuídos por crenças modernas de filósofos céticos e ateus.
Faz alguns anos que surgiu na internet notícias sobre um imaginário planeta, chamado Nibiru,  que poderia ocasionar grandes catástrofes na terra. Sua passagem pelas proximidades de nosso planeta se daria nos próximos anos, exatos 3.600 anos após a última visita, exatamente nos tempos da civilização caldaica. Por isso, associam tal planeta às lendas do deus marduk, que datam aqueles tempos.
Então, o homem do século XXI, que pouco ou nada acredita nos textos bíblicos do Antigo Testamento que falam daquela época, começa a crer numa lenda, fútil e sem lógica, dando a ela valor incalculável.
Há vários vídeos sobre o assunto no You Tube, como este







segunda-feira, 6 de maio de 2019

A REVOLUÇÃO NÃO CONSEGUE VENCER COMPLETAMENTE A NATUREZA HUMANA



Fui a um casamento e meditei sobre o tema acima. Casamento? Sim, apesar de tanta insistência no amor-livre, onde casamento é desnecessário, os casamentos continuam sendo realizados. E em escala crescente. Sendo a noiva amiga de nossa família, não procuramos saber detalhes sobre a natureza do evento, se seria somente religioso ou somente civil. Como a família em questão é da classe média-alta, suspeitava que deveria primar o mundanismo.  Mas havia coisa pior. Soubemos apenas que seria realizado numa casa de eventos. Chegando lá, verificamos que havia uma mesa, como se fosse um altar, dando a impressão de que haveria o casamento religioso.  Olhando de longe o “oficiante” que faria o casamento, pensei com meus botões: “esse aí, nunca foi padre! A não ser da “igreja brasileira”. Realmente, não era sacerdote, embora estivesse com trajes parecidos com as vestes sacerdotais, nem houve casamento propriamente dito. A cerimônia constou do seguinte: um longo discurso do celebrante e a imposição das alianças. E nada mais. É claro que, a seguir, formou-se uma longa fila dos padrinhos para assinar a papelada.  E depois, mundanismo, folia e muita hipocrisia, estampada principalmente nos falsos sorrisos das poses para as fotos .   
Analisei tudo. Comecei pelas roupas, as jóias e os cabelos, especialmente das mulheres. Aí lembrei-me da análise que Dr. Plínio Corrêa de Oliveira fez sobre a “revolução no mundo feminino” de seu tempo.  Ele falava, por exemplo, da introdução da moda do cabelo “a la garçonne”. Durante muito tempo essa moda vigorou no Brasil, mas hoje está morta. Todas as mulheres daquela festa, sem exceção, tinham o cabelo bem comprido, e algumas até com lindos penteados à semelhança da antiga dama, demonstrando que a Revolução não avançou tanto na moda do cabelo, pelo menos no Brasil. E é assim que vejo a maioria das mulheres pela rua. Quanto aos vestidos, alguns eram bem ornamentados e compridos, demonstrando recuo da Revolução nesse aspecto, enquanto avança em outros como outros trajes bem curtos e com decotes imorais. Nesse aspecto a Revolução continua muito imperativa.  E as jóias? Não se via quase nada delas, a não ser algumas miçangas ou bijuterias de baixo custo. Nesse aspecto, também, a Revolução domina completamente o elemento feminino.
Analisei um outro aspecto em que a Revolução recuou muito: as decoradas e belíssimas mesas com as comidas. Havia requinte em tudo, a começar pela própria mesa, os arranjos, as flores, os objetos de prata e cristal, e deliciosas comidas e salgados, era uma coisa principesca, parecia uma festa do Ancien Regime. Com a chocante diferença, é claro, do barulho de um som eletrônico horrível que não permitia aos convivas uma conversa mais agradável. Conversa? Só se falava uns aos outros gritando.  Não se pode dizer que os garçons se vestiam regiamente, mas, para a categoria, estavam dignamente vestidos e atendiam a todos com esmerada educação, nem pareciam revolucionários atendendo outros revolucionários. O mesmo pode-se dizer quanto aos homens da festa, dignamente vestidos e alguns com ares de nobreza.
Falei acima que não houve casamento religioso. Disse-o, no caminho, para as pessoas com quem fui à festa. Para que haja um casamento religioso é necessário que esteja bem expresso o juramento dos noivos, para toda a vida, de serem fiéis, tanto na saúde quanto na doença, tanto na vida quanto na morte, coisa que não foi feita. Não houve cerimônia religiosa de casamento, mas apenas uma entrega de alianças com um ritual meramente mundano.
No título disse que a Revolução não consegue vencer completamente a natureza humana. É que muitas pessoas às vezes não aderem a princípios revolucionários porque a natureza pede o contrário. Assim, a natureza pede que continuem se casando e que a vida terrena seja bafejada por riquezas, requintes, belezas, como a dos cabelos longos, dos vestidos compridos e bem ornamentados (embora continue a moda indecente dos decotes, onde os panos que sobram embaixo faltam em cima) e das requintadas mesas de acepipes saborosos. Não falei sobre a bebida, mas a Revolução nem caminha nem retrocede, está apenas estacionada nesse particular. Continuam servindo de tudo, desde o horrível e insípido uísque até a aristocrática champanhe, para não falar da plebéia cerveja. Atendem sempre os gostos de todos. É sempre assim. Doutor Plínio chamava a esse tipo de revolucionário o de “pequena velocidade”, pois avança nuns aspectos e recua em outros.

Veja postagens sobre a revolução no mundo feminino:

sexta-feira, 26 de abril de 2019

OS PODERES TEMPORAL E ESPIRITUAL ESTÃO CONSAGRADOS NAS SAGRADAS ESCRITURAS






Nosso Senhor Jesus Cristo disse que seu Reino não é deste mundo, dando a entender que sua supremacia de domínio universal é na outra vida. Mas, enquanto durar este mundo, aqui Ele também deve reinar, deverá deter conjuntamente com o espiritual um poder temporal. Algumas passagens nas Sagradas Escrituras nos confirmam isso.

“O Anjo disse-lhe: "Não temas Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó e o seu reino não terá fim." (Lc 1, 30-34)

Vê-se que o Anjo fala em “casa de Jacó”, mas o patriarca teve seu nome mudado por um Anjo para Israel (Gên 32, 28). Poderia ter dito “casa de Israel”, já que na linguagem corrente entre os hebreus o nome Jacó estava ligado à descendência real através da tribo de Judá (poder temporal), enquanto Israel tinha sentido mais espiritual e divino. O Anjo, portanto, falava claramente também numa descendência real terrena. É como se estivesse definido aí a diferença entre o poder temporal e o espiritual, que, no entanto, devem reger unidos.
O Profeta Isaías também chama a dinastia que dominava os hebreus de “Casa de Jacó” e não “Casa de Israel”, indicando um reinado meramente terreno: “Casa de Jacó, vinde e caminhemos à luz do Senhor. Pois tu (ó Senhor) rejeitaste o teu povo, a casa de Jacó, porque eles se encheram (de superstições) como noutro tempo tiveram agoureiros como os filisteus, e se uniram aos filhos dos estranhos” (Is 2, 5-6).  Note-se que quando o Profeta fala “rejeitaste o teu povo”, logo a seguir completa, “a casa de Jacó”, quer dizer, Deus recusou os dirigentes, os filhos de Judá, (hoje conhecidos como judeus), e não o povo israelita. . Mais adiante, o Profeta dá a entender essa distinção entre governantes e o povo quando diz: “Agora, pois habitantes de Jerusalém, e homens de Judá, sede vós os juízes entre mim e a minha vinha” (Is 5, 3). Habitantes de Jerusalém eram apenas os que moravam na capital, dominada por duas tribos, Benjamin e Judá, e “homens de Judá”, claramente, eram os dirigentes, os príncipes e reis que lá dominavam.
Quando o Profeta se refere à “casa de Jacó” sempre dá a entender que está falando dos reis, da dinastia real, e não do povo eleito em geral, como nestes textos: “E acontecerá isto naquele dia: Os que tiverem ficado de Israel e os da casa de Jacó, que se tiverem salvado, não se apoiarão mais sobre aquele que os fere; mas apoiar-se-ão sinceramente sobre o Senhor, o Santo de Israel” (Is 10, 20-21). Em seguida o profeta fala que se converterão apenas “as relíquias”, isto é, uma pequena porção, tanto da “casa de Jacó” quanto do povo em geral.
Em outra passagem, diz: “Apesar dos que investem com ímpeto contra Jacó, Israel florescerá” (Is 27-6), deixando bem claro a diferença entre o poder temporal (Jacó) e o espiritual (Israel), indicando que mesmo que as elites recusem o poder divino, este terminará por prevalecer.
Em outra parte vemos: “Por esta causa, o Senhor, que resgatou Abraão, diz isto à casa de Jacó: Agora não será confundido Jacó, nem agora se envergonhará o seu rosto; mas, quando vir no meio dele os seus filhos, obra das minhas mãos, dar glória ao seu nome, também eles santificarão o Santo de Jacó e glorificarão o Deus de Israel” (Is 29, 22-23). O “Santo de Jacó” é, pois, Jesus Cristo, descendente da “casa de Jacó” (do poder temporal)e o “Deus de Israel” nem precisa dizer Quem é, representando aí o poder espiritual.
E, no entanto, as profecias diziam “E tu Belém de Efrata, tu és pequenina entre as milhares de Judá; mas de ti é que há de sair aquele que há de reinar em Israel”. (Miq 5, 2). Há, portanto, dois significados nos títulos reais dados a Jesus Cristo: o terreno e o divino, sendo rei da “casa de Jacó” o faz com o título meramente terreno, mas como “Rei de Israel” (nome com que o Anjo mudou o nome de Jacó) ele reina sobre todos os homens, pois este título é divino. Estão bem definidos os poderes temporal e espiritual.



sábado, 16 de março de 2019

O QUE HÁ DE COMUM ENTRE SUZANO E NOVA ZELÂNDIA







A violência urbana cresce assustadoramente em todo o mundo, tornando-se mais intensa nas Américas, especialmente no México e Brasil, por causa de fatores locais. Em alguns países ela se apresenta mais com a face do terrorismo, como o dos islâmicos, enquanto que por aqui o fator mais marcante é o “mata-mata” da criminalidade comum. Por causa disso, damos mais destaque ao Brasil nesse aspecto. Tudo indica que a coisa chegou a tal ponto que não é inverossímil imaginar o próprio demônio dirigindo grupos com tais intenções. Os casos de Suzano, no Brasil, e o da Nova Zelândia ocorridos nesta semana são muito ilustrativos sobre isso. E espera-se que ocorram novos casos brevemente, haja vista que a sociedade não demonstra estar querendo voltar-se novamente para Deus.
No início da década de 60 o jornal “O Globo” do Rio de Janeiro estampou uma notícia que causou sensação: um ladrão assalta uma pessoa no centro da cidade, em plena luz do dia e de arma na mão. Até aí a notícia não parece causar qualquer estremecimento nas pessoas, mas logo em seguida o jornal chama a atenção para um detalhe: o bandido estava sem máscara e fizera o assalto em plena luz do dia. Em todo o Brasil os comentários eram os mesmos: “mas que ousadia, assaltar em plena luz do dia, no centro da cidade, e ainda por cima de tudo sem qualquer máscara, mostrando a cara?”.  Ao longo dos anos foi este o ponto comum entre os bandidos: a ousadia, o inesperado, que choca e amedronta as pessoas. No início, a ousadia consistia em assaltar sem máscara e em plena luz do dia. Depois, passou a ser o seqüestro de pessoas, a exigência de resgates, etc. Cada lance ousado que ocorria causava certo clamor na opinião pública, porém quando passaram a ocorrer outros semelhantes todos se acostumavam paulatinamente. E tendo a TV como veículo para banalizar a violência em seus filmes e noticiários, o público ficou mais indiferente ainda e se acostumando com crimes, tiros, seqüestros, mortes, etc.

“Serial Killer” faz escola
O termo “serial killer”, quer dizer, matança em série, surgiu em meados do século passado, tendo sido mais difuso pela divulgação do filme “Jack o Estripador” (que já circulava em forma de quadrinhos) em que narra a história de um assassino maníaco agindo na Londres do final do século XIX. Feito o lançamento do termo pelo cinema e pela mídia, logo apareceram “atores” vivos para agir segundo a fórmula criada. E até hoje se contariam talvez às centenas os casos de criminosos em série, indivíduos maníacos que saem matando a esmo, e depois de tudo, geralmente se suicidam.
Em geral, tais crimes ficaram mais comuns a partir da década de 70. Um dos primeiros assassinos da série foi Theodore Robert Bundy, que cometeu entre 20 a 30 assassinatos e foi executado na cadeira elétrica. No mesmo período, tivemos o russo Andrei Aomanovich Chikatilo, cognominado o “Estripador de Rostov”, que chegou a matar cerca de 55 pessoas! Um dos mais sádicos “serial killer” foi Jeffrey Lionel Dahmer, o qual criou em sua mente a idéia de criar zumbis que seriam seus brinquedos sexuais vivos, fazia buracos nas cabeças das vítimas e pingava soda cáustica nas feridas, chegando até a praticar canibalismo. Em geral este tipo de maníaco é mais comum nos Estados Unidos da América, como John Wayne Gacy Júnior que chegou a matar 33 pessoas e Edward Theodore Gein, que matou 54. Mas, até a década de 80 ainda não era comum que tais indivíduos se suicidassem após os crimes, o que só veio a ocorrer alguns anos depois. Ocorrido o primeiro caso e causando grande comoção, logo, logo, casos semelhantes passam a ocorrer em várias partes do mundo.
No Brasil, surgiu também uma série de assassinos desta natureza, como o “Bandido da Luz Vermelha”, cruel e frio; Pedro Rodrigues Filho, cognominado de “Pedrinho Matador” por ter executado mais de 100 vítimas; Francisco Costa Rocha, “Chico Picadinho”, assim chamado por esquartejar as vítimas; Francisco Assis Pereira, “O Maníaco do Parque” por agir mais no Parque do Ibirapuera, em São Paulo matando mulheres asfixiadas; Marcelo Costa de Andrade, estuprou e matou onze meninos no Rio e depois bebeu o sangue e chegou a praticar também canibalismo com os corpos das vítimas; muitos outros podem ser citados, mas em geral nesta série também ainda não era comum o suicídio do criminoso após os crimes.
Mais recentemente, no Brasil, antes do caso de Suzano, tivemos o caso de Wellington Menezes de Oliveira, que matou cerca de 12 estudantes numa escola do Rio e depois se suicidou. Em outros países tivemos vários casos e já vai se tornando rotina em escolas, faculdades, praças públicas, shoppings ou em qualquer outro ajuntamento humano de repente surgir um atirador matando as pessoas aleatoriamente e, depois, se suicidando... Talvez os únicos que não se suicidaram após os ataques foram os casos ocorridos, como o da Noruega, em que Anders Behrin Breivik, responsável pela morte de 77 pessoas, entregou-se à policia e fez divulgar uma declaração pela TV, e o do rapaz americano que entrou num templo protestante atirando e matando, mas também entregou-se vivo à polícia..
Note-se que a cada modalidade nova de crime ou violência, logo ela vai se espalhando e sendo imitada. No início era tido como um caso terrível o assassinato seguido de suicídio, assim como a matança tresloucada e indiscriminada de várias pessoas por um atirador louco. Hoje tornou-se comum não só nas grandes cidades mas até mesmo na região rural, onde estes crimes também ocorrem.

Qual a causa disso tudo?

Há muita discussão sobre o tema. Em geral, psicólogos e educadores colocam a culpa nos pais e na internet, um veículo de comunicação mal utilizado especialmente pelos jovens. A rapidez e proliferação indiscriminada de informações nas comunicações em geral, como TV, cinema e internet, realmente vêm trazendo grande concurso para a disseminação de tais atos violentos. Há também culpa da mídia que os divulga de forma imoderada e escandalosa, causando comoção social e banalizando a violência.
No entanto, é toda a sociedade que paga um preço muito alto por ter abandonado os caminhos da vida cristã e da boa moral. Sem Deus, o homem moderno fica à mercê direta da influência diabólica, que aumenta cada vez mais que as pessoas levam uma vida cheia de deleites e sem a prática das virtudes cristãs. Sem orações, sem vida recatada, isto é, sem Deus, tudo o que é de ruim deve se esperar que ocorra no mundo de hoje. E como castigo por tal vida desregrada, vemos o auge da violência contra a vida repetindo-se nestes crimes chamados de “serial killer”, mortes em série