sábado, 7 de novembro de 2026

REVELAÇÕES - O QUE ESPERAR PARA OS PRÓXIMOS DIAS

 





Temas para meditação sobre as bênçãos e as maldições que estão prestes a descer sobre os homens.

1. O que é Revelação 

De modo geral, revelação é a descoberta de fatos futuros ou de algo que se desconhece no presente. A Doutrina Católica nos ensina que estão embutidos nas revelações outros aspectos diferentes da simples descoberta do que vai ocorrer no futuro ou do que se desconhece no presente. 

A Revelação, por excelência, que envolve todas as demais e faz parte da principal crença de nossa Fé, foi aquela que nos foi transmitida pelo próprio Cristo e escrita no Evangelho, pois é a principal revelação divina sobre a salvação dos homens. Faz parte dessa Revelação também todo o conteúdo das Sagradas Escrituras contido no Antigo Testamento. 

No entanto, há outras revelações feitas separadamente, mas que faz parte da principal, se forem decorrentes dela. As revelações divinas são feitas aos homens sempre através de nossos sentidos: visões, sonhos, aparições de anjos, etc. Santa Teresa de Jesus, porém, diz em sua obra “Castelos Interiores” que Deus prefere usar outro recurso em suas revelações aos homens, que ela considera mais perfeito, que é o que se denomina de “verbo interior”. O homem precisa saber que tem Deus dentro de si mesmo, comunicando-se com ele através de tais vozes: conversamos conosco mesmos e muitas vezes, interiormente, nos são reveladas certas verdades, mas não damos conta de que aquela revelação partiu do próprio Deus em nosso interior. Foi assim que São Pedro recebeu a revelação de que Jesus Cristo era o Messias, tendo Cristo dito que não foi o sangue nem nada humano que o revelou (os nossos sentidos ou alguém), mas o próprio Pai, que é quem conversa conosco com as vozes interiores. 

Como é que sabemos que tais vozes interiores são realmente revelações divinas e não meras cogitações vazias de nossos pensamentos? Santa Teresa diz que por um princípio: pelos seus frutos o sabereis. Isto é, se aquelas vozes produzem bons frutos, são divinas; mas, pelo contrário, se não produzirem bons frutos é porque, realmente, não são divinas, mas apenas fruto de nossas cogitações vazias como disse acima. Assim, se tais vozes interiores forem coerentes com as verdades descritas na principal Revelação, ou conforme a doutrina e realidades da Igreja de Cristo, pode-se dizer que elas são divinas, mesmo sem possuirmos nenhuma autoridade para falar em nome de Deus. No entanto, o importante é que nem sempre temos autoridade para divulgar tais revelações às demais pessoas a não ser que a Providêndia Divina o inspire através também de alguma autoridade pública ou celeste. Os pastorinhos das aparições de Fátima não teriam nenhuma autoridade para divulgar suas mensagens se não fossem os milagres públicos e outras mensagens celestes. 

Um outro exemplo: a obra Revolução e Contra-Revolução, do Dr. Plínio Corrêa de Oliveira, pode-se dizer que foi toda ela fruto de revelações interiores através destas vozes que ele como que ouvia em seus pensamentos. Foram assim reveladas aos homens toda a trama do corpo místico do demônio para destruir a Igreja, expostas naquela obra com precisão incrível. A autoridade para divulgar tais revelações Dr. Plínio foi adquirindo ao longo dos anos, através de uma série de graças divinas ao lhe trazer a adesão de muitos seguidores e a aprovação de autoridades eclesiásticas.os 

As revelações feitas através de aparições de Nossa Senhora nos últimos tempos foram feitas de forma extraordinária, usando a própria figura da Mãe de Deus. Isso porque era preciso que tais revelações aparecessem ao público debaixo de uma autoridade, e se Nossa Senhora simplesmente o revelasse no interior das pessoas, estas não teriam autoridade para divulgá-las ao público. 

