SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA

SÃO JOSÉ DE ANCHIETA E A NATUREZA
São José de Anchieta

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O PENSAMENTO PLINIANO NA MÍDIA ESCRITA (VI)

Amor ao papado (continuação)

Em documento publicado em diversos órgãos de imprensa de vários países em abril de 1974, cujo texto foi da lavra de Dr. Plínio, embora assinado por toda a diretoria da TFP, é feita a Declaração de Resistência à política de distensão do Vaticano com os regimes comunistas:

"II - Católicos apostólicos romanos
A diplomacia de distensão do Vaticano com os governos comunistas cria, entretanto, para os católicos anticomunistas, uma situação que os afeta a fundo, muito menos enquanto anticomunistas do que enquanto católicos. Pois a todo momento se lhes pode fazer uma objeção supremamente embaraçosa: a ação anticomunista que efetuam não conduz a um resultado precisamente oposto ao desejado pelo Vigário de Jesus Cristo? E como se pode compreender um católico coerente, cuja atuação ruma em direção oposta à do Pastor dos Pastores? Tal pergunta traz como conseqüência, para todos os católicos anticomunistas, uma alternativa: cessar a luta, ou explicar sua posição.
Cessar a luta, não o podemos. E é pelo imperativo de nossa consciência de católicos que não o podemos. Pois se é dever de todo católico promover o bem e combater o mal, nossa consciência nos impõe que difundamos a doutrina tradicional da Igreja, e combatamos a doutrina comunista.
O mundo contemporâneo ressoa por toda parte com as palavras "liberdade de consciência". São elas pronunciadas em todo o Ocidente, e até nas masmorras da Rússia ou de Cuba. Muitas vezes essa expressão , tão usada, toma até significados abusivos. Mas no que ela tem de mais legítimo e sagrado se inscreve o direito do católico, de agir na vida religiosa, mesmo na vida cívica, segundo os ditames de sua consciência.
Sentir-nos-íamos mais agrilhoados na Igreja do que o era Soljenistin na Rússia soviética, se não pudéssemos agir em consonância com os documentos dos grandes Pontífices que ilustraram a Cristandade com sua doutrina.
A Igreja não é, a Igreja nunca foi, a Igreja jamais será tal cárcere para as consciências. O vínculo da obediência ao Sucessor de Pedro, que jamais romperemos, que amamos com o mais profundo de nossa alma, ao qual tributamos o melhor de nosso amor. Este vínculo nós o osculamos no momento sumo em que, triturados pela dor, afirmamos a nossa posição. E de joelhos, fitando com veneração a figura de Sua Santidade o Papa Paulo VI, nós lhe manifestamos toda a nossa fidelidade.
Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nossa vida é Vossa. Mandai-nos o que quiserdes. Só não nos mandeis que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe".
Continuando, o texto agora vai definir a posição dos católicos anticomunistas como seguindo o exemplo de São Paulo, que "resistiu em face" do próprio São Pedro:

III - A solução, no Apóstolo São Paulo
Sim, Santo Padre - continuamos - São Pedro nos ensina que é necessário "obedecer a Deus antes que aos homens" (At. 5,29). Sois assistido pelo Espírito Santo e até confortado - nas condições definidas pelo Vaticano I - pelo privilégio da infalibilidade. O que não impede que em certas matérias ou circunstâncias a fraqueza a que estão sujeitos todos os homens possa influenciar e até determinar Vossa atuação. Uma dessas é - talvez por excelência - a diplomacia. E aqui se situa a Vossa política de distensão com os governos comunistas.
Aí o que fazer? As laudas da presente declaração seriam insuficientes para conter o elenco de todos os Padres da Igreja, Doutores, moralistas e canonistas - muitos deles elevados à honra dos altares - que afirmam a legitimidade da resistência. Uma resistência que não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão.
"Resistência" é a palavra que escolhemos de propósito, pois ela é empregada pelo próprio São Paulo para caracterizar sua atitude . Tendo o primeiro Papa, São Pedro, tomado medidas disciplinares referentes à permanência no culto católico de práticas remanescentes da antiga Sinagoga, São Paulo viu nisto um grave risco de confusão doutrinária e de prejuízo para os fiéis. Levanta-se então e "resistiu em face" a São Pedro (Gál. 2, 11). Este não viu, no lance fogoso e inspirado do Apóstolo das Gentes, um ato de rebeldia, mas de união e amor fraterno. E, sabendo bem no que era infalível e no que não era, cedeu ante os argumentos de São Paulo. Os Santos são modelos dos católicos. No sentido em que São Paulo resistiu, nosso estado é de resistência.
E nisto encontra paz nossa consciência".

Um comentário:

Anônimo disse...

Gostaria que os assuntos fossem mais resumidos, mas a matéria, mesmo assim, está boa.