domingo, 24 de abril de 2011

Prece dos cristeros

O movimento dos Cristeros foi uma reação contra-revolucionária do povo católico do México contra as rigorosas leis anticlericais emanadas da Constituição de 1917 e aplicadas pelo presidente Calles. Buscavam secularizar o país e eliminar a influência da Igreja Católica. Tinham sido elaboradas leis que restringiam severamente a atividade do clero, expulsavam sacerdotes estrangeiros, fechavam escolas católicas e confiscavam propriedades da Igreja. Mais tarde, igrejas foram fechadas e foi proibida a celebração da Missa.
O levante popular contra o governo Calles começou no estado de Jalisco, na cidade de Guadalajara, em 3 de agosto de 1926. Cerca de 400 católicos armados trancaram-se na Igreja de Nossa Senhora de Guadalupe. Eles estavam envolvidos em um tiroteio com tropas federais e se renderam somente quando sua munição se esgotou. Jalisco se tornou centro da contra-revolução dos Cristeros. O brado de guerra dos Cristeros era Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!
A prece que vem abaixo era recitada pelos Cristeros de Jalisco ao final da recitação do rosário.


Meu Jesus tende piedade de mim! Meus pecados são mais numerosos do que as gotas de sangue que derramastes por mim. Não mereço pertencer ao exército que defende os direitos de vossa Igreja e que luta por ela. Não quero nunca mais pecar, para que assim minha vida possa ser uma oferta agradável aos vossos olhos. Lavai minha alma das iniqüidades e purificai-me de meus pecados. Por vossa Santa Cruz e por minha Santa Mãe de Guadalupe, perdoai-me.
Já que não sei como fazer penitência por meus pecados, desejo receber a morte como merecido castigo por eles. Não desejo lutar, viver ou morrer senão por Vós e por vossa Igreja. Ó Santa Mãe de Guadalupe, ficai ao meu lado, na hora da agonia deste pobre pecador. Permiti que meu último brado na terra e meu primeiro cântico no Céu possam ser Viva Cristo Rei! Amém.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A Paixão segundo o cirurgião




Sou um cirurgião, e dou aulas há algum tempo. Por treze anos vivi em companhia de cadáveres e durante a minha carreira estudei anatomia a fundo. Posso portanto escrever sem presunção a respeito de uma Morte como aquela.
Jesus entrou em agonia no Getsemani e Seu suor tornou-se como gotas de sangue a escorrer pela terra. O único evangelista que relata o fato é um médico, Lucas. E o faz com a precisão de um clínico.
O suar sangue, ou hematidrose, é um fenômeno raríssimo. É produzido em condições excepcionais: para provocá-lo é necessário uma fraqueza física, acompanhada de um abatimento moral violento causado por uma profunda emoção, por um grande medo.
O terror, o susto, a angústia terrível de sentir-Se carregando todos os pecados dos homens devem ter esmagado Jesus. Tal tensão extrema produz o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele, e então escorre por todo o corpo até a terra.
Conhecemos a farsa do processo preparado pelo Sinédrio hebraico, o envio de Jesus a Pilatos e o desempate entre o procurador romano e Herodes. Pilatos cede, e então ordena a flagelação de Jesus.
Os soldados despojam Jesus e O prendem pelo pulso a uma coluna do pátio. A flagelação se efetua com tiras de couro múltiplas sobre as quais são fixadas bolinhas de chumbo e de pequenos ossos. Os carrascos devem ter sido dois, um de cada lado, e de diferente estatura. Golpeiam com chibatadas a pele, já alterada por milhões de microscópicas hemorragias do suor de Sangue. A pele se dilacera e se rompe; o Sangue espirra. A cada golpe Jesus reage em um sobressalto de dor. As forças se esvaem; um suor frio Lhe impregna a fronte, a cabeça gira em uma vertigem de náusea, calafrios Lhe correm ao longo das costas. Se não estivesse preso no alto pelos pulsos, cairia em uma poça de Sangue.
Depois, o escárnio da coroação. Com longos espinhos, mais duros que os de acácia, os algozes entrelaçam uma espécie de capacete e o aplicam sobre a Cabeça. Os espinhos penetram no couro cabeludo fazendo-o sangrar (os cirurgiões sabem o quanto sangra o couro cabeludo).
Pilatos, depois de ter mostrado aquele Homem dilacerado à multidão feroz, O entrega para ser crucificado.
Colocam sobre os ombros de Jesus o grande braço horizontal da Cruz; pesa uns cinqüenta quilos. A estaca vertical já está plantada sobre o Calvário. Jesus caminha com os pés descalços pelas ruas de terreno irregular, cheias de pedregulhos. Os soldados O puxam com as cordas. O percurso é de cerca de 600 metros. Jesus, fatigado, arrasta um pé após o outro, freqüentemente cai sobre os joelhos. E os ombros de Jesus estão cobertos de chagas. Quando Ele cai por terra, a viga escapa-lhe, escorrega, e esfola-Lhe o dorso.
Sobre o Calvário tem início a Crucificação. Os carrascos despojam o condenado, mas a Sua túnica está colada nas Chagas e tirá-la produz dor atroz. Quem já tirou uma atadura de gaze de uma grande ferida percebe do que se trata. Cada fio de tecido adere à carne viva: ao levarem a túnica, dilaceram-se as terminações nervosas postas em descoberto pelas Chagas. Os carrascos dão um puxão violento. Há um risco de toda aquela dor provocar uma síncope, mas ainda não é o fim.
O Sangue começa a escorrer. Jesus é deitado de costas, as Suas Chagas incrustam-se de pedregulhos. Depositam-No sobre o braço horizontal da Cruz. os algozes tomam as medidas. Com uma broca, é feito um furo na madeira para facilitar a penetração dos pregos. Os carrascos pegam um prego (longo, pontudo e quadrado), apóiam-no sobre o pulso de Jesus, com um golpe certeiro de martelo o plantam e o rebatem sobre a madeira.
Jesus deve ter contraído o rosto assustadoramente. O nervo mediano foi lesado. Pode-se imaginar aquilo que Jesus deve ter provado; uma dor lancinante, agudíssima, que se difundiu pelos dedos, e espalhou-se pelos ombros, atingindo o cérebro. A dor mais insuportável que um homem pode provar, ou seja, aquela produzida pela lesão dos grandes troncos nervosos provoca uma síncope e faz perder a consciência. Em Jesus não. O nervo é destruído só em parte: a lesão do tronco nervoso permanece em contato com o prego: quando o corpo for suspenso na Cruz, o nervo se esticará fortemente como uma corda de violino esticada sobre a cravelha. A cada solavanco, a cada movimento, vibrará despertando dores dilacerantes. Um suplício que durará três horas.
O carrasco e seu ajudante empunham a extremidade da trava; elevam Jesus, colocando-O primeiro sentado e depois em pé; conseqüentemente fazendo-O tombar para trás, O encostam na estaca vertical. Depois, rapidamente encaixam o braço horizontal da Cruz sobre a estaca vertical. Os ombros da Vítima esfregam dolorosamente sobre a madeira áspera.
As pontas cortantes da grande coroa de espinhos penetram o crânio. A cabeça de Jesus inclina-se para frente, uma vez que o diâmetro da coroa O impede de apoiar-Se na madeira. Cada vez que o Mártir levanta a cabeça, recomeçam pontadas agudas de dor. Pregam-lhe os pés.
Ao meio-dia Jesus tem sede. Não bebeu desde a tarde anterior. Seu Corpo é uma máscara de Sangue. A boca está semi-aberta e o lábio inferior começa a pender. A garganta, seca, queima-Lhe, mas Ele não pode engolir. Tem sede. Um soldado estende-Lhe sobre a ponta de uma vara uma esponja embebida em bebida ácida, em uso entre os militares. Tudo aquilo é uma tortura atroz.
Um estranho fenômeno se produz no Corpo de Jesus. Os músculos dos braços enrijecem-se em uma contração que vai se acentuando: os deltóides, os bíceps esticados e levantados, os dedos curvam-se.
É como acontece a alguém ferido de tétano. A isto que os médicos chamam tetania, quando os sintomas e generalizam: os músculos do abdômen enrijecem-se em ondas imóveis. Em seguida, aqueles entre as costelas, os do pescoço, e os respiratórios. a respiração se faz pouco a pouco mais curta. O ar entra com um sibilo, mas não consegue mais sair. Jesus respira com o ápice dos pulmões. Tem sede de ar: como um asmático em plena crise, Seu rosto pálido pouco a pouco torna-se vermelho, depois transforma-se num violeta purpúreo e enfim em cianótico [cinza-azulado]. Jesus é envolvido pela asfixia. Os pulmões cheios de ar não podem mais esvaziar-se. A fronte está impregnada de suor, os olhos saem fora de órbita.
Mas o que acontece? Lentamente com um esforço sobre-humano, Jesus toma um ponto de apoio sobre o prego dos pés. Esforça-Se a pequenos golpes, Se eleva aliviando a tração dos braços. Os músculos do tórax se distendem. A respiração torna-se mais ampla e profunda, os pulmões se esvaziam e o rosto recupera a palidez inicial. Por que este esforço? Porque Jesus quer falar: “Pai, perdoai-lhes porque não
sabem o que fazem”.
Logo em seguida o Corpo começa afrouxar-se de novo, e a asfixia recomeça.
Foram transmitidas sete frases pronunciadas por Ele na Cruz: cada vez que quer falar, deverá elevar-Se tendo como apoio o prego dos pés. Inimaginável!
Atraídas pelo Sangue que ainda escorre e pelo coagulado, enxames de moscas zunem ao redor do seu corpo, mas Ele não pode enxotá-las.
Pouco depois o céu escurece, o sol se esconde: de repente a temperatura diminui. Logo serão três da tarde, depois de uma tortura que dura três horas.
Todas as suas dores, a sede, as cãibras, a asfixia, o latejar dos nervos medianos arrancam-Lhe um lamento: “Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?”
Jesus grita: “Tudo está consumado!”
Em seguida num grande brado diz: “Pai, em Vossas mãos entrego o Meu espírito.”
E morre.
Em meu lugar ... e no seu.

