SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Gabriel Chalita e a questão do aborto no PT



Em entrevista ao Portal IG, publicada no último dia 06 de dezembro, o deputado Gabriel Chalita (Canção Nova) se mostra ressentido com os seus próprios correligionários na Fé (os católicos), os quais lhes vêm fazendo severas críticas pelo apoio que o mesmo deu à Dilma e ao PT. Como se sabe, em plena campanha política o deputado aceitou posar ao lado da candidata Dilma, exatamente no Santuário de Aparecida, no dia da festa de Nossa Padroeira, e na época em que acusavam a candidata de ser favorável ao aborto. Vejam a confusão que causou: ficaria em dúvida certa parcela de católicos se a candidata era ou não abortista, pois o apoio de um lider católico tido como seriamente contrário ao aborto indicaria que não. Tanto que milhares de católicos foram movidos a votar na candidata, mesmo na dúvida... ou mesmo na certeza, porém influenciados pelo personagem em quem acreditavam.
A Igreja tem experiências históricas com apoios dados a partidos e políticos. Há uma questão que deve ser prioritária: qual deve ser o papel das autoridades religiosas, sejam bispos ou mesmo seus auxiliares leigos no apostolado, em certas alianças políticas? Um caso típico foi o ocorrido quando era ainda cardeal José Sarto (futuro São Pio X), o qual pediu aos católicos apoiar certos políticos e partidos em campanha havida na Itália. A diferença é que o santo cardeal alertou os católicos qual deveria ser o verdadeiro sentido desta aliança: os católicos NUNCA devem ceder em pontos básicos, como os éticos e morais da nossa Religião, e o apoio deve se restringir a aspectos diplomáticos da política. É preciso ficar bem patente para a opinião pública que os políticos católicos não se aliam a determinada corrente porque apóiam seus princípios básicos, como o socialismo, o amor livre, o aborto, etc. E isto não ficou claro na aliança de Gabriel Chalita com o PT: pelo contrário, ficou bem patente que o deputado estava utilizando o seu prestígio e o da TV Canção Nova para promover um partido com sérios atritos com a Igreja.
O próprio Papa falou em reunião com o clero brasileiro, no último ano político, a necessidade dos religiosos interferirem na política. No bom sentido, é claro, essa intervenção deve ser no sentido dos políticos serem forçados (pela força que a Igreja tem perante a opinião pública) de cumprir o programa católico. Nesse caso a aliança deve exigir, antes de tudo, que os mandantes da política recuem em programas que a Igreja julga contrários aos princípios cristãos. Ora, houve isso quando Gabriel Chalita se aliou ao PT? É certo que a candidata teve certo recuo, talvez por habilidade política, mas não houve um recuo explícito nas questões morais e a do aborto. O compromisso do deputado com o PT chegou ao ponto de processar juridicamente uma entidade católica, a Comunidade Família de Deus, organismo que trabalha junto ao Regional Sul/02 da CNBB na Defesa da Vida. Acusava a Comunidade de fazer uma campanha negativa ao seu respeito, isto porque divulgou em seu site vídeos nos quais apresentavam Chalita apoiando o PT e seus candidatos abortistas e adeptos da causa dos gays.
A respeito dos compromissos havidos entre Gabriel Chalita e o PT, que rendeu altos dividendos ao PT na campanha para a presidência da república, não se fala em nenhuma vantagem para os católicos. Talvez alguma vantagem pessoal para Chalita (que aspira ser prefeito de São Paulo) e nada mais. Inclusive ficou muito mal para aquele deputado, que carreou milhares de votos católicos para o PT, fazer vistas grossas do programa petista que inclui o aborto e outras abominações condenadas pela Igreja. Para comprovar a crescente influência do PT sobre o deputado, conseguiu ele influenciar a direção da Canção Nova para conceder um programa ao presidente estadual do PT de São Paulo, Edinho Silva, um elemento que nem católica é, ou se o fosse não participaria de nenhum movimento leigo da Igreja, e tendo a palavra usada para fins escusos de seu partido. Agora, a Canção Nova numa solução salomônica, resolveu suspender todos os programas feitos por políticos, tirando do ar, além de Gabriel Chalita e Edinho, também o deputado federal Eros Biondini e a estadual do Rio, Miriam Rios.
No Blog “O Possível e Extraordinário” se poderá ver a que ponto a posição de Chalita é vulnerável perante os católicos, inclusive com a divulgação do vídeo em que o mesmo ataca os católicos e um outro em que Dilma afirmava (em época anterior à campanha política) ser a favor da descriminalização do aborto. Interessante que na entrevista concedida ao IG o deputado disse que é contra o aborto, mas “não é contra a mulher que faz o aborto”. Ora, o que quer dizer “ser contra a mulher que faz o aborto?” Quer dizer que a mesma deve ser punida pela lei, que o deputado disse que deve ser mantida. Então se ele é favorável que se mantenha a lei punindo quem faz o aborto, não deve dizer que não é contra a mulher que o pratica, pois todos os que praticarem o aborto ou o auxiliarem na prática, médico, enfermeiro, mulher ou qualquer outra pessoa, devem ser punidos pela lei, pois praticam um crime.

Nenhum comentário: