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terça-feira, 25 de agosto de 2026

O JUÍZO FINAL - III

 

O JUÍZO FINAL COMO PREVISTO NO APOCALIPSE

Todos os mistérios envolvidos no Apocalipse estão apresentados sob a forma das cartas que São João envia às cidades do Oriente (em número de sete), os selos que o Cordeiro abre (também sete), as visões impressionantes do trono e da majestade divinos, as trombetas angélicas, etc. As sete cartas dirigidas às sete cidades ou igrejas orientais têm o caráter histórico da Igreja, como afirma o Bem-aventurado Holshauzer. Depois vêm os sete selos, pelos quais se relacionam os sete mistérios referentes aos preparativos para o fim do mundo. Quem abre os selos é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, chamado no Apocalipse de Cordeiro. A partir do sétimo é que se inicia a era preparatória do Juízo Final:

 “Sétimo selo. Tendo (o Cordeiro) aberto o sétimo selo, fez-se silêncio no céu, quase por meia hora.

Vi os sete anjos, que estavam em pé diante de Deus, aos quais foram dadas sete trombetas. Depois veio outro anjo e parou diante do altar, tendo um turíbulo de ouro. Foram-lhe dados muitos perfumes, a fim de que oferecesse as orações de todos os santos sobre o altar de ouro, que está diante do trono de Deus. O anjo tomou o turíbulo, encheu-o de fogo do altar, lançou-o sobre a terra, e houve trovões, vozes, relâmpagos e um grande terremoto. Então os sete anjos, que tinham as sete trombetas, prepararam-se para as tocar”.

Observar que os castigos do sétimo selo ainda não são os do fim do mundo, embora terríveis: apenas uma terça parte da terra é atingida, enquanto no fim do mundo é a terra toda.

“O primeiro anjo tocou a trombeta; formou-se uma chuva de granizo e fogo, de mistura com sangue, que foi atirada sobre a terra, e foi abrasada a terça parte da terra, e foi queimada a terça parte das árvores e toda a erva verde.  O segundo anjo tocou a trombeta; foi lançado ao mar como que um grande monte ardendo em fogo, e converteu-se em sangue a terça parte do mar, e a terça parte das criaturas que viviam no mar morreu, e a terça parte das naus pereceu. O terceiro anjo tocou a trombeta; caiu do céu uma grande estrela, a arder como um facho, e caiu sobre a terça parte dos rios e sobre as fontes das águas. O nome da estrela é Absinto; a terça parte das águas converteu-se em absinto e muitos homens morreram por causa daquelas águas, porque se tornaram amargosas. O quarto anjo tocou a trombeta; foi ferida a terça parte do sol, a terça parte da lua e a terça parte das estrelas, de maneira que se obscureceu a sua terça parte e o dia perdeu a terça parte do seu brilho, assim como também a noite.”   (9, 1-12)

Uma “estrela caída do céu” diz respeito, certamente, a alguma pessoa com grande vocação para barrar a Revolução não haver correspondido. Estrela é uma grande vocação, e céu é a Igreja. Dizer que ela tinha a chave do poço do abismo quer dizer que por causa de seu pecado as portas do infernos poderiam ser abertas, mas se  correspondesse à sua vocação os demônios não seriam soltos.

“O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela caída do céu sobre a terra, e foi-lhe dada a chave do poço do abismo. Ela abriu o poço do abismo; e subiu uma fumaça do poço, como fumaça de uma grande fornalha, e escureceu-se o sol e o ar com a fumaça do poço. Da fumaça do poço saíram gafanhotos para a terra, e foi-lhes dado poder, como o poder que têm os escorpiões da terra. Foi-lhes ordenado que não fizessem dano à erva da terra, nem a verdura alguma, nem a árvore alguma, ma somente aos homens que não têm o selo de Deus sobre as suas frontes. Foi-lhes ordenado, não que os matassem, mas que os atormentassem durante cinco meses; o tormento que causam é como o tormento do escorpião, quando fere um homem. Naqueles dias, os homens buscarão a morte e não a encontrarão, desejarão morrer e a morte fugirá deles.

Os gafanhotos eram parecidos a cavalos aparelhados para a batalha; sobre as suas cabeças (tinham) um espécie de coroas semelhantes ao ouro, e os sus rostos eram como rostos de homens; tinham os cabelos como os cabelos das mulheres, e os seus dentes eram como os dentes de leões; tinham couraças como couraças de ferro, e o estrondo das suas asas era como o estrondo de carros de muitos cavalos que correm ao combate; tinham caudas semelhantes às dos escorpiões, e havia aguilhões nas suas caudas, em que estava o poder de fazer o mal aos homens durante cinco meses; tinham sobre si como rei o anjo do abismo, chamado em hebraico Abadon e em grego Exterminador”.    (9, 1-11).

O tempo de “cinco meses” poderia muito bem relacionar-se com os cinco séculos em que predominou a Revolução.

“O sexto anjo tocou a trombeta, e ouvi uma voz (que saía) dos quatro cantos do altar de ouro, que está diante dos olhos de Deus, a qual dizia ao sexto anjo, que tinha a trombeta: Solta os quatro anjos que estão atados no grande rio Eufrates. Então foram desatados os quatro anjos que estavam preparados para a hora, dia, mês e ano, para matarem a terça parte dos homens.  O número dos de cavalaria eram de duzentos milhões: ouvi dizer o número.  Eis como vi na visão os cavalos e os que estavam montados neles: tinham couraça de cor de fogo, de jacinto e de enxofre; as cabeças dos cavalos eram cabeças de leões e da sua boca saía fogo, fumo e enxofre. Por estas três pragas: pelo fogo, pelo fumo e pelo enxofre, que saíam da sua boca, foi morta a terça parte dos homens. O poder dos cavalos estava na sua boca e nas suas caudas, porque as suas caudas assemelhavam-se a serpentes, tinham cabeças e com elas faziam mal”.

Os pecados cometidos pelos homens dizem respeito à idolatria e coisas similares, enquanto que no fim do mundo o grande pecado  será a adoração da besta, uma espécie de “demonolatria”. Isto mostra que tais castigos ainda não dizem respeito ao fim do mundo. Provavelmente se referem aos que Nossa Senhora previu em Fátima:

“Os outros homens que não foram mortos por estas pragas, não fizeram penitência das obras das suas mãos, de modo a não adorarem os demônios e os ídolos de ouro, de prata, de cobre, de pedra e de madeira, que não podiam ver, nem ouvir, nem andar, e não fizeram penitência dos seus homicídios, nem dos seus malefícios, nem da sua fornicação, nem dos seus furtos.”  (9, 13-21).

“Não fizeram penitência”, quer dizer, os castigos ainda se destinam a tentar converter as pessoas.

“Depois vi outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem, com o arco-íris sobre a sua cabeça; o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo; tinha na sua mão um livrinho aberto, pôs o pé direito sobre o mar, o esquerdo sobre a terra, e gritou em alta voz, como um leão quando ruge. Depois que gritou, sete trovões fizeram ouvir as suas vozes. Depois que os trovões fizeram ouvir as suas vozes, eu dispunha-me a escrevê-las, mas ouvi uma voz do céu que me dizia: Sela as palavras dos sete trovões e não as escrevas. O anjo, que eu vira de pé sobre o mar e sobre a terra, levantou a sua mão ao céu e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, que criou o céu e tudo o que nele há, a terra e tudo o que nela há, o mar e tudo o que nele há, que não haveria mais tempo, mas que nos dias da voz do sétimo anjo, quando começasse a soar a trombeta, se cumpriria o mistério de Deus, como ele o anunciou pelos profetas seus servos.”  (10, 1-7).

“Que não haveria mais tempo”, quer dizer, os castigos que virão não se destinam mais a converter as pessoas, que tiveram o tempo necessário nos castigos anteriores. Agora, cumprir-se-á apenas o castigo final com o respectivo julgamento divino.

Santo Elias e Santo Enoque serão mortos pelo poder do Anticristo, mas ressuscitarão. Onde está a grande vitória deles?  É que os bons, que o seguirão, não aderirão ao Anticristo, ficarão fiéis até o fim e presenciarão a ressurreição vitoriosa de seus dois guias e líderes:

“Darei às minhas duas testemunhas o poder de profetizar, revestidos de saco, durante mil duzentos e sessenta dias. Estes são as duas oliveiras e os dois candelabros, postos diante do Senhor da terra. Se alguém lhes quiser mal, sairá fogo das suas bocas, que devorará os seus inimigos; se alguém os quiser ofender, é assim que deve morrer. Eles têm poder de fechar o céu, para que não chova durante o tempo que durar a sua profecia, e têm poder sobre as águas, para as converter em sangue, e de ferir a terra com todo o gênero de pragas, todas as vezes que quiserem. Depois que tiverem acabado de dar o seu testemunho, a fera, que sobe do abismo, fará guerra contra eles, vencê-los-á e matá-los-á.  O seus corpos ficarão estendidos nas praças da grande cidade, que se chama espiritualmente Sodoma e Egito, onde também o Senhor deles foi crucificado.

“Os homens das diversas tribos, povos, línguas e nações, verão os seus corpos durante três dias e meio, e não permitirão que sejam sepultados. Os habitantes da terra se alegrarão por causa deles, farão festas e mandarão presentes uns aos outros, porque estes dois profetas tinham atormentado os que habitavam sobre a terra. Mas, depois de três dias e meio, o espírito de vida entrou neles da parte de Deus, e eles puseram-se de pé, e apoderou-se um grande temor dos que os viram. Ouviu-se uma grande voz do céu, que lhes dizia: subi para cá. Subiram ao céu numa nuvem e viram-nos os seus inimigos. Naquela mesma hora deu-se um grande terremoto, caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; os restantes foram atemorizados e deram glória ao Deus do céu.” (Ap 11, 3-13).

“Depois vi outro anjo, voando pelo meio do céu, que tinha o Evangelho eterno, para pregar aos habitantes da terra, a toda a nação, tribo, língua e povo, dizendo em alta voz: temei o Senhor e dai-lhe glória, porque é chegada a hora do seu juízo, e adorai aquele que fez o céu e a terra, o mar e as fontes das águas”

Babilônia é mais uma figura simbólica. Que quer significar? Não pode se referir à cidade com o mesmo nome, já extinta.  No entanto, desde os tempos proféticos que Babilônia era citada como centro da idolatria, da gnose, da feitiçaria, do satanismo e da sensualidade. No caso, pode representar ela uma civilização inteira baseada nos erros da Babilônia antiga.  A Babilônia do Apocalipse seria, então, a civilização revolucionária e anticristã, a babel moderna, tudo o que representa a vida baseada nos erros da Revolução.

Outro anjo o seguiu, dizendo: caiu, caiu aquela grande Babilônia que faz beber a todas as gentes do vinho do furor da sua impudicícia.

Seguiu-se a este um terceiro anjo, dizendo em alta voz: Se alguém adorar a besta e a sua imagem, e receber o sinal dela  na sua testa ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus, lançado puro no cálice da sua ira, e será atormentado em fogo e enxofre, diante dos santos anjos e na presença do Cordeiro. A fumaça de seus tormentos se levantará pelos séculos dos séculos, sem que tenham descanso algum, nem de dia nem de noite, aqueles que tiverem adorado a besta e a sua imagem, e aqueles que tiverem recebido a marca do seu nome. Aqui está a paciência dos santos, que guardam os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.

Ouvi uma voz do céu, que me dizia: Escreve: Bem-aventurados os mortos, que morrem no Senhor. De hoje em diante diz o Espírito que descansem dos seus trabalhos, porque as suas obras os seguem.

Depois olhei e vi uma nuvem branca e uma pessoa sentada sobre a nuvem semelhante ao Filho do Homem, a qual tinha na sua cabeça uma coroa de ouro, e na sua mão uma foice aguda. Outro anjo saiu do templo, gritando em alta voz para o que estava sentado sobre a nuvem: Lança tua foice e sega, porque é chegada a hora de segar, pois a seara da terra está seca. Então, o que estava sentado sobre a nuvem lançou a sua foice à terra e a terra foi segada.

