sexta-feira, 8 de maio de 2026

MARIA É A RAINHA DOS CORAÇÕES

 

 

(Revista Dr. Plínio, n. 16, julho de 1999)

 

 Vimos como São Luís Grignion mostrou no início de seu Tratado o papel de Nossa Senhora na Encarnação do Verbo e na Redenção do gênero humano. A partir desse papel, concluiu ele que, se na Encarnação do Verbo e na Redenção do gênero humano, foi tão profundo o alcance da missão de Nossa Senhora, evidentemente deve sê-lo também na obra da salvação das almas. Vimos, então, como ele analisou as relações de Nossa Senhora com Deus Padre, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo, na geração dos membros do Corpo Místico de Nosso Senhor Jesus Cristo, que somos cada um de nós. Dessas verdades, tira ele uma conclusão quase óbvia: Nossa Senhora tem um grande poder sobre as almas.

Há uma verdade que, a bem dizer, é experimental dentro da Santa Igreja: quando uma associação religiosa vai mal, ou o andamento de uma iniciativa de apostolado está difícil, quando qualquer empreendimento santo não está despertando o interesse desejado  nem criando raízes no povo, o meio que se tem para resolver as dificuldades, o caminho a seguir para tudo resolver, é colocar essas obras sob a égide de Nossa Senhora.

O mais insigne desses exemplos é a cruzada pregada contra os albigenses. Como sabemos, eles vivam na região de Albi, no sul da França, e eram tão pertinazes, que não havia meio de os dominar. Nossa Senhora revelou então a São Domingos de Gusmão uma devoção a Ela, mediante a qual os hereges seriam subjugados. E, de fato, depois de difundida a devoção ao Santo Rosário, a heresia dos albigenses começou a ser debelada. Há ainda fatos menores, mas também muito sintomáticos.

Onde se encontra a Santíssima Virgem, tudo floresce.

As Congregações Marianas tiveram um florescimento enorme no Brasil, devido precisamente ao culto a Nossa Senhora. Toda a vida católica no Brasil foi florescentíssima no tempo em que não havia esse maldito combate à devoção a Nossa Senhora. É só minguar de qualquer forma a devoção a Ela, que imediatamente todas as coisas começam a decair.

A prova mais insigne do que digo foi o efeito letal que produziu o jansenismo na França., no século XVIII. Essa heresia, como sabemos, combate a devoção a Maria Santíssima. Foi suficiente que o jansenismo começasse a se lançar nesta sanha anti-marial diabólica para que a vida espiritual deperecesse nas paróquias atingidas pela heresia. As estatísticas que, já naquele tempo, se faziam com regularidade, mostram o número assombroso de comunhões que decrescem, de batizados que escasseiam, de casamentos que decaem, e assim todos os demais índices de vida religiosa passam a exprimir um deperecimento.

Qual a razão? Nossa Senhora fora eliminada da vida religiosa!

Esta verdade se põe com a clareza de uma constatação de laboratório, onde a demonstração da eficácia de um corpo faz-se colocando-se o corpo em presença de outro; passa-se, então, certo fenômeno; tirando-se o corpo, o fenômeno deixa de produzir; sendo colocado de novo, volta a se repetir o fato. Daí se deduz que aquele corpo é causa daquele fenômeno. Assim também com a devoção a Nossa Senhora: onde há devoção a Maria, tudo floresce; extinta dessa devoção, tudo mingua; restaurada novamente, tudo volta a florescer.

A razão disso é profunda e teológica. São Luís Grignion mostra que, se Nossa Senhora tem uma grande influência na geração dos membros do Corpo Místico, Ela implicitamente tem um grande poder sobre as almas, porque Ela não poderia obter a geração do Corpo Místico se não tivesse esse poder.

A devoção a Maria Santíssima age sobre as almas, e o faz de forma imensamente poderosa; por isso, as conversões mais profundas, as mudanças de espírito mais surpreendentes, as graças espirituais mais assinaladas são produzidas por essa devoção.

Em consequência, Nossa Senhora deve ser chamada a Rainha dos Corações. É uma das mais belas invocações a Ela dirigidas.

 

 

(Extraído de conferência que Dr.  Plínio fez para seu iniciante grupo de filhos espirituais em 1951, comentando o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Posteriormente, em 1967, o Autor fez revisões no texto e o mesmo foi divulgado internamente em forma circular.)

 

 

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