segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

O “SENSUS FIDELIUM”

 



Todo ser humano é dotado naturalmente daquilo que se chama “senso comum”, isto é, o ato de saber o verdadeiro sentido das coisas. Tem também o “dom do discernimento”, pelo qual entende e analisa as coisas mais profundas, às vezes não perceptíveis pelo “senso comum”. Além disso, por causa da nossa Fé temos também o “sensus fidelium”, mais profundo, até, do que o “dom do discernimento”. assim definido pela Igreja: “

“O “SENSUS FIDELIUM” – Sentido dos fiéis – está relacionado com “uma espécie de instinto espiritual”, dado aos batizados, “que permite ao fiel julgar espontaneamente se um ensinamento particular ou determinada prática está ou não em conformidade com o Evangelho e com a Fé apostólica. Ele está intrinsecamente ligado à própria virtude da fé, decorre da fé e é uma propriedade dela. É comparado a um instinto porque não é o resultado de uma deliberação racional, mas uma forma de conhecimento espontâneo e natural, um tipo de percepção” [1]

No documento da “Comissão Teológica Internacional” (CTI) denominada “O Sensus Fidei na Vida da Igreja”, o termo é utilizado tanto no singular “Sensus fidei”, quanto no plural, “Sensus fidelium”, mas tem o mesmo significado, querendo dizer “sentido do fiel” ou “sentido dos fiéis”: “Como resultado, os fiéis têm um instinto para a verdade do Evangelho, o que lhes permite reconhecer quais são a doutrina e prática cristãs autênticas e a elas aderir. Esse instinto sobrenatural, que tem uma ligação intrínseca com o dom da fé recebido na comunhão da Igreja, é chamado de “sensus fidei”, e permite aos cristãos cumprir a sua vocação profética”.

Na explicitação do segundo significado, dando ao Corpo Místico da Igreja a ideia de que possui um “sentido”, a definição é necessária, haja vista que instinto é algo próprio a cada pessoa e não à coletividade em geral. Nesse sentido, o documento fala de “realidades”, isto é, de algo constatado que precisa ser definido. Quando fala do instinto individual ele se refere ao mesmo como “aptidão pessoal que tem um crente, no seio da comunhão da Igreja, para discernir a verdade da fé”. Essa aptidão é a mesma que o discernimento dos espíritos, mas vista com mais profundidade por se referir à fé e ser comparada a um instinto. Quanto ao “instinto” coletivo, próprio ao Corpo Místico de Cristo, o documento chama de “sensus fidei fidelium”: “Neste presente documento, usamos o termo sensus fidei fidelis para se referir à capacidade pessoal do crente de fazer um discernimento justo em matéria de fé, e o de sensus fidei fidelium para se referir ao instinto de fé da própria Igreja. Dependendo do contexto, sensus fidei irá referir-se a um ou a outro sentido, e, para o segundo significado, será utilizado também o termo de sensus fidelium”

Há doutrinas pregadas pela Hierarquia que para serem cridas pelos fieis necessita que o “sensus fidelium” os instrua interiormente sobre o juízo a fazer sobre elas, aceitando-as ou não. O que houve com os hereges do passado, como Lutero, é que o público que os seguiu era exatamente aquele que não aceitou a doutrina da Hierarquia, principalmente vinda do Papa. Com o passar dos anos, como este público nunca teve a assistência do Espírito Santo foi aos poucos deixando de crer naquelas doutrinas, a ponto de abandonar a falsa igreja então criada. Hoje é o que se observa entre os chamados “evangélicos”, especialmente os Anglicanos, os quais, ao longo dos anos, vão deixando gradativamente suas crenças. Ou se tornam ateus ou, atendendo ao seu “sensus fidelium”, se convertem para a Igreja Católica.

O chamado “pentecostalismo” foi uma dessas heresias, pela qual o Divino Espírito Santo continua agindo da mesma forma que atuou no dia de Pentecostes, isto é, descendo daquele mesmo modo sobre as pessoas que creem nessa doutrina. A Igreja ensina o contrário: o Divino Espírito Santo desceu daquela forma apenas uma vez, pois a partir daquele momento começou a atuar diretamente nos membros do Corpo de Cristo de uma forma natural, de uma forma mais interior e mística, através dos Sacramentos e outros dons divinos criados na sua Igreja. Isto não quer dizer que, numa situação crítica do Corpo Místico de Cristo, Ele não volte a agir novamente daquela forma, mas não de uma forma sistemática e sempre, mas uma única vez mais, apenas a fim de corrigir desvios doutrinários momentâneos, etc.

Essa doutrina do “pentecostalismo”, hoje, assemelha-se um tanto com o panteísmo, pois ensina que há imanência divina com aqueles que creem em Deus, fazendo com que sua divindade desça constantemente sobre as pessoas e, como que, se encarne nelas. Ora, como já dissemos, o Divino Espírito Santo só desceu uma vez da forma extraordinária como o fez no Pentecostes. A partir daquele momento, o normal é que Ele atue nas pessoas através da Hierarquia, do clero, dos Sacramentos, enfim, através do Corpo Místico de Cristo, como o fez com São Paulo, São Lucas e tantos outros que não estavam presentes no dia do Pentecostes, mas foram do mesmo modo possuídos do Espírito Santo.

No entanto, verifica-se que ensinaram aos católicos, especialmente depois do Vaticano II, que o “pentecostalismo”  continua acontecendo entre nós. Tentaram fazer crer aos fieis que os progressistas, reformadores da Igreja, eram possuídos do Espírito Santo, mas, a massa da população nunca acreditou nessa versão, fazendo com que atue em seu interior o “sensus fidelium”, dando crença apenas às doutrinas provenientes da autoridade competente e afim com os princípios tradicionais da Igreja.

A partir do último pontificado surgiu a ideia da “sinodalidade”, querendo dar a impressão de que os bispos, somente eles, são possuídos do Espírito Santo e, portanto, também do “sensus fidei”. Assim, deve-se acreditar piamente em tudo o que eles ensinam, porque de boa procedência, sem que o mesmo “sensus” seja ouvido dentre os fieis comuns. Isso não quer dizer que esta ideia tenha predominado, mas apenas que ela está presente entre eles. Nem é verdadeira essa ideia, nem a contrária que afirma que somente o povo fiel está possuído do “sensus fidei”, pois está definido acima que esse sentido, esse dom é dado à toda Igreja em seu conjunto, simples fieis e pastores, sacerdotes e bispos. Muitas vezes as pessoas confundem isso com a opinião pública, mas não se trata de ver o que acredita a maioria, ou a opinião dominante. Opinião pública é o consenso de uma sociedade sobre determinada matéria, mas não existe apenas uma opinião dominante e majoritária, existem várias correntes de opinião. Do mesmo modo, nem sempre a opinião dominante é a certa. No início do cristianismo a opinião dominante era a da idolatria, mas estava errada, e somente séculos depois esse erro coletivo foi corrigido.

Sejam majoritárias ou não na Igreja, as doutrinas que devem ser acreditadas pelos fieis serão aquelas que o “sensus fidelium” de todos, inclusive da Hierarquia, aponte como provindas do  Espírito Santo sem sombra de dúvidas. E para que isso ocorra, o próprio Divino Espírito Santo inspira aos cristãos a forma de analisar e definir tais doutrinas.



[1] COMISSÃO TEOLÓGICA INTERNACIONAL, El “sensus fidelium” en la vida de la Iglesia, n. 49, Madrid, BAC, p. 49-50.


domingo, 11 de janeiro de 2026

O BRASIL TEM JEITO?


Essa questão sempre vem à tona: o Brasil tem jeito? Ou vai ficar tudo como está?

Fora o famoso "jeitinho brasileiro", qual a solução para nossos problemas? 

 Estamos presenciando hoje em algumas partes do mundo (como no Irã), algo parecido com  "Primavera árabe", movimento que eclodiu fruto das chamadas "redes sociais", na época em que se falava muito também nos "inconformados" (na Europa) e no "Ocupem Wall Street" (nos Estados Unidos), parecendo fazer parte de uma onda mundial para dar novos rumos á revolução pela anarquia. Até o símbolo deles, uma caveira chamada "Anonymus", nada diz de útil. Sim, porque tais movimentos derrubam governos, combatem algumas  injustiças, etc., mas nada apresentam de positivo, nada constroem, simplesmente deixam tudo na pior. Na Tunísia, por exemplo, já houve 9 golpes de estado após a "Primavera árabe"  conseguir derrubar o ditador de plantão que havia lá. Na Turquia tiraram uma ditadura e veio outra. No Egito, nem se fala. Quase ninguém lembra mais do movimento das redes sociais  que houve nesse país para derrubar o ditador, que caiu, mas logo outro assumiu outra ditadura. Ninguém lembra que aqueles povos árabes, de costumes ainda tribais, não entendem o que é democracia, só sabem conviver com ditadura mesmo. 

Ora, gente, vamos transplantar isso pro Brasil. Movimento de redes sociais vai conseguir o quê? Ninguém se iluda, o que vai ficar depois da queda de um governo é apenas o caos. Não nos iludamos com militares ou com políticos metidos a conservador. Pode até ser que alguns deles tenham boas intenções, mas nada conseguirão neste Brasil podre e corrupto até a medula. Não são apenas as nossas elites dirigentes que são desonestas, o cancro da desonestidade está espalhada pela nação como uma AIDS em todo o sangue do corpo social. O  respeito ao direito de propriedade, por exemplo, não existe mais em nosso povo. Um exemplo? Não há um lugar no Brasil em que um caminhão quebre, pode ser até no interior, e não seja logo saqueado pela população que se diz honesta. Não são os bandidos que saqueiam, é o povão. Ofereça um cargo público de mamata a qualquer brasileiro para ver se ele não aceita sem pensar? E sonegação de impostos, de INSS e FGTS, quem é que não o faz? Se todos agem assim, criticar os políticos é hipocrisia, porque eles são apenas aquilo que o nosso povo também é.

Mas, e o Brasil tem jeito? Tem, mas só Deus pode dar um jeito em nossa atual situação. Confiemos n'Ele, que é nosso Pai, e um dia tudo se resolverá. isso quer dizer que há necessidade de uma intervenção divina. E ela não tarda. Mas, lembremos disso, tudo tem que começar por nossas elites, pois delas depende muito os destinos de nosso povo. Dizem que o poder vem do povo, mas é exercido pela elite política.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

MORRE O "BLUFF" DAS MULTIDÕES

 


Vivemos um período no passado recente em que os jornais, revistas e TVs do mundo todo dominavam a opinião pública. Chegaram até a dizer que constituíam um “quarto poder”, tal era seu império sobre o povo. Maculavam honras, perseguiam adversários e até derrubavam governos. Com o advento das redes sociais o poder da mídia foi minguando gradativamente, até chegar a uma condição de quase inexpressividade. É claro que ainda têm certo poder, influenciam pequeno público, mas nunca a massa da população, nunca as multidões como antigamente. Hoje só os segue uma certa elite.

Certo público os consulta apenas para “checar” se tal notícia é verdadeira, pois ainda mantêm aquela máscara de seriedade, de confiança e fidelidade nas notícias e comentários diários. A mídia oficial funciona como se fosse o único foro da verdade. Baseados nessa falsa credibilidade, de serem sérios e fieis, fazem com perfeição “as fake new”, pois fica mais fácil para o público acreditar numa falsa notícia, bem feita,  publicada pela mídia oficial do que nas redes sociais, verdadeira “terra de ninguém”...

Quando a URSS estava a pleno vapor na Rússia, o jornal “Pravda”, de Moscou, publicou uma foto de uma procissão ou peregrinação que os católicos fizeram a Fátima, reunindo aproximadamente 700 mil pessoas. O jornal publicava abaixo da foto a seguinte manchete: “Quando é que vamos reunir multidões como esta?” E o comentário era este: como era fácil aos católicos tradicionais reunir gratuitamente multidões em suas procissões e romarias, enquanto eles, os comunistas, só o faziam oferecendo vantagens ao povo e nunca conseguiam atrair tanta gente.

É claro que com o passar do tempo houve outros tipos de promoções que diziam atrair até multidões maiores, como as do futebol, dos shows musicais e até as passeatas de homossexuais. Algumas com números exagerados e outras próximas da verdade. No entanto, as manifestações populares da esquerda sempre foram de uma minoria, cujos números eram exagerados pela mídia para lhes dar prestígio. Um exemplo aqui na Bahia: quando ACM renunciou ao cargo de senador para não ser cassado, foi recepcionado em Salvador por uma grande multidão; no mesmo dia o seu principal opositor, Jaques Wagner, fez uma manifestação contrária, na qual compareceu poucas centenas de pessoas. Nesse caso a mídia não teve coragem de mentir, mas também não mostrou a monstruosa diferença de público, pois se o fizesse confessaria que os conservadores são a grande maioria da população.

O termo mais moderno hoje é "fake news" para demonstrar a montagem de notícias enganosas. No entanto, prefiro usar o termo "bluff", porque este não é apenas uma mentira mas uma manobra astuciosa para enganar, criar, por exemplo, uma história cheia de engodos. Foi o que a mídia fez durante muitos anos para iludir o público com a ideia de que as multidões seguem as esquerdas. Hoje, os canais de TV e os repórteres dos jornais e revistas não conseguem mais criar tais "bluffs", pois há muita gente nas ruas documentando os fatos com seus celulares.

No último dia 8, houve o chamamento para o público comparecer a uma cerimônia política em Brasília. Lá ocorreu um exemplo do mirrado público da esquerda, quase ninguém compareceu para prestigiar o nosso falso presidente em sua afronta contra os inocentes que estão presos por causa do decantado "golpe" (aqui um "bluff" bem montado, não somente pela mídia, mas por um organizado grupo de esquerda). Mais uma prova eloquente de que a esquerda é uma minoria de elite, cujo público (amorfo, verdadeiros “Maria vai com as outras”) só a segue quando é enganado por engodos. Se estivéssemos nas eras passadas em que o poder de fazer "bluff" da mídia era onipotente, teriam alardeado que uma multidão tinha ido aplaudir o presidente. Hoje, ou se calam ou dizem a verdade, forçosamente, porque se mentirem o público saberá logo.

 

sábado, 3 de janeiro de 2026

O MUNDO AMADURECEU PARA O QUE VEM DEPOIS DA QUEDA DO COMUNISMO?

 


 O presidente americano invadiu a Venezuela e prendeu o ditador Maduro. No entanto, ele tem duas terríveis ditaduras bem próximas de suas barbas, Cuba e Nicarágua, e nem fala nelas. A situação do mundo hoje é, assim, convulsa e difícil de ser compreendida. Isto porque as coisas que ocorrem parecem não ter lógica, o homem moderno perdeu completamente o sentido de direção, de rumo, de saber para onde vai  o que fazer da vida. E isso ocorre também com governos e até nações inteiras.

Vejamos a situação da ideologia que dominou quase que completamente o século passado: o marxismo e sua consequência política mais imediata que é o comunismo, ou, como alguns chamam também o “capitalismo de Estado”, quando todas as riquezas, fontes de produção e de serviços, além de todos os cidadãos, passam a pertencer única e exclusivamente ao Estado. Fez um século que ocorreu um golpe para implantar este regime na Rússia, sendo chamado originalmente de “ditadura do proletariado”. Aos poucos este regime foi invadindo (pela força, astúcia e  rios de dinheiro) os países vizinhos da Rússia, formando um conglomerado de nações cativas sob a alcunha de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Em pouco tempo já se implantava no mundo o maior império de que a História já se ouviu falar, dominando também a China, grande parte de países asiáticos e da África. Durante sete décadas este regime imperou em vastíssima região do globo terrestre, liderado pela Rússia que a mídia passou a denominar como a “segunda potência do mundo”, inferior apenas aos EUA. O logro, porém, caiu por terra e todos sabem hoje que nunca foi potência nenhuma, não tem capacidade nem de vencer a Ucrânia numa guerra que prometiam vencer em poucos meses.  

Nas Américas, houve várias tentativas de se implantar tal regime, sendo uma das mais violentas a do México, a menos de dez anos após o golpe na Rússia.  Mas, tanto lá como em outros países, como Brasil, Argentina e Chile, além de outros da América do Sul assolados por guerrilhas cruéis, tais tentativas foram frustradas graças a sadias reações das populações. Somente em Cuba tal regime se fez implantar nas Américas, perdurando até hoje com mais de  sessenta anos de todo tipo de violências e misérias que lhe são afins.

No entanto, a partir da última década do século passado a ideologia marxista comuno-socialista começou a perder fôlego. Vários países se livraram da opressão comunista, como a Hungria, a Polônia, a Lituânia, no Leste Europeu. A própria Rússia abrandou a ditadura do proletariado e instituiu um regime de meias liberdades, sendo porém dominado por partido único (o PC) até hoje. De outro lado, os partidos comunistas e socialistas mais poderosos do mundo começaram a minguar por falta de contingentes ou carência de audiências. O PC italiano, por exemplo, era o mais rico e poderoso do Ocidente, e hoje vive à míngua. Os partidos socialistas mais poderosos dominavam a política na França, Espanha, Portugal  e Grécia, mas já não se pode dizer o mesmo hoje, embora continue a influenciar na promulgação de leis de cunho nitidamente socialistas. O que queremos destacar, porém, é que mediante o fracasso retumbante da doutrina e dos princípios marxistas implantados em vários países, tudo em torno deles fenece e tende a morrer de inanição.

Como se justifica, então, que após um século da primeira experiência comunista na Rússia haver demonstrado seu mais terrível fracasso através dos anos ainda surjam políticos que queiram implantá-la em seus países, como ocorre na Venezuela e Nicarágua? Como entender que a Venezuela possa trilhar pelo mesmo caminho já tão sobejamente provado da pobreza, da fome e da miséria, que é a consequência do regime marxista, seja comunista ou socialista?

O certo é que, pela experiência, todos os povos sofrem muito com tais regimes opressores e desumanos; no entanto, as elites que os governam, pelo contrário, constroem para si fortunas incalculáveis, tornam-se burgueses e ricaços, convivendo no meio de um povo miserável. Talvez a única explicação para que tais políticos desejem e implantem tais regimes em seus países é a esperteza pela busca da riqueza e poder. Não há outra explicação.

Podemos imaginar outra resposta junto desta acima, que seria uma tática diferente que a Revolução universal quer aplicar no mundo. Não, o rumo mais avançado da Revolução hoje já não é mais o velho e decrépito comunismo. Muito mais avançou ela (a Revolução universal) na Europa com a corrupção moral e dos costumes, com a retumbante licenciosidade e liberdade sexual e da promiscuidade estonteante nos costumes sociais e morais daquela sociedade. Avançou porque corrompeu e deixou toda a Europa sujeita, por exemplo, ao avanço do islamismo sem provocar qualquer comoção ou reação de rechaço. Mole e sensual, nada faz o europeu para enfrentar a tão absurda “invasão” muçulmana, pior do que se fosse dominado por regime comunista. Acomodou-se também com leis facínoras como as do aborto e eutanásia, ou com leis imorais como aprovação de casamentos homossexuais, gozando placidamente uma vida cheia de deleites sem se incomodar com o resto do mundo, se há guerras e injustiças em outros povos. Fora isso, lá não se fala mais em socialismo, comunismo, marxismo ou coisas congêneres. A fim de manter este clima de vida gozosa e fruitiva, sem qualquer perturbação aparente, a visão de uma regime comunista deve ser afastada para longe, pois este só lembra fome e miséria.

Mas, alguma coisa nova surgiu por lá e ganha corpo no resto do mundo. É a Revolução feita pelas tão decantadas “redes sociais”. Ela já se fez presente em alguns países. Operou com sucesso na famosa “primavera árabe”, derrubando governos como o do Egito, e já se fez presente na Europa com o movimento chamado de “Indignados”. Nos Estados Unidos teve um similar, com o título de “Ocupem Wall Street”. Esta Revolução, feita assim de forma mágica através das redes virtuais, nada produziu de positivo até agora. Por que? Porque ela mesma se define como sem meta, sem rumo, sem governo, sem partido, enfim, promove caos e anarquia. Sua bandeira é apenas um rosto fantasmagórico com o nome de “anonymus”, indicando que não tem nome, além de não ter rumo certo.

De onde vem tudo isto? Tudo indica que o manual que orienta tais grupos foi elaborado pelo americano Gene Sharp, que tem o nome de “como fazer uma revolução pacífica” ou coisa que o valha. E mesmo que alguns não sigam o manual diretamente, de uma forma indireta sofrem os efeitos do mesmo por aqueles que o aplicam e divulgam suas normas. Por exemplo, todos estes movimentos se dizem “espontâneos”, como se tivessem surgido naturalmente e não pertençam a grupos organizados; não podem ter partidos políticos ou ostentar bandeira disso ou daquilo, tem que ser anônimo, sem ideologia. E se algum grupo se apresenta desta forma está aplicando a tática ensinada por Gene Sharp, Tais métodos de ação são divulgados profusamente via internet. Ultimamente, não se fala mais nos “anonymus”, tornando o movimento mais anônimo ainda (sem nome) para dar a ideia de espontaneidade. Nem tampouco, na “primavera árabe” ou no “ocupem Wall Street”.

E que ligação tem o problema da Venezuela com isso? É que a Revolução precisa mostrar ao público um alvo para que essa sua nova fase seja detonada. E nada mais visível para ser combatido do que um regime comunista nas Américas, implantado exatamente num país outrora senão rico pelo menos em ascensão e há anos sob domínio de leis e governos socialistas. Assim fica mais fácil unir muita gente em torno das redes sociais e combater o inimigo comum. E nisso pode haver muitas vantagens como derrubar um regime opressivo, ditatorial e difusor de fome e misérias. Mas, há também muitas desvantagens como, por exemplo, deixar a sociedade no caos, sem rumo, porque eles não apresentam solução para o que vem depois. Agora que Maduro caiu, haverá uma organização mais presente nas redes sociais para fazer o mesmo com os que virão depois, sejam comunistas ou não. Quer dizer, precisam criar um movimento revolucionário nas redes sociais que possa provocar mudanças sociais e políticas, e ainda sob o enfoque da espontaneidade para indicar que é o povo que faz tudo, que muda tudo, etc.,

A história de Nossa Senhora de Coromoto, a Padroeira da Venezuela, diz um pouco sobre o que espera a Providência daquele povo. A história conta que a Santíssima Virgem Maria apareceu a um cacique na aldeia de Coromoto, mas o mesmo jogou-lhe uma pedra. Naturalmente, a imagem sumiu sem sofrer os efeitos da pedrada, mas ela ficou para sempre gravada milagrosamente na pedra que o índio jogou, e até hoje pode ser vista indelevelmente. Perante tal milagre, o índio se converte com todo seu povo. Assim, a “pedrada” de hoje pode ser a implantação do comunismo, mas espera-se que a Providência reverta isso de forma milagrosa e produza efeitos contrários completamente alheios e diferentes daqueles que os “anonymus” querem disseminar na Venezuela, fazendo com que aquele povo retome o rumo de uma verdadeira civilização cristã. 

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O MUNDO VIRTUAL, UM MEIO DE FORMAR AUTÔMATOS

 


Geralmente, o indivíduo possuído pela influência do mundo virtual tende a acomodação e a não levar para a vida real tudo o que ele vive naquele outro mundo hipotético. Isso por causa de um fator: é a falta de disponibilidade para a ação. Temos vários exemplos disso: como, por exemplo, a convocação de milhares de pessoas para fazer um protesto contra um político, feita via Facebook, para a qual só compareceram algumas dezenas. Até mesmo entre os líderes destes movimentos das chamadas “redes sociais” têm se mostrado atacados por essa indisponibilidade para atuar na vida real. É que eles vivem tanto este mundo irreal, do virtual e hipotético, que perdem o gosto pela vida real. Muitos deles quando pretendem levar a sério a vida interior e partem para a real cometem atrocidades ou qualquer barbaridade insana, pois não se habituaram aos ditames da vida social e se voltam contra ela. Os principais meios de sustentação desse mundo virtual é a internet, embora a TV e o cinema tenham papel importante na formação de mentalidades. Aqui não falaremos da TV, pois esta vem perdendo gradativamente seu espaço na mídia.

 

O desejo de ter “seguidores”

De outro lado, tem se manifestado muito ultimamente um ardoroso desejo de conquista da maioria, o desejo de ter “seguidores”, coisa mais comum nas chamadas redes sociais. Artistas, políticos e o povo em geral manifestam costumeiramente tal desejo em suas manifestações públicas. Talvez tal desejo não seja uma espécie de “coqueluche” das multidões, mas ele é patente num grande público das redes sociais.

Os artistas quando gravam suas músicas para venda, em geral colocam uma gravação de várias pessoas os aplaudindo e cantando suas músicas, querendo dar a entender ao ouvinte que gozam da preferência popular. Os políticos vivem pedindo aos institutos de sondagem de opinião pública para fazerem pesquisas e assim ficar sabendo como vai sua popularidade.

Mas, não são somente os artistas e políticos que pensam assim. Há uma mania mundial de busca da popularidade. Saber que teve um vídeo assistido por uma multidão constitui motivo de orgulho de qualquer frequentador das redes sociais. E quando a cifra chega a milhões de “seguidores” ou de visualizações chama logo a atenção da mídia oficial (rádio, jornal e TV) tornando-se notícia de destaque.

Qual a causa disso? Tudo indica que está havendo no mundo uma quase que completa ausência de líderes naturais, e assim muitos pretendem preencher esta lacuna, embora à sua maneira e em seu meio social. E ter a preferência popular significa seguir a  opinião pública, significa estar de acordo com o que pensa a maioria e receber desta os aplausos, embora essa popularidade não seja na rua, mas em casa perante um celular ou computador. É como se as pessoas hoje desejassem participar de algum modo das decisões sociais, mostrando sua importância.

Há também um certo vazio de sociabilidade, o qual pede que as pessoas vivam mais em sociedade, mas ficam impedidos por essa inapetência no modo de agir: preferem sempre o mundo virtual. Muitos saem de casa, é verdade, a procura das multidões que se aglutinam nos estádios de futebol ou nas festas de ruas. É a busca de multidões anônimas, sem muita identificação natural de suas origens. Antigamente essa procura da sociabilidade era nos clubes sociais, hoje quase que completamente falidos. Antigamente ela era seletiva, hoje é promíscua, no meio de multidões anônimas e burlescas. Ou então, nas distantes praias, onde multidões também se aglutinam promiscuamente, inclusive praticando o seminudismo ou o nudismo total. Nesses ambientes, sim, não há nada de vida virtual, mas a vida social é praticada no meio  das multidões.

O único ambiente onde as pessoas hoje praticam uma certa “sociabilidade” é no meio das multidões, de uma forma anônima, enquanto que em seus ambientes familiares ou de grupos ficam arredios e fechados. É comum estarmos numa roda de aniversário, ou qualquer festividade familiar ou de grupo e as pessoas quase não conversam, ficam alheios a tudo teclando seus celulares. A única coisa que os faz desligar o aparelho é o som ensurdecedor e agressivos das suas festas, os quais muitas vezes causam até problemas nos ouvidos e de nada servem para o bom convívio social.

Vou citar um exemplo: o sujeito viajou para longe a fim de visitar um irmão em outra capital, convidou o mesmo para um encontro num jantar, onde compareceu ele, a esposa, e o casal de uma filha e genro. A conversa só girou entre a visita e o irmão, porque o jovem casal, todo o tempo do jantar, ficava ligado unicamente no celular. E isso é comum hoje em dia. Até crianças, deixam de brincar suas brincadeiras mais sadias para ficar horas e mais horas no celular sem dar nenhuma atenção a visitas, por exemplo. Neste tipo de gente não há a busca da sociabilidade a não ser nas multidões.

E qual a razão da procura das multidões? Convívio social? Não, ninguém convive no meio das multidões, estas hoje servem apenas para propiciar prazeres passageiros, a busca desenfreada de diversões e nada mais.

Nestes dias li uma notícia de que uma pesquisa constatou que já existiram no mundo, desde sua criação, em torno de 160 bilhões de seres humanos. Isso quer dizer que se vivem atualmente na terra em torno de 8 bilhões, a quantidade na outra vida é de mais de 150 bilhões, cerca de 19 vezes mais numerosos do que aqui na terra. Então, se o objetivo é buscar o convívio com multidões, nada melhor do que desejar logo participar da outra vida, onde as multidões devem ser estupendamente mais numerosas do que aqui neste mundo. O receio de alimentar tal desejo é porque lá há o inferno, que é eterno, onde só se aguarda desgraças e maldições para sempre. Mas, há também o Paraíso Celeste, com multidões inimagináveis, cercada por outras multidões de anjos, onde se goza uma felicidade eterna. Não individualmente, mas socialmente, e com multidões de companheiros.

Mas, neste mundo, hoje, o objetivo nem sempre é a companhia das multidões para convívio social, mas desfrutar do prazer que as elites oferecem em espetáculos públicos, todos eles cheios de grande massa de gente. Lá estão as multidões que, às vezes, incomodam ou causam traumas violentos, mas, pouco importa, as pessoas vão para rua do mesmo jeito. Ou para rua, ou para os estádios e para as praias.

 

Internet,

Ao lado destes grupos que procuram seguidores e apoio popular há outros, porém, que simplesmente vivem no anonimato, em salas virtuais de “bate-papos”, jogos, filmes e passatempos inúteis, e se deleitam com isso. Estes fogem instintivamente das multidões porque perderam o gosto da vida social, hoje quase que exclusivamente em ambientes multitudinários. O normal deveria ser que tais pessoas procurassem uma forma de concentrar-se em estudos ou sadias leituras, mas não: vivem isolados na vida virtual, dizem, por diversão.

O vício da internet emigra do local de trabalho, das escolas e de outros ambientes do dia a dia para dentro de casa. E em casa as horas passadas no mundo virtual são muito mais longas do que em outros ambientes. Alguns chegam a dormir menos.

O imediatismo da internet, a eficiência do iPhone e o anonimato das salas de bate-papo talvez possam mudar a essência de quem nós somos.

Quanto mais o sujeito se submete aos influxos da internet mais ele se torna um autômato. Já não há lugar para a reflexão e o pensamento, mas para atitudes compulsivas como de robôs. E isso pode se refletir tanto em casa quanto na rua, no local de trabalho ou na escola.

 

Qual a distância entre o mundo virtual e o real?

Quando se é criança, aquele mundo de imaginação infantil, chamado hoje de virtual, facilmente pode ser transportado para o mundo real sem qualquer prejuízo (desde que sejam boas as imagens), pois o inocente ainda não sabe avaliar a diferença entre uma coisa e outra,  entre o virtual e o real. No entanto, não se pode dizer o mesmo de uma pessoa adulta, a qual facilmente saberia distinguir entre o real e o imaginário, entre o virtual e o verdadeiro. Ou pelo menos deveria saber distingui-lo, se não fosse o problema da internet e das manias dos jogos virtuais modernos. Está se tornando comum ocorrer fatos em que as pessoas confundem o virtual com o real ao emergir de seu mundo interior criado pelas imagens da TV, do cinema, da internet, etc.

Vejam um fato que ocorreu na Coréia. Um casal sul-coreano "viciado em internet" deixou um bebê de três meses morrer de inanição enquanto criava uma filha virtual na web, disse a polícia local. Segundo a agência de notícias oficial Yonhap, o casal alimentava sua filha prematura apenas uma vez por dia, entre períodos de 12 horas passados entre internet e um café. O oficial da polícia Chung Jin-won disse à Yonhap que o casal "perdeu a vontade de viver uma vida normal" depois que os dois perderam seus empregos. O pai, de 41 anos de idade, e sua mulher, 25 anos, foram presos na cidade de Suweon, ao sul de Seul, no início da semana, cinco meses depois de terem reportado a morte da bebê. Eles estavam foragidos desde a morte da criança. A autópsia mostrou que sua morte foi provocada por um longo período de desnutrição. O casal teria ficado obcecado em criar uma menina virtual chamada Anima, no popular jogo Prius Online, disse a polícia. O jogo permitia aos jogadores interagir com Amina e enquanto faziam isso, a ajudavam a recuperar sua memória perdida e desenvolver emoções. Já houve outros casos de morte ligados ao vício em jogos de computadores na Coreia do Sul, onde um jovem morreu supostamente depois de passar cinco dias jogando com apenas pequenos intervalos. Não só na Coréia do Sul, mas em vários países vêm ocorrendo fatos semelhantes.

Há outro caso também elucidativo do mal que causa a vida virtual. Ao sair de um cinema, na Itália, um sujeito matou um padre que ia passando na Rua. Ao ser preso e investigado sobre a razão do crime, disse que tinha visto naquele padre o mesmo “inimigo” do filme que acabava de assistir: “O Código Da Vinci”. Deste modo, muitos que assistem filmes cotidianamente ou vivem no celular em seus jogos, podem a qualquer momento cometer um ato compulsivo na rua, até mesmo criminoso, por causa de sua mente obstruída por imagens fantasiosas e indutivas de seus atos.

Houve até um caso clamoroso no Rio Grande do Sul. Um garoto de 16 anos cometeu suicídio. A novidade é que ele mesmo gravou sua morte, deixando o vídeo para ser visto pelos pais como vingança pelo ódio que tinha dos mesmos. Após investigações da polícia (os pais eram ricos) descobriu-se que o rapaz foi induzido a praticar tal ato assistindo na internet um site que induzia as pessoas a tais práticas.

Será que o homem moderno, fanatizado pela internet, perdeu a noção da diferença que há entre o virtual e o mundo real?