Um exemplo disso tivemos na aparição do Anjo Gabriel para anunciar a geração do Messias à Nossa Senhora. Bastava que Deus inspirasse no interior de Nossa Senhora alguns santos pensamentos para que Ela tivesse conhecimento daquele fato, daquela verdade, mas, para que houvesse um sentido maior da autoridade divina era preciso que o Anjo aparecesse a Ela como mensageiro de Deus. Paira a respeito disso uma dúvida: será que Ela testemunhou sozinha a presença e a mensagem do Anjo? Será que tal fato não foi presenciado por mais alguém? Provavelmente, nessa ocasião, Nossa Senhora ainda estava no Templo; portanto, havia pessoas ao lado dela. Era preciso que o Anjo fosse oficialmente o portador daquela mensagem, e, certamente, que além d’Ela outras pessoas ouvissem, ou até vissem, o mensageiro a fim da mensagem ser tambem conhecida pelo público.  

Há, pois, revelações que são feitas através dos sentidos, de sonhos, etc, de aparições de santos e Nossa Senhora ou dos Anjos, mas, há também revelações que Deus faz no interior de cada pessoa, estas com menos poder de autoridade, mas possíveis de serem tidas como certas e verídicas por causa de seus fins. 

Nesse sentido, pode-se perfeitamente acreditar que as conclusões a seguir foram produtos de revelações, feitas através do “verbo interior”, ou então “vozes interiores”. Ninguém está obrigado a crê-las como verídicas e possíveis, pois não foram feitas com a autoridade necessária para isso. Elas apenas podem auxiliar as pessoas que estejam perplexas com a demora das intervenções divinas e não conhecem ainda as suas causas. Se estas foram aqui bem explicitadas, servirão para que possamos rezar mais ainda para a grande vitória do Corpo Místico de Cristo na “bagarre” e constatar ao vivo a conclusão da famosa frase de Nossa Senhora em Fátima: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará!”. Isso poderemos obter da Providência divina, tanto seguindo os conselhos de rezar e se oferecer como vítimas expiatórias dos pecados que deram motivo aos castigos que estão vindo, como também vítimas expiatórias exorcísticas a fim de que sejam expulsos para o inferno todos os demônios que infestam a terra nos dias de hoje. 

2. O que pensar do impasse da “bagarre” (castigos divinos)

Os acontecimentos que podem culminar com o fim da “bagarre” deveriam estaremos  já em andamento, pois a Revolução atingiu seu ponto mais alto para a implantação do corpo místico do demônio, carecendo por causa disso de uma intervenção divina conforme já prevista em várias profecias. Assistimos hoje uma segunda Paixão de Cristo, vivida pelo seu Corpo Místico que é assassinado brutalmente. É certo que o corpo místico do demônio existe e atua, mas sem estar completamente formado, pois falta-lhe a cabeça. O corpo místico do demônio não conseguiu formar sua cabeça porque, nesse caso, há uma intervenção divina, já que tal “cabeça” deveria ser um ser humano, um líder, tipo Anti-Cristo, hoje inexistente talvez por causa da falta do “lumen rationis”. É notório que não há lideranças orgânicas hoje, formadas por líderes carismáticos capazes de conduzir a humanidade. Essa carência de líderes ocorre por causa da falta do “lumen rationis”, castigo divino devido aos pecados de Revolução. É provável que nos lances mais trágicos e urgentes da “bagarre” o demônio tenha que agir pessoalmente ou possuindo falsos líderes, haja vista tal carência deles que lhes sejam fieis e pertençam a seu corpo místico. Mas, isso só ocorrerá em concomitância com as intervenções divinas: os embates finais serão entre anjos e demônios. A principal diferença é que os demônios não terão já formado completamente um corpo místico para atuar, enquanto que o Corpo Místico de Cristo já está formado desde a morte e ressureição de Jesus Cristo, a Cabeça desse bendito Corpo, onde os Santos Anjos atuarão vitoriosamente. 

3. O que falta para as intervenções divinas? 

As intervenções divinas, com a atuação direta dos Santos Anjos, só ocorrem quando já são inúteis todos os recursos humanos. O embate é entre o Corpo Místico de Cristo e o do demônio, tendo os homens deste mundo, pertencentes a tais corpos, como protagonistas principais, mas sempre liderados por líderes de um e de outro corpo místico. Ora, o principal líder (aqui como suprema autoridade) do Corpo Místico de Cristo é o Papa, o legítimo representante de Cristo nesta Terra, sendo que através dele é que poderá haver a atuação divina. Além do Papa, Deus suscita santos homens para dirigir tal guerra. Mas, cada um na sua função, sendo que a do Papa é a mais alta de todas e a que pode mais infringir lances grandiosas para a causa divina. Nos princípios de regência do Universo o Papa ocupa lugar especial, a ponto de Nosso Senhor Jesus Cristo ter dito que tudo o que ele ligar aqui na terra será ligado no Céu, e tudo o que ele desligar também será lá desligado. 

