Há uma verdade que, a bem dizer, é experimental
dentro da Santa Igreja: quando uma associação religiosa vai mal, ou o andamento
de uma iniciativa de apostolado está difícil, quando qualquer empreendimento
santo não está despertando o interesse desejado
nem criando raízes no povo, o meio que se tem para resolver as dificuldades,
o caminho a seguir para tudo resolver, é colocar essas obras sob a égide de
Nossa Senhora.
O mais insigne desses exemplos é a cruzada
pregada contra os albigenses. Como sabemos, eles vivam na região de Albi, no
sul da França, e eram tão pertinazes, que não havia meio de os dominar. Nossa
Senhora revelou então a São Domingos de Gusmão uma devoção a Ela, mediante a
qual os hereges seriam subjugados. E, de fato, depois de difundida a devoção ao
Santo Rosário, a heresia dos albigenses começou a ser debelada. Há ainda fatos
menores, mas também muito sintomáticos.
Onde se encontra a Santíssima Virgem, tudo
floresce.
As Congregações Marianas tiveram um
florescimento enorme no Brasil, devido precisamente ao culto a Nossa Senhora.
Toda a vida católica no Brasil foi florescentíssima no tempo em que não havia
esse maldito combate à devoção a Nossa Senhora. É só minguar de qualquer forma
a devoção a Ela, que imediatamente todas as coisas começam a decair.
A prova mais insigne do que digo foi o efeito
letal que produziu o jansenismo na França., no século XVIII. Essa heresia, como
sabemos, combate a devoção a Maria Santíssima. Foi suficiente que o jansenismo
começasse a se lançar nesta sanha anti-marial diabólica para que a vida
espiritual deperecesse nas paróquias atingidas pela heresia. As estatísticas
que, já naquele tempo, se faziam com regularidade, mostram o número assombroso
de comunhões que decrescem, de batizados que escasseiam, de casamentos que
decaem, e assim todos os demais índices de vida religiosa passam a exprimir um
deperecimento.
Qual a razão? Nossa Senhora fora eliminada da
vida religiosa!
Esta verdade se põe com a clareza de uma
constatação de laboratório, onde a demonstração da eficácia de um corpo faz-se
colocando-se o corpo em presença de outro; passa-se, então, certo fenômeno; tirando-se
o corpo, o fenômeno deixa de produzir; sendo colocado de novo, volta a se
repetir o fato. Daí se deduz que aquele corpo é causa daquele fenômeno. Assim
também com a devoção a Nossa Senhora: onde há devoção a Maria, tudo floresce;
extinta dessa devoção, tudo mingua; restaurada novamente, tudo volta a
florescer.
A razão disso é profunda e teológica. São Luís
Grignion mostra que, se Nossa Senhora tem uma grande influência na geração dos
membros do Corpo Místico, Ela implicitamente tem um grande poder sobre as
almas, porque Ela não poderia obter a geração do Corpo Místico se não tivesse
esse poder.
A devoção a Maria Santíssima age sobre as
almas, e o faz de forma imensamente poderosa; por isso, as conversões mais
profundas, as mudanças de espírito mais surpreendentes, as graças espirituais
mais assinaladas são produzidas por essa devoção.
Em consequência, Nossa Senhora deve ser chamada
a Rainha dos Corações. É uma das
mais belas invocações a Ela dirigidas.
(Extraído de conferência que Dr.
Plínio fez para seu iniciante grupo de filhos espirituais em 1951,
comentando o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Posteriormente,
em 1967, o Autor fez revisões no texto e o mesmo foi divulgado internamente em
forma circular.)

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