quarta-feira, 24 de março de 2010

Falece o Padre Marx, aquele que ensinou o mundo inteiro como defender a vida

No último sábado, 20 de março, falaceu o fundador do movimento “Human Life Internacional”, prestes a completar 90 anos de idade, Pe. Paul Marx, OSB. A propósito, publicamos abaixo o texto divulgado no boletim “Spirit and Life” sobre o mesmo:

Do Rev. Padre Thomas J. Euteneuer, presidente da “Human Life International” (HLI)

“O Padre Marx ensinou o mundo inteiro como ser pró vida!
O Abade John Klassen, OSB, da Abadia de St. John, em Collegeville, Minnesota, EEUU, me informou pessoalmente que o venerável fundador do Human Life International, o Ver. Padre Paul Marx, se foi em paz para receber seu prêmio eterno às 8:10 da manhã.
Segundo testemunhas oculares, no momento de sua morte, o Padre levantou os braços e disse: “Leva-me para casa”. Como era o adequado, morreu durante o Ano Sacerdotal, poucos meses antes de completar 90 anos. Não é demais dizer que o lamentaremos muitíssimo!
O Padre Marx fundou o HLI com o nome de Human Life Center (Centro para a Vida Humana) em 1972, com o desejo de combater o ataque global contra a vida que começava a cobrir o mundo com o sangue dos inocentes. Infiltrou-se num congresso pró-aberto na Califórnia em 1971 com o nome de Dr. Paul Marx (o qual era verdadeiro, já que possuía PhD em sociologia) e gravou todas as conferências dos abortistas, para assim poder denunciar o mal que estavam promovendo. Publicou sua denúncia em seu livro “The Death Peddlers” (Os Mercadores da Morte), a primeiro grande obra de seus muitos escritos que puseram a descoberto a terrível maldade do negócio do aborto. O legado do Padre Marx, de denunciar o mal e defender o ensinamento da Igreja acerca da santidade da vida humana, o matrimônio e a família, continua profundamente gravado nos corações daqueles que realizam o trabalho pró-vida animados por seu indomável espírito.
Tive o privilégio de conhecer o Padre Marx pela primeira vez depois de haver se retirado da HLI. Ninguém pode imaginar a dificuldade de assumir a presidência da HLI e tentar preencher o posto de quem o Papa João Paulo II chamou “O Apóstolo da Vida”. Sempre tenho dito que há um só “Apóstolo” da Vida – o resto de nós simplesmente somos “missionários” da vida. De fato, o Padre Marx foi, de todas formas possíveis, um dom único e irrepetível da Igreja ao mundo. Como o Apóstolo que levava seu nome, São Paulo, o Padre Marx foi por todo o mundo pregando o Evangelho de Cristo, dos anos 60 aos 90, estabelecendo grupos apostólicos e organizações pró-vida para levar a cabo esta missão. O Padre Marx foi como o semeador que pessoalmente semeou a boa semente da vida em 91 países e que motivou a muitos ao redor do mundo a fazer o mesmo.
Calculamos que o Padre Marx viajou aproximadamente quase 5 milhões de quilômetros em seus mais de 40 anos de atividade pró-vida. E ainda, depois disso, seus filhos espirituais têm feito o mesmo. Somente em 2009, os missionários do HLI dos EEUU e nossos coordenadores regionais de todo o mundo, viajaram mais de 900.000 quilômetros e visitado 57 países num intento por imitar o elevado exemplo e firmeza do Padre Marx por difundir o Evangelho da Vida!
Parte do legado do Padre Marx ficou expresso nos programas da HLI, como o Resgate Madalena, o Programa de Reabilitação, o Programa de Orfanato na China, Seminaristas pela Vida, o Instituto de Investigação sobre a População (PRI,sigla em inglês) e o Instituto Católico para a Família e os Direitos Humanos (C-Fam, sigla em inglês), todos fundados sob o beneplácito do HLI nos anos 90.
Mesmo que o Apóstolo da Vida tenha estado retirado durante a última década sob os cuidados de sua comunidade religiosa em Minnesota (era beneditino), nunca deixou de manter-se em contato com os assuntos pró-vida, nem tampouco abandonou a correspondência com seus filhos espirituais que todavia estão envolvidos na luta pela vida nas trincheiras do movimento pró-vida. Quão valioso tem sido para mim receber suas breves cartas periódicas animando-me a manter o espírito de luta ante tantos novos desafios. O Padre Marx sempre foi muito consciente também da necessidade de financiamento, pelo que usualmente enviada cheques de $25 e $50 com suas cartas! Tenho entesourado essas cartas com todo meu coração. O Dr. Brian Clowes, da HLI, e a Sra. Magaly Llaguno, da Vida Humana Internacional, a seção espanhola da HLI, têm sido seus mais íntimos amigos e se mantiveram em contato habitual com ele. Muitos outros são os missionários da HLI ao redor do mundo que receberam suas cartas e as mensagens de ânimo do Padre, algumas das quais daremos a conhecer em futuras publicações.
Que eu saiba, a última aparição em público e o último discurso do Padre Marx foi durante o banquete do 35º aniversário da HLI que teve lugar em sua honra em Minneapolis, a 25 de março de 2007. O Padre falou apaixonadamente a seus filhos espirituais repetindo com fervor as mesmas palavras que lhe dirigiu o Papa João Paulo II durante seu encontro com o Santo Padre em princípios dos anos 80: “Você está levando a termo o trabalho mais importante do mundo!” E é verdade, estamos realizando esse trabalho – trata-se de seu ofício e da do verdadeiro ofício da Igreja. Devido ao espírito indomável deste homem, não deixaremos de levar a cabo este trabalho até que o Senhor nos leve para a Casa.
O Padre Marx ensinou ao mundo inteiro como ser pró-vida. Agora toca a nós colocar o manto do espírito profético do Padre Marx e, como Eliseu, que viu seu mestre Elias subir ao céu num carro de fogo, devemos dividir em duas as águas do Jordão com seu manto e investir na luta, tal e como o havia desejado o Apóstolo da Vida!"

segunda-feira, 22 de março de 2010

Infanticídio indígena: exemplo para os civilizados?

A matança de inocentes, inclusive de nascituros ou dos fetos através de abortos, é um costume que se disseminou em quase todos os povos pagãos. Em alguns deles as crianças eram oferecidas aos ídolos, como ocorreu com os caldeus das primeiras civilizações antigas. Entre os indígenas a matança de inocentes não tem, porém, nenhum pretexto idolátrico ou alguma razão aparente. Trata-se apenas de desvencilhar-se de um “incômodo” e nada mais...
E tão bárbaro "costume" não é recente, vem de priscas eras. O Beato padre Anchieta conta que uma velha índia enterrou uma criança viva, logo após nascer, pelo simples fato do pai dela haver abandonado a mãe e se juntado a outra índia. Explicou que fez isto para evitar que o menino “ficasse mestiço de duas sementes”. Matam os nascituros até mesmo como vingança por causa de alguma irritação do marido que lhe causou alguma humilhação ou desdita. Há também casos que as demais parentas matam o filho caso a mãe venha a morrer após o parto, pois não há quem lhe dê de mamar. Comenta o Beato Anchieta: “coisa que assim sem mais piedade, a criança viva e a mãe morta, ambas em uma cova” sepultavam. Sim, sepultavam viva a própria filha...
O aborto e o infanticídio não são, portanto, prerrogativas decorrentes do progresso tecnológico e social da vida moderna, é um costume que tem sua origem nos povos pagãos, especialmente entre os índios. E como praticam, especialmente os abortos? Di-lo o Beato Anchieta: “As índias, ou iradas contra seus maridos ou, as que não os têm, por medo ou por outra qualquer ocasião muito leviana, matam os filhos, ou bebendo para isso algumas beberagens, ou apertando a barriga, ou tomando alguma carga excessiva e de muitas maneiras, que a crueldade humana faz inventar”.
Parece que a maioria dos casos tinha como causa a vingança contra os maridos. A esse propósito Afonso Arinos transcreve o relato feito por Moncquet sobre um inglês que convivia com uma índia há muitos anos e, chegando ao porto um navio, nele embarcou sem levar consigo a índia que já tinha um filho dele. Furiosa, a índia pegou o filhinho e saiu despedaçando o corpo com sanha feroz pela praia, atirando metade do cadáver no mar em direção do navio que se afastava do porto. No entanto, na maioria dos casos se alegam outras razões: criança que nasceu sem o sexo desejado, aleijada ou cega, gêmeos ou trigêmeos, com alguma deformidade física, etc.
Pior do que isso eles faziam nos tempos de Anchieta. Não só matavam as crianças, mas em alguns casos as comiam em seus festins antropofágicos. São narrados vários casos em que os filhos eram também mortos e comidos juntamente com os pais, ou então, engordados para serem comidos depois...

A propósito do tema, transcrevemos abaixo o texto integral da matéria publicada no blog "Contra o Aborto" onde é também exibido um documentário, em vídeo, de autoria da índia Sandra Terena, que é jornalista formada pela PUC, contestando documentadamente aqueles que dizem não existir o infanticídio entre os índios. Quem desejar assistir o documentário na íntegrá é só acessar aqui: Quebrando o Silêncio. O vídeo vem com a seguintge explicação:

Nos dias de hoje o infanticídio (prática que resulta na morte de crianças) ainda é uma realidade em algumas tribos indígenas. Esse assunto, por ser polêmico, é contestado, e em alguns casos, tratado como inverdade ou apenas casos isolados. Em outras situações, há pesquisadores que defendem que o infanticídio faça parte da cultura indígena e por isso deve ser mantido. O papel deste documentário não é fazer um julgamento de valor sobre as práticas nas culturas indígenas. “QUEBRANDO O SILÊNCIO se propôs a escutar e a registrar as manifestações de indígenas que não querem mais praticar o infanticídio e, por isso desejam ser ouvidos e receber ajuda. No momento que o índio se manifesta, a sociedade tem a obrigação de interagir com ele e trazer soluções e alternativas para o infanticídio.

Dirigido pela jornalista indígena Sandra Terena, este documenário é resultado de mais de dois anos de entrevistas em diversas regiões do país, como o Alto Xingu, por exemplo. Por ter a direção de uma realizadora indígena, optou-se propositalmente em ouvir apenas os relatos de índios que sentiram na pele o sofrimento causado pelo infanticídio

Abaixo, um resumo do documentário.

"Quebrando o Silêncio"

Segue agora o texto do blog "Contra o Aborto":

Saulo Feitosa, Secretário-Adjunto do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), ligado à CNBB, deu a seguinte declaração em uma recente reportagem, que já foi colocada mostrada em outra postagem neste blog.
"Para ele, organizações contrárias ao infanticídio fazem uma campanha mentirosa de que a comunidade obriga a mãe indígena a tirar a vida de seu filho, quando não é verdade. "No local do nascimento, só ficam a parturiente, a mãe e a avó. Elas é que vão decidir se vão ou não deixar a criança viver. Se o filho não volta com as mulheres indígenas, é porque elas decidiram não ter a criança", afirma."
Saulo declarou isto como se fizesse algum sentido, como se fosse aceitável a parturiente, a mãe e a avó decidirem a vida ou morte de um recém-nascido. Não é, nunca foi e nunca será.
Mesmo assim, a fala de Saulo é mera ficção. Parece mesmo uma coisa produzida por um grupo de feministas/abortistas, que querem passar a idéia de que a questão de vida e morte das crianças é um simples exercício do famoso "direito reprodutivo" das mulheres.
Mas o caso é que a fala de Saulo tem um único e fatal obstáculo: a realidade.
Sandra Terena, índia da etnia Terena, é jornalista e dirigiu um documentário que aborda a dolorosa questão do infanticídio, "Quebrando o Silêncio", que pode ser visto acima.
Se Saulo assistisse o vídeo pode ser que as escamas caíssem de seus olhos... E talvez ele parasse de falar besteiras do tipo que ele declarou na referida reportagem.
No excelente documentário de Sandra Terena vemos de tudo. Vemos sobreviventes que tinham seu destino já selado por suas comunidades e que escaparam graças à caridade de terceiros; vemos gente que teve seu irmão gêmeo morto; vemos crianças que escaparam de serem quebradas ao meio.
Quebradas ao meio ao nascer! É difícil alguém sustentar que um povo, seja ele qual for, tenha o direito a manter um ponto de sua cultura que envolva quebrar uma criança ao meio por qualquer motivo. Quem sustenta isto deve ter nada na cabeça e muitas escamas nos olhos.
O documentário mostra indígenas que não têm medo em falar o quanto é errado a prática do infanticídio que ainda existe em suas comunidades. Difícil não se emocionar com o pai que teve um de seus filhos gêmeos arrancados da sua guarda para ser morto. A tristeza do casal é palpável.
No documentário, os próprios índios dão as pistas de o porquê o infanticídio ainda é um problema em várias comunidades. Eis o que declara Álvaro Tucano, o líder Tucano do Amazonas:
"Nós temos certos índios que recebem muita influência dos antropólogos, e, como tais, eles acham que os costumes são intocáveis."
Paltu Kamayurá, é o pai que teve de ver um de seus filhos condenado à morte por ser gêmeo. Ele, ao falar sobre a abominável prática do infanticídio, fala com mais clareza que muito antropólogo:
"Agora meu pensamento não é mais como o deles, não é mais pensamento de antropólogo, que já estudou sobre a cultura do índio. Eles falam: 'Este índio... deixa eles viverem assim. Esta é a cultura deles!'. Não é. Porque a cultura não pára. Ela anda. O pensamento também anda igual ao da cultura. Por isto que hoje a gente... estamos querendo criar, pegar todas essas crianças."
Mas há gente por aí que prefere negar que infanticídio e aborto resultem em morte.
O documentário vale ser visto, revisto, compartilhado, divulgado.
Em tempos em que os abortistas espertamente tentam fazer do aborto, da morte de um ser humano indefeso no ventre de sua mãe um "direito humano", podemos ver declarações claríssimas como estas:
"Todos os seres humanos têm o direito de viver! Qualquer que seja! Pobre ou rico, ou índio..."
"Porque ele nasce como gente mesmo! Porque ela não é um animal. Ela não é filho do porco, do tatu! Saiu da pessoa, né?! "
Para finalizar, um detalhe: nos créditos do documentário, nenhuma referência ao CIMI ou à FUNASA.

Políticos holandeses promovem promiscuidade sexual e pedofilia

Eis uma plataforma política que nada tem nada a ver com o nome do partido: o NVD (sigla holandesa do partido “Caridade, Liberdade e Diversidade”), defende que “qualquer limite de idade para o sexo é absurdo”, “A melhor forma das crianças deixarem de ter curiosidade pelo proibido é praticá-lo”, além do que deve ser liberado a pornografia infantil e as drogas.
Indo mais além, um dos fundadores de tão pervertido partido político, Ad Van der Berg, defende também o que está sendo chamado de “zoolofilia”, ou seja a prática sexual entre seres humanos e animais irracionais. Um dos pretextos para que eles defendam a diminuição da maioridade (de 16 para 12 anos) é que se comece a praticar sexo bem cedo, e com adultos - quanto mais inocente melhor!
Outro argumento utilizado por eles, que tem uma certa lógica, em virtude do tortuoso caminho que trilha a sociedade holandesa em sua louca liberalidade sexual e das drogas: Van der Berg diz que se seu país mantém políticas liberais sobre as drogas, a prostituição e o matrimônio homossexual, por que não liberalizar também a pedofilia? Vejam como homossexualismo e pedofilia anda juntos...
O NVD defende o estranho “direito” dos menores a prostituir-se e ter acesso a todo tipo de pornografia, inclusive a dos filmes. Da mesma forma estão defendendo liberar as relações sexuais com animais irracionais, com uma única condição: que os referidos animais não sejam maltratados. É o que chamamos de bestialidade, ou bestialismo. Em meio ao seu discurso liberalizante, tais políticos defendem, além de todo tipo de droga, o “direito” de se andar nu pelas ruas.
Graças a Deus ainda resta um pouco de bom senso naquela sociedade tão decadente, pois foi recusado o registro de tal partido. Por falta de quorum... Houve protestos contra eles, como da “chefa” do Departamento de Proteção dos Menores, Loreto Martinez, que afirmou ser “o menino ou menina uma pessoa objeto de desejos sexuais dos adultos”, sendo este o único argumento usado por ela para recusar as propostas do NVD. As propostas do novo partido causou-lhe espanto, mas provavelmente ela não tenha se espantado com uma série de leis e permissões que atualmente preparam o terreno da sociedade holandesa para que o NVD vença de futuro.
Um dado lógico, mas pouco falado e ocultado pelos lobbies homossexuais: a maior parte das redes de pedofilia é composta por homossexuais, sendo muito afim com a agenda deles as propostas do NVD. Há algum tempo, um tal de “Comitê para as ONG’s”, ligado ao Conselho Econômico Social da ONU (ECOSOC) recomendou não outorgar status consultivo a associações ligadas com a Associação Internacional de Gays e Lésbicas. A negativa está relacionada ao fato de que os membros destas entidades são em geral pedófilos. Ver a notícia em NoticiasGlobales.org.
Suspirando aliviado, o padre Fortunato Di Noto disse que foi uma “boa vitória civil” o fato do NVD haver se dissolvido: não conseguindo assinaturas suficientes o partido não efetuou seu registro para concorrer às próximas eleições. O padre Fortunato liderava um movimento contra a fundação deste partido, fazendo parte de sua luta contra a pedofilia na Holanda. “Por enquanto obtivemos esta vitória – disse – a dissolução deste polêmico partido foi decidida por aqueles que estão do lado dos meninos. Esperamos que fechem também seus portais na internet”.

domingo, 21 de março de 2010

São Nicolau de Flüe, Padroeiro da Suíça

A sagrada liturgia celebra a 21 de março a festa de São Nicolau de Flüe.
Nasceu em 1417, em Flüeli, no cantão suíço de Unterwalden, de uma família de agricultores.
Era por natureza obediente, veraz e afável no trato com todos, mas especialmente amoroso da solidão. Sempre procurava lugares ermos em bosques e vales, para melhor recolher-se em oração.
Tinha dezesseis anos quando, atravessando o formoso vale do rio Melch, viu uma torre de singular estrutura, que se erguia da terra perdendo-se no céu. Considerou simbolicamente o fato: aquela torre isolada significava o edifício de sua vida espiritual e o que lhe convinha fazer para elevar-se até o seio de Deus. Entendeu que deveria, em algum lugar, entregar-se à vida solitária.

Numa outra ocasião, enquanto guardava seu rebanho, viu uma flor-de-lis magnífica, que saindo de sua boca se elevava até às nuvens, e depois, caindo na terra, era devorada por um cavalo. E compreendeu novamente, por essa visão, que a contemplação das coisas celestes nele era absorvida pelas preocupações desta terra. E novamente acalentou o desejo de levar vida solitária.


Guerreiro destemido e misericordioso


Ainda não havia completado vinte e três anos quando, a pedido de magistrados, brandiu armas em uma campanha empreendida contra o cantão de Zurique, que desejava separar-se da Liga Helvética. E novamente o fez quatorze anos mais tarde, comandando pessoalmente uma companhia de cem homens. Combateu com tamanha bravura que recebeu uma condecoração de ouro. Nessa ocasião, foi graças às suas exortações que os suíços desistiram de incendiar o mosteiro feminino de Katharinenthal, onde os inimigos se haviam refugiado. Razão pela qual até hoje sua memória é reverenciada naquele mosteiro como o libertador.
Na guerra, São Nicolau levava numa das mãos a espada e na outra o terço. Refulgia nele o esplendor do guerreiro destemido e misericordioso: protegia as viúvas e os órfãos, e jamais permitia que os vencedores se entregassem a atos de vandalismo em relação aos vencidos.
Foi eleito juiz e conselheiro em sua terra natal, ocupando durante dezenove anos essas funções, em meio à satisfação geral de seus concidadãos. Demitiu-se desses cargos para poder retornar à vida de oração.

São Nicolau, anacoreta
São Nicolau foi um autêntico asceta. Jejuava quatro dias por semana, e durante a Quaresma não comia nada quente, contentando-se com pão e frutas secas. Esse regime, longe de enfraquecê-lo, fortalecia-o.
Por insistência dos pais, casou-se e teve dez filhos, os quais, seguindo suas pegadas, chegaram às mais altas dignidades do país. Embora casado, seguia o mesmo regime de vida: levantava-se de madrugada para rezar durante duas horas, e recitava todos os dias os salmos em honra de Nossa Senhora.
No outono de 1467, com o consentimento da esposa, aos cinqüenta anos de idade, revestiu-se do traje de peregrino e chegou à cidade de Lichstall, no cantão de Basiléia. Dali dirigiu-se novamente para o vale do rio Melch e recolheu-se a uma gruta. Certa manhã, ao despertar, sentiu uma dor agudíssima varar-lhe o coração. A partir desse dia, nunca mais sentiu necessidade de beber nem de comer.
Algum tempo depois de sua reclusão, alguns caçadores o encontraram, manifestando-lhe a tristeza de seus familiares, advertindo-o de que morreria de fome e de frio, ou mesmo atacado por animais selvagens. Ao que ele respondeu: “Irmãos, não morrerei de fome, pois há onze dias não tenho comido nem bebido nada, e, entretanto, não sinto fome nem sede. Não temo também o frio nem os animais ferozes“.
Aproveitou a oportunidade para pedir que lhe enviassem um padre, a fim de se confessar e pedir alguns conselhos de que tinha necessidade.
Sua fama começou a crescer. E os habitantes da região chegavam cada dia em maior número até a gruta, a fim de recomendarem-se às suas orações. Consentiu em estabelecer sua cela no vale, junto à qual sua família fez edificar uma capela, onde um sacerdote todos os meses vinha celebrar Missa, ocasião em que São Nicolau comungava.
O Santo viveu nessas condições cerca de vinte anos, não tendo outro alimento senão a Sagrada Eucaristia.
As autoridades civis e eclesiásticas mobilizaram-se para certificar-se de que não havia fraude no que dizia respeito à sua alimentação. O Bispo de Constança enviou o Bispo de Ascalon para fazer essa averiguação. Este último chegou a Saxlen, abençoou a capela e entrou na cela de São Nicolau, perguntando-lhe qual era a primeira virtude do cristão.
O Santo respondeu: “É a obediência”. “Pois bem, ordeno-te em nome da obediência que comas em minha presença este pedaço de pão e bebas esta taça de vinho”, disse-lhe o Prelado.
Nicolau obedeceu. Sobreveio-lhe então dor de estômago tão intensa que o Bispo julgou que iria morrer. Crendo no milagre, o Bispo lavrou um documento, no qual se lia, entre outras coisas, que “Nicolau retirou-se para um lugar ermo chamado Ranft, no qual se conservou com a ajuda de Deus sem tomar qualquer alimento, vivendo ainda ali e desfrutando, até a data em que este documento é escrito, de todas as suas faculdades, levando uma vida bastante santa, do que nós garantimos e afirmamos em toda verdade, por termos sido nós mesmo testemunha.“
Crescia dessa forma cada vez mais o número daqueles que acorriam para pedir orações e conselhos ao Santo.
Deus o favoreceu com o dom da profecia. Repetidas vezes advertiu o povo para que se premunisse contra a sedução de futuras novidades religiosas. Com efeito, dezenas de anos depois os erros de Lutero e Zwinglio lamentavelmente devastaram diversos cantões suíços.

São Nicolau, diplomata
Em 1477, com a derrota do duque francês de Borgonha, as tropas confederadas dos cantões suíços reuniram-se para deliberar sobre a divisão do espólio de guerra e a admissão das cidades de Solero e Friburgo na Confederação Helvética.
Sucedeu que a discussão e a divergência foram tão grandes que se receou a eclosão de uma guerra civil. O pároco de Stanz, amigo de São Nicolau, fez-lhe um relato do que acontecia naquela assembléia, pedindo-lhe que a ela acorresse a fim de serenar os ânimos. Ao entrar na sala, no momento da mais violenta disputa, todos se levantaram, abaixando a cabeça e mantendo silêncio para ouvi-lo.
O Santo saudou-os em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, dizendo ter sido chamado pelo comum amigo, o pároco de Stanz, “para vos falar a propósito de vossas discórdias, que podem desfechar na ruína da pátria. Sou um homem pobre e sem letras, mas quero vos aconselhar na sinceridade de meu coração, e vos falo como Deus me inspira. Desejo-vos enorme bem, e se eu fosse capaz de vo-lo dar um pouco, quereria que minhas palavras vos conduzissem à paz”.
Prosseguiu com palavras de tal modo eloqüentes e eficazes, que no mesmo momento as pesadas nuvens das desavenças se dissiparam. Após o que, serenamente, voltou para a placidez de sua ermida. Relatos daquela assembléia registraram que “todos os enviados devem, em primeiro lugar, fazer que todos conheçam a fidelidade, a solicitude e o devotamento manifestados pelo piedoso irmão Nicolau em toda essa questão. É a ele que se devem render graças por tudo quanto foi feito”.

A morte de um homem de Deus
Antes de morrer, Deus lhe enviou uma doença aguda, cujas dores penetravam-lhe até à medula dos ossos. Foram oito dias de agonia de intenso sofrimento.
A tudo isso suportou com católica resignação, exortando ainda os circunstantes a sempre se portar nesta vida de maneira a poder deixá-la com a consciência tranqüila: “a morte é terrível, mas ainda é mais terrível cair nas mãos do Deus vivo“.
Pressentindo a morte que chegava, o Santo, com grande ardor e piedade, pediu a Santa Comunhão e o Sacramento dos Enfermos. Junto de seu leito estavam todos os familiares e alguns amigos, que o viram entregar sua alma a Deus no próprio dia de seu aniversário natalício: 21 de março de 1487, aos setenta anos de idade.
Todo o povo enlutou-se com sua morte. As lojas fecharam, e em cada casa se chorava como se houvesse perdido o pai da família. E logo o Santo tornou-se célebre não apenas na Suíça, mas também na Alemanha, França e Países Baixos. Vários Papas aprovaram o seu culto. Seu processo de canonização iniciou-se em 1590, sendo interrompido diversas vezes. Foi canonizado por Pio XII em 1947.
Pedindo sua intercessão, rezemos sempre a pequena oração que São Nicolau de Flüe ensinava àqueles que o vinham procurar na gruta do vale de Melch: “Senhor, dai-me tudo o que me una a Vós e afastai tudo que me separe de Vós”.
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Fontes de referência:

Abbé Profillet, Les Saints Militaires, Retaux-Bray, Paris, 1890, t. II.
Enciclopedia Cattolica, Cidade do Vaticano, vol. VIII, 1952

sexta-feira, 19 de março de 2010

Como proteger-se numa calamidade pública como um terremoto?

Esta preocupação tem sido um tema constante nos últimos dias. É que tem havido diversas catástrofes, como o tsunami na Ásia há mais de cinco anos ou os últimos terremotos, sem que supostamente as populações estivessem realmente "preparadas" para enfrentar tão difícil situação. Convenhamos, há condição se preparar para tais catástrofes? A população de San Francisco, nos Estados Unidos, há muitos anos que vem se preparando para um grande terremoto que dizem pode acontecer a qualquer momento. Será que, realmente, está preparada?
A propósito de terremotos, a preocupação tem sido muito maior. Um especialista no assunto, o americano Doug Copp, conta que já esteve dentro de 875 prédios em ruínas, trabalhando em grupos de resgates de vítimas de terremotos. Liderou grupos de resgates de vários organismos internacionais e é especialista na Área de Diminuição e Resolução de Desastres (UN-UNIENET) das Nações Unidas. Quer dizer, é um cara muito preparado e entendido em assuntos de desastres naturais, especialmente de terremotos. Em 1996 coordenou a execução de um vídeo em que eram feitas várias demonstrações de como sobreviver a um terremoto. O filme foi rodado pelo governo da Turquia e posteriormente divulgado como modelo de orientação para salvar pessoas vítimas de terremotos. A orientação principal dada no vídeo centra-se na expressão "Triângulo da vida", espaço que ele diz ser essencial para se escapar num terremoto. Quando há um desmoronamento de um prédio o local mais seguro para se proteger é próximo a algo que está ainda de pé, como uma parede, um móvel, ou qualquer coisa fixa, ficando próximo a ele (bem junto ao mesmo) na forma "fetal": de cócoras, joelhos próximos ao rosto, braços abarcando as pernas, etc. Segundo suas experiências, quem agir desta forma tem mais de 90% de chances de escapar com vida ao terremoto.
Na realidade, o fator mais importante para que se escape de uma catástrofe desse tipo é nossa fé, uma confiança inabalável na proteção divina. Foi com este objetivo que foi revelado uma oração apropriada para tais catástrofes, chamada "Triságio da Santíssima Trindade".

O Triságio da Santíssima Trindade

Do grego, tris-agion (três vezes Santo), é o nome que se dá à aclamação de louvor «Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal», testemunhado pela primeira vez no Concílio de Calcedônia (451). Nos ritos orientais, sobretudo no bizantino, tem o seu lugar na procissão de entrada da Missa, como também acontece nos dias mais solenes do rito hispânico. Noutras liturgias orientais, canta-se antes das leituras bíblicas. Na Liturgia romana conservou-se só em Sexta-Feira Santa, durante a adoração da Cruz. Outra circunstância litúrgica em que também se pode falar de «triságio» é na aclamação do Sanctus, da Oração Eucarística: «Santo, Santo, Santo".
O triságio encontra suas raízes no Antigo Testamento, no livro de Isaías, capítulo 6, versículo 3: "Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos, a terra inteira está repleta de sua glória."
Na Sexta-Feira Santa, nos Lamentos do Senhor da Celebração da Paixão do Senhor, encontramos traços que expressam o triságio:
"Deus Santo, Deus forte, Deus imortal, tende piedade de nós!"
Na liturgia oriental, o triságio aparece no rito da palavra, na pequena entrada, como se pode notar da Divina Liturgia de São João Crisóstomo. O sacerdote recita a Oração do Hino do Triságio, e é concluída com o canto:
"Santo Deus, Santo poderoso, Santo imortal, tem piedade de nós! (3 vezes).
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém! Santo imortal, tem piedade de nós!
Santo Deus, Santo poderoso, Santo imortal, tem piedade de nós!"
O triságio, que deita raízes na liturgia judaica, aparece, documentado, em As Constituições Apostólicas (compostas no século IV), Livro VIII, Liturgia Eucarística: A Oração de Oblação, n. 12:27 - Introdução ao Sanctus: "Santo, Santo, Santo, o Senhor do universo; o céu e a terra estão cheios da sua glória, bendito és Tu pelos séculos. Amen".

Vejamos agora como um grande Santo, Antonio Maria Claret, conta tudo sobre esta oração tão importante para se rezar nos momentos de grandes catástrofes:

TRISÁGIO À SANTÍSSIMA TRINDADE

Origem do triságio

O santíssimo triságio não é invenção do engenho humano, senão obra do mesmo Deus, que Ele inspirou ao profeta Isaías quando este ouviu que o cantavam os Serafins, para exaltarem a glória do Criador.
Na escola dos mesmos Serafins e na dos outros coros angélicos foi onde o aprendeu milagrosamente aquele menino que, como São Paulo, foi arrebatado ao céu, segundo referem as histórias eclesiásticas. No ano 447, e sendo Teodósio Júnior imperador do Oriente, sentiu-se um terremoto quase universal, violentíssimo, e que pela sua duração e espantosos estragos se fez o mais célebre de todos quantos até então se tinham visto. Foram incalculáveis os prejuízos que seis meses de abalos quase contínuos causaram nos mais suntuosos edifícios de Constaninopla e em toda a famosa muralha do Quersoneso. Abriu-se a terra em muitos pontos e ficaram sepultadas em suas entranhas cidades inteiras; secaram-se as fontes e apareciam outras novas, e era tal a violência dos abalos que arrancava árvores corpulentíssimas, apareciam montanhas onde primeiro havia planuras, e profundos abismos onde havia antes montanhas. O mar lançava às praias peixes de grandeza enorme; e as praias e navios ficavam sem águas, que iam inundar grandes ilhas.
Em semelhante conflito, achou-se prudente abandonar os povoados e assim o fizeram os habitantes de Constantinopla com o imperador Teodósio, sua irmã Pulquéria, São Proclo, então patriarca daquela Igreja, e todo o clero. Reunidos num lugar chamado Campo dirigem ao céu grandes clamores e fervorosas súplicas, pedindo o socorro em necessidade tão apertada. Um dia, entre oito e nove horas da manhã, foi tão extraordinário o abalo que fez a terra, que pouco faltou para que não causasse os mesmos estragos que o dilúvio universal. A este espanto sucedeu admiração do prodígio seguinte:
Um menino de poucos anos foi arrebatado pelos ares à vista de todos os do Campo, que o viram subir até perdê-lo de vista. Depois de algum tempo desceu à terra, do mesmo modo que subira ao céu, e logo em presença do Patriarca, do Imperador e da multidão pasmada, contou que sendo admitido nos coros celestes ouviu os anjos cantarem estas palavras: Santo Deus, Santo forte, Santo imortal, tende misericórdia de nós; e que ao mesmo tempo lhe mandaram que comunicasse a todos esta visão. Ditas estas palavras, aquele inocente menino morreu.
São Proclo e o Imperador, ouvida esta relação, mandaram unanimemente que todos entoassem em público este sagrado cântico, e imediatamente cessou o terremoto, e ficou quieta a terra.
Daqui nasceu o uso do Triságio, que o Concílio geral Calcedonense prescreveu a todos os fiéis, como um formulário para invocar a Santíssima Trindade nos tempos funestos e nas calamidades; daqui veio merecer a aprovação de tantos Prelados da Igreja, que apoiaram o uso dele, enriquecendo-o com o tesouro das indulgências e daqui finalmente veio que se pusesse método, que se imprimisse e reimprimisse tantas vezes, e sempre com universal aplauso e aceitação dos fiéis, que o consideram como um escudo impenetrável contra todos os males que Deus manda à terra em castigo de nossos pecados.
[1]

Oferecimento

Para ganhar as indulgências, os que rezarem o Triságio

Rogamos-te, Senhor, pelo estado da Santa Igreja e Prelados dela; pela exaltação da fé católica, extirpação das heresias, paz e concórdia entre os príncipes cristãos, conversão de todos os infiéis, hereges e pecadores; pelos agonizantes e caminhantes, pelas benditas almas do purgatório e mais piedosos fins de nossa Santa Madre Igreja. Amém.
V. Bendita seja a santa e indivídua Trindade, agora e sempre por todos os séculos dos séculos.
R. Amém.
V. Abri, Senhor, meus lábios.
R. E a minha boca anunciará vossos louvores.
V. Meu Deus, em meu favor benigno atende.
R. Senhor, apressai-vos a socorrer-me.
V. Glória seja ao Eterno Pai.
Glória seja ao Eterno Filho.
Glória ao Espírito Santo.
R. Amém. Aleluia.

(no tempo da Quaresma se diz conforme abaixo):

Louvor seja a ti, Senhor, Rei da eterna glória.

Ato de Contrição

Amorosísimo Deus, trino e uno, Pai, Filho e Espírito Santo, em quem creio, em quem espero, a quem amo com todo o meu coração, corpo, alma, sentidos e potências; por serdes Vós meu Pai, meu Senhor e meu Deus, infinitamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas; pesa-me, Trindade Santíssima, pesa-me, Trindade misericordiosíssima, pesa-me, Trindade amabilíssima, de vos ter ofendido só por serdes Vós quem sois; proponho, e vos dou palavra, de nunca mais vos ofender e de morrer antes do que pecar; espero de vossa suma bondade e misericórdia infinita, que me perdoareis todos os meus pecados, e me dareis graças para perseverar num verdadeiro amor e cordialíssima devoção a vossa sempre amabilíssima Trindade. Amém.

Hino

Já se afasta o sol radioso,
Ó luz perene, ó Trindade,
Infunde em nós ardoroso
O fogo da caridade.

Na alvorada te louvamos
E na hora vespertina;
Concede-nos que o façamos
Também na glória divina.

Ao Pai, ao Filho e a Ti,
Espírito consolador,
Sem cessar como até aqui
Se dê eterno louvor. Amém.

Oração ao Pai

Ó Pai Eterno, fora o prazer de vos possuir, eu não vejo mais do que tristeza e tormento, embora digam outra coisa os amadores da vaidade. Que me importa que diga o sensual que sua felicidade está em gozar de seus prazeres? Que me importa que diga também o ambicioso que seu maior contentamento é gozar de sua glória vã? Eu pela minha parte nunca cessarei de repetir com vossos Profetas e Apóstolos, que a minha suma felicidade, meu tesouro e minha glória é unir-me a meu Deus, e manter-me inviolavelmente unido a Ele.
Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria, e nove vezes:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus dos exércitos, cheios estão os céus e a terra de vosso glória.
(responde-se, se possível em coro):
Glória ao Pai, glória ao Filho, glória ao Espírito Santo.

Oração ao Filho

Ó Verdade eterna, fora da qual eu não vejo outra coisa senão enganos e mentiras. Oh! E como tudo me aborrece à vista de vossos suaves atrativos! Oh! Como me parecem mentirosos e asquerosos os discursos dos homens, em comparação das palavras da vida, com as quais Vós falais ao coração daqueles que vos escutam. Ah! Quando será a hora em que Vós me tratareis sem enigma e me falareis claramenteno no seio de vossa glória? Oh! Que trato! Que beleza! Que luz!

Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e nove vezes:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus, etc.

Oração ao Espírito Santo

Ó Amor, ó Dom do Altíssimo, centro das doçuras e da felicidade do mesmo Deus; que atrativo para uma alma ver-se no abismo de vossa bondade e toda cheia de vossas inefáveis consolações! Ah! Prazeres enganadores! Como haveis de poder comparar-vos com a menor das doçuras que um Deus, quando quer, sabe derramar sobre uma alma fiel? Oh! Se uma só partícula delas é tão deliciosa, quanto mais será quando Vós as derramardes como uma torrente sem medida e sem reserva? Quando será isto, meu Deus, quando será?

Recita-se um Pai-Nosso, uma Ave-Maria e nove vezes:
Santo, Santo, Santo, Senhor Deus, etc.

Antífona

A ti, Deus Pai, a ti, Filho Unigênito, a ti, Espírito Santo, Paráclito, santa e indivídua Trindade, de todo coração te confessamos, louvamos e bendizemos. A ti seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
V. Bendigamos ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo.
R. Louvemo-lo e exaltemo-lo em todos os séculos.

Oração

Senhor Deus uno e trino, dai-me continuamente vossa graça, vossa caridade e a vossa comunicação para que no tempo e na eternidade vos amemos e glorifiquemos. Deus Pai, Deus Filho, Deus Espírito Santo numa deidade por todos os séculos dos séculos. Amém.

Deprecação devota à Santíssima Trindade

(A cada invocação se responde: ”Toda criatura vos ame e glorifique”)

V. Pai eterno, onipotente Deus;
R. Toda criatura, etc.
V. Verbo divino, imenso Deus;
R. Toda criatura, etc.
V. Espírito Santo, infinito Deus;
- Santíssima Trindade e um só Deus verdaeiro;
- Rei dos Céus, imortal e invisível;
- Criador, conservador, governador de todo o criado;
- Vida nossa, em quem, de quem e por quem vivemos;
- Vida divina, e uma em três pessoas;
- Céu divino de excelsitude majestosa;
- Céu supremo do céu, oculto aos homens;
- Sol divino e incriado;
- Círculo perfeitíssimo de capacidade infinita;
- Alimento divino dos anjos;
- Belo iris, arco de clemência;
- Astro primeiro e trino, que iluminais o mundo;

(A cada invocação, responde-se: “Livrai-nos, trino Senhor”)

V. De todo mal de alma e corpo;
R. Livrai-nos, etc.
- De todo pecado e ocasião de culpa;
- De vossa ira e indignação;
- Da morte repentina e improvisa;
- Das insídias e assaltos do demônio;
- Do espírito de desonestidade e das suas sugestões;
- Da concupiscência da carne;
- De toda ira, ódio e má vontade;
- Das pragas da peste, fome, guerra e terremoto;
- Dos inimigos da fé católica;
- De nossos inimigos e de suas maquinações;
- Da morte eterna;
- Por vossa Unidade em Trindade e Trindade em Unidade;
- Pela igualdade essencial de vossas pessoas;
- Pela sublimidade do mistério de vossa Trindade;
- Pelo inefável nome de vossa Trindade;
- Pelo portentoso de vosso nome, uno e trino;
- Pelo muito que vos agradam as almas que são devotas de vossa Santíssima Trindade;
- Pelo grande amor com que livrais de males aos povos onde há algum devoto de vossa Trindade amável;
- Pela virtude divina, que nos devotos de vossa Trindade santíssima, reconhecem os demônios contra si mesmos;

(A cada invocação, responde-se: “Rogamo-Vos, ouvi-nos”)

V. Nós pecadores;
R. Rogamo-Vos, etc.
- Que saibamos resistir ao demônio com as armas da devoção à vossa Trindade;
- Que embelezeis cada dia mais, com as cores da vossa graça, vossa imagem que está em nossas almas;
- Que todos os fiéis se esmerem em ser muito devotos de vossa Santíssima Trindade;
- Que todos alcancemos as muitas felicidades que estão vinculadas para os devotos dessa vossa Trindade adorável;
- Que ao confessarmos o mistério de vossa Trindade, se desfaçam os erros dos infiéis;
- Que todas as almas do purgatório gozem muito refrigério em virtude do mistério de vossa Trindade;
- Que vos digneis ouvir-nos pela vossa piedade;
- Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, livrai-nos, Senhor, de todo mal.
[2]

Obséquios ou oferecimentos à Santíssima Trindade

1. Ó beatíssima Trindade, eu vos prometo que com todo esforço e empenho hei de procurar salvar minha alma, visto como Vós a criastes à vossa imagem e semelhança e para o céu. E também por amor vosso procurarei salvar as almas de meu próximo.
2. Para salvar minha alma e dar-vos glória e louvor, sei que hei de guardar a divina lei; eu empenho minha palavra de a guardar como a menina de meus olhos e procurar, outrossim, que os outros a guardem.
3. Aqui na terra hei de exercitar-me em louvar-Vos e espero fazê-lo depois com maior perfeição no céu; e por isso com freqüência rezarei o triságio e o verso: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo”. E procurarei, além disso, que os outros Vos louvem. Amém.


[1] O Papa Clemente XIV concedeu 100 dias de indulgência para cada dia que se reze: 100 mais três vezes no dia, nos domingos, na festa da Santíssima Trindade e durante a sua oitava, e Indulgência Plenária a quem o rezar todos os dias durante um mês, confessando e comungando no dia do mês que se escolher.
[2] Invocação semelhante Nosso Senhor ensinou à Santa Faustina: “Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende piedade de mim e de todos os pecadores, etc” , jaculatória que a Santa rezava entre uma dezena e outra do terço.

("Caminho Reto e Seguro para Chegar ao Céu" - Santo Antonio Maria Claret - Editora Ave Maria, São Paulo - págs. 155/166)