Algumas profecias privadas⁸o falam de três principais personagens que atuarão em nosso tempo: um Monarca, um General e um Papa. Monarca, no sentido de quem rege as leis do Universo, e não como rei terreno. General como comandante da Igreja Militante, um grande santo que vai reger os católicos. E, finalmente, um Papa que vai provocar as intervenções divinas finais: seria por uma espécie de exorcismo universal, ou algum documento com finalidade semelhante. 

Nota-se que a Revolução está usando a figura do Papa para atingir seus fins nestes últimos tempos. Antes do Vaticano II a figura do Papa não era tão propagada pela mídia, sendo depois promovida ao extremo, especialmente após Paulo VI. Nunca a figura de um Papa foi tão evidenciada, destacando-se João Paulo II, o qual, com suas viagens, atraiu milhões de simpatias, chegando até a exercer papel preponderante na queda do muro de Berlim, após conseguir derrubar o comunismo no país dele, a Polônia. O que esperava a Revolução com isso? Era promover um líder autêntico às culminâncias da simpatia popular e, ao mesmo tempo, fazer com que ele cedesse em importantes aspectos doutrinários, a ponto de permitir o crescimento da falsa igreja, a chamada igreja naturalista, e com características universais, para assim abarcar todas as religiões numa só. 

Nenhum deles conseguiu atingir tal objetivo, haja vista que as populações, de modo geral, não concordavam com essa abordagem, mesmo sem ter a Igreja pregado toda a sua doutrina como devia. O Vaticano II foi um conclave onde se discutiu muito entre duas correntes e se tomou muitas decisões de cúpula, mas nada de popular transpirou aos crentes, a não ser as mudanças de ritos na missa e algumas fórmulas superficiais, como certas orações. No resto, toda a principal doutrina do liturgicismo e da igreja naturalista ficou apenas numa elite intelectual. E para diminuir o papel doutrinário daquele conclave, eles mesmos declararam que seu caráter era apenas “pastoral” e nada de dogmático ou doutrinário. Para o grande público tudo ali aprovado ficou como se fosse apenas o resultado de discursos e polêmicas sem grande aplicação na vida real. O que se fazer então? Precisaram partir para a ordem prática, e de uma maneira mais simples a ser facilmente entendida pelo grande público. Vejamos como isso poderia ser feito. 

Há uma tática da Revolução que consiste no seguinte: quando ela quer destruir uma instituição, coloca na direção dela uma pessoa coerente com a mesma, inteiramente fiel, para, eliminando a mesma comece pela figura de quem está a dirigindo. Talvez seja essa a tática do momento. Não deu certo colocar um Papa progressista, e resolveram então colocar um que se diz conservador. 

Qual seria o objetivo final? Seria provocar um grande cisma: não somente de religiosos, cardeais, bispos e padres, mas de todos os católicos, hoje muito frios e “heresias brancas”. Tentaram fazer tal cisma açulando a direita católica, os chamados conservadores sedevacantistas, mas, não deu resultado, e, de outro lado, arrastam poucos seguidores. Como se daria um cisma que tenha como causa um Papa ortodoxo e conservador e, ao mesmo tempo, levasse multidões consigo? 

Seria colocar algum que seja tido como direitista, de uma direita nova, mas cujas principais atitudes de “direita” sejam superficiais, como a missa em latim. Na realidade, por detrás de tudo, ele faria o papel da Revolução. Seria um passo atrás para dar muitos passos à frente. Tomando atitudes radicais, embora certas, mas, com muito rigor, causaria uma debandada geral, saindo da Igreja não somente os elementos da TL, mas o grande público inteiramente “heresia branca” e sem base doutrinária ortodoxa sólida. Muitos poderiam sair da Igreja chocados com as decisões. Por exemplo, se forem declarados heréticos e forem excomungados todos os que estão atualmente destruindo a Igreja, sendo os mesmos amaldiçoados em seguida. O que causaria impacto negativo na opinião pública seriam as maldições, afastando da Igreja grande parte do público católico, abandonando o próprio Papa, o qual poderia até ser morto, não por infiéis muçulmanos, mas por “católicos” revoltados. 

