Ataque aos Arautos desenterra
fake news para atacar ortodoxia da instituição
Especializados em séries sensacionalistas que misturam horror e suspense, os produtores envolvidos no documentário da HBO “Escravos da fé: os Arautos do Evangelho”, resolveram dar voz a denúncias falsas, retratadas pelos próprios denunciantes ou rejeitadas pelo Vaticano e pela Justiça brasileira. A verossimilhança dos ataques se vale da cultura anticatólica presente nos principais meios de comunicação acostumados a insinuações maliciosas envolvendo o Vaticano.
Seguindo a linha de
panfletos anticatólicos como o “Código Da Vinci”, a produção deu espaço a
caluniadores que integram uma verdadeira seita anticatólica que há quase 10
anos vem perseguindo a instituição Arautos do Evangelho. Entre eles, ex-membros
que foram afastados por problemas morais ou psicológicos, reunidos sob a tutela
de antigos desafetos que remontam à época da TFP.
Em geral, as
críticas aos Arautos giram em torno de um suposto “excesso” de ortodoxia e
disciplina, vistos como exagerados “em pleno século XXI”. Munidos de certos
preconceitos nutridos contra a tradição bimilenar da Igreja, eles resgataram
histórias que na época já haviam sido desconsideradas.
Há pelo menos três
denúncias de cunho moral feitas contra os Arautos, todas elas rejeitadas. A
primeira, em 2017, resumia-se a uma carta anônima que foi imediatamente
ignorada por razões óbvias. Na segunda, a denúncia tinha sinais de falsificação
grosseira, sendo também rejeitada pela Congregação para a Doutrina da Fé e pela
Nunciatura. A última delas foi de uma ex-membro da instituição que dava
detalhes de um abuso do qual ela mesma havia apenas “ouvido dizer”. Todos eles
possuíam uma coisa em comum: miravam o fundador da obra, Monsenhor João Clá Dias,
discípulo de Plinio Corrêa de Oliveira.
O termo usado no
título “escravos da fé” remete à espiritualidade católica vivida na
instituição, inspirada pelo Tratado da Verdadeira Devoção à Virgem, de São Luis
Maria Grignion de Montfort. A escravidão a Jesus Cristo pelas mãos de Maria
Santíssima existe há pelo menos 300 anos na Igreja e tem como praticantes papas
e santos como São João Paulo II e outros. No entanto, a palavra tem um sabor
pérfido na opinião pública leiga, sugerindo maliciosamente supostos abusos ou
submissão etc, insinuando proximidade com seitas e cultos alheios á doutrina
católica. Com essa maliciosa jogada semiótica, os produtores seguiram o
imaginário impuro dos próprios denunciantes que, como um dos perseguidores dos
Arautos confessou, “eu não suporto a pureza deles”.
O grande trunfo na
mão dos adversários da instituição, assim como da HBO, é o desconhecimento do
grande público sobre elementos básicos da doutrina católica, como obediência,
disciplina, castidade, valores que o mundo moderno rejeita e a Igreja sempre
conservou.
Um exemplo claro
foi a exploração de cenas típicas de qualquer paróquia usadas para ilustrar
insinuações de supostos abusos. Cenas de ordenações, nas quais tradicionalmente
os candidatos deitam-se no chão de bruços, o tapa do Crisma, gesto leve feito
no rosto do crismando para confirmá-lo, tudo isso para ilustrar suposto
constrangimento e humilhação. Em situações normais, isso dispensaria
explicações.
No entanto,
acusações ganham aparência de verdade quando ditas em linguagem investigativa,
fotografia sombria e sussurros produzidos em estúdios. Até mesmo fatos
investigados e rejeitados pela Justiça podem parecer esconder uma verdade secreta.
O nível das
denúncias
Consta no
livro O
Comissariado dos Arautos do Evangelho. Sancionado sem provas, sem defesa, sem
diálogo. Crônica dos acontecimentos 2017–2025, dossiê
documentado sobre a perseguição orquestrada contra a instituição, houve quem
procurasse desencorajar que se acusasse os arautos de desvios morais. Desafetos
que têm suas diferenças doutrinais com os Arautos, aconselharam a “não ir por
este caminho” pois segundo eles não daria certo. Eles conheciam o zelo dos
Arautos em relação a questões morais. Mas ao que parece aquele conselho não foi
ouvido.
Em um comentário
trocado por Prelados do Vaticano sobre a primeira das denúncias, um deles
comentava ao delegado da Congregação para a Doutrina da Fé:
— “A denúncia não
está assinada, é carta anônima. No meu tempo, carta anônima denunciando alguém
era igual a lixo”.
O investigador
respondeu:
— “Para mim também,
mas eu tenho que obedecer ao que me foi pedido pela Nunciatura”.
Assim, depois de
tudo devidamente apurado, a denúncia fora arquivada.
Alguns anos depois,
veio a segunda tentativa, já logo após a Visita Apostólica, Com uma
falsificação incrivelmente grosseira que foi logo descoberta pela Nunciatura,
essa nova investida havia sido mais planejada. Reunidos no Chile com desafetos
antigos que maquinavam a anos uma forma de atingir a obra de Monsenhor João, o
grupo procurou a nunciatura do Chile para levar a denúncia diretamente à
Congregação para a Doutrina da Fé, já que no Brasil a visita havia também não
encontrado nada que desabonasse a instituição.
Então veio outra
denúncia semelhante feita por uma denunciante que sequer estava presente. Ou
seja, ela “ouviu dizer”. Depois disso, houve mais uma tentativa derradeira de
macular a imagem do fundador dos Arautos. Tratou-se de um homem, ex-membro e
afastado por problemas morais, que depois de muitos anos de bons
relacionamentos com os Arautos foi contatado por antigos membros da extinta TFP
para alegar suposta “violação de sigilo de confissão”, um crime grave para um
padre.
No entanto, a
denúncia foi desmentida antes mesmo de se iniciar a investigação. O cardeal Dom
Jaime Spengler, que não é nada simpático aos Arautos e até tinha proximidade
suspeita com o grupo de caluniadores, foi quem considerou a denúncia totalmente
descabida.
No documentário, há
a menção do caso da Irmã Lívia, falecida em um acidente numa das casas do ramo
feminino dos Arautos, no qual ela caiu de uma janela durante o dia de limpeza
em 2016. O caso foi investigado pelo Ministério Público e o parecer concluía
tratar-se realmente de um acidente. No entanto, passados dois anos do acidente,
surgem versões que insinuavam um suicídio ou homicídio. Sem qualquer base para
essa alegação, a versão começou a circular até chegar à conhecida reportagem do
Fantástico. No canal dos Arautos do Youtube, há um vídeo feito por eles durante
as gravações da reportagem, no qual se vê claramente o pai da irmã Lívia
tentando falar com o repórter, que negava-se a entrevistá-lo. Ou seja, a versão
que a Globo pretendia dar já estava definida de antemão.
Produção
cinematográfica de “provas”
No Brasil, quem tem
nas mãos a máquina do sensacionalismo não precisa de sistema judiciário nem de
provas para condenar no tribunal paralelo da mídia. Foi o que aconteceu no caso
conhecido da “Escola Base”, ocorrido nos anos 90, no qual famílias foram
destruídas por acusações falsas conduzidas por reportagens jornalísticas. O
caso até hoje é objeto de estudo nas faculdades de jornalismo como uma grande
catástrofe causada pelos jornais. Será uma repetição? Quem não conhece essa
história, basta ler o artigo do advogado Marco Antonio Machado, publicado
recentemente no Correio Brasiliense, em que conta a história
apontando as preocupantes semelhanças com a perseguição atual sofrida pelos
Arautos do Evangelho.
De fato, a série
“Escravos da Fé” já está sendo criticada até mesmo por pessoas que nem conhecem
a instituição católica, dada a má fé estampada em suas propagandas e no
sensacionalismo da produção.
Apostando na
impunidade de um Judiciário que enfrenta com desdém escandaloso, a HBO entrou
de cabeça nas histórias “vendidas” pela seita de desafetos do grupo, resultando
em uma ficção cuja verossimilhança é garantida pela histórica má fé da imprensa
com o catolicismo. Com isso, a produtora pode estar entrando em um terreno
perigoso ao disseminar fake news contra instituições católicas. O resultado
disso será, certamente, o aumento do ódio aos cristãos, tendência que vem
crescendo em todo o mundo devido em grande parte à campanhas midiáticas
anticatólicas.
O ataque da HBO não
é apenas aos Arautos do Evangelho, mas ao centro da tradição católica
conservada pela instituição que foi inspirada na obra de Plinio Corrêa de
Oliveira, chamado de “Cruzado do século XX” por historiadores, elogiado e
condecorado pelo Papa São Paulo VI. Monsenhor João Clá, por sua vez, ao
transformar a obra de doutor Plinio em uma verdadeira ordem de cavalaria
moderna, inseriu a tradição católica no século XXI.
Aprovados por São
João Paulo II e Bento XVI, os Arautos constituem uma associação católica de
sólida formação. O Papa Bento XVI, em entrevista publicada com o título Luz do
Mundo, de Peter Seewald, disse que os Arautos do Evangelho eram um sinal de
vitalidade na Igreja da América Latina, “jovens cheios de entusiasmo por terem
reconhecido em Cristo o Filho de Deus, e desejosos de anunciá-Lo ao mundo”.
Em 2009, Monsenhor
João recebeu uma homenagem do mesmo Papa na Basílica dos Arautos, pelas mãos do
Cardeal Franc Rodé, que declarou dirigindo-se ao fundador dos Arautos:
“Neste
empreendimento, nascido em vosso nobre coração, não podemos deixar de ver uma
graça particular dada à Igreja, um ato da Divina Providência em vista das
necessidades do mundo de hoje”.
Começa-se a
compreender a afirmação de um dos perseguidores dos Arautos quando diz, no
documentário, a frase: “eu não sei como que isso pode existir no século XX”.
Extraído de:

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