Fonte: Relato das dores de Jesus feita por um grande estudioso francês, o médico Dr. Pierre Barbet, cirurgião do hospital São José de Paris nas décadas de 20 e 30 do século passado, dando a possibilidade de compreender realmente as dores de Jesus durante a Sua Paixão.
Extraído do blog Cooperadores Arautos

terça-feira, 19 de abril de 2011

Via Crucis na Catedral de Nossa Senhora de la Almudena






Nossa Senhora de Almudena ou Virgem de Almudena é um culto mariano originário da Espanha; é a patrona de Madrid. O seu nome provém do árabe Al Mudayna, o castelo.



A Catedral Santa María la Real de La Almudena está situada em Madrid. Quando a capital da Espanha foi transferida de Toledo para Madrid em 1561, a sede da Igreja na Espanha manteve-se em Toledo por muito tempo, por isso a nova capital - estranhamente para um país católico - não tinha catedral. Os planos foram discutidos ainda no século 16 para construir uma catedral em Madrid, dedicada à Virgem da Almudena, mas a construção só teve início em 1879.
Era costume no tempo da Reconquista aproveitar os monumentos tomados dos mouros, respeitando sua cultura, e utilizá-los fazendo-se algumas adaptações, como, por exemplo, as mesquitas que eram transformadas em igrejas católicas. No caso da sé de Madrid, porém, a catedral parece ter sido construída no local de uma mesquita medieval que havia sido destruída em 1085, quando Alfonso VI conquistou a cidade.

Francisco de Cubas, o Marquês de Cubas, projetou e dirigiu a construção em estilo revival gótico. A construção cessou completamente durante a Guerra Civil Espanhola (1935), e o projeto foi abandonado até 1950, quando Fernando Chueca Goitia adaptou os planos de Cubas para um exterior barroco para combinar com o cinza e branco da fachada do Palácio Real, que fica em frente. A catedral não estava ainda concluída até 1993, quando foi consagrada pelo Papa João Paulo II. Em 22 de maio de 2004, o casamento de Felipe, Príncipe das Astúrias, com Letizia Ortiz Rocasolano (conhecida posteriormente como Letizia, princesa das Astúrias) teve lugar na catedral.
Em 28 de abril de 2004, o cardeal Antonio María Rouco Varela, Arcebispo de Madrid abençoou as novas pinturas na abside, pintado por Kiko Argüello, fundador do Caminho Neocatecumenal. A catedral é a sede do Patriarca das Índias e do Mar Oceano, um patriarcado honorífico criado no século XVI.



segunda-feira, 18 de abril de 2011

Manuscritos do Mar Morto e os Essênios





Os famosos Manuscrios do Mar Morto, logo após sua descoberta, estavam aos cuidados dos jesuítas, mas o governo israelense os confiscou. Este fato está relatado no livro "As intrigas em Torno dos Manuscritos do Mar Morto", de autoria de Michel Baigent e Richar Leigh, editora Imago. Assim, a Igreja perdeu excelente oportunidade de estudar aqueles documentos com isenção, deixando-os nas mãos dos suspeitos judeus. É de se desconfiar que, estando nas mãos judaicas, procurem esconder alguma coisa que comprometa até mesmo a autenticidade da religião deles. Agora, as autoridades de Israel anunciam que vão colocar cópias daqueles documentos a dispoição do pública na internet. Os documentos de Qumran serão digitalizados e entregues, talvez, ao Google para serem acessados pelos inernautas de todo mundo. A arqueóloga israelense Pnina Schorr, responsável pelos trabalhos, sublinhou em entrevista à imprensa que a parte mais importante dos misteriosos e polêmicos documentos é integrada por Sagradas Escrituras escritas há 2000 anos. Quer dizer, reflete os documentos antigos da Sagrada Escritura, muitos dos quais o judaísmo hoje não aceita. Embora estejam dizendo que as reproduções serão de altíssima qualidade, não sabemos quais documentos poderão, talvez, ser deixados de publicar. Mas, mesmo sendo de altíssima qualidade, não acredito que sua visualição pelo computador dê a mesma qualidade de análise daquela feita ao vivo, coisa que somente os pesquisadores judeus tiveram acesso até hoje. Ou se permitiram algum outro estrangeiro, certamente foi com algumas reservas. A propósito de tais Manuscritos, que foram guardados nas cavernas de Qumran por uma comunidade essênia, é interessante ler as visões que a Beata Anna Catharina Emmerich teve sobre a comunidade dos essênios. Vejam o texto exibido na Glória TV.