O verdadeiro católico se verá completamente isolado, sendo perseguido até pelos irmãos na Fé. É por isso que Nossa Senhora disse em Fátima: “Os bons terão muito que sofrer...”. E, nesse caso, sofrer muito significa ser mártir. 

Também o Papa terá muito que sofrer. Quer dizer, nesse tempo para que seja boa a pessoa terá que sofrer. E o Papa, se desejar ser fiel ao seu cargo, deverá também sofrer e ser mártir. Imaginemos como estará o mundo católico, com igrejas vazias, sem sacerdotes, algumas até com uns gatos pingados rezando dentro orações dos progressistas, enquanto os padres gozam de boa vida em suas casas sem se incomodar com as almas. É o que se pode esperar da situação de hoje, quando a maioria deles prega sem fé e não pensa nas almas, mas em sua vidinha cômoda. Só não saem da Igreja hoje porque ainda não há esse clima geral de debandada: hoje o que pregam é ficar dentro da Igreja para mais facilmente propagar a igreja naturalista. Com o cisma geral, vai ser a prática dessa igreja em uso por eles ao deixar que os fiéis sigam o que bem lhe aprouver. 

E onde entrariam nesse caso as intervenções divinas? É que, o ideal seria que, a par das maldições, fossem também dadas as bênçãos, descendo essas sobre os católicos inteiramente fiéis à Igreja. Estes, para permanecerem leais deveriam professar publicamente sua adesão à Fé Católica, sendo por isso perseguidos até mesmo por seus correligionários. Seria nesse momento que ocorreriam as maiores intervenções divinas. Nossa Senhora ordenaria a seus Anjos para dar proteção especial, até milagrosa, a todos os seus filhos e escravos que tivessem feito e venham cumprindo a Sagrada Escravidão pregada por São Luís Grignion de Montfort. 

Como tais maldições serão feitas por autoridade divina atingirão toda a humanidade, mas seus efeitos sobre os justos serão atenuados pelas bênçãos que cairão sobre estes, gerando intervenções especiais dos Santos Anjos. 

Milagres estupendos ocorrerão, até mesmo ressurreições. Quanto aos maus, aos ímpios, cairão no desespero e loucura por causa das maldições. 

A maldição não significa apenas o desejo de que tudo de ruim ocorra, mas a consumação desse desejo, nesse caso só com o consentimento divino. Pode haver a ocorrência de tais males mesmo sem que alguém o tenha desejado, isso decorrente da própria vida pecaminosa e ofensiva a Deus. Por exemplo, quando pecamos atraímos as maldições divinas sobre nós, embora Deus, por Si ou por intermédio de um intercessor, não as tenha desejado naquele momento. Quer dizer, podem ocorrer maldições mesmo sem que ninguém as manifeste ou deseje. Os anjos maus e os precitos foram amaldiçoados eternamente porque se revoltaram contra Deus e as maldições os acompanham desde o momento em que pecaram, embora só tenham atingido o cume no inferno. 

E o que é a bênção? A concessão de bens especiais acima daqueles com os quais nascemos. A bênção divina nos faz participantes de todos bens possuídos pela Santíssima Trindade, em grau proporcional ao nosso ser, sendo que a posse total disso tudo se dará no Paraíso Celeste. Quando rezamos ou nos recomendamos à proteção divina atraímos todos os bens celestes sobre nós. Os bem-aventurados são aqueles que receberam as bênçãos divinas eternas. 

Neste mundo, tanto as maldições são de males perecíveis, quanto as bênçãos são também de bens perecíveis, mas transformadas em eternos com a condenação ao inferno ou a participação na graça divina. Pode-se dizer também que há maldições e bênçãos neste mundo de caráter eterno quando caem sobre nossas almas. 

Há também maldições divinas sobre toda a humanidade, como ocorreu na ocasião em que Deus resolveu mandar o dilúvio universal. E o que vai ocorrer no fim do mundo, conforme relata São João no livro do Apocalipse. Naquele tempo Deus vai decretar o fim do nosso mundo, deste universo, como fruto de uma maldição provocada por causa da ação do anti-Cristo e adesão dos homens a ele. A pergunta é esta: como é que Deus destrói sua própria obra, o universo que Ele mesmo criou? Se tudo que Deus faz é perfeito, como é que, de repente, seu universo se torna tão imperfeito que Ele mesmo o destrói? Ocorre que este mundo material não foi feito de uma perfeição acabada, mas a caminho dela através do próprio homem, pois tanto os anjos quanto os homens são chamados a participar da regência do Universo como intercessores de Deus. Como nosso universo material chegou ao ponto de se desviar completamente de sua finalidade por causa de má regência dos homens e demônios, será amaldiçoado e Deus então terá que destruí-lo, criando depois um outro universo todo perfeito, não mais em formação, mas completamente formado pelo seu poder onipotente, que será a chamada Jerusalém Celeste. 

É evidente que, no fim do mundo, cairão também bênçãos sobre os homens, e para isto, com tal finalidade, é que estarão lá lutando contra o anti-Cristo e o corpo místico do demônio, dois grandes profetas, Elias e Enoque, a fim de que os seus seguidores mantenham vivo o Corpo Místico de Cristo e formem, com o poder divina, a Jerusalém Celeste. 

O ideal do verdadeiro católico é ser um outro Cristo, inclusive em seu aspecto gladífero 

No período atual em que vivemos, algo se assemelha ao do fim do mundo, mas não de uma forma completa, pois não chegou ainda o tempo do Anti-Cristo, sendo, no entanto, uma pré-figura do que ocorrerá naquele tempo. 

Vejamos a voz profética de Dr. Plínio comentando sobre o papel do católico no século em que vivemos: 

“Nós vivemos no tempo da guerra psicológica revolucionária. Estamos em uma guerra que não é de armas – a guerra de armas poderá sobrevir de um momento para outro -, mas é a guerra de inteligência contra inteligência. É um choque de mentalidades, de habilidades, de argumentos, de organizações, onde o erro procura conquistar alma por alma e os bons católicos procuram defender alma por alma e conquistar alma por alma. Há, portanto, duas forças: a força do bem e a força do mal. Nós devemos ser, no momento atual, os cruzados dessa luta de mentalidades. Devemos ter a mentalidade oposta à do mundo. 

Como é a mentalidade oposta? É uma mentalidade que quer o ideal mais do que qualquer coisa. Que está disposta a qualquer sacrifício, contanto que possa conhecer, amar, servir e lutar por seu ideal; está disposta a levar a vida mais dura, contanto que veja o ideal vitorioso. E esse ideal não é abstrato, que se perde nas nuvens; ele tem um nome: é Nosso Senhor Jesus Cristo! 

Ser como Cristo é seguir seus exemplos, fazer o que Ele fez. Esse é o ideal: ter uma civilização cristã, uma Igreja autenticamente católica! 

Mas... Cristo teve muitos aspectos. Em sua vida nós O vimos perdoando, nós O vimos chorando próximo à sepultura de Lázaro, nós o vimos suando Sangue no Horto das Oliveiras, nós O vimos morrendo, clamando em alta voz: “Eli, Eli, lamá sabachtháni? – Meu Deus, meu Deus, por que Me abandonastes?” (Mt 27, 46). 

Nós O vimos em todas as situações. Em todos os episódios da História da Igreja, o católico tem que ser como Ele. Nós O vimos, também, pegando um açoite e expulsando os comerciantes do Templo; nós O vimos dizendo palavras duras aos fariseus. 

Em nossa época temos que imitar Nosso Senhor Jesus Cristo, especialmente quando tinha o açoite nas mãos. Temos de imitá-Lo, sobretudo, quando Ele dizia as mais duras verdades aos fariseus. E para dizer qual é o perfil moral do homem católico do século XX, devemos pensar em Nosso Senhor Jesus Cristo não tanto como está na narração de sua vida no Evangelho, mas como previu São João no Apocalipse. 

