SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A velha moda, tão ciosa de ser sempre nova



Como surgiu a moda, a moderna moda, tão decantada aos quatro ventos por certos setores do "jet set" e da "sociality" moderna?  Sabe-se hoje, através de pesquisas históricas, que a moda teve início exatamente no mesmo período em que começou a decadência da Idade Média e surgiu o Renascimento.
É bem verdade que sempre houve épocas em que as novidades eram recebidas com sofreguidão pelas pessoas, mas não da forma como a moda se impôs e estabeleceu o seu império no mundo. Tanto nos homens quanto nas mulheres, a busca por idéias novas que causassem sensação, própria do renascimento, redundou também na moda do vestir. Como sempre, as mulheres foram sempre as mais ávidas pela moda.
No século XIII, quando o Papa Gregório X sentia necessidade de advertir os católicos sobre os perigos das vestimentas inconvenientes, principalmente para o sexo feminino, falava-se em corpetes apertados e um pouco decotados.  Mas no século seguinte, mais ou menos, deu-se início ao que os historiadores modernos chamam de moda.  Principalmente as mulheres das classes sociais mais altas, usavam uma peça chamada "gipon" em francês, uma espécie de gibão acolchoado na frente para realçar os seios, mas tão curto que os moralistas o denunciaram como indecente. Para realçar a sensualidade, embora de forma tímida ainda, tal gibão era bem apertado, mostrando a silhueta do corpo, abotoado na frente e com um cinto sobre os quadris.
A partir do século XIV era elegante usar as vestes sem lados, aberto nas laterais.  Na frente havia uma espécie de corpete, chamado "plackard", como se fosse um espartilho bem apertado. Posteriormente, se inovou ousadamente com um decote sensual e erótico para aqueles tempos.
Numa infindável sucessão de tempos, de lugares, de pessoas, se passou a querer copiar, como era natural, tudo o que as damas da alta sociedade faziam.  E a moda se expandia com todos os ventos favoráveis, inclusive com aspectos deploráveis. Quando chegamos ao século século XVI, surgiu na França um penteado chamado "rattependale", uma moda ditada pelos renascentistas, que era o corte de cabelo indígena das Américas, uma novidade em toda a Europa.
Ao contrário do que se possa imaginar, a moda dos cosméticos não surgiu logo após a Idade Média. Foi no século XVIII que tal costume se popularizou, chegando a certos exageros, principalmente na França e na Inglaterra.  A tal ponto que o Parlamento Britânico, em 1770, aprovou uma lei proibindo o uso de tintas e cremes nos rostos. Até mesmo os casamentos estariam passíveis de serem anulados, se por acaso um dos noivos tivesse usado de cosméticos para iludir o outro.
Nessa época, o exotismo já domina a moda na Europa. Os colonizadores de outros povos trazem para a França e a Inglaterra vários objetos e roupas orientais, o vestuário chinês, e até o turco, é aceito como a última palavra da moda. Surgem as “chinoiseries”, depois as “turqueries”, aspectos lembrados nas cançonetas que se ouviam em Paris, como uma em que é celebrizada a elegância do embaixador turco Zaida Effendi em 1741.


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