Outro anjo saiu do templo que há no céu, tendo também ele mesmo uma aguda foice. Saiu do altar outro anjo, que tinha poder sobre o fogo, e gritou em alta voz para o que tinha a foice aguda, dizendo: Lança tua foice aguda, vindima os cachos da vinha da terra, porque as suas uvas estão maduras. O anjo lançou sua foice aguda à terra, vindimou a vinha da terra e lançou-a no grande lagar da ira de Deus.  O lagar foi pisado fora da cidade, e do lagar saiu sangue (que subiu) até aos freios dos cavalos, num espaço de mil e seiscentos estádios.  (14, 6-20)

Começa a descrição da consumação dos tempos:

“Depois vi no céu outro sinal grande e admirável; sete anjos que tinham as sete últimas pragas, porque com elas é consumada a ira de Deus. Vi um como mar de vidro misturado de fogo; e os que venceram a besta, a sua imagem e o número do seu nome, estavam sobre o mar de vidro, tendo cítaras divinas, e cantavam o cântico do servo de Deus, Moisés, e o cântico do Cordeiro, dizendo: grandes e admiráveis são as tuas obras, ó Senhor Deus onipotente; justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Reis dos séculos.

Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome?  Com efeito, só tu és misericordioso; em consequência do que todas as nações virão e se prostrarão na tua presença porque os teus juízos foram manifestados.

Depois disto, vi que se abriu o templo do tabernáculo do testemunho no céu. Os sete anjos, que traziam as sete pragas, saíram do templo, vestidos de linho puro e branco e cingidos pelos peitos com cintas de ouro. Então, um dos quatro animais deu aos sete anjos sete taças de ouro, cheias da ira de Deus, que vive pelos séculos dos séculos. O templo encheu-se de fumo pela majestade de Deus e pela sua virtude, e ninguém podia entrar no templo, enquanto se não cumprissem as sete pragas dos sete anjos. (15, 1-7).

 

As taças da ira de Deus começam a ser derramadas

“Ouvi uma grande voz (que saía) do templo, a qual dizia aos sete anjos: ide e derramai sobre a terra as sete taças da ira de Deus.  Foi o primeiro e derramou a sua taça sobre a terra, e formou-se uma úlcera cruel e maligna nos homens que tinham o sinal da besta, e naqueles que adoraram a sua imagem.

O segundo anjo derramou a sua taça sobre o mar e converteu-se em sangue como de um corpo morto e morreu no mar todo o ser vivo.

O terceiro anjo derramou a sua taça sobre os rios e sobre as fontes das águas, e converteram-se estas em sangue. Ouvi o anjo das águas, que dizia: Justo és, Senhor, que és e que eras, tu o Santo que isto julgaste; porque eles derramaram o sangue dos santos e dos profetas, deste-lhes também a beber sangue, pois assim o merecem. Ouvi outro que dizia do altar: Sim, certamente, Senhor onipotente, (são) verdadeiros e justos os teus juízos.

O quarto anjo derramou a sua taça sobre o sol e foi-lhe dado (poder de) afligir os homens com ardor e fogo. Os homens abrasaram-se com um grande calor e blasfemaram do nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas, e não se arrependeram para lhe darem glória.

O quinto anjo derramou a sua taça sobre o trono da besta, e o reino dela tornou-se tenebroso, e (os homens) mordiam a língua com a dor, e blasfemaram do Deus  do céu por causa das suas dores e úlceras, e não se arrependeram das suas obras.

O sexto anjo derramou a sua taça sobre aquele grande rio Eufrates, e secaram-se as suas águas, a fim de se abrir caminho aos reis do oriente.

Vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta, três espíritos imundos semelhantes a rãs, que são espíritos de demônios, que fazem prodígios, e que vão aos reis de toda a terra, a fim de os juntar para a batalha no grande dia do Deus onipotente. Eis que venho como um ladrão (diz o Senhor). Bem-aventurado aquele que vigia e guarda as suas vestes, para que não ande nu e não vejam a sua vergonha. Ele os juntou num lugar que, em hebraico, se chama Armagedon.

Na Cruz, Nosso Senhor pronunciou o “Consumatum est” referente à Sua Missão na primeira vinda à terra; no Juízo Final, repetirá a frase, mas desta forma como sinal da consumação de sua Obra e do fim dos tempos:

O sétimo anjo derramou a sua taça pelo ar, e saiu uma grande voz do templo (vindo) do trono, que dizia: está feito. Seguiram-se relâmpagos, vozes e trovões, e houve um grande terremoto, tão grande que nunca houve outro igual desde que existiram homens sobre a terra. A grande cidade foi dividida em três partes, e as cidades das nações caíram; e Babilônia, a grande, foi recordada por Deus, para lhe dar a beber o cálice do vinho da indignação da sua ira. Todas as ilhas fugiram e os montes não foram achados. Caiu do céu sobre os homens uma grande chuva de pedras, como do peso de um talento. Os homens blasfemaram de Deus, por causa da praga da pedra, porque foi grande em extremo”.  (16, 1-21)

Nota: “Armagedon” – Significa “monte do Megido ou Magedon”.  Simboliza a carnificina e a derrota (Jz 5, 19; Zac 12, 11), celebrizada pela derrota do rei Josias (2 Reis 23, 29).

“Depois disto, vi descer do céu outro anjo, que tinha um grande poder: a terra foi iluminada com sua glória. E exclamou fortemente, dizendo: Caiu, caiu Babilônia, a grande, e tornou-se habitação de demônios, guarida de todo o espírito imundo e albergue de toda a ave hedionda e abominável, porque todas as nações beberam do vinho da cólera da sua impudicícia e os reis da terra se mancharam com ela e os mercadores da terra tornaram-se ricos com o excesso de seu luxo”.

Quando a civilização gnóstica e igualitária, chamada Babilônia, começar a ser destruída, Deus providenciaria um espécie de “êxodo” para dela separar os bons dos maus.

Ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para não seres participantes dos seus delitos e para não seres compreendido nas suas pragas, porque os seus pecados chegaram até ao céu e o Senhor lembrou-se das suas iniquidades. Retribuí-lhe como ela mesma vos tratou, e dai-lhe o dobro conforme as suas obras; na taça que ela vos deu a beber, dai-lhe a beber dobrado. Quanto ela se glorificou e viveu em delícias, tanto lhe dai de tormento e pranto, porque diz no seu coração: Estou sentada como rainha, não sou viúva e não  verei o pranto. Por isso, num mesmo dia, cairão sobre ela as pragas, a morte, o pranto e a fome, e será abrasada em fogo, porque é forte o Deus que a há de julgar. (18, 1-8).

Toda uma civilização baseada na adoração do dinheiro, do comércio, do luxo, do gozo, será destruída - a “bancarrota financeira”:

“Chorá-la-ão os reis da terra, que pecaram com ela e viveram em delícias, quando virem a fumaça do seu incêndio. Estando de longe, com medo dos tormentos dela, dirão: Ai, ai daquela grande cidade de Babilônia, daquela cidade forte! Num momento veio o seu juízo! Os negociantes da terra a chorarão e a lamentarão, porque ninguém comprará mais as suas mercadorias: mercadores de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho fino, de púrpura, de seda, de escarlate, toda a madeira odorífera, todos os vasos de marfim, todos os vasos de pedras preciosas, de bronze, de ferro, de mármore, o cinamomo, as essências, os bálsamos, o incenso, o vinho, o azeite, a flor da farinha, o trigo, os animais de carga, as ovelhas, os cavalos, as carroças, os escravos e até almas humanas.  Os frutos desejados pela tua alma se retiraram de ti e todas as coisas pingues e magníficas se perderam para ti, e não mais se encontrarão. Os mercadores destas coisas, que se enriqueceram, estarão longe dela com medo dos seus tormentos, chorando, lamentando-se e dirão: Ai, ai daquela grande cidade, que estava vestida de linho fino, de púrpura e de escarlate, e que se adornava de ouro, pedras preciosas e de pérolas! Como num momento foram reduzidas a nada tantas riquezas!  Todos os pilotos e todos os que navegam no mar, os marinheiros e quantos negociam sobre o mar, ficaram ao longe, e, vendo o lugar do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade houve semelhante a esta grande cidade? Lançaram pó sobre as suas cabeças e fizeram alaridos, chorando e lamentando-se assim:  Ai, ai daquela grande cidade, de cujas riquezas se enriqueceram todos os que tinham navios no mar! Num momento foi arruinada!

Exulta sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas, porque Deus, julgando-a, fez-vos justiça.

Então um anjo forte levantou uma pedra como uma grande mó de moinho e lançou-a no mar, dizendo: Com este ímpeto será precipitada aquela grande cidade de Babilônia e não será jamais encontrada.  Não se ouvirá mais em ti a voz dos tocadores de cítara, dos músicos, dos tocadores de flauta e de trombeta; não se encontrará mais em ti artista algum de qualquer arte, nem se tornará  mais a ouvir o ruído da mó. Nem luzirá mais a luz da lâmpada, não se ouvirá mais em ti a voz do esposo e a da esposa, porque os teus mercadores eram uns príncipes da terra, porque por causa dos teus encantamentos erraram todas as nações. Nesta cidade foi encontrado o sangue dos profetas e dos santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.  (18, 9-24).

 

O Reino de Maria é comemorado no céu

“Ouvi uma espécie de voz de grande multidão, voz como ruído de muitas águas e como o estampido de grandes trovões, a dizer:  Aleluia, porque tomou posse do seu reino o Senhor nosso Deus onipotente.  Alegremo-nos, exultemos e demos-lhe glória, porque chegaram as bodas do Cordeiro, e sua esposa está ataviada. Foi-lhe dado o vestir-se de finíssimo linho, resplandecente e branco. Este linho fino são as virtudes dos santos

“E (o anjo) disse-me: Escreve: Bem-aventurado os que foram chamados à ceia das bodas do Cordeiro! E ajuntou: Estas palavras de Deus são verdadeiras. Então, caí a seus pés para me prostrar diante dele. E ele disse-me: Vê, não faças tal; eu sou servo como tu e como teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus. Com efeito, o testemunho de Jesus é o espírito de profecia. (19, 6-10).

A realeza divina é reconhecida na Terra pela Igreja Militante

“Seguiam-no [o Verbo de Deus] os exércitos que estão no céu, em cavalos brancos, vestidos de fino linho branco e puro. Da sua boca saía uma espada de dois gumes, para ferir com ela as nações; ele as governará com cetro de ferro e ele mesmo pisa o lagar do vinho do furor da ira de Deus onipotente. No seu vestido e na sua coxa, traz escrito: Rei dos reis, e Senhor dos senhores” (19, 14-16)

 

O Reino de Maria será um festim divino

“Vi um anjo, que estava de pé no sol, chamar com voz forte a todas as aves, que voavam pelo meio do céu: Vinde e juntai-vos para a grande ceia de Deus, a fim de comerdes carne de reis, carne de tribunos, carne de poderosos, carne de cavalos e dos que neles montam, carne de todos, livres e escravos, pequenos e grandes”  (19, 17-19)

 

Mas que não isenta de grandes batalhas

“E vi a besta, os reis da terra e os seus exércitos, reunidos para fazerem guerra àquele que estava montado sobre o cavalo e ao seu exército. A besta foi presa e com ela o falso profeta, que fez prodígios na sua presença, com os quais tinha seduzido os que tinham recebido o caráter da besta e tinham adorado a sua imagem. Foram ambos lançados vivos no tanque de fogo a arder com enxofre. Os outros foram mortos pela espada que saía da boca do que estava montado sobre o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes” (19, 19-21)

 

Lúcifer é acorrentado até o fim do mundo

“Vi descer do céu um anjo que tinha na sua mão a chave do abismo e uma grande corrente. Prendeu o dragão, a serpente antiga, que é o demônio e satanás, e amarrou-o por mil anos; meteu-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não seduza mais as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, deve ser solto por um pouco de tempo”.  (20, 1-3).

 

Preparativos para o Grande Juízo Universal

“Vi tronos e (vários personagens que) se sentaram sobre eles e lhes foi dado o poder de julgar; vi também as almas daqueles que foram degolados por causa do testemunho de Jesus e por causa da palavra de Deus, e aqueles que não adoraram a besta nem a sua imagem, nem receberam o seu caráter sobre a fronte ou sobre as suas mãos e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.

 

Ressurretos viverão até o Juízo Final

“Os outros mortos não tornarão à vida até se completarem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; a segunda morte não tem poder sobre estes, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele durante mil anos”.  (20, 4-6).

Somente quando se completarem os “mil anos” os demônios serão soltos novamente: e aí chegará o fim dos tempos:

“Quando se completarem os mil anos, satanás será solto da sua prisão, sairá e seduzirá as nações que estão nos quatro ângulos da terra, Gog e Magog, e os juntará para a batalha: o seu número é como a areia do mar”. (20, 7)

 

O olhar de Jesus no Juízo Final

Assim, podemos imaginar como o olhar de Nosso Senhor refletiu o Seu bondoso Coração enquanto viveu entre os homens. Já antes de nascer, os místicos dizem que Ele se privou da luz de seus olhos no seio virginal de Maria Santíssima como um verdadeiro martírio, prevendo já os piores momentos que iria passar ao final de Sua vida. Ao nascer, derramou todo seu inocente olhar dentro dos olhos de Sua Mãe Santíssima, com a qual teve colóquios e olhares amorosos durante toda a vida terrena.

Em Sua Paixão e Morte, os olhares de Nosso Senhor Jesus Cristo percorriam a multidão à procura de um olhar e um coração piedosos que tivessem compaixão d’Ele. Procurava aquele contato amoroso que teve com Santa Madalena, de Coração a coração através do simples gesto do olhar, a fim de atrair as almas para Si. Até que os ímpios lhe vendaram os olhos para que não tocasse tão bondosamente os olhares das pessoas que estavam ali e as convertesse. Ao ter seu corpo deitado no santo sepulcro taparam seus olhos com duas moedas, a forma como é visto hoje no Santo Sudário de Turim. Quis assim ficar impedido de exercer seu juízo sobre os homens naquele momento para exercê-lo em sua plenitude no Juízo Final.

Finalmente, no Juízo Final teremos o último olhar de Jesus Cristo, que será terrível para os ímpios e cheio de bondade para os justos. Refletirá nesse momento tanto o Coração cheio de bondade e misericórdia quanto de Justiça. Naquele momento ninguém terá poder suficiente para lhe colocar uma venda como o fizeram na sua Paixão.

Santa Catarina de Siena diz como será aquele olhar final: “Aos olhos do condenado, sem embargo, ele aparecerá com aquele olhar terrível e tenebroso, que tem o mesmo condenado em si mesmo”.

Completa Santa Catarina dizendo que isso não quer dizer que Jesus Cristo, a Bondade suma e infinita, tenha um “olhar temível e tenebroso”, mas sim que será esta a forma com que o condenado O verá por “ter o mesmo olhar dentro de si mesmo”...

Santa Teresa de Jesus manifesta também grande temor daquele olhar terrível:

“Nunca tive tanto medo dos tormentos do inferno que não fosse menos que nada em comparação do que tinha quando me lembrava que os condenados haviam de ver irados estes olhos tão formosos e mansos e benignos do Senhor...”[1]

Eis como São João narra no Apocalipse como ocorreu o julgamento final:

“Depois vi um grande trono brilhante e um que estava sentado sobre ele, de cuja vista fugiram a terra e o céu e não deixaram rastos de si. Vi os mortos, grandes e pequenos, de pé diante do trono. Foram abertos os livros, e foi aberto outro livro, que é o da vida; e foram julgados os mortos pelas coisas que estavam escrita nos livros, segundo as suas obras. O mar deu os mortos que estavam nele, a morte e o inferno deram (também) os mortos que estavam neles e fez-se juízo de cada um segundo as suas obras. Depois, a morte e o inferno foram lançados no tanque de fogo (o tanque de fogo é a segunda morte). Aquele que se não achou inscrito no livro da vida, foi lançado no tanque de fogo”.  (20, 11-15).

 

Maldição lançada sobre quem deturpar o Apocalipse

 “Eu declaro a todos os que ouvem as palavras da profecia deste livro, que se alguém lhes fizer acréscimos, Deus o castigará com as pragas escritas neste livro. Se alguém tirar qualquer coisa, Deus lhe tirará a sua parte do livro da vida, da cidade santa e das coisas que estão escritas neste livro”.   (22, 18-19).

 

 

 

 



[1] Obras Completas de Santa Teresa de Jesus – Carmelo do Porto, Portugal – pág. 801

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