Ele prevê um momento de castigo e de maldição na terra. Ele prevê a destruição, o fim do mundo. Ele vê a segunda vinda de Cristo, que ele chama de Cristo Gladífero: um cavaleiro magnífico montado sobre um cavalo branco e que vem armando de tal maneira que em sua boca Ele traz uma espada (Ap 19 15). Ele vem para lutar! 

Observar que perante o Anti-Cristo Ele o matará com o sopro de sua boca, enquanto as nações será com a espada. Christianus alter Christus – o cristão é um outro Cristo. Tal deve ser nossa semelhança com Nosso Senhor Jesus Cristo, ser um cristão gladífero, o católico gladífero que vem para a luta, para dizer “não” ao comunismo, “não” aos moles, “não” aos sofistas, aos mentirosos, e para lançar-lhes na face todos os seus erros com energia e com lealdade, sem temor, enfrentando qualquer perigo e a morte se necessário for, contanto que Cristo Gladífero vença Essa é a figura do católico. 

Nada nos leva a pensar que estejamos no fim do mundo, mas estamos, sim, diante de uma tragédia que é uma prefigura dele. Agora o Cristo Gladífero não virá pessoalmente, mas Ele espera de nós que sejamos todos juntos um “Cristo Gladífero” a abrir as paredes, a destruir as dificuldades com o gládio da língua e fazer vencer a boa causa”. (Extraído de conferência de 5/11/1980) (*)

4. Como os justos poderão superar tudo e obter vitória final 

Antes de tudo, manter o espírito de oração. Nunca deixar de rezar. Neste clima de oração se oferecer como vítima expiatória. E tal oferecimento é mais perfeito se tiver também a finalidade exorcística, pois os tipos de demônios que infestam a sociedade com as pragas da Revolução só serão expulsos deste mundo mediante uma infinidade de vítimas expiatórias com caráter exorcístico. 

Teremos assim um exorcismo universal, feito pelo Corpo Místico de Cristo atuando militantemente contra o corpo místico do demônio. Quando caem castigos sobre a humanidade, todos sofrem, maus e bons. Os maus sofrem porque foram objetos principais daqueles castigos; quanto aos justos, sofrem como vítimas expiatórias a fim de pagar tais pecados com seus sofrimentos: pagam por si e pelos outros. No entanto, o sofrimento dos justos é compensado com as graças divinas, e com isso se santificam e podem salvar os outros que pecaram e tiveram culpa pelas calamidades. São, dessa forma, protegidos por bênçãos que tornam sem efeito as maldições. 

Vejam o exemplo do Patriarca Jó. Enquanto ele rezava, seus filhos se banqueteavam. No início da perseguição do demônio contra Jó, a casa caiu em cima deles enquanto se banqueteavam e matou-os a todos. Jó estava em outro lugar, rezando a Deus e foi poupado. Só não foi poupado de outros males, como a destruição de tudo o que possuía e a praga da lepra. Estes males ele os aceitou como expiação dos pecados dos homens, e por isso sofreu menos, sendo premiado no final da vida quando Deus lhe abençoou, dando em dobro tudo o que possuía antes. Jó é exemplo para os justos, especialmente por ter sofrido como expiação exorcística, pois os demônios foram expulsos após seus padecimentos e houve a intervenção divina. 

Uma outra atitude muito salutar dos justos é manter sadia convivência entre si a fim de alimentar a perseverança na Fé e na prática das virtudes cristãs. 

Foi com a intenção dessa convivência que Dr. Plínio Corrêa de Oliveira sempre rezava pelo “êxodo”, cuja palavra pode ter o sentido não somente de fuga, mas de refúgio em lugar seguro. Provavelmente vai ocorrer situações difíceis em que os católicos sentirão mais segurança num “êxodo”, local reservado só para eles, separado do resto da sociedade, onde mais facilmente se protegerão contra as investidas do inimigo, onde rezarão em comum para pedir auxílio divino, etc. 

Alguns terão luzes interiores para guiar os demais, pois, nesse caso, Deus nos dará o “lumen rationis” de volta, a fim de que também surjam entre nós pessoas carismáticas. Surgirão entre nós verdadeiros líderes, inspirados por Nossa Senhora, enquanto que entre os ímpios a liderança será feita pelo próprio demônio, por si ou por possessos, facilmente derrotados pelos Anjos. Vejam o exemplo ocorrido entre o povo eleito, quando Deus inspirou a alguns homens os dons artísticos para construir as obras do Tabernáculo (Ex 31), devendo fazer o mesmo, e até mais, nos momentos cruciais da “bagarre”. 

Uma suposta atitude a ser tomada pelos detentores da Cúria poderia ser, perante uma crise financeira global, entregar as instituições do Vaticano falidas a pessoas conservadoras e ortodoxas. E assim poderemos assumir o poder do Papado, entregue falido por seguidores da igreja naturalista, mas a ser soerguido pelo poder sobrenatural do Espírito Santo, cujas bênçãos extinguirão os efeitos de todas as possíveis maldições que possam tentar persistir no novo governo. 

Pode-se dizer, então, que o “grand retour”, tão desejado por Dr. Plínio Corrêa de Oliveira e pelo qual ele sempre rezava diariamente, representa as bênçãos divinas que cairão sobre os justos; enquanto que a “bagarre”, por constituir-se nos castigos, serão as maldições divinas que cairão sobre os maus que promovem a Revolução nesta terra. 

Fica difícil fazer prognósticos num mundo tão caótico em que a Revolução deixou o atual. Basta-nos meditar sobre o que diz as Sagradas Escrituras: "Qual é o homem que pode conhecer os desígnios de Deus? Ou quem pode imaginar o desígnio do Senhor? Na verdade, os pensamentos dos mortais são tímidos e nossas reflexões incertas: porque o corpo corruptível torna pesada a alma e esta tenda de argila oprime a mente que pensa. Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos: quem, portanto, investigará o que há nos céus? Acaso alguém teria conhecido o Vosso desígnio sem que lhe desses Sabedoria e do alto lhe enviasses vosso Santo Espírito? Só assim se tornaram retos os caminhos dos que estão na Terra, e os homens aprenderam o que Vos agrada, e pela Sabedoria foram salvos" (Sab 9, 13-18). O Pentecostes pode ser repetido? Evidente que para a atuação do Corpo Místico de Cristo ser eficaz só foi necessária uma manifestação extraordinária do Espírito Santo, no dia de Pentecostes. A partir daquele momento os carismas e dons do Santíssimo Espírito foram transmitidos aos homens através da Igreja e seus sacramentos. 

No entanto, pode haver uma situação em que o próprio Corpo Místico de Cristo encontre-se numa situação calamitosa, diríamos quase de “morte” por causa do enorme poder da Revolução, e seja necessária uma nova intervenção extraordinária. 

Vejamos o que disse certa o Dr. Plínio Corrêa de Oliveira sobre o tema: 

“...Se houvesse hoje um milagre semelhante ao de Pentecostes, o que aconteceria?

Um dado fundamental distingue nossa época daquela. No tempo de Jesus Cristo existia o mal, como o prova a Paixão e Morte de Nosso Senhor tramada pelos seus adversários, que tinham sido reprovados pelo Redentor com veemência em suas pregações. Havia o mal, não porém a Revolução. Esta é uma forma organizada, articulada, estruturada do mal, como se fosse um país invisível. Existe por toda a parte, trama contra o bem e procura atacar tudo quanto o represente.

Se em nossos dias sobreviesse fenômeno parecido com o de Pentecostes, teríamos de imaginar – com quanta alegria! – os anjos esmagando a Revolução pelo mundo afora. Seria, então, o nosso Grand-Retour, uma conversão completa, um total repúdio a todo o mal que havíamos feito, e um amor inteiro às virtudes e a todo o bem que éramos chamados a praticar e a realizar. Em suma, um voo à santidade, que abarca o perfeito amor a Deus e ao próximo, com o deliberado propósito de extinguir a Revolução sobre a face da Terra.

Temos assim uma proveitosa reflexão para a Festa do Pentecostes.”

 

(*) Extraido da Revista “Dr. Plínio” n. 334, janeiro de 2026, pág. 31 



Nenhum comentário: