segunda-feira, 13 de abril de 2015

A PRESENTE SITUAÇÃO DO BRASIL



COMO ANALISAR O PRESENTE MOMENTO

Nota-se uma crescente divisão em nossa população, o  que foi bem retratada (talvez intencionalmente) pelo resultado das últimas eleições presidenciais. Isso diz respeito ao geral da população. Precisamos analisar, então, o que está ocorrendo em três blocos de opinião pública: duas que disputam o poder, que são as correntes políticas em choque e uma que é o que pensa a população em geral.
Nas que disputam o poder há a corrente mais forte, que é o partido que está governando , o PT, o qual traz a vantagem de agir não somente por si mesmo mas por uma grande quantidade de organizações paralelas, como o Foro de São Paulo (uma entidade internacional da esquerda latino americana) que atua entre os cabeças e dirigentes das correntes de esquerda, os chamados “movimentos sociais”, grupos de pressão e de agitação popular como o MST e tantos outros, sindicatos, etc. Quanto aos partidos da oposição política agem cada qual apenas em seu nome, não havendo, aparentemente, ligações diretas com tais grupos de pressão popular. Por isso exercem menos influência na opinião pública. Só sabem mesmo é fazer propaganda pela TV e nada mais.
Assim, quando surge um movimento nas redes sociais, ou na mídia, que tem muita organização é, em geral, porque partiu dos grupos governistas, não diretamente da equipe oficial, é claro, mas das organizações que são dirigidas ideologicamente pelo PT. Os outros movimentos sociais que não são de esquerda, em geral espontâneos, são autônomos e, muitas vezes, não dispõem de tanta organização. É claro que há uma gama muito grande de elementos antipetistas enclausurados em organizações sociais ou em instituições fortes, como entre os militares, por exemplo, mas, mesmo assim, não dispõem de grupos de pressão popular com tanta força quanto possui o PT. Agem mais entre e si ou pela internet.
E o povo, como pensa e age? De modo geral o povo é apático a grupos ideológicos, não apóia nem um nem outro. No entanto, há uma rejeição psicológica e afetiva ao comunismo e ao socialismo, tanto que os partidos ditos comunistas são raquíticos e nunca conseguiram ser grandes. As legendas de esquerda não têm coragem, por isso, de pregar abertamente seus programas partidários, seria suicídio político. Essa rejeição não impede de eleger alguns elementos de esquerda, pois estes fazem manobras artificiosas muito inteligentes para que o público não os veja como de esquerda, mas, ás vezes, como pessoas bem intencionadas e defensoras dos direitos populares. Na sua grossa maioria, se o povo for conclamado, iria a uma guerra contra o comunismo ou contra o socialismo, desde que tais regimes aparecessem como realmente são: um real perigo para nosso país. Como os mentores dessas ideologias são muito espertos e nunca se mostram de esquerda, o povo não luta abertamente contra ales.
Vistas assim estas três correntes (as do poder, da oposição e que realmente pensa a população), vamos analisar como se porta cada uma delas. Os que governam procuram sistematicamente apresentar como oriundo de tramas e conspirações aquilo que mostram de errado no governo. Todo regime ditatorial  é assim: este método era aplicado por Hitler, por Lênin, por Stalin, por Fidel Castro, e, agora, pelo Maduro. Toda denúncia ou movimento que mostra seus engodos, seus erros, suas maquinações, é acusada logo de conspiração americana. É uma tática velha, surrada esta, mas é repetida amiúde. Agora mesmo, o movimento que vaiou Dilma é chamado de fascista. Outro dia Lula andou dizendo que é coisa das elites, etc. Quer dizer, procura diminuir uma coisa que parte espontaneamente da população dizendo que tudo não passa de conspiração de grupos isolados. Na realidade, eles é que formam grupos isolados e conspiratórios.
Quanto aos membros da elite, de grupos políticos e empresariais que falam mal do governo do PT como é que se portam? Em geral com covardia e medo da pecha de serem “políticamente incorretos”. É por isso que tanto Fernando Henrique quanto José Serra são tão tímidos em participar de alguma luta contra os que estão no poder. Vez por outra dão alguma resposta a discursos contrários ao partido deles, mas fica por aí, nada fazem para tentar mudar a situação, pois têm medo de serem chamados de “golpistas” a serviço do imperialismo americano. Enquanto a grande maioria da população reclama uma liderança firme para derrubar o governo e o regime de esquerda, tais líderes quase nada fazem a não ser discursos inócuos no Parlamento. Isso porque eles, realmente, são também de esquerda.
E o povo, como é que age? Todo mundo tem medo de sair ás ruas, por causa da violência, por causa dos Black blocs, etc, E ficam em casa diante de um computador, trocando mensagens pelas redes sociais. Estes são os mais autênticos que existem, não participam de grupos organizados (por enquanto) a não ser alguns militares ou pessoas ligadas a eles. De outro lado, há que se destacar no povo duas classes que agem de forma diferente: a classe média, que é a que mais sofre com os disparates do governo (é praticamente quem sustenta o país com os impostos escorchantes e quase nada desfruta dos programas governamentais todos eles igualitários e populistas), mas que prefere ficar em casa com medo da violência das ruas; e a classe menos favorecida, dos pobres, que, em geral não tem computador, não participa de redes sociais, e está disposta a ouvir apenas o locutor da TV ou do rádio. Estes em geral podem ser meros espectadores, mas há alguns que vão atrás do primeiro agitador que lhes aparecer na frente e engrossam a massa de manobra dos chamados “movimentos sociais”, a troco de alguns reais ou da promessa de um favor pessoal qualquer.
E a mídia, o que dizer da mídia em geral? Jornais, rádios e TVs existem, segundo dizem, para prestar um serviço à população informando-a dos fatos com isenção de ânimo. Mas, não é bem assim. Na mídia podemos separar dois tipos de gente que as dirige: os proprietários das empresas e os jornalistas que trabalham nelas. Os proprietários pode-se dizer que procuram sempre tentar amparar seus patrocinadores, ou grandes empresas ou o próprio governo. Quanto aos jornalistas, estes agem sempre segundo alguma doutrina de princípios que abraçam, em geral uma ideologia de domínio psicológico das massas. Podemos então imaginar que quando o fato chega até eles a divulgação pode sofrer restrições conforme possa favorecer a ideologia dos jornalista ou dos proprietários. Mas, e a opinião não pesa também? Em alguns casos, sim. E, por isso, eles não podem deixar de dar destaque a alguns fatos porque seriam tomados por não saber o que se passa ou porque há um anseio popular por aquele tipo de notícias. Então, há momentos em que a Globo pode favorecer o partido governante porque o dono pediu isso aos jornalistas, mas há momentos em que os jornalistas divulgam aquilo que julgam melhor para seus princípios de domínio psicológico das massas (ou então divulgam da forma que lhes favoreça tais idéias), ou então são obrigados a satisfazer os anseios populares. Quando isso ocorre só analisando cada caso isoladamente.
Que dizer, por exemplo, sobre os seguintes movimentos; pedido de impeachment de Dilma, golpe militar para derrubar o governo e renúncia da presidente? Para o PT estes movimentos são dirigidos por “golpistas” – é a velha tática de acusar para deixar mal visto os opositores pela opinião pública. É claro que estes clamores partem da população, mas encontram logo dirigentes políticos para se aproveitar da situação. Isso não quer dizer que não haja uma insatisfação generalizada com o partido do poder e que a população não esteja querendo uma troca de comando. Se houvesse uma oposição política mais séria, os representantes dela estariam a estas alturas conclamando o povo nas ruas e estariam denunciando abertamente os desmandos do governo, mas isso com ênfase, com discursos mais clamorosos, sem medo de ser taxado de ir contra o “politicamente correto” e denunciando, inclusive, as tramas do famoso Foro de São Paulo, uma organização internacional contrária aos interesses de nosso país. 
Todo o noticiário desviou a atenção para aspectos secundários da manifestação de ontem, 12 de abril, como uma suposta diminuição do número dos participantes de protestos contra o governo. Dando ênfase a isso dão ao governo e aos políticos mais fôlego para  ir deixando os problemas questionados para uma data futura e, quem sabe, fazer fenecer o ânimo dos participantes.
Que restará deste imbróglio?  Um governo acéfalo? Ditadura? Golpe e contra-golpe como ocorreu na Venezuela? Só o futuro nos dirá.


domingo, 8 de março de 2015

COMO NASCEU A "CIÊNCIA" GENÉTICA?

Como nasceu a "ciência" genética?
Fala-se hoje em ciência genética como o conhecimento mais avançado que possuem os homens, a ponto de se fazer experiências mirabolantes com os órgãos da vida. Começaram a fazer tais experiências com animais, como sempre, para depois passar para as pessoas humanas. De simples cruzamentos de espécies se passou para a geração espontânea de novos seres, de novas "espécies", tudo feito em laboratórios com a manipulação de células e fórmulas científicas.
A técnica chamada de "clonagem" de animais progrediu tanto que já se fala em fazer o mesmo com seres humanos.
Pode-se conjecturar, a estas alturas, se não estamos prestes a ver surgir entre nós a entidade imaginada por Fausto, e celebrizada no famoso romance “Fausto”, de Goethe, o “Homúnculo”.  Trata-se de um “ser”  humano que os antigos feiticeiros pretendiam fazer criar, ou gerar, sem corpo, sem peso e sem sexo, mas dotado de um cérebro superdotado. Goethe imaginou a criação do “homúnculo” a ser produzido artificialmente em laboratório pelos personagens Fausto e Wagner. O tal “homúnculo”  teria a capacidade de tudo ver, inclusive os sonhos e pensamentos mais recônditos dos homens, mas seria incompleto, porque não teria o poder de amar e nem teria consistência e plenitude física.  Tratar-se-ia de um homem de proveta, feito em laboratório, exclusivamente constituído por cérebro e espírito e dotado de grande poder psíquico. Tal seria a capacidade criadora do homem moderno para conseguir tal feito se não tivesse também a participação do demônio e a permissão de Deus...
 Mas, será que esse tipo de “ciência” é alguma novidade na humanidade decaída?  Na Sagrada Escritura se fala de homens gigantes, gerados através da cópula entre demônios e as “filhas dos homens”. Estes gigantes se expandiram pela terra e formaram verdadeiras nações. “Ora, naquele tempo, havia gigantes sobre a terra. Porque depois que os filhos de Deus tiveram comércio com as filhas dos homens, e elas geraram filhos, estes foram homens possantes e desde há muito afamados” (Gen 6, 4). "Filhos de Deus” é uma expressão bíblica para designar os anjos.
Referidos gigantes se expandiram pela terra. No tempo de Moisés havia uma tribo de gigantes chamada “emins” e outra chamada “enacins”. Uma delas descendia dos moabitas, filhos de Lot: “Os emins foram os seus primeiros habitantes, povo grande e forte de tal estatura que se tinham por gigantes, da linhagem dos enacins. Enfim os moabitas chamam-nos de emins” (Deut 2, 10). Haviam outras tribos de gigantes. Em terra de Amon havia uma tribo chamada zomzomin, “povo grande e numeroso, e de tal estatura, como os enacins, que o Senhor exterminou diante dos amonitas, e fez habitar estes em lugar daqueles...” (Deut 2, 21). Um gigante famoso foi o filisteu Golias, com 6 côvados de altura, cerca de 2,80 m.  E outro também foi Og, morto por Moisés juntamente com toda a família.
Em sua obra Cidade de Deus, Santo Agostinho afirma: "Deixo em aberto a questão da possibilidade de Vênus ter dado à luz Enéias através do coito com Anquises. Questão semelhante aparece nas Sagradas Escrituras, onde se pergunta se os anjos do mal, tendo copulado com as filhas dos homens, teriam assim povoado a terra de gigantes, ou seja, de homens anormalmente fortes e grandes" (Livro 3, cap. 2). No entanto, em outra parte, Santo Agostinho é mais explícito: "É crença generalizada, cuja verdade é testemunhada por muitos através da própria experiência, ou, ao menos, pelo testemunho de terceiros de indubitável honestidade e que passaram pela experiência, que Sátiros e Faunos têm aparecido a mulheres devassas, a procurá-las e manter coito com elas.  E que certos demônios tentam e conseguem, assiduamente, essa obscenidade, o que é testemunhado por pessoas absolutamente dignas de confiança, sendo portanto insolente negá-lo”  (Livro 5, cap. 23).   De tal forma esta tese foi aceita pacificamente dentro da Igreja, entre teólogos e santos, que São João Bosco afirma sem nada opor em sua obra "História Sagrada", que tais gigantes foram gerados pela cópula diabólica.
Não é difícil explicar prática e teologicamente como isso ocorreu, ou poderia ocorrer ainda. Sendo os anjos maus dotados de poderes extraordinários, como podem com permissão de Deus transportar qualquer corpo material no espaço, podem também eles transportar o sêmen masculino e inocular numa mulher. Segundo o próprio São Tomás de Aquino, o demônio não é o agente fecundador mas apenas um intermediário. Sendo assim, a criança ali gerada é filha do homem de onde foi extraído o sêmen: “Como diz Agostinho, ‘muitos experimentados, ou instruídos pelos experientes, confirmam que os Silvanos e os Faunos, chamados vulgarmente íncubos, são muitas vezes luxuriosos com as mulheres, desejando-as e realizando o ato carnal com elas, de modo que é imprudente negar tal fato. Porém os santos anjos de Deus de nenhum modo puderam assim manchar-se, antes do dilúvio. Por onde, entendem-se por filhos de Deus os de Set, que eram bons; porém, a Escritura chama filhas dos homens às nascidas da estirpe de Caim. Nem é para admirar que delas pudessem nascer gigantes, embora nem todos assim o nascessem, mas muito mais antes que depois do dilúvio’. Se, porém, por vezes alguns nasceram de coito com os demônios, tal não se operou pelo sêmen emitido por eles ou pelos corpos assumidos, mas pelo sêmen de algum homem, obtido para tal fim; e isto por ter o mesmo demônio, súcubo em relação ao homem, se tornado íncubo com relação à mulher, assim como assumem as sementes de outros seres para a geração de alguns deles, como diz Agostinho. De modo que o nascido de tal operação não é filho do demônio, mas do homem de quem foi obtido o sêmen”. (Summa I, q LI, art. III).[1]
As condições em que tal fertilização se deram, e talvez os efeitos causados pelo contato maligno, ou mesmo de qualquer outro efeito diabólico, fazem com que aquela criança se torne um ser agigantado e forte. Houve, portanto, alguma mutação genética que o anjo mau conseguiu colocar no sêmen antes de inoculá-lo na mulher.





[1] “Íncubo”significa que se deita por cima, e “súcubo” que se deita por baixo, para designar ações demoníacas no coito carnal humano. 

quarta-feira, 4 de março de 2015

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

DISTORCENDO DADOS ECONÔMICOS SOBRE A POBREZA...




Há completa discordância sobre valores que envolvem pobreza e riqueza. Falaremos apenas da pobreza, que é o que mais aflige o homem moderno.  Em princípio não é lógico estabelecer um valor uniforme sobre renda para estabelecer onde começa a pobreza ou a miséria, especialmente em nosso imenso e diversificado Brasil. De outro lado, acho que a pobreza não se mede somente pela situação financeira (a renda), mas também pela situação econômica (o patrimônio). Alguém pode ter um patrimônio de rico (mais de um milhão) e ter uma renda ínfima abaixo dos 300 reais acima citado. Há muitos patrimônios que nada rendem; até pelo contrário, só trazem custos e despesas para serem mantidos.
Consideremos, por exemplo, que uma pessoa que reside numa capital brasileira e ganhe abaixo de 300 reais por mês, deva ser considerado não como pobre mas miserável. No entanto, uma outra pessoa que reside no sertão pode muito bem ser considerado como pobre com tal renda, e pode até viver melhor do aquele que vive na cidade. Por isso os economistas erram (tanto os do governo como os da ONU) ao considerar valores uniformes e absolutos para considerar níveis de pobreza. O ideal seria que criassem parâmetros de valores diferentes para cada região, de acordo com as peculiaridades de cada uma.
Mesmo assim, não há uma concordância entre eles sobre tais valores. Os economistas dos governos brasileiros anteriores ao período do PT, embora de uma forma errada (pois eles também mediam a coisa somente pela renda mensal), avaliavam níveis de pobreza com valores mais altos. E como os valores eram maiores, o natural é que houvesse mais pobres.  Baseado nisso, ao assumir o governo,  Lula soltou uma grossa mentira: afirmou que o Brasil tinha 30 milhões de famintos e que ele iria lutar para acabar com isso e lançou o “Fome Zero” (nem se fala mais nele hoje).  Era mentira porque, segundo os critérios dos economistas do próprio PT (e também da ONU, estes com valores diferentes e contrastantes com os do governo petista) a pessoa para ficar abaixo do nível de pobreza teria que ter uma renda mensal  menor (300 reais?). Colocamos o problema da renda porque é por este prisma que eles falam do assunto. Dados da própria ONU afirmavam que, na época em que Lula tomou posse pela primeira vez, havia no Brasil algo em torno de 16 milhões de supostos famintos.  E hoje (mesmo com bases nos valores que o PT divulga como patamar para a pobreza) temos mais de 16 milhões de miseráveis e famintos, segundo dados da ONU. Quer dizer, o PT não conseguiu tirar ninguém da miséria.  Nessa matéria, segundo estes dados, o Brasil continua estagnado. Isso se falarmos em valores absolutos, porque se for em percentual houve realmente diminuição da pobreza, pois a população deve ter crescido mais em índices superiores ao aumento da pobreza.  Não disponho de elementos para avaliar estes percentuais, mas creio que de fato isto ocorreu.
Mas, se houve alguma diminuição da pobreza certamente não foi por causa de alguma ação governamental. Isso ocorreu porque a sociedade cresceu economicamente, produziu-se mais, houve maior oferta de empregos e produtividade. O governo não deve fazer como aquele piloto do navio que afirmou ter desencalhado a embarcação, quando na realidade a mesma se soltou das pedras e da lama porque a maré subiu.   A maré que sobe é a sociedade como um todo que produz mais, que gera mais riqueza e emprego.  E quem mais contribuiu para nossa sociedade haver crescido foi a estabilidade econômica adquirida após a era FHC. Isso é um fato inconteste.
E para que se consiga obter sucesso nessa matéria não funciona distribuir esmolas através de programas sociais (as famosas “bolsas famílias”). As pessoas precisam de emprego. Se aqueles 16 milhões de supostos famintos do início do governo Lula tivessem conseguido emprego (mesmo ganhando salário mínio) não estariam em situação melhor que ficar na dependência de uma esmola governamental? Tais programas sociais devem existir, mas com a intenção de fazer com que seus beneficiários passem a trabalhar e produzir. O ideal seria que tais bolsas fossem concedidas por determinado prazo e sob a condição do beneficiário se sujeitar à capacitação profissional para ter seu emprego e garantir seu futuro.  E não deveria também servir de “moeda” para conquistar eleitores, como ocorre atualmente.
E não poderia ser diferente. O s lugares onde existem os chamados “bolsões de miséria” situam-se em sua maioria nas grandes capitais, em favelas sub-humanas, e nesses lugares a renda necessária para sair da miséria é muito mais alta do que se afirma. Não seria como míseros 300 reais que uma pessoa e sua família sairia da miséria numa capital. Talvez numa cidadezinha do interior ou nas caatingas do nordeste, sim.  Mas, não numa capital.
Acho também que é artificial e ilógico estabelecer parâmetros para classificar as outras classes sociais. Vi um exemplo recentemente numa notícia dada por um jornal baiana: “A Tarde” publicou, após as últimas eleições, que foram eleitos na Bahia mais de 20 deputados milionários, eram aqueles que apresentaram patrimônio superior a um milhão. O termo “milionário” soa como uma pessoa dotada de amplos recursos econômicos. Mas não quer dizer que possuindo tais recursos têm renda alta.  Sim, quem possui mais de um milhão em bens móveis ou imóveis (ou mesmo em dinheiro) pode se dizer que é um milionário.  Mas se tal milionário for assim considerado porque dispõe de um milhão em dinheiro depositado num Banco, e ele aplicar na poupança vai ter uma renda um pouco maior do que 5.000 reais por mês, antes de ser descontado o imposto de renda. Se o sujeito viver somente dessa renda seria considerado apenas como “classe média”.  Então, hoje, encontrar-se milionário não quer dizer viver folgadamente, nem sequer “classe alta” ou rico.







segunda-feira, 1 de setembro de 2014

O IGUALITARISMO ATRAVÉS DA CARGA TRIBUTÁRIA



Rigorosamente, quase não há economista atual que não sofra influências do marxismo igualitário. E, nos últimos anos, essa tendência tem estado presente até mesmo naqueles que se dizem adeptos do “capitalismo liberal”.
Um exemplo tivemos na matéria publicada pela revista “Exame”, de 3.9.2014,  que leva o titulo de “Outro Ângulo”, a propósito da carga tributária brasileira em comparação com os benefícios dos chamados programas sociais do governo. Na pequena matéria há vários erros de apreciação, pois partem de falsos pressupostos, dando como líquida e certa uma pesquisa feita pela Universidade de Pernambuco, pela qual um quinto das pessoas mais pobres, no Brasil, pagam mais impostos do que o mesmo percentual das mais ricas. A pesquisa de uma pequena parte da população (20%) não poderia servir de base para as deduções que foram feitas.
O erro consiste no pressuposto de analisar a carga tributária indireta que recai  sobre o consumo, sem levar em consideração outros fatores: primeiro, que o consumo das classes sociais não se mede com a mesma moeda, isto é, as classes mais baixas não consumem o mesmo que as outras, mas, geralmente, mercadorias de menor preço e qualidade – os mercadinhos das periferias das grandes cidades vendem os produtos com preços muito inferiores àqueles praticados nos bairros de classe média, por exemplo. Em segundo lugar, não pode se medir a carga tributária apenas pelo consumo de subsistência, como fazem na análise – há outros itens de consumo essenciais á vida moderna, não constantes na análise, mas muito utilizados e com impostos mais altos, como a gasolina, por exemplo.
A revista comete um erro crasso ao afirmar, como se vê no gráfico acima que a “carga tributária pesa mais sobre os rendimentos da população mais pobre do que dos ricos”, de uma forma genérica, quando na realidade o estudo fala apenas em “impostos indiretos”, quer dizer, aqueles embutidos no consumo de subsistência, numa pequena parcela da população.  Não estão logicamente incluídos aí o IR, IPVA, IPTU, INPS, FGTS (estes últimos, benefícios das classe mais altas para as mais baixas), impostos que só paga quem ganha bom salário. E é destes impostos que o governo tira os recursos para manter as doações chamadas de “benefícios sociais”. Quer dizer, quem mantém o Bolsa Família é a classe média, que é, realmente, quem paga mais imposto. Precisamos que se faça um estudo para se avaliar qual percentual de impostos cada classe salarial paga, não somente os indiretos sobre o consumo de subsistência, mas todo e qualquer imposto. Visto assim, poderemos ter dados mais próximos da realidade.
No referido estudo da universidade pernambucana afirma-se que 20% da classe mais baixa paga em torno de R$ 192,00 de “impostos indiretos”, recebendo apenas R$ 152,00 de benefícios sociais. Isso quer dizer que estas pessoas não vivem apenas com os benefícios sociais, têm outras rendas, ou de atividades comerciais de pequeno porte ou mesmo trabalhando para as classes mais altas (como os empregados domésticos). No entanto, se fizerem um trabalho mais criterioso, vão verificar que aquela parcela das classes mais altas não pagam somente R$ 192,00 de “impostos indiretos” sobre seu consumo de subsistência. O arroz, o feijão, o pão, o café e muitos outros produtos são adquiridos nas classes mais altas por preços muito mais elevados, e, portanto, ocasionando quantias maiores de impostos. O próprio transporte, que julgo ser essencial e de subsistência, os mais pobres pagam muito pouco em comparação com os carros usados pelos mais aquinhoados. Residência, nem se fala, pois, se um pobre só pode pagar 50 ou 100 reais pelo aluguel de sua casa, uma pessoa de classe média vai pagar de 500 reais acima. Sem falar que, geralmente, há a despesa de condomínio e escola a se acrescentar. Pode até ser que R$ 192,00 corresponda a 38% da renda consumida por impostos pelos pobres, e 13% dos ricos, mas o erro é considerar que ambas as classes sociais paguem o mesmo valor. Não, não pagam, exatamente porque os mesmos itens consumidos por ambas são de valores diferentes como vimos acima.
A intenção da revista é mostrar que os programas sociais sequer conseguem cobrir os impostos que as classes mais baixas pagam, como se fosse uma questão de justiça o governo devolver a todo cidadão o imposto que ele paga. Os impostos podem ser devolvidos, sim, mas sob a forma de prestação de serviços, e nesse sentido já existe uma gama de serviços gratuitos muito grande para atender a classe menos favorecida.  Vale-gás, luz barata ou de graça, auxílio-educação para manter os filhos menores na escola, escolas e hospitais gratuitos, coleta de lixo gratuita, enfim, são tantos que seria longo demais enumerá-los. Nenhum destes serviços é extensivo à classe média ou média-alta, mas são por tais classes mantidos porque são tirados dos impostos que elas pagam.
Na realidade, o intuito de tais estudos é forçar o governo a apertar mais ainda a carga tributária sobre os que ganham mais, a fim de aumentar os chamados benefícios sociais, ou, segundo outros, “corrigir as desigualdades sociais”. Na realidade, fazendo isso em vez de corrigir tais desigualdades aumentam a inadimplência, que já é grande, e podem até diminuir a arrecadação de impostos. E só quem “lucra” é o governo, uma entidade anônima, cheia de políticos demagogos a procura de satisfazer seus anseios de poder. A mentalidade de que “quem ganha mais deve pagar mais” não predomina somente no Brasil, é uma tendência mundial, inclusive até mesmo nos Estados Unidos. Mas, a expressão “quem ganha mais deve pagar mais” não se refere aos valores absolutos que se paga de impostos, mas, aos percentuais, daí resultando que a tabela de IR seja tão injusta e arbitrária, elevando os índices para patamares absurdos para os maiores salários. Como se salário fosse renda.
Eis uma relação de ônus que se recai sobre o salário da classe média e média-alta: empregados domésticos (aí incluídas as contribuições de INSS e FGTS, além de transporte e refeição), condomínio (também se inclui salários de empregados do condomínio, são,portanto, de classe mais baixa, com respectivas despesas acessórias como vales transportes, vale refeição, INSS, FGTS,etc.), escolas, e, especialmente os impostos como IPTU, IPVA e IR. Um grande percentual de tais ônus é destinado a manter a classe menos favorecidas, seja com salários, seja com benefícios que não são do governo.  
No entanto, quando se fala de impostos que onera a renda salarial, tais economistas só consideram os chamados “impostos indiretos”. No caso de alimentos, a pesquisa considerou um índice de 14% de impostos indiretos pagos por aquela parcela da população de baixa renda, o que acho pouco, pois dentro de uma carga tributária geral estimada em 38%, este percentual de 14 só para os alimentos pode não ser real, deve estar havendo alguma distorção.  Mesmo que só comam feijão e arroz todo dia, haja visa que somente o ICMS sobre cereais é superior a tal percentual em vários estados da federação, e o governo cobra também IPI e outras taxas sobre produtos alimentícios.
Assim, estes mirabolantes economistas pensam em diminuir as “desigualdades sociais”, não incentivando que as classes inferiores procurem crescer e se desenvolver, mas achatando as classes superiores. Combater as desigualdades, segundo eles, é tomar de uns e dar a outros. “Não se elevam os vales, mas abatem-se as montanhas” dizia, a algum tempo, uma autoridade da esquerda católica. Uma utopia que não funciona e nunca funcionou em nenhum lugar do mundo, pois a estrutura social não permite que as classes superiores diminuam ou pereçam, mas que procurem se desenvolver mais juntamente com as inferiores. Mas aí já entra uma questão de cultura e de educação moral